Notas iniciais
EU VOLTEEEEI AGORA PRA FICAAAAR~~~ ahuahuahuahuah Sério, esses dias eu me enrolei com faculdade, mais a outra fanfic tododeku (vai conferir), mais bloqueio criativo, mais minha beta Lisiane gosta mais de mim, mais vontade de me jogar de uma ponte... foram várias paradas loucas acontecendo, aí eu atrasei tudo. Esse capítulo já estava escrito há um tempo, ok, mas eu precisava terminar alguns mais pra frente porque a partir desse ponto tem muitas coisas conectadas aqui e eu queria fazer bem feito. Antes que essa nota fique maior que o capítulo, vou parar de me explicar e pedir desculpa pra quem ta me acompanhando. Se você ainda me ama, você vai me entender, né? ó_ò Boa leitura ♥

A semana do intensivo havia acabado de começar e os alunos do terceiro ano, pela primeira vez, se encaminhariam para lugares diferentes depois do café da manhã. O clima geral era de ansiedade. Vestidos com os uniformes da escola, despediram-se dos colegas conforme cada um foi deixando o lugar.

O escritório onde Midoriya estagiava não ficava muitas estações distantes dos alojamentos da U.A., por isso podiam se deslocar sem muita pressa, então saíram em um último grupo junto com Koda e Sero, que iriam na mesma direção.

Enquanto o outro garoto ponderava algo, Shoto olhou para a cidade pela janela do trem, imaginando se todas as manhãs seguintes seriam feitas de pequenas e animadas conversas. Ainda perguntava-se o real motivo de ter aceitado o convite de Midoriya tão prontamente daquela forma. É claro que seria uma ótima oportunidade para conhecer um escritório diferente e adquirir experiência, mas havia outra coisa que já o estava preocupando há um tempo, em relação a si mesmo e ao rapaz, a qual talvez só fosse possível de compreender ao trabalharem juntos.

No momento em que entraram em um túnel, pôde ver seus reflexos de pé e instintivamente começou a reparar nas bochechas dele e em como as quatro pintinhas de cada lado eram, de certo modo, assimétricas. Desde atrás de sua orelha, um pequeno cacho verde se formava e Shoto imaginou como seria a sensação de enrolá-lo nos dedos.

Depois de um instante, viu-o levantar o rosto em sua direção, pelo vidro, e então desviar os olhos, para depois encará-lo novamente com uma expressão curiosa. Já fazia um certo tempo que sentia-se inclinado a observá-lo sempre que tinha a oportunidade, mas quando Midoriya esboçou um pequeno sorriso em sua direção, foi como se houvesse perdido o ar dos pulmões. Apertou a barra de ferro um pouco antes da luz de fora ofuscar suas imagens refletidas, anunciando que seu destino havia chegado.

Caminharam em silêncio até o prédio do escritório. Shoto sentia o coração bater como se houvesse acabado de fazer alguma atividade física, assim que a lembrança recente do sorriso do garoto voltava à sua cabeça. Cogitou a possibilidade de que pudesse estar ficando doente. Precisava colocar os pensamentos no lugar em relação à tudo aquilo o quanto antes.

Apresentou-se novamente a todos assim que entraram pela porta de correr metálica, que precedia uma sala de tamanho mediano, onde haviam duas escrivaninhas com monitores, quadros por toda a parede dos fundos, alguns armários e uma mesa redonda no centro, cercada por cadeiras simples. Era um lugar que parecia aconchegante até demais para a função que desempenhava.

De um dos computadores, Lemillion chamou a atenção de Midoriya e, que praticamente correu até o local enquanto tirava da mochila um caderno. Escutou-os discutir alguma coisa sobre estatísticas enquanto dividiam a atenção entre o monitor e as anotações do rapaz. Aquilo era diferente do que estava acostumado a fazer com Endeavor, por isso se ateve a prestar atenção no máximo possível. Ao deixar o caderno na mesa com o colega, Midoriya voltou até onde Shoto estava parado, desculpando-se pela pressa anterior e explicou que antes de começarem as atividades, fariam uma pequena reunião.

Sentados em volta da mesa de centro, olhando para uma maquete eletrônica projetada, três heróis e agora dois estagiários discutiam sobre a nova área de atuação e as funções atribuídas a cada um a partir daquele mês. Era um escritório pequeno formado por jovens, afinal.

Soube que precisaria entregar um relatório a cada dia de trabalho. Midoriya, que provavelmente já estava habituado a fazer isso, anotava várias coisas na medida em que a conversa avançava, e também era bastante requisitado quanto à estratégias e planos de ação, já que tinha detalhes importantes sobre possíveis vilões por escrito e uma boa memória. Todos pareciam contar com ele de uma forma instigante.

— O que acha, Shoto-kun? — Kuroko, uma heroína alta e esguia, cuja individualidade, escuridão, podia cegar temporariamente quem a ouvisse cantar em um raio de mais ou menos vinte metros, chamou-o com uma expressão amena, enquanto apontava para o mapa. — Como vocês fazem lá no Endeavor em relação à patrulhas?

— Isso! — Lemillion apoiou as mãos na beirada da mesa e se debruçou para frente sorrindo. — Como o atual herói número um mantém seu status de heroísmo tão grande?

— Ele mantém o foco onde existe o maior número de pessoas ou pontos críticos na cidade que possam ser alvos de vilão. — Shoto ignorou todas as ressalvas que teria para fazer quanto ao status de heroísmo do pai e continuou, tentando não deixar o desconforto transparecer. — Mas no geral, costuma ser mais instintivo da parte dele.

Por um minuto, todos se entreolharam até que Raindrop interrompeu o silêncio com uma gargalhada. Shoto desconhecia a expressão da pessoa pequena cujo rosto estava coberto por uma capa de chuva amarela, mas sabia sobre seu constante humor sarcástico e que sua individualidade consistia em poder fazer qualquer tipo de vinha crescer no solo onde gotejava através da pele. Também ouvira dizer que dentre todos ali era a pessoa mais experiente por ter entrado e se formado na U.A. dois anos adiantada.

— Como esperado dos adultos há mais tempo! — Ao levantar-se, revelou que sua altura não passava muitos centímetros do tampo da mesa. Estava usando galochas e apenas as mãos apareciam por baixo das roupas — Certo, reunião acabada. Assim que as crianças se trocarem, nós três vamos sair para dar uma voltinha. Lemillion, eu preciso daquele gráfico pronto até a hora do almoço.

Ao se dispersarem, seguiu Midoriya até o vestiário único. Recebeu uma chave para o armário mais abaixo à esquerda, onde poderia guardar as coisas durante a ronda. Vestiu seu traje enquanto o colega lhe falava dos acontecimentos da semana passada e sobre como se manteriam próximos ao shopping graças a eles. Raindrop os esperava do lado de fora e pôs as mãos na cintura ao vê-los.

— Vocês são muito bonitinhos. — Comentou apontando para a direção onde iriam. — Eu nem acredito que esse ano nos deixaram até ter estagiários! E pensar que há apenas alguns anos eu e Kuroko estávamos lutando para conseguir abrir nosso próprio lugarzinho. Imagino se ano que vem vão nos deixar contratar algum tipo de suporte também, não seria ótimo, Deku-kun?

— Seria bom se tivéssemos algum técnico. — Midoriya respondeu pensativo. — Por mais que Kuroko-san seja muito habilidosa com eletrônicos, acredito que alguém mais especializado tiraria essa responsabilidade dos ombros dela.

Shoto observou-os enquanto conversavam sobre futuro do escritório, percebendo que no próximo ano já era esperado que Midoriya começasse a trabalhar ali. Era estranho não estar em um ambiente em que as pessoas se esforçavam mais para competir do que para cooperar, o que combinava bastante com o outro garoto, mas não tanto consigo. Seu objetivo era superá-lo, no fim das contas.

— Eu espero que essa semana seja bem atarefada para que vocês possam extrair bastante da experiência. — Raindrop continuou, enquanto viravam uma esquina para uma rua mais movimentada. — É para isso que estão aqui, não é mesmo?

No fim do dia, porém, a única ocorrência relevante foi terem retirado um carro de dentro de um buraco em um acidente estranho e encontrar os pais de uma criança perdida.

Foi colocado em uma mesa de frente para Midoriya com objetivo de fazer o relatório, enquanto os adultos faziam a ronda noturna. Ele já estava escrevendo qualquer coisa, enquanto Shoto precisou recapitular desde a reunião até todas as dicas e informações que os profissionais tinham para dar.

— Não é todo dia que tem muita ação, não é mesmo? — Midoriya puxou assunto enquanto coçava o queixo ao encarar o papel sobre a mesa. — Está desapontado?

— Não, eu aprendi bastante hoje. — Viu a expressão do outro se iluminar ao levantar o rosto em sua direção. — Vocês são uma equipe interessante, eu desconhecia a possibilidade dessa forma de organização sem muita hierarquia.

O riso de satisfação de Midoriya ecoou pela sala. Imediatamente, voltou a sentir aquele aperto no coração, ainda que estivesse empolgado o suficiente para sorrir de volta. Era notável o quanto o rapaz estava em casa naquele ambiente e isso o fazia saltar ainda mais aos olhos. Abaixou a cabeça, confuso. Naquele momento, era como se estivesse sentado junto a uma versão mais jovem e bagunçada do próprio All Might, que inspirava a sensação de que poderiam contar com ele para tudo, ele brilhava.

Levantou os olhos para ver que o rapaz à sua frente havia voltado ao texto, murmurando incessantemente alguma coisa inaudível enquanto pensava. Shoto apertou os lábios, lembrando-se de como as pessoas acenavam na rua e pediam autógrafos para o queridinho Deku, finalmente compreendendo aquilo que sentia em relação a ele: admiração.

Notas finais
Estou psicologicamente preparada pra bronca, pode mandar @-@ Mas aproveita e manda opinião sobre o capítulo também, porque eu vivo disso...