A história de um dragão chamado Sombra
5 Momentos tristes e a alegria de um livro
Notas iniciais
Lá estava ele, um corredor escuro, as paredes são preto marfim, o chão... Também, há quadros por toda a extensão do corredor, tão longo que não se via o fim no horizonte, todos os quadros tinham gravados em si um rosto, de um dragão simples, a uma grande diversidade de animais antropomórficos, todos olhavam cegamente em sua direção, tem um tapete branco com as bordas costuradas em mini cordas igualmente brancas logo abaixo de suas patas. Ele começa a andar para frente, não tinha muitas opções mesmo, "que mal o faria" ele pensou.
O corredor simplesmente não acaba e suas patas já estão cansadas, ele olha para trás e toma um susto tão grande que quase da um salto, há uma parede bem atrás dele, o tanto que andou e essa parede ainda está lá, parecia terem se passados horas... Então ele vê, os quadros jamais foram os mesmo, eles continuam mudando ou aparecendo novos no lugar, ele começa a se desesperar e corre, simplesmente corre, sente o calor de dentro dele querer sair para fora até que, as paredes começam a sangrar, as luzes se apagam e todo o brilho que resta, são os olhos dos seres dos quadros, Sombra começa a correr por sua vida, desesperado, extremamente amedrontado por não ter aonde ir, as criaturas que aos poucos saíam dos quadros eram sombras em suas devidas formas, grotescas e pareciam estar derretendo com o simples contato do ar quente e abafado da sala, Sombra correu como um condenado, tropeçando nas próprias pernas, simplesmente corria enquanto o breu assolava o corredor, ele já não via um palmo adiante do seu rosto, até que o tapete que pisava ficou vermelho de um piscar de olhos para o outro, as pequenas brechas da parede de madeira negra começaram a vazar, um líquido vermelho rubro, que se destacava de forma brilhante no escuro, Sombra estava começando a ter um ataque cardíaco quando viu uma luz no fim do corredor, ele recuperou as energias e olhou para trás enquanto corria, os monstros corriam logo atrás dele oque o tornou
Ainda mais amedrontado, olhou de volta para frente e pulou em direção luz como um mergulhador em sua piscina, mas oque aconteceu foi totalmente diferente do esperado, tudo começou a queimar e ele Gritou de dor enquanto se debatia, seus olhos queimavam e ele gritava cada vez mais alto até que alguém o abraçou, ele se debateu mais um pouco e logo abriu seus olhos.
Ele tremia como um potro recém nascido e tinha o horror em seus olhos. Sombra estava sentado em um pequeno cubo de feno, explicava seu horrível pesadelo para a pessoa que decidiu confiar e chamar de amiga, Fernanda não sabia muito bem como reagir a isso mas decidiu concluir todo o seu plano de " adentrar Sombra as idéias, sociologias e outras coisas humanas " ela não tinha certeza se Sombra iria saber ler, mas decidiu trazer um livro para ele, ela notou que ele falava a sua língua, obviamente não foi muito difícil descobrir isso, logo ela pensou que talvez fosse a mesma escrita que Sombra conhecia, ela ainda se perguntava "de onde ele veio?", lá no fundo de sua cabeça batendo de volta como um relógio de ponteiro.
— Som... Eu vou pegar algo que vai te agradar, volto logo. Prometo que foi só um sonho ruim, os monstros não vão te pegar, lembre se de não fazer muito barulho... — O tom sereno foi virando um sussurro enquanto Fernanda saía do celeiro
Sombra realmente sentia medo, ele acordou por volta das quatro da manhã, Fernanda estava o abraçando fortemente e logo falou que ele tinha começado a se debater e resmungar palavras aleatórias de completo terror ... Ele se perguntou se machucou ela sem querer ou coisa do tipo, mas tudo isso realmente foi um susto e tanto.
Ele tinha desviado um pouco a sua atenção, o que será que sua amiga iria trazer a ele, um relógio digital talvez ? Ele realmente está obcecado com esses relógios.
Enquanto Sombra viajava dentro de sua cabeça, Fernanda entrou no celeiro sorrateiramente e nem foi percebida.
Fernanda logo sussurrou ao lado de sua orelha- Pensando na vida ? -Sombra travou ao ouvir Fernanda falando em seu ouvido, sentiu até algumas escamas se armando.
— Ei! — Exclamou Sombra e se virou pra Fernanda, ele já ia reclamar com ela e viu algo enrolado em um pano, logo abaixo de seus braços.
— o que é isso ? — Sombra logo se acalmou e perguntou sobre oque estava escondido por baixo do lenço.
Fernanda começou a desenrolar o pano e começou a falar com sua voz calma — Eu acho que você vai adorar, já vai ter algo pra fazer além de dormir, vai poder distrair a cabeça e eu vou poder fazer meus afazeres sem me preocupar com oque você anda aprontando... bem, essa última parte não é muito importante pra você — terminou de falar com um belo sorriso no rosto e ergueu o livro bem a frente dela.
Sombra olhou um pouco de lado para poder ver a capa do livro no sentido correto — História ? Eu acho que já tive um desses antes... serve pra ler, bem... É... Eu... — Sombra logo foi interrompido por Fernanda que começou a acaricia o lado do seu rosto e disse — É um livro, não precisa ficar nervoso quando não se lembrar o nome das coisas garotão, eu estou aqui para te ajudar... — Fernanda o acalmou.
ele está aqui a tão pouco tempo e Fernanda já reparou em sua depressão, se ele se depara com algo que não lembra o nome, ele fica extremamente nervoso e por vezes quase chora, ela notou também que na maior parte do tempo está exaltando uma expressão tristonha e preguiçosa, um livro com toda certeza vai ajudar, principalmente um que conta a história humana, isso realmente vai esclarecer muita coisa e entreter bem ele se...
Fernanda olhou pra um lado, para o outro e logo perguntou a Sombra — você sabe ler, certo ? — terminou Fernanda enquanto dobrava o pano.
— Bem, eu acho que sim, que engraçado... As coisas são tão estranhas mas certas vezes simplesmente se organizam e começam a fazer sentido diante dos meus olhos — Sombra disse enquanto refletia e logo se sentou, pegou com muito cuidado o livro, usando uma mão para apoiar e a outra ele calmamente com uma de suas garras abriu a capa, leu em voz alta o simples título impresso em tinta preta na simples página branca — Os principais acontecimentos históricos no mundo, o guia dos guias, volume um — Sombra leu empolgado.
Fernanda sorriu extremamente alegre e disse que precisava ir, lhe deu o pano simples que cobria o livro e disse que ele poderia usar de cobertor, deu um abraço apertado no dragão que sofria constantemente com uma baita crise de identidade e saiu saltitando com suas botas country de cowboy em direção a sua parte dos afazeres na fazenda.
–---- FIM DO QUINTO CAPÍTULO -----
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