A história de um dragão chamado Sombra
8 O vilarejo
Notas iniciais
– Eu não acredito que ocê quer ir atrás desse grito! — Exclamou Fernanda, com certo receio.
— Ocê não pode simplesmente sair atrás de todo grito que ouvir. — Completou Fernanda, com a voz mais calma.
Sombra a encarou com seu típico olhar pidão de gatinho fofo. — Por favor... Sabe que ando esperando por uma aventura, tipo assim, desde sempre. — Sombra começou a falar e depois enrolou sua cauda na própria pata traseira direita, e, se sentou no chão ainda encarando sua melhor amiga.
— Ah. ocê sempre me conquista com esse olhar aí, né... Olha, vou adiantando meus passos nessa estrada, te espero na pedra plana rachada. Enquanto isso, ocê pode ir explorando, essa cidadezinha, feia, quebrada, assustadora e deserta... Pode até estar assombrada. Se ocê dragonzinho tiver coragem é claro. — Fernanda diz o provocando.
— Muito obrigado! Obrigado mesmo, não acredito que deixou. Valeu, valeu, valeu... — Sombra dizia feliz da vida, enquanto saltitava e dava algumas lambidas em Fernanda.
— Não, não, não! Espera! — Fernanda grita, mas, de alguma forma ele já havia saído saltitando e estava longe de mais para ouvir ela falar.
— Aí caramba... — A caipira resmungo pra si mesmo, lembrando novamente que ele tem um péssimo costume de não entender sarcasmo. Pelo menos, em toda sua revolta e preocupação, aquele lugarzinho não parecia ser tão perigoso assim.
Alguns segundos depois, bem longe da estrada, dando uma volta no vilarejo ...
— Uh... Mistérios, adoro. Melhor eu não ir pela rua principal. — Sombra começa a narrar a própria aventura. Enquanto isso contornava a cidade a uma certa distância, achando um ponto cego e uma janela aberta.
Ele evitava a rua principal ( única rua ), que se estendia até o horizonte em duas direções. uma ele não via o fim, o outro por algum motivo não olhava, parecia apenas um cisco no olho ou algo do tipo, um borrão no canto do olho.
Sombra se esgueirava atras de uma das casas, ao qual ele viu estar com uma janela aberta. Ele logo entrou meio desajeitado pela janela entreaberta, ela estava enferrujada e por pouco, Sombra não se cortou.
Ao cair dentro da casa como um cachorro atrapalhado fazendo muito barulho, ele logo se levantou e olhou para os lados apressado, vendo se ninguém estava o observando. Logo ele notou, a casa é velha, muito velha. — Esse lugar parece estar abandonado a anos... — Completou consigo mesmo, observando a casa de madeira branca.
Ele caiu na cozinha. As paredes eram de madeira branca, velha, quebradiça e com certas tábuas penduradas pela metade ou simplesmente faltando. A mesa e as cadeiras jogadas no chão, armários vazios de porta aberta e com teia de aranha. Havia buracos no teto no qual entravam os raios de sol. Uma pia velha e enferrujada...
— Creio eu, que isso aqui foi uma cozinha um dia... — Sombra tira sarro, rindo da própria piada. Logo começava a andar pela casa, com muito cuidado, ouvindo as tábuas rangendo sempre que pisava no chão.
" As pessoas que moravam aqui... Com certeza fugiram as pressas, à muitos anos... " Sombra pensa, analisando os armários abertos, quadros e molduras de fotos sem as fotos...
Sombra logo explorou os cômodos que faltavam, nada, simplesmente não tinha nada. Todos os cômodos eram genericos, revirados e velhos. Logo foi as outras casas, todas iguais, misteriosamente desertas e assustadoras... Com exceção de uma, na qual tinha uma moldura com uma escopeta de caça antiga encima de uma lareira, e, um esqueiro de aço na gaveta do armário ao lado, acompanhado por duas balas da escopeta, por sinal bem bonito pra uma velharia. Estava tudo abandonado a anos e ele sabia que não sentiriam falta. Sombra amarrou a alça do rifle em suas costa e as duas balas da escopeta junto ao esqueiro, em um bolso especial escondido no cachecol, Fernanda fez esses bolsos pra ele guardar as chaves reservas de alguns lugares da fazenda. logo após dar uma olhada na ultima casa, notou o estranho formato das casas, elas por algum motivo pareciam fazer uma seta, apontando para um dos horizontes, no qual Sombra simplesmente não conseguia olhar na direção, parecia que algo repelia seu olhar, o horizonte só aparecia no canto de seu olho.
" Mas que... " Sombra pensava enquanto começava a ficar enjoado. Começou a andar em direção a aquela coisa que não podia ver. Era como se aquilo não quisesse ser visto.
Ele andava, andava e andava, parecia não chegar nunca devido ao enjôo de encarar aquilo ao qual não consiguia ver. Logo correu, correu como o vento, a toda sua velocidade, pouco menos rápido que um cavalo de corrida. Ele se sentia atraído e repelido ao mesmo tempo pelo borrão. É tão místico, tão assustador, tão mistérioso...
Logo no auge de sua velocidade, ao máximo que podia ir... Bam! Ele simplesmente bate em algo, frágil como vidro, mas suficientemente duro pra fazer ele sair rolando ao ouvir o "Crack", o frágil e pontiagudo material cortou um pouco de suas escamas e logo o fez sangrar. Ele rolou umas três vezes e finalmente arrastou a cara no chão, comento um pouco da grama vermelha...
" Espera. Grama vermelha ? " pensou se levantando e olhando para trás. era como se ele tivesse acabado de fazer um buraco no nada! Do lado que ele estava o céu era cinza, a grama vermelha e o horizonte levemente avermelhado. Logo olhou para o buraco ao qual ele fez, o céu era azul e a luz passava lentamente através do buraco, espera de novo, lentamente ?
Sombra se aproximou assustado até a entrada, era como se a luz entrasse lentamente, caindo em direção ao chão, como o ponteiro parado de um relógio. O horizonte do lado de fora estava parado! Os pássaros imóveis no céu, os estilhaços flutuando no nada do lado de fora. Aquilo foi o suficiente, Sombra estava quase paralisado. Então ele olhos de volta pra onde ele estava, tinha algumas árvores estranhas na frente, provavelmente atrás delas uma aventura o espera.
— Aqui estou eu... Eu vim pra abalar... — Sombra disse animado enquanto se preparava pra escalar uma grande árvore vermelha a sua frente. " nota mental, não falar mais essa frase estúpida " pensou consigo mesmo.
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