A história de um Uchiha

2 Quando a esperança prevalece


Notas iniciais
Boa leitura!

Depois de tudo preparado e Sakura entrar na sala, fui permitido a participar do parto apesar das complicações, quase desisto de assistir aquilo até o fim, ela parecia sofrer tanto, mas eu fiquei com ela, dei minha mão para ela segurar, e eu não consigo explicar a sensação que senti quando minha filha, tão pequenina chorou ao nascer, fiquei admirado com ela.

Mas quando foi a vez do meu filho sair, a demora foi um pouco maior, o cordão umbilical estava preso ao seu pescoço e necessitou de maiores cuidados, quando ele nasceu ele não chorou, mas após as palmadas nas costas dele, finalmente o choro veio e um alívio me dominou.

Estranhei a movimentação suspeita dos enfermeiros e médicos e parei um deles para que me explicasse a situação.

–Com licença, pode me explicar o que está acontecendo? Eles estão bem certo?- supliquei com os olhos para que a resposta fosse positiva.

– Claro! Me chamo Shizune, os filhos de vocês são muito prematuros, vão precisar ficar encubados para ganharem peso e desenvolverem completamente os órgão internos, a sua filha está em uma situação melhor que a do seu filho, mas não deixam de correr risco de vida.- Parecia que meu mundo estava caindo, abracei a Sakura, ficamos um confortando o outro.

– Nós podemos vê-los?

– Pela manhã já vão poder vê-los, mas não vão poder pegá-los no colo ainda.
Quando ficamos sozinhos, Sakura começou a chorar e se agarrou a mim.

– Eu *Soluço* quero *Soluço* ver os meus filhos — Mais lágrimas, me mantive forte, me contendo o máximo para não chorar também.

– Me desculpe Sa*soluço* Sasuke! Eu sou a culpada disso, se ao menos eu fosse saudável, isso não teria acontecido com eles- Chorou, e eu chorei junto com ela, estava me sentindo tão estranho como nunca havia me sentido.

– Você sabe que isso não é verdade, você fez de tudo para mantê-los saudáveis, e agora temos que ser fortes.

A Sakura foi levada a um quarto privado e eu fiquei com ela o tempo todo, abraçados um confortando o outro, ela dormiu depois de uma hora de tristeza, mas eu não consegui dormir, teve um momento que lembrei da nossa família, mas eram cinco da manhã, era cedo demais. Mesmo assim, estava inquieto, então decidi ligar para o Itachi e falar pelo menos pra ele. Atendeu depois da terceira tentativa.

Ouvi um bocejo – Maninho o que foi? São cinco da manhã!

–Desculpa — Falei desanimado- É que.. a Sakura deu a luz agora de madrugada.

– O quê? Mas ela ainda está de seis meses não é? Como meus sobrinhos estão?

Comecei a ficar nervoso- Eles estão correndo risco de vida, não sei o que fazer, acho que não vou dar conta, quando olho para a Sakura e vejo ela com aquele olhar triste, e ansiosa, preocupada, me sinto muito culpado. – Respirei fundo.

– Ah cara, que péssimo, mas você não tem culpa, sempre cuidou muito dela, e você tem que ter fé! Vai dar tudo certo e vocês vão sair daí com os meu dois sobrinhos lindos nos braços.-Ouvi alguém falando no fundo: O que foi amor?- Depois te conto Issa, maninho já telefonou para a mamãe e o papai?

–Ainda não, acho que vou esperar ficar mais tarde, desculpa acordar vocês, mas eu precisava falar com alguém.

–Se quiser eu ligo para os nossos pais, mas tem que ser logo, a mamãe não vai te perdoar se não a avisar logo. E eu já estou indo pra aí pro hospital.

–Tudo bem, pode ligar, mas é sério, não precisa vir essa hora.

–Eu vou e fica quieto- me dei por vencido.

Meia hora depois, ele apareceu, com a Issa, a mamãe e o papai.

–Ah meu filho, eu sinto muito- Falou a mamãe me abraçando, e eu a abracei mais forte.

Meu pai se aproximou e me abraçou também e depois fiquei olhando para os dois admirado, imaginando se foi assim que eles se sentiram quando o Itachi sofreu um acidente de moto, ou quando eu quase morri com um coágulo no cérebro.

– Quero me desculpar, pelas vezes que fiz vocês se preocuparem tanto, nunca pensei que a dor que sentimos ao ter medo de perder um filho fosse tão grande. – estava com o punho fechado sobre o meu peito, olhei para eles e me curvei em sinal de súplica.

– Ah meu filho, não se preocupe com isso, venha aqui – minha mãe me puxou para um abraço e eu me derramei em lágrimas no aconchego materno que me acolheu.

Algum tempo depois, meus familiares foram tomar café da manhã na cantina do hospital, enquanto eu fui para o quarto onde minha esposa estava acomodada. Ela estava acordada, e olhou para mim, quando passei pela porta do quarto.

– Oi... – Falou fraca- Seus pais vieram?

– Sim, meu irmão e a noiva também vieram. Ele falou que ia tirar o dia de folga no trabalho hoje.

–Muito atencioso da parte dele.

–Que nada! Ele só quer faltar o trabalho- Sorri para descontrair o clima pesado entre nós, e ela sorriu em retorno.

– E meus pais?

–Falei com eles, mas vão chegar daqui para o meio dia, por conta da distância.

–Entendi.

– Alguma enfermeira veio aqui enquanto eu estava fora?

–Veio uma para ver se eu estava bem, e para me medicar, mas ela não soube me passar nenhuma informação sobre a Sarada e o Akira.

–Então eu vou lá perguntar para alguém. – Quando ia me levantando alguém entrou no quarto, era a tia Tsunade. Sentei novamente e Sakura a olhou esperançosa.

–Olá! — Assentimos com um movimento afirmativo com a cabeça. — Podem me acompanhar? Sakura! já consegue andar?

Olhei para a Sakura e ela disse que sim, então a ajudei a se levantar e a apoiei durante o caminho. Fomos levados a uma sala que tinha vários recém nascidos, encubados em uma espécie de cama especial que só tinha espaço para a entrada de dois braços, essa cama especial era preparada com vários equipamentos de monitoramento de batimento cardíacos e respiratórios.

Andamos mais um pouco e chegamos a duas incubadoras, uma tinha um pequeno garoto, e no outro uma pequena garota um pouco maior. Eram os meus filhos, tão calmos se mexendo apenas minimamente para mostrarem que estão vivos, ver o movimento de sobe e desce do tórax deles era como ganhar na loteria a cada movimento, o movimento da respiração.

Olhei para o lado e vi a Sakura tentando ser o mais forte possível olhando com carinho para a nossa filha com a mão sobre o vidro fazendo um movimento de carinho que ela na verdade queria estar dando na bebe, mas não pode, não podemos.

É tão sufocante o sentimento de impotência que estamos sentindo, ver nossos filhos sofrendo, ver minha esposa sofrer pela incerteza da vida dos nossos filhos, da saúde deles, o medo de não poder sentir o calor das mãozinhas tão pequenas, tão frágeis deles.

Lá na sala tiraram leite do peito da Saky, para ir introduzindo por sonda na alimentação deles, pois segundo Tsunade o leite é a maior fonte protetora do bebe nos seus primeiros anos de vida, mais ainda em bebes prematuros.

Depois disso nos levaram de volta para o quarto, não podíamos ficar muito lá naquele quarto, pois havia bebes muito sensíveis a bactérias, e podíamos acabar prejudicando a vida de alguma criança que estava lá.

No quarto conversamos muito, ela chorou muito, mas aumentou a esperança dentro de nós, depois de ver os rostinhos deles, tão lindos. Akira tinha cabelo preto como o meu, mas seu olhinho era verde como o da mãe e Sarada tinha o cabelo pretinho como o meu e os olhos eram igualmente ébanos, ambos tinham a pele bem vermelhinha, pois haviam acabado de nascer e pesavam: Sarada um setecentas gramas e Akira pesava seiscentos e noventa gramas, os dois mediam em torno de 30 centímetros. Diferença de dois centímetros um do outro.

Os pais da Sá chegaram em torno da hora do almoço e a minha e a família dela, passara a tarde toda bagunçando o quarto em que estávamos , desde o dia anterior que não tomava banho, então aproveitei o fato de ter tanta gente lá com a Sakura, pedi licença para ir até em casa, tomar um banho e pegar as coisas da Sakura e das crianças.

Quando voltei, apenas as mulheres estavam no quarto.

–Estou atrapalhando?- bati na porta.

–Não querido, você trouxe as coisas que pedi?- Sakura falou.

– Sim, e trouxe os ursinhos que você esqueceu de pedir também.- Olhei para os ursinhos que escolhemos a dedo, para ser o primeiro brinquedo deles.

–Obrigada- Sorriu gentilmente.

Fui até o sofá e depositei as coisas lá, então sentei ao lado da minha esposa na cama.

– Sasuke seu baka, por que não me ligou antes?- Falou Naruto, que entrava a toda velocidade no quarto seguido pela Hinata ( Eles eram casados e tinham um filhinho ainda de colo que se chamava Boruto, Naruto é o meu melhor amigo e Hinata umas das melhores amiga da Sakura).

– Eu não tenho nenhuma obrigação de te falar nada Naruto!

– O quê? Fala assim com o padrinho dos seus filhos? Assim fico triste- Fingiu chorar, e todo mundo riu. Hinata então se aproximou com uma cesta de frutas e entregou para a Sakura que agradeceu.

–Sakura-san, a Ino e os nossos outros amigos disseram que virão para cá de noite por que não conseguiram ser dispensados dos seus trabalhos hoje. – Falou Hinata.

– A Ino não estava em Tókio organizando o desfile da grife dela? – Comentou Saky.

– Sim, mas ela ficou louca quando soube, deixou à assistente cuidando dos preparativos e pegou o primeiro vôo pra cá. – Todos na sala riram, pois sabiam que Ino era muito exagerada quando se tratava dos bebes. Antes mesmo de eles nascerem ela já dava altas crises de preocupação, e era tão coruja que fez questão de desenhar pessoalmente metade do guarda-roupa das crianças.

Quando acabou o horário das visitas ficamos sozinhos e uma enfermeira veio nos dar uma informação.

– Boa noite, vim lhes informar que a situação de seus filhos é estável, eles estão se recuperando de uma maneira bem rara pelas condições dos mesmos, podemos dizer que está acontecendo um milagre- Nos olhou sorrindo orgulhosa, eu e Sakura nos entreolhamos felizes e surpresos. –Vocês já vão ser liberados do hospital amanhã, e podem vir visitar os seus filhos durante a manhã e a tarde, a previsão é que eles só terão alta daqui a quatro meses, então tenham paciência, por favor, se querem que eles saiam daqui com a melhor saúde possível.

– Claro! Obrigado!- Sorri para ela, então a mesma pediu licença e saiu do quarto.

Olhei para a Sakura e a vi deitar-se aliviada na cama olhando para o teto, deitei também, mas virado para ela, segundo depois ela se virou para mim também e ficamos olhando fixamente um para o outro como se nossos olhares estivessem conversando sem que precisasse ser dita nenhuma palavra audível, levei minha mão até o rosto dela e retirei uma mexa do cabelo dela que estava trabalhando minha visão do lindo rosto da minha mulher, coloquei a mexa atrás da orelha dela e alisei delicadamente a bochecha rosada, roçando na pele delicada e macia. Me aproximei do seu rosto e a beijei delicadamente, começou com selinhos demorados como se passasse a mensagem: você não está sonhando é real sim, então aprofundei o beijo pedindo a passagem para a minha língua, passagem que imediatamente me foi cedida. Ficamos um bom tempo assim, apenas sentindo as carícias um do outro, e por fim a abracei de modo protetor e dormimos tranquilos pela primeira vez em muito tempo.

Notas finais
Obrigada por ter lido!