Era uma vez um coração. Não,não se preocupe.. não vou descrever a trajetória detalhada do desenvolvimento desse órgão desde sua origem embrionária. Pelo contrário, deixemos de lado detalhes de sua origem mesoderma esplâncnica e foquemos em uma história de caráter mais onírico.
Esse coração qualquer vivia cercado de outros tantos corações. Eram claramente muito diferentes. Alguns tinham o formato meio incerto,alguns eram acelerados demais,outros não tinha tanta força pra empurrar o sangue com maestria,alguns não tinham o feixe de His completo.. se duvidar nem de His eles tinham ouvido falar. Mas,todos com suas peculiaridades e semelhanças não deixavam de ser denominados corações. Afinal, pulsavam,vibravam e sentiam o ardor mais íntimo de se estar vivo.
Nosso coração protagonista ganhou esse destaque por ser um coração extremante diferenciado. Começa pelo fato de que ele nem queria ficar no mediastino.. nunca sabia quando correr ou quando parar.. na verdade ele nunca quis parar (graças a Deus).
O nosso coração mesmo meio atípico,assim como os demais também tinha a chave que serviria para abri-lo. Um tempo atrás o cérebro tinha lhe avisado:”Essa chave permite que você entregue a responsabilidade ao outro de se abrir a todo e qualquer sentimento. Guarde ela e entregue para a pessoa pela qual você crer que vale a pena”.
Convenhamos que nosso coração protagonista não deu ouvidos para o aviso do cérebro..afinal “quem em sã consciência nesse corpinho abençoado por Deus vai escutar o cérebro?” Intrigou-se o coração.
Dias se passaram e nosso destemido protagonista tinha o ímpeto de testar o poder de sentir. Assim como um bom marinheiro de primeira viagem,o ímpeto pelo novo e pelo desconhecido fazia com que ele pulsasse a todo vapor. Até que quando ele menos esperava..alguém estava diante dele querendo a chave pra abri-lo. “Mas quem era esse que se autodeclarou digno de usar minha chave pela primeira vez?” Perguntou-se o coração.

”Tudo bem. Estou ansioso pra deixar você entrar,mas se eu te der a minha chave quem garante que você irá me devolver?”
Diante de si,o alguém em questão não deixou transparecer qualquer tipo de questionamento ou de indiferença.. apenas esticou a mão e disse:
“A incerteza é um dos preços pelo qual você deve pagar para poder sentir o que deseja sentir”.

Notas finais
Comente o que você achou desse capítulo! O feedback de vocês é muito importante! Em breve, sairá o 2 capítulo!