A herdeira e o cowboy
4 Parte 3
Notas iniciais
PARTE 3
– Por favor!
Eu não sabia se estava sonhando ou se tinha mesmo ouvido uma súplica. De onde ela vinha? Eu não tinha certeza.
Um soluço rasgou o ar.
– Por favor, não me deixe!
Quem estava deixando quem? Estava tudo tão confuso na minha cabeça naquele momento...
– Você não pode me deixar assim, Bella!
Bella? Essa era eu! Mas para onde eu estava indo? Quem eu estava deixando? Não fazia sentido.
Outro soluço.
– Por favor, Bella, eu sei que fui o primeiro a me afastar, que eu rompi com você antes de dar qualquer chance a nós dois, eu fui fraco e covarde, mas isso é totalmente diferente! Princesinha, eu não posso viver num mundo onde você não exista.
A medida em que o lamento era proferido, eu fui reconhecendo a voz de Edward. Mas o que ele estaria fazendo ali? Achei que estivesse bravo comigo.
– Você pode até não querer me ver nunca mais, mas por favor não se vá para sempre!
– Não estou indo a lugar nenhum. – Lutei para reencontrar minha voz.
– Bella?
Me esforcei para abrir os olhos. A claridade me obrigou a piscar repetidas vezes.
– Bella!
A primeira coisa que consegui focar foi o semblante tenso de Edward, debruçado sobre mim. Mas onde diabos eu estava? Com certeza deitada em algum lugar macio, mas não muito confortável, o lugar era bem iluminado e tinha um cheiro forte.
– Onde eu estou? – Consegui perguntar.
– Na enfermaria da cidade.
– O que aconteceu?
Edward desabou numa cadeira ao lado da minha cama, provavelmente onde estivera sentado antes.
– Você não se lembra?
– Não exatamente... é tudo muito confuso. – Tentei puxar da memória. – Me lembro do rosto de Alec Volturi e... só.
– Aquele pulha tentou te matar!
De repente, a recordação de Alec na entrada do celeiro me mantendo sob a mira de uma pistola, tomou a minha mente. “É tudo culpa sua, vagabunda!”, ele disse.
– O que aconteceu exatamente? – Consegui perguntar, com certa dificuldade.
– Ele atirou contra você. – Edward explicou e a raiva que emanava dele era quase palpável. – Por sorte aquele desgraçado é um inútil até mesmo para atingir seus objetivos. Apesar de você ter caído desmaiada instantaneamente, o tiro pegou nas costelas e não atingiu nenhum órgão vital.
– E o que aconteceu com Alec?
– Jasper ouviu o disparo e foi em seu socorro, ele atirou para detê-lo, mas já era tarde e você já estava caída.
– Jasper matou Alec?! – Perguntei incrédula.
– Infelizmente, não.
– Não fale assim! – Repreendi. – Eu me sentiria muito culpada se algo tivesse acontecido a ele pelas mãos de Jasper para me defender.
– Aquele calhorda está aqui, na sala de cirurgia, sendo atendido pelo Dr. Sandaragani. O caso dele foi mais complicado, parece que foi atingido no fígado; além disso, o socorro a ele foi mais lento, uma vez que todos estavam mais preocupados em salvar a sua vida. Levou algum tempo até que alguém pensasse em trazê-lo para a enfermaria também.
Eu ia perguntar mais alguma coisa, mas a porta se abriu e alguém entrou no cômodo, interrompendo minha linha de raciocínio.
– Bella! – Observei surpresa Charlie cruzar o cômodo a passos largos até o lado da minha cama. Por um instante, pareceu que ele ia me tomar nos braços num ímpeto; porém, no último instante, ele se deteve, parecendo lembrar-se que eu estava ferida.
– Pai?! O que você está fazendo aqui?
– Que tipo de pergunta é essa, Isabella? Você está internada aqui, onde mais eu deveria estar?
– Quanto tempo eu estive apagada?
Tentei calcular mentalmente quanto tempo teria levado para que alguém comunicasse ao meu pai que aconteceu comigo e depois para ele se deslocar da nossa casa até a Califórnia.
– Algumas horas, apenas. – Foi Edward quem respondeu. – O atentado foi ontem, mas o médico disse que seria normal você dormir por mais tempo do que de costume, devido aos remédios para dor que ele te deu.
– E como você conseguiu chegar na cidade tão rápido? – Inqueri ao meu pai.
– Nós já estávamos a caminho. – O cowboy se adiantou mais uma vez em responder.
– Quando chegamos na cidade fomos recebidos pela notícia de que você tinha sido trazida para cá, então nós viemos direto. – Papai completou.
– O que eu perdi? – Perguntei desconfiada.
– Seu pai estava me ajudando a investigar Aro.
– O quê?!
– Você não contou a ela? – Charlie perguntou diretamente a ele.
– Não tive oportunidade. Nossas últimas conversas não foram exatamente amigáveis, sua filha é uma mulher geniosa.
– Eu sei. – Charlie riu levemente.
– Será que vocês dois poderiam me incluir na conversa? – Interrompi, impaciente.
– Quando eu deixei a fazenda, sabia que Aro não desistiria de cercá-la, mas como eu não estava mais por perto tinha medo do que ele pudesse fazer contra você. Fiquei tentando encontrar uma forma de mantê-lo longe, foi então que lembrei que seu pai era xerife em outra cidade e pensei em procurá-lo para pedir ajuda.
– É claro que quando ele apareceu na minha delegacia dizendo que um homem de caráter duvidoso tinha interesse na sua nova fazenda e estava te rondando, eu quis vir direto para cá, ver com meus próprios olhos se você estava bem e te arrancar daqui a força se fosse preciso para te manter segura, mas Edward me convenceu de que era melhor não fazer isso no impulso. – Meu pai completou. – Ele disse que esse tal de Aro era calculista e sorrateiro, que ele não faria nenhum movimento brusco enquanto não se sentisse ameaçado e que, por isso, era melhor a gente agir com cautela.
– E desde quando vocês dois estão de conchavo?
– Nós começamos a trabalhar imediatamente para neutralizar Aro. – Edward respondeu. – Foi ideia do seu pai contatar um conhecido dele, promotor aqui da região, para me ajudar.
– Não sabia que você tinha amigos por aqui, pai.
– Já estive na cidade antes, Bells. Foi onde eu conheci sua mãe. Tenho antigas amizades aqui.
– Ah!
Agora que ele mencionara, aquela informação parecia óbvia, mas eu nunca tinha parado para pensar sobre. Era estranho constatar que aquela cidade fazia parte da história dos meus pais antes que eu nascesse. Agora eu só pensava nela como meu novo lar.
– Prossigam. – Pedi.
– Este promotor, amigo do seu pai, me ajudou a conseguir os certificados de posse das terras da família Volturi, no cartório local. Naquele dia que nos encontramos na cidade, eu tinha acabado de entregar esses documentos ao xerife para que ele abrisse a investigação.
– Enquanto isso, eu fui até a capital em busca das cópias originais dos certificados de posse, para descobrir quem eram os verdadeiros donos das terras.
– Quando nos encontramos, eu disse que tinha uma ideia de onde começar a procurar pistas. No cartório, quando consegui autorização para acessar os documentos de posse, aproveitei para sondar sobre possíveis funcionários que lavraram aquelas escrituras. Acabei descobrindo que o responsável foi um antigo funcionário, que meses depois se demitiu repentinamente e sumiu.
– Isso era bastante suspeito. – Papai ecoou.
– Então, fui atrás dele e não foi difícil achá-lo. O cara estava muito bem de vida numa cidade não muito longe daqui. – Edward prosseguiu sua narrativa. – Pensei que pudesse fazê-lo confessar que foi subornado para substituir os documentos oficiais pelos falsificados no cartório, mas decidi sondá-lo primeiro com cautela. Se aquele homem ainda fosse fiel a Aro eu não queria chamar atenção para a nossa investigação.
– E então?
– Era óbvio que ele não confessaria nada. Por isso, na calada da noite, consegui invadir o escritório dele em busca de provas.
– Que fique claro que esta sua atitude não tem minha aprovação. – Charlie interveio em sua narrativa.
– Eu esperava que ele guardasse algo caso precisasse ter Aro em suas mãos, mas o homem parecia confiante em seu comparsa e no golpe que executaram juntos.
– Meu rapaz, espero que saiba que só não vou abrir investigação contra você porque não há uma queixa formal e eu vou fazer vista grossa para essa sua confissão porque eu sei que você fez o que fez para proteger minha filha, por isso a escuto agora na condição de pai e não de xerife. Mas que isso não se repita, sua atitude foi criminosa e, além de tudo, condenável.
– Obrigado, senhor.
– E o que aconteceu depois? – Perguntei curiosa.
– Eu estava de volta à estaca zero, precisava encontrar um novo ponto de partida. Por isso, voltei para a cidade, para pensar em uma nova estratégia.
– Foi quando nos encontramos de novo, na quermesse. – Concluí.
– Exatamente. – Confirmou. – Naquele dia, me encontrei com o xerife Beau para informá-lo que minha viagem não deu em nada, também para saber como andava as investigações dos documentos que entreguei a ele.
– E então?
– Foi a conversa com o xerife naquele dia que me deu uma nova perspectiva. Percebi que estava tentando a abordagem errada. O antigo funcionário do cartório foi cumplice por aliciação, mas na fazenda devia haver muitos outros cúmplices por subserviência.
– Como assim?
– Se este homem foi mesmo autor de todas as barbáries que Edward me contou, ele deve manter capangas para executar seus desmandos. – Charlie respondeu.
– Provavelmente os peões da fazenda, coagidos pelo vínculo empregatício. – O cowboy completou. – Então, fui pedir emprego na fazenda de Aro.
– E nós nos esbarramos mais uma vez.
Edward assentiu solenemente uma vez, antes de continuar:
– Eu só precisava me aproximar, ganhar confiança de algum dos empregados e fazê-lo confessar o que teve de fazer a mando do patrão. É claro que todos estavam assustados a princípio, ninguém assumia nada, com medo do desemprego ou de retaliação. Eu fui cuidadoso na hora de abordar os peões, eu escolhia os que me pareciam mais éticos e propensos a justiça. Eu não precisava me expor aos mais leais e correr o risco de ser delatado.
– Mas você convenceu alguém. – Não era uma pergunta, eu estava deduzindo isso, ou não estaríamos naquela situação.
– A ajuda veio de onde eu menos esperava. Bree Tanner é uma camareira da casa e ouviu muita coisa que não devia lá dentro. Eu achei que estava agindo na surdina, mas de alguma forma ela sabia o que eu estava procurando e veio até mim. Bree é a testemunha perfeita, mas temia perder o emprego, por isso eu tive que fazer algumas promessas a ela antes de garantir seu apoio.
– Ela pode trabalhar comigo, isso não será problema.
– Imaginei.
– Então, Bree é sua testemunha?
– Sim, uma delas. Ela foi perfeita, além de testemunhar sobre todas as ordens que ouviu Aro dar dentro de casa, ela ainda conseguiu um mapa antigo com todas as demarcações de terra e o nome dos verdadeiros donos e entregou ao xerife Beau.
– Ao mesmo tempo, na capital, eu cheguei ao nome de um dos antigos proprietários das terras que esse Aro dizia ser dele. – Meu pai voltou à conversa, narrando sua perspectiva daquele plano coletivo dos dois. – A partir disso, consegui chegar à viúva e aos filhos do fazendeiro falecido. Após o assassinato violento do marido, a mulher fugiu para o leste com os filhos que eram pequenos na época. Agora, com os garotos crescidos, ela concordou em testemunhar. Até para honrar a memória do marido, já que o crime contra ele mal foi investigado na época.
–Depois do depoimento de Bree, um dos peões também percebeu que o cerco estava se fechando e concordou em testemunhar sobre todos os desmandos que teve de executar. – Edward voltou a narrar. – Foi neste momento que parti novamente para o norte, buscar Charlie para testemunhar sobre o que ele descobriu na capital. Com certeza com todos esses depoimentos e provas, logo haveria um mandato contra Aro Volturi.
– E foi isto, nós estávamos a caminho quando a situação toda explodiu aqui. – Papai concluiu.
Agora tudo fazia sentido. Então, Edward estava certo. Aro era um bárbaro, violento e criminoso, que construiu sua fazenda em cima de sangue, sofrimento e destruição. No fim, ele realmente tinha me salvado de um destino um pouco mais cruel. Mas talvez eu mesma tivesse ganhado um tempo valioso também com a negociação. Quem me garantia que ele não teria agido com violência mais cedo, se eu não o tivesse oferecido outra opção para ele pensar?
Enquanto eu ainda tentava absorver toda a narração dos dois homens, a porta da enfermaria se abriu e o médico entrou carregando uma pessoa numa maca, com o auxílio de uma enfermeira. De relance, vi uma porção de cabelos escuros sobre a maca e deduzi logo quem estava ali.
– O que esse patife está fazendo aqui?! – Edward bradou, se pondo de pé num átimo.
– Está é a única enfermaria da cidade e ele precisa de cuidados. – O médico respondeu.
– Mas minha filha vai ser obrigada a ficar no mesmo ambiente que o homem que atentou contra a vida dela? – Meu pai também questionou, igualmente bravo.
– Não se preocupe, xerife Swan. – Disse o xerife Beau entrando no recinto logo após a maca que trazia Alec. – Ele está sob custódia e eu tratei para que tenha sempre um dos meus homens aqui para vigiá-lo. Enquanto estiver sob cuidados médicos, garanto que esse rapaz não apresentará nenhuma ameaça a vocês.
– Ah, mas não será mesmo! – O cowboy rugiu se mantendo à minha frente, como se seu corpo fosse um escudo para mim. – Antes que ele tente alguma coisa eu o mato!
– Ninguém vai matar ninguém na minha enfermaria. – O médico disse.
– Exatamente! Eu também não vou permitir nenhuma violência, de nenhum dos dois lados! – O xerife fez coro. – Os meus homens vão se revezar em montar guarda aqui para manter a ordem.
Com sorte, posicionaram Alec do outro lado da enfermaria, o mais longe possível do meu leito. Ele parecia adormecido, mas deitada onde estava eu mal podia vê-lo. Depois de acomodá-lo em seu leito, todos os outros deixaram o cômodo, apenas um soldado ficou ao lado de Alec, a mando do xerife, para vigiá-lo.
Edward e meu pai sentaram-se, cada um de um lado meu, o clima ainda era pesado no ar. Por algum tempo ninguém falou nada, apenas aquele silencio tenso pairou. Depois de alguns minutos, foi fácil ignorar a presença de Alec, afinal ele estava mesmo inconsciente e, aos poucos, nós voltamos a conversar.
– Meu filho! – A mãe de Alec invadiu a enfermaria de forma dramática, gritando ao escancarar a porta.
Ela cruzou todo o cômodo depressa e se debruçou sobre o filho.
– Senhora, você não pode ficar aqui. – O soldado de plantão naquele momento a informou.
– É o meu filho! – Ela gritou de volta para ele, malcriada.
– Eu sinto muito, senhora. Mas ele está sob custódia e eu não posso permitir visitas a menos que haja uma ordem judicial. – Ele tentou afastá-la.
– Eu voltarei, meu filho. – Sussurrou mais contida, acariciando de leve o rosto de Alec e deixando uma lágrima correr pela face. – Conseguirei a maldita ordem judicial e voltarei para ficar com você.
Então ela se deixou ser conduzida para fora pelo policial. De certa forma, eu me sentia empática por aquela mulher. Mesmo que seu filho fosse responsável por quase tirar a minha vida, eu só podia imaginar a dor que uma mãe sentia ao ver seu rebento desacordado numa maca de enfermaria.
~*~
No dia seguinte, recebi diversas visitas. A primeira foi Angela, acompanhada do noivo, Ben, que me trouxeram alguns itens pessoais. No início da tarde, vieram Emmett e Rosalie. Ele falou comigo rapidamente, depois se retirou com Edward para conversarem a sós, enquanto Rose passou a tarde inteira comigo, os dois peões só retornaram horas depois. Ao anoitecer, foi a vez de Esme, Carlisle e Alice. Eles estavam preocupados comigo, com minha saúde, mas também com o estado do filho, como meu fiel acompanhante. Para que Edward se virasse melhor, trouxeram uma muda de roupas limpas para ele trocar e mais alguns itens pessoais. A família Cullen permaneceu comigo por um bom tempo, mas partiram antes que ficasse muito tarde. Novamente, me vi sozinha na companhia do cowboy e do meu pai.
Depois de passar dois dias inteiros ao meu lado num leito de enfermaria, Charlie parecia esgotado. Mesmo assim, ele não se rendia e permanecia ao meu lado.
– Pai, o senhor deveria ir descansar.
– Eu estou bem. – Ele retrucou tentando manter a pose de durão, mas até sua voz estava falhando.
– Ela está certa, Charlie. – Edward endossou.
– Vá até a fazenda e fale com Esme, ela irá acomodá-lo num dos quartos. – Sugeri.
– Eu já estou instalado na hospedaria local.
– Isso não é necessário, papai. O senhor será bem recebido na fazenda.
– Não é isso, querida, tenho certeza que sim. Mas não tenho boas memórias daquele lugar, eu não era bem-vindo lá antes.
Claro, a propriedade pertencia aos meus avós, que desaprovaram o casamento dos meus pais. Charlie já tinha estado lá antes, com Renée.
– A fazenda é minha agora, pai.
– Eu sei, minha menina, eu só não me sinto confortável de estar lá. Além disso, na estalagem eu fico mais perto de você aqui na cidade.
Bufei.
– Pode ir tranquilo, Charlie. Bella estará bem cuidada. – Edward insistiu.
– Não sei se é apropriado. – Meu pai olhou atravessado para o cowboy.
– Não estaremos sozinhos. – Olhei na direção de Alec, ainda desacordado, e seu carcereiro. – Além disso creio que o Dr. Sandaragani vá manter pelo menos uma enfermeira aqui durante a noite.
– Está bem. Eu vou, mas logo estarei de volta. – Ele beijou minha testa e saiu.
Na manhã seguinte, quando acordei novamente, meu pai estava de volta, como prometido. Mas parecia bem mais descansado do que na noite anterior. Diante disso, o fiz prometer que todas as noites iria descansar na estalagem por pelo menos algumas horas.
Por alguns dias, nada mudou. A rotina era entediante deitada naquele leito, minhas únicas distrações eram poder conversar com Edward, meu pai ou outras visitas que apareciam ocasionalmente e ler. Eu vinha lendo bastante nos últimos dias, Angela frequentemente me trazia livros novos.
Eu também me preocupava em como estaria o funcionamento da fazenda todos aqueles dias sem minha presença, mas sempre que alguém vinha de lá me visitar se recusava a falar dos negócios. Edward me garantia que estava tudo bem, mas eu desconfiava que ele dizia aquilo apenas para que eu não me preocupasse.
No entanto, percebi que periodicamente Emmett vinha me visitar, conversava um pouco comigo e depois saía com Edward por longos períodos. Comecei a desconfiar que o cowboy estivesse orientando o amigo sobre a administração da fazenda. E, se aquilo fosse verdade, eu não tinha com o que me preocupar, sabia que minha propriedade estava nas melhores mãos possíveis. Após aquela constatação, eu pude finalmente relaxar e me concentrar apenas na minha recuperação.
Até que algo aconteceu. Depois de duas semanas desacordado, Alec começou a reagir. Primeiro foi apenas um movimento, depois ele abriu os olhos, não falou com ninguém ou esboçou nenhuma reação e voltou a dormir. Posteriormente, ele voltou a acordar, passou mais tempo desperto e resmungou um pouco antes de voltar a ficar inconsciente.
Naquele meio tempo, a Sra. Volturi conseguiu a autorização judicial para visitar o filho, mas ela só tinha permissão para permanecer na enfermaria por apenas uma hora por dia. E, quando esta hora chegou, é claro que ela ficou feliz com as novidades. Alec acordou mais uma vez na presença da mãe e daquela vez passou mais tempo desperto. Ela chorou de emoção e tentou conversar com ele, mas o rapaz ainda não respondia, no entanto parecia compreender e reagir ao que acontecia ao seu redor.
Logo, chegou a hora da mulher ir embora e Alec voltou a adormecer, parecendo ainda sob efeito dos remédios para dor que vinham sendo administrados a ele desde a cirurgia. E assim, ele passou as horas seguintes, às vezes acordado, mas não completamente consciente e depois novamente adormecido.
Dois dias depois, acordei e me deparei com Edward sentado na cadeira ao lado do meu leito, como de costume. Ele parecia pensativo antes, mas sorriu ao ver meus olhos abertos.
– Finalmente acordou, princesinha. – Ele fez carinho no meu rosto. – Como se sente?
– Bem.
– Precisa de alguma coisa?
– Não, estou bem. – Garanti, mas percebi que ele parecia apreensivo. – E você, precisa de algo?
– Na verdade sim, estou nervoso porque tenho um assunto importante para tratar com você.
– Pode dizer.
– Princesinha, eu gostaria de poder te oferecer algo a sua altura, mas você sabe que eu não tenho tantos recursos. – Ele pôs a mão dentro do bolso do casaco e retirou de lá uma pequena caixinha de veludo preto. – Mas espero que você saiba que isso é o melhor que eu tenho a oferecer. – Abriu a caixinha revelando um anel simples, mas muito bonito, com um pequeno brilhante. Abandonou sua posição sentado na cadeira e apoiou um joelho no chão.
– O que você está fazendo?
– Sei que o momento não é o mais apropriado, mas depois de tudo que passamos, eu não posso mais esperar, acho que seria incapaz de suportar mais um minuto sequer por isso. – Ele respirou fundo uma vez. – Isabella Swan, você me daria a honra de ser minha esposa?
Edward estava me pedindo em casamento? Por quê? Nada fazia muito sentido naquele momento.
Um murmúrio do outro lado da enfermaria atraiu minha atenção e me fez olha na direção oposta de Edward. E lá estava Alec, do outro lado do cômodo, daquele mesmo jeito que passara os últimos dois dias, parcialmente acordado, gemendo e resmungando coisas ininteligíveis.
Claro, o cowboy prometeu que não me deixaria desamparada diante das ameaças de Aro de me difamar perante a sociedade. O Volturi estava preso, mas ainda era um homem bem influente, bastava conseguir levar a informação para fora da cadeia e eu estaria arruinada. Agora ele não tinha mais nada a perder, não se tratava mais de chantagem e sim de vingança. Edward estava cumprindo com sua palavra e me protegendo da desonra que estava por vir.
Virei novamente para o cowboy, seu olhar ansioso estava preso no meu rosto. Estiquei a mão com cuidado e toquei seu rosto fazendo um carinho suave, ele inclinou a cabeça levemente na minha direção e fechou os olhos. Eu queria tanto que ele estivesse fazendo aquele pedido porque se via tendo um futuro feliz ao meu lado.
– O que isso significa? – Perguntei e ele abriu os olhos, confuso. – Você vai voltar para a fazenda?
– É claro! Nós vamos viver como marido e mulher!
– E você vai voltar a trabalhar comigo? Me ajudar a administrar os negócios?
Ele suspirou.
– Sim, para ser seu marido estou até disposto a aceitar aquela sociedade que você falou antes. Não que meu posicionamento sobre o que me é justo e de direito tenha mudado, e tampouco almejo o cargo de chefia. Mas compreendo que, ao me casar com você, não posso me isentar das responsabilidades que lhe acompanham e administrar a propriedade ao seu lado é parte do compromisso que assumo. Então, você aceita ser minha esposa?
– Sim, eu aceito me casar com você, cowboy! – Ele sorriu e eu lhe estendi minha mão, para que colocasse o anel de noivado no meu dedo.
Apesar das circunstâncias, eu estava feliz de me casar com Edward, conseguia me visualizar vivendo ao seu lado, construindo uma família e administrando juntos os negócios. Eu seria feliz.
– Acho que devo ir lá fora chamar Charlie.
– Meu pai sabia sobre o pedido?
– Sim, eu pedi sua benção mais cedo. Ele estava nos dando privacidade, mas acho que agora é hora de finalmente contarmos as novidades. – Agarrei seu braço para impedi-lo de deixar o ambiente.
– Meu pai sabe que nós...? – Sussurrei para Edward, sem conseguir terminar a frase em voz alta.
Mas o cowboy entendeu exatamente do que eu estava falando.
– Não, é claro que não! Acho que eu não estaria aqui vivo se ele sequer suspeitasse.
Assenti. Era melhor mesmo que ele não soubesse, não queria causar essa decepção para o meu pai.
~*~
Depois de três semanas internada, meu pai apareceu pela manhã, como de costume, mas com certa preocupação em seu semblante. Ele me explicou que havia pedido uma licença do trabalho para auxiliar Edward na investigação e depois para me acompanhar no hospital, mas o prefeito estava cobrando seu retorno e Charlie temia que, se não retornasse para casa, ele poderia nomear outro xerife para seu lugar.
– Pode ir em paz, papai. Eu estou bem. – Afirmei.
– Eu sei, mas não queria deixá-la agora, minha menina.
– Não precisa se preocupar. Prometo escrever sempre para mantê-lo atualizado.
Com o passar do tempo, eu me sentia cada vez melhor. Aos poucos, a dor na minha costela diminuía e ficava cada vez mais fácil me mover. Eu mesma não via a hora de me ver livre daquela enfermaria, não havia motivos para prender meu pai lá também. Ainda mais se isso significasse risco ao seu emprego.
– Estou contanto com isso! Espero que escrevam também para me atualizar sobre o casamento.
– Pode deixar, Charlie! – Foi Edward quem respondeu, segurando minha mão carinhosamente.
– Neste caso, vou fazer minhas malas para partir. – Meu pai beijou minha testa e saiu.
~*~
Pouco mais de uma semana depois que ele partiu, estava prestes a completar um mês que eu estava internada, o médico prometeu me avaliar e, se tudo estivesse conforme ele previa, eu seria liberada para continuar me recuperando em casa. No entanto, antes de iniciar meu atendimento, Alec começou a se agitar do outro lado da enfermaria e o Dr. Sandaragani correu para checá-lo.
– Ele está ardendo em febre! – Declarou para a enfermeira que o auxiliava. – Rápido, vamos levá-lo à sala de cirurgia, o ferimento infeccionou!
Com isso, médico, enfermeira e carcereiro saíram levando a o outro paciente em sua maca e agora demoravam a retornar. Eu estava impaciente, queria ser liberada e poder voltar para casa, mas não havia nenhuma movimentação que me desse esperanças daquilo acontecer em breve.
Levou horas até que o Dr. Sandaragani retornasse para me examinar. Ele parecia exausto e, somado a sua demora, deduzi que algo grave aconteceu a Alec.
– Sinto muito pela demora, Srta. Swan, tivemos complicações com o outro paciente, mas agora vamos ver como está seu ferimento. – Ele começou a desfazer minhas bandagens.
– Como ele está, doutor?
Percebi que Alec não tinha sido trazido de volta. Será que ele não havia resistido?
– O Sr. Volturi contraiu uma infecção e seu estado é grave. – Ele fez uma careta, ainda me examinando.
– Ele está bem? – Questionei com medo da resposta. Não desejava sua morte, afinal.
– Conseguimos estabilizá-lo por ora, mas ele será mantido em observação na sala de cirurgia. Agora, vamos focar no seu estado.
Por algum tempo, o médico e a enfermeira examinaram minha costela em silêncio, até que ele voltou a falar.
– Sua recuperação está indo muito bem, Srta. Swan. Vou liberá-la para continuar se recuperando em casa, mas é preciso manter cuidado, mantenha repouso por um tempo e o ferimento deve ser limpo ao menos uma vez por dia.
– Ela seguirá à risca todas as recomendações, doutor. – Edward garantiu, mantendo certa distância enquanto eu era examinada.
– Muito bem. Agora está finalmente liberada para ir, Srta. Swan. Eu gostaria de vê-la novamente em alguns dias para avaliar sua recuperação.
Agradeci, animada com a oportunidade de finalmente voltar para casa.
~*~
Três semanas depois que tive alta do hospital, minha recuperação em casa estava indo muito bem. Voltei para me consultar com o Dr. Sandaragani e sua avaliação também foi positiva, logo eu estaria livre dos curativos e totalmente recuperada.
Com isso, concluímos que era a hora de finalmente marcar o casamento, eu já estava bem o suficiente. Além disso, a primavera estava acabando e eu sonhava em me casar ainda no verão. Assim, Edward e eu fomos até a cidade agendar o casamento na igreja e, naquela mesma noite, reunimos nossos amigos na fazenda para celebrar nosso noivado oficialmente.
No campo, acompanhávamos as notícias da cidade apenas através do jornal que chegava para nós todas as tardes. E, uma semana após a festa de noivado, Edward foi o portador das notícias.
– Jessica, quero que você prepare um bolo bem especial, por favor. Hoje é aniversário do meu noivo e eu quero surpreendê-lo quando ele vier mais tarde. – Pedi animada à equipe da cozinha.
No entanto, a funcionária reagiu com uma expressão esquisita e, com um gesto sutil de cabeça, indicou algo atrás de mim. Girei em meus calcanhares e me deparei com o próprio aniversariante, de pé na soleira da porta dos fundos.
– Edward! Não era para você ter chegado agora, eu ia fazer uma surpresa! – Ri, porque ele estragou meus planos.
– Princesinha, você já leu o jornal de hoje? – Ele estava sério, o que me indicava que algo havia acontecido.
– Ainda não, por quê?
Ele enfiou a mão no bolso interno do sobretudo que vestia e retirou o jornal de lá, me apontando exatamente a página que queria que eu lesse.
Passei os olhos rapidamente pelas palavras absorvendo as informações. Em resumo, Aro tinha se envolvido numa briga com outros presos e Riley Vingança, o pistoleiro que investiu contra minha fazenda no início do ano, decidiu confessar que ele foi o mandante da emboscada. Então, além da condenação por apropriação ilegal de terras ele também seria investigado por tentativa de homicídio. Haveria um novo julgamento e era provável que o Volturi fosse transferido para uma prisão na capital, se fosse condenado por esses novos crimes.
– Então aquele patife será levado para longe daqui? – Caí sentada numa das cadeiras da cozinha, chocada com as informações.
– É o que parece. Finalmente esse calhorda será passado em nossas vidas. – Edward fez carinho nos meus ombros, apoiador.
Cinco dias depois, o jornal trouxe novas notícias da família Volturi. Daquela vez, a informação era de que Alec não resistiu à infecção em seu ferimento e veio a óbito na noite da véspera. O velório estava acontecendo durante toda aquela tarde e o sepultamento seria no cemitério da cidade, mas aquelas informações específicas não me interessavam.
Não que eu estivesse feliz ou festejasse a morte de alguém, longe disso, mas não podia negar que aquelas informações me trouxeram um pouco de alívio. Parecia que finalmente eu teria um pouco de paz para viver na minha fazenda e administrar os negócios que eu tanto me orgulhava.
Parecia que a vida estava entrando nos eixos. A família Volturi e toda a angústia que eles traziam, estavam ficando para trás.
~*~
Passadas três semanas da festa de noivado, eu e Angela nos reuníamos todas as tardes para planejar o casamento. Edward não voltou a trabalhar na fazenda, dizia não querer ser novamente meu funcionário e que depois do casamento voltaria a atuar nos negócios, como meu marido. No entanto, ele sempre aparecia para me visitar e Emmett frequentemente recebia orientações informais do amigo. Deste modo, os negócios estavam correndo muito bem, mesmo que parte do meu tempo agora fosse dedicado ao casamento e não ao trabalho. Como naquela tarde de quarta-feira, em que me sentei com Angela na sala de visitas para olhar revistas de moda de noivas e tomar chá.
Da sala, ouvi um veículo se aproximando. Observei pela janela, mas a carruagem era fechada, de modo que não dava para saber quem chegava. Antes que o visitante parasse diante da casa, pedi licença à minha dama de companhia e fui até a porta da frente, pronta para receber quem quer que fosse. Percebi que tampouco eu reconhecia o cocheiro, o que me deixou ainda mais intrigada sobre quem poderia estar dentro do veículo.
Logo eu saberia, pois o condutor estacionou diante da varanda e desceu de seu posto para abrir a porta da carruagem.
De dentro do veículo, saltou Sulpicia Volturi, a esposa de Aro. Dei um salto para trás, assustada com sua presença, não esperava tamanha ousadia, a Sra. Volturi pessoalmente na minha casa, em plena luz do dia. Emmett, Jasper e Ben, os três peões que estavam no pasto mais próximos à casa, também notaram sua presença e se aproximaram, levando as mãos aos seus coldres.
– Calma, eu vim em paz! – Ela ergueu as mãos, em sinal de rendição.
Permaneci em silêncio, apenas a encarando de braços cruzados. Eu tinha todos os motivos do mundo para não confiar nela, eu quase tinha morrido pelas mãos do seu filho, e ela também tinha todos os motivos para querer me fazer mal, afinal este mesmo filho estava morto por causa de uma infecção que ele pegou após levar um tiro de Jasper, meu funcionário.
– Estou desarmada. Eu quero apenas conversar. – Prosseguiu.
– Tudo bem, mas Emmett fica conosco.
Ele assentiu e eu dispensei os outros dois.
– Claro, você não confia em mim, não é? – Sulpicia sorriu sem humor.
– Eu tenho motivos, não concorda?
– Está certo, você tem razão. E eu também não vim aqui para discutir.
– Será que podemos ir direto ao assunto?
– Sim, é claro. – Ela passou as mãos pela saia do vestido, aproveitando o momento para tomar um fôlego antes de prosseguir. – Eu vim anunciar minha fazenda a você.
– Eu? Comprar aquelas terras malditas?
–Depois que a justiça tomou as terras do meu marido, não nos sobrou muita coisa, mas a área onde está construída nossa casa e um pedaço de terra ao redor dela, sempre foi nossa e eu tenho permissão para negociá-la.
– E por que justo eu?
– Eu sei que a senhorita não tem o maior dos interesses em me ajudar, e sinceramente eu não posso criticar os seus motivos, mas eu não sei a quem mais recorrer e estou desesperada. Você tem posses, recursos e principalmente motivos para não querer minha família vivendo bem ao lado.
Ela tinha razão quanto a tudo isso. Além dos rendimentos da fazenda, que eram muito bons e que estavam cada vez melhores desde que Edward retornou, meus avós me deixaram uma gorda conta bancária que eu nunca havia movimentado. Porém, não estava exatamente convencida ainda de que ajudá-la seria bom para mim.
– Meu marido está preso e em breve será transferido para a capital, meu filho está morto, eu e minha filha estamos desamparadas. – Ela prosseguiu. –Eu tenho família na Itália e meu irmão está pronto para nos receber, mas depois que a justiça confiscou todos os bens do meu marido não temos nem como comprar a passagem para a Europa. Não peço muito, apenas o suficiente para que eu e Jane possamos embarcar num navio.
– Certo, qual a armadilha desta vez?
– Escute, Srta. Swan, eu não sou Aro. Sei que ele sempre teve suas artimanhas e que é ardiloso, conheço o homem com quem me casei, mas eu nunca fui como ele. Não sei enganar as pessoas para me dar bem. Muito menos sei fazer negócios, escusos ou não. Se eu continuasse aqui com as terras que me restam é bem provável que eu não conseguisse tirar nada dela, eu e Jane morreríamos de fome na mais completa miséria, invariavelmente.
– Sra. Volturi, eu realmente não tenho o menor interesse nas terras malditas que foram do seu marido, mas se é para me ver livre da sua família de uma vez por todas e deixar toda essa história para trás, eu estou disposta a comprar sua fazenda.
– Obrigada, Srta. Swan.
–Espero que saiba que eu não tenho nada contra você, e torço sinceramente que você e sua filha possam recomeçar suas vidas na Itália, ou onde quer que seja, porém espero que você também entenda que seu marido e seu filho me fizeram muito mal e que por isso eu prefiro manter distância da sua família.
– Eu compreendo perfeitamente.
– Porém eu não sou como vocês, se vamos fazer negócios irei pagar exatamente o justo por suas terras e não só o valor que precisa para ir embora. Irei pedir que meu próprio advogado cuide da avaliação e depois que faça a papelada.
– Isso não é mesmo necessário. Só preciso do básico para partir.
– Eu insisto. – Cortei. – Se a senhora assinar um recibo posso lhe adiantar uma parte do valor para que compre as passagens, mas faço questão de pagar a diferença após a avaliação, no ato da assinatura das escrituras.
– Obrigada.
– Venha comigo até o escritório. – Pedi, indo até a porta. – Emmett, nos acompanhe. – Disse ao peão que assistia nossa conversa em silêncio.
Jamais ficaria a sós com algum membro daquela família, mesmo que Sulpicia parecesse sincera e realmente agradável. Ela até sorriu e brincou um pouco com Jacob, que a recebeu com sua alegria costumeira, como se a mulher fosse uma vista comum.
No escritório, ela assinou o recibo e eu lhe dei um montante de dinheiro dentro de um envelope.
– Creio que aqui tenha o suficiente para adiantar sua passagem e da sua filha. Volto a entrar em contato para tratar da avaliação da fazenda e concluir a compra.
Ela agradeceu mais uma vez e se retirou. Não a acompanhei até a porta, deixei que Emmett fizesse isso. Desabei na cadeira atrás da escrivaninha, me perguntando se aquela história estava realmente chegando ao fim definitivo.
No dia seguinte, fiz questão de ir eu mesma atrás do Sr. Scott pedir que avaliasse a propriedade da família Volturi, também assumi a responsabilidade de custear a visita do avaliador e do tabelião para lavrar a escritura. Como eu tinha dito a Sulpicia, fazia questão de pagar o justo por suas terras, pelo menos por aquelas que restaram após o processo, que pertenciam legalmente a ela.
Como esperado, o processo foi lento e levou mais de um mês inteiro para chegarmos a um valor exato da propriedade. Com isso, faltava apenas dois dias para o meu casamento quando chegou a data marcada para assinar a papelada final e Sulpicia me entregar as chaves da fazenda.
– Aqui está o valor combinado, subtraído o montante que eu já lhe adiantei antes. Creio que seja suficiente para a viagem e ainda sobre um pouco para seus primeiros dias na Itália. – Lhe entreguei um novo envelope de dinheiro, com o valor que eu já havia separado previamente. – Por favor, confira se está tudo certo e assine este novo recibo.
Ela olhou rapidamente o conteúdo do envelope e em seguida assinou o último papel que faltava.
– Obrigada, Srta. Swan. Isto é agora é seu. – Ela me entregou a chave. – Jane e eu estaremos embarcando hoje mesmo para a Europa.
– Ben, por favor, leve a Sra. Volturi para buscar a filha e seus pertences pessoais, depois a acompanhe até o porto. – Pedi ao funcionário que me acompanhava naquele dia.
– Isso não é necessário. A senhorita já fez tanto por mim...
– Eu insisto! – Olhei para Ben e ele assentiu solenemente.
– Neste caso, obrigada.
Desta vez, fui com eles até a cocheira, onde ela embarcou numa das minhas carruagens pessoais.
– Certifique-se de que ela embarcou no navio. – Cochichei para o peão antes que ele assumisse sua posição na condução do veículo.
Ele assentiu e deixou a fazenda, levando Sulpicia Volturi de uma vez por todas.
~*~
No meio da tarde, Ben estava de volta, garantindo que as duas Volturi tinham embarcado e estavam naquele exato momento a caminho da Europa. Aquela informação me trouxe alívio, porém me criou um novo problema.
Meu casamento estava marcado para acontecer em dois dias. Um casamento que fora agendado, antes de tudo, para me proteger das fofocas que Aro Volturi ainda poderia espalhar sobre mim. Aquela união era a garantia da minha honra.
No entanto, ele não era mais uma ameaça. Seus comparsas se voltaram em oposição a ele e estavam depondo contra seu favor. A esposa e a filha partiram em definitivo. Por fim, ele logo seria transferido para longe, onde não teria mais nenhuma influência ou qualquer coisa que ele pudesse falar não teria a menor importância. Aro não era mais uma ameaça.
Edward não sonhava exatamente em se casar com alguém e muito menos construir uma família comigo, mas era um homem que honrava suas responsabilidades. Ele estaria preso numa união forçada comigo e não havia mais necessidade disso. Por mais que eu quisesse muito ser esposa dele e fingir que vivíamos um casamento perfeito, eu precisava ser honesta com ele e contar que não havia mais motivo para manter o compromisso. Nunca seríamos felizes dessa forma.
Passei aquela tarde inteira remoendo os sentimentos e revirando meus pensamentos, protelando o que eu sabia ser inevitável. Quando a noite finalmente caiu, me enchi de coragem. O matrimonio ocorreria menos de 48 horas depois, se iria cancelá-lo eu precisava agir imediatamente.
Deixei a casa, comunicando apenas para Angela que estava indo à colônia. Busquei Twilight no estábulo e o levei ao celeiro a fim de prepará-lo eu mesma. Em seguida, montei e saí galopando decidida, rapidamente eu estava no meu destino.
Desci do cavalo e caminhei pelo fundo das casas, tentando me recordar o caminho que fiz no dia da festa da fogueira. Não foi difícil me achar, apenas uma das residências tinha uma construção menor no quintal e, para meu azar, o lugar parecia estar superlotado.
A porta e a única janela da frente estavam ambas abertas, a luz que saia por elas banhava o quintal à frente da construção. Ao me aproximar mais, pude distinguir o som de vozes vindo lá de dentro, não identifiquei palavras ou um assunto específico, mas com certeza havia várias pessoas dentro da pequena residência e, pelo tom das vozes, pareciam animadas.
Constatei que tomei aquela decisão num péssimo dia, mas já estava ali e não podia voltar atrás, principalmente porque tinha medo de perder a coragem se deixasse essa conversa para outro momento. Respirei fundo e me coloquei de pé sobre o único degrau na frente da casa. No instante em que apareci na porta, era tarde demais para me arrepender.
Como eu imaginei, o local estava apinhado, e no primeiro instante pude reconhecer o rosto de metade dos peões da fazenda. Não conseguia ver todos que estavam lá, até mesmo Edward estava perdido na multidão diante dos meus olhos, mas com certeza todos ali eram homens e a maioria tinha copos nas mãos.
– Srta. Bella? – Um dos rapazes, mais perto da porta, falou ao me notar.
Instantaneamente, a multidão se abriu me dando a visão de Edward parado de pé perto da única mesa do cômodo. A medida em que as pessoas mais distantes da entrada me notavam as conversas iam parando, até gradativamente estar tudo em silêncio. Se um alfinete caísse no chão seria possível ouvir o som.
– Bella! O que você está fazendo aqui? – Edward me perguntou com um sorriso confuso, após um segundo de um silêncio pesado.
– Nós podemos conversar? – Mal consegui proferir aquelas palavras, diante de tantos olhares curiosos de meus funcionários.
Edward franziu a testa, confuso, mas bastou um olhar seu para que todos os outros homens começassem a se retirar no mais completo silêncio.
– Nós não estávamos fazendo nada demais, os rapazes só vieram para a gente beber um pouco e comemorar o casamento que está chegando. – Edward foi logo se explicando quando ficamos a sós, enquanto fechava a janela da frente.
A porta ele apenas deixou entreaberta.
– Não vim falar sobre isso, na verdade eu nem sabia que vocês estavam fazendo uma festa aqui.
– Então, por que veio?
– Eu vim te devolver isso. – Retirei o anel do dedo e estendi para ele.
– Seu anel de noivado? – Ele enrugou ainda mais o cenho e meneou a cabeça. – Você tem que usar ele até o casamento, quando eu vou substituí-lo por uma aliança.
– Você não precisa mais casar comigo.
– O quê? – Ele precisou se apoiar na mobília para não desmoronar, parecendo verdadeiramente chocado.
– Alec está morto, Aro está preso e vai ser transferido, até mesmo Sulpicia e Jane se foram, em busca de parentes na Europa.
– E o que isso tem a ver? Eu quero entender por que está desmanchando o noivado comigo.
– Não precisamos mais nos casar.
– Isso não pode estar acontecendo comigo, não de novo. – Se lamentou, aparentemente para si mesmo, mas não pude deixar de ouvir.
Mesmo sem citar nomes, eu sabia ao que ele se referia, não era a primeira vez que ele tinha um noivado desfeito. Ele estava se referindo à ex-noiva e, por mais que eu não estivesse surpresa por isso, a menção doeu no fundo do meu coração.
– Por quê? – Ele se ergueu novamente, sua postura altiva de repente pareceu esmagadora diante de mim e eu me senti como se estivesse encolhendo.
– A família Volturi não é mais uma ameaça, não precisamos mais nos casar para reparar os danos. A fazenda está segura agora e você já concordou em me ajudar com a administração, pode muito bem cuidar de tudo sozinho. Eu vou voltar para a casa do meu pai, longe daqui, onde ninguém terá o que especular sobre nós dois.
Meu peito se contraiu. As lágrimas se alojaram nos meus olhos e ameaçavam transbordar a cada palavra que eu proferia.
– Isso é ridículo!
– Por favor, pegue logo o anel e vamos encerrar essa conversa. – Pedi, engolindo o choro.
– Para o inferno com este anel! Se não for para te ter como noiva ele não me serve de mais nada.
– Mas deve valer um bom dinheiro em alguma loja de penhores.
– Penhore você! – Esbravejou, me dando as costas.
– Eu não preciso desse dinheiro.
– Então é isso? – Se voltou novamente para mim e seus olhos pareciam em agonia. – Eu achei que dessa vez isso não ia fazer diferença, você é rica, não ia me trocar por outro com mais dinheiro, mas parece que eu me enganei, a princesinha merece um marido a altura dela! – Seu tom era carregado de escárnio.
– Não é nada disso! – Rebati na defensiva.
– E o que é, então? Me dê um bom motivo para você não querer se casar comigo!
– Já disse, os Volturi...
– Não quero saber da família Volturi. – Me interrompeu num rompante. – Eu quero a verdade!
– Você sente por mim o mesmo que sente por ela? – Perguntei sem rodeios, ele sabia de quem eu estava falando.
– O que isso...
– Responda! – Interrompi.
– Não. – Sua resposta foi seca e direta, ele nem sequer pestanejou antes de proferir a palavra.
Por mais que eu tivesse pedido aquela informação, ouvir ele dizê-la em voz alta doeu como se um punhal tivesse sido cravado em meu peito. Mesmo assim, destroçada por dentro, respirei fundo e me obriguei a me manter firme.
– É por isso que eu não posso me casar com você.
– Esse é o motivo mais esdrúxulo que eu já ouvi para se negar um pedido de casamento. – Ele riu sem humor, a expressão carregada de ironia. – Você não pode se casar comigo porque o que eu sinto por você eu nunca senti por mais ninguém na vida?
– Você o que? – A pergunta não passou de um sussurro, minha voz ficara presa na garganta.
– Eu me apaixonei por você, princesinha! Eu nunca achei que pudesse sentir algo tão forte assim por alguém, principalmente depois que tive meu coração partido no passado, mas quando vi você quase morrendo naquela enfermaria por causa do tiro que aquele calhorda te deu, eu percebi que não posso mais viver sem você. Você curou meu coração com tanta leveza que eu nem me dei conta disso.
– E Maria?
– Eu nunca senti por ela o que eu sinto por você. Maria foi uma grande amiga na infância e eu confundi as coisas achando que devia me casar com ela quando a gente cresceu. Confesso, ter sido trocado por ela me destruiu, mas hoje eu sei que aquilo era somente orgulho ferido, a dor de te ver aqui, rompendo nosso noivado, é muito maior do que aquela que senti quando Maria anunciou que ia se casar com outro mais rico.
– Edward, eu só não queria te condenar a infelicidade para o resto da vida. Eu vim aqui para te livrar de um compromisso baseado em culpa e de um futuro marcado pelo arrependimento.
– Eu jamais me arrependeria de uma vida ao seu lado.
Diante de suas palavras, não havia nada mais que eu pudesse fazer. Encurtei o espaço entre nós e me joguei em seus braços, enlaçando com força meus braços em torno do seu pescoço e colando minha boca à sua. Eu tinha urgência em me unir àquele homem de todas as maneiras possíveis. Queria fundir nossos corpos, nossas almas e nossa vida, tudo somente naquele beijo.
Quando nos separamos, estávamos ambos ofegantes.
– Isso não parece muito atitude de alguém que quer desmanchar o noivado. – Ele falou sorrindo.
– Eu não quero desmanchar o noivado, só achei que você tinha feito o pedido de casamento para me proteger das ameaças de Aro e agora que ele não é mais uma ameaça pensei que seria injusto te manter preso num casamento que você não deseja.
– Tudo o que eu mais desejo é estar preso para sempre num casamento com você.
– Eu também. – Sorri.
– Então o casamento está mantido?
– Se você puder me perdoar pela cena que eu fiz hoje e ainda me quiser, sim.
– Eu seria louco se não quisesse.
Ele retomou nosso beijo, apertando seus braços em volta da minha cintura. Moldei meu corpo ao seu, ansiando por aumentar nosso contado. Sua boca sugava a minha com ferocidade e tudo o que eu sabia naquele momento era que eu queria mais dele.
Deslizei minhas mãos pela frente do seu corpo e o puxei pelas abas do colete, que usava aberto. Edward desceu as mãos até a base das minhas costas, então me puxou para seu colo. Enlacei seu quadril com minhas pernas de bom grado, aquele contato aumentava ainda mais o calor que sentia no meu âmago.
Senti ele nos movendo pelo cômodo, até que parei sentada sobre alguma coisa. Poderia ser a mesa, mas eu não me importava suficiente com aquilo para ter certeza. Meu interesse maior estava nos lábios sobre os meus, nas mãos nos meus quadris e no corpo envolvido pelos meus braços e pernas.
Levei as mãos para o lenço que ele usava em volta do pescoço e desfiz seu nó, retirando a peça dele. Então, com livre acesso aos botões de sua camisa, comecei a abri-los.
– Princesinha, não. – Ele conteve o movimento das minhas mãos, prendendo-as nas suas, e afastou minimamente os lábios dos meus, mas sua voz não continha o mínimo de determinação ou força de vontade.
– Quer fazer esta parte? – Perguntei e me lancei para ele, tentando voltar meus lábios para junto dos seus.
No entanto, Edward recuou mais, se desvencilhando das minhas pernas, parecendo um pouco mais determinado.
– Não podemos.
– O quê? – Perguntei, achando que não tinha compreendido direito.
– Não podemos continuar.
– Você não quer? – Mal pude conter a decepção na minha voz. Meu coração se contraiu dentro do meu peito e achei que fosse se partir.
– Não é certo.
– Isso não importa mais, nós já dormimos juntos antes.
– Eu sei, e não foi correto da minha parte. Aliás, isso quase nos colocou em apuros antes, é melhor agirmos dentro do decoro desta vez. Você merece ser tratada com mais respeito e eu quero concertar isso agora.
Bufei.
– Bem, o que já está feito, está feito. Não podemos voltar atrás.
– Eu sei, mas eu quero corrigir minhas atitudes e a partir de agora vou tratá-la da forma que você merece. Não me comportei de maneira adequada com uma dama e não quero cometer o mesmo erro de novo. Quero ser digno de você e provar que eu não sou um ogro sem sentimentos, que eu posso ser ético até estarmos casados.
– Você não precisa me provar nada. – Desci da mesa e ele recuou um passo, mantendo a distância entre nós.
– Estou fazendo isso por mim, quero me sentir merecedor de estar contigo.
– Bobagem!
– Pare de discutir comigo, você não tem noção o quanto está sendo difícil me manter firme aqui.
– Então não resista.
– São apenas dois dias, princesinha. E a espera terá valido a pena, prometo. – Ele avançou um passo e beijou apenas minha testa.
Bufei novamente.
– Acho que precisamos melhorar a nossa comunicação, não é? – Perguntei com uma careta.
– Teremos tempo para trabalhar nisso depois de casados. – Ele sorriu e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
– Sinto muito por ter interrompido sua festa com toda essa confusão que eu fiz. – Lembrei-me de repente que interrompi uma reunião mais cedo.
– Está tudo bem, os rapazes só vieram beber hoje para celebrar o casamento que está chegando. Amanhã eu tenho que liberar a casa e vou passar a véspera do casamento na casa dos meus pais.
– Não me incomodo que você esteja se confraternizando com seus amigos, cowboy. Só me pergunto se eles estão especulando sobre nós agora.
– É provável que sim. – Ele riu. – Aqueles lá são mais fofoqueiros do que você pode imaginar.
Fiz uma careta.
– Aliás, eles devem estar lá fora esperando para saber o que aconteceu aqui. – Edward agarrou minha mão e me levou para fora.
A noite era escura e silenciosa, nenhum dos rapazes estava à vista. Cruzamos juntos o quintal da frente e batemos à porta da residência adiante. Um dos peões, Garrett, a abriu.
– Vocês estão bem? – Ele perguntou cauteloso.
Edward olhou para mim sorriu, apertando levemente minha mão. Sorri de volta.
– Sim, está tudo bem.
– Eu apenas fiquei nervosa com as coisas do casamento, mas estamos bem agora. – Completei.
De repente, um urro coletivo soou dentro da casa e todos os outros rapazes surgiram através das portas que levavam a outros cômodos. Alguns, ainda com seus copos em mãos, brindaram. Outros trocaram tapinhas nos ombros e abraços.
– Então, a festa continua? – Garrett quis saber.
– Fiquem à vontade. – Indiquei e todos os homens começaram a tomar novamente o quintal.
– Se junta a nós, Bella? – Emmett perguntou ao passar pela porta e, consequentemente, por nós.
– Vou dispensar o convite. – Respondi com uma leve careta.
– Tem certeza? Não estamos fazendo nada impróprio, apenas bebendo e jogando conversa fora.
– Eu acredito em vocês, mas não quero me intrometer na reunião masculina. – Falei, um pouco constrangida com a extrema franqueza de Emm.
– Em vez disso, você pode entrar e tomar chá comigo, eu acabei de assar biscoitos. – Uma mulher loira também surgiu no interior da casa, parou junto de Garrett e entrelaçou o braço esquerdo ao direito dele. – Sou Kate Denali, esposa de Garrett. – Ela estendeu a mão, se apresentando para mim.
– Bella Swan. – Apertei sua mão. – É um prazer conhecê-la.
– Igualmente.
– Bem, esse convite me parece mais interessante. – Falei diretamente para meu noivo. – Vou tomar chá com uma nova amiga. Pode curtir sua festa masculina em paz, cowboy.
– Como preferir. – Ele beijou o dorso a minha mão e se juntou aos outros.
Já eu, entrei na casa de Kate e Garrett Denali, onde tive uma noite surpreendentemente divertida de garotas.
~*~
Dois dias depois, acordei mais cedo do que de costume, depois de quase não conseguir dormir de tanta euforia. Era finalmente o dia do meu casamento, ao final daquele dia Edward seria meu marido e ninguém mais poderia tirar isso de mim.
Pulei da cama, sem conseguir passar mais nem um minuto sequer deitada, e abri as cortinas. O sol de verão já brilhava intenso do lado de fora e, talvez a beleza estivesse nos meus olhos, mas até o pasto do gado parecia mais verde e brilhante naquele dia.
– Bom dia, Bella! – Angela saudou entrando no meu quarto, após dar uma batidinha suave na porta. – Não achei que fosse encontrá-la de pé tão cedo.
– Quase não consegui dormir, Ang! – Contei, sem conter a euforia que transbordava em mim.
– Ansiosa para o casamento?
– Demais! Mal posso esperar para ser a Sra. Edward Cullen.
– Pedi que trouxessem seu café no quarto, não achei que você fosse querer se levantar tão cedo hoje. Fiz mal? Se quiser posso pedir para colocarem à mesa.
– Não, você fez bem. Vou comer no quarto e logo começo a me arrumar.
Não demorou muito para que uma camareira aparecesse à porta com uma bandeja farta de café-da-manhã. Enquanto eu comia, Angela falou que iria preparar o meu banho e, assim que terminei a refeição, entrei na banheira que já estava cheia. Tentei relaxar dentro da água morna, mas minha mente insistia em viajar para os acontecimentos que estavam por vir naquele dia.
Angela tentou me ajudar, massageando minhas costas e colocando essências calmantes no meu banho, mas nem isso foi capaz de conter minha ansiedade. Deixei a banheira e vesti o roupão branco que me aguardava.
No quarto, vesti a combinação de roupa íntima e Angela passou a pentear meus cabelos, depois os enrolou em papelotes para cachear. Ela passou pó de arroz na minha face e rouge nas maçãs do meu rosto. Eu estava começando a parecer com uma noiva, então ela finalmente soltou meu cabelo, que caiu em ondas pelas costas. Tudo estava se tornando muito real, mas aquela percepção não acalmava minha ansiedade.
– Está pronta para o vestido? – Angela perguntou, pegando a peça num cabide no meu quarto de vestir.
Assenti, sem me sentir capaz de pronunciar nada. Ela estendeu a peça que eu não via desde a prova final na modista. Algo se agitou no meu estômago. Recebi sua ajuda para me vestir e prender o corpete, então parei diante do espelho.
– Você está parecendo uma princesa. – Ela disse inocentemente, com emoção, mas o adjetivo me lembrou a forma como meu noivo me chamava e a ansiedade se agitou novamente dentro de mim.
– Que horas são? – Perguntei.
– Cedo ainda. Só temos que sair daqui a uma hora. Podemos fazer uma pausa para um chá, você deseja comer alguma coisa?
Pensei um pouco sobre o assunto, mas não era de comida que eu precisava para me acalmar. Me sentia novamente como uma garotinha perdida, tinha tanto medo da nova vida que se entendia diante de mim. De repente, eu soube exatamente do que precisava.
– Eu preciso ir agora. – Comuniquei, enfiando meus pés nas botas brancas.
– Como assim precisa ir?
Não respondi, apenas fechei as botas e deixei o quarto, descendo as escadas em seguida.
– Bella, aonde você vai? – Ela me seguia até o andar de baixo.
– Angela, me encontre mais tarde na cidade.
– E o seu casamento?
– Estarei lá. Só me encontre na estalagem na hora da cerimônia.
– Bella...
Ela tentou protestar, mas eu já havia deixado a casa a passos apressados. Ao descer os degraus da varanda, subi a barra do vestido para não sujar na terra do chão, e corri até o celeiro. Encontrei meu cavalo favorito pronto para montar, exatamente como o deixei no dia anterior.
Montei em Twilight e saí do celeiro já galopando. Ouvi Angela chamar meu nome quando passei por ela na varanda da casa, a caminho da porteira da fazenda, mas não parei. Avancei pelo campo o mais rápido que pude, sentindo o vento bater contra meu rosto, até que as primeiras construções da cidade apareceram diante de mim. Diminui o ritmo, me dirigindo para a única hospedaria local.
Bati à porta do estabelecimento e esperei.
– Bom dia! – Uma moça com traços indígenas me recebeu. – Seja bem-vinda à Estalagem Clearwater, sou Leah, em que posso ajudá-la?
– Bom dia, Leah. Meu pai está hospedado aqui e eu gostaria de vê-lo.
– Bella? – Charlie apareceu atrás da moça com uma expressão surpresa, como se estivesse ali por perto quando ouviu minha voz na porta.
– Pai! – Praticamente atropelei Leah para me jogar nos braços do meu velho homem.
– Eu não esperava vê-la tão cedo, Bells
– Eu precisava te ver antes do casamento.
– Aconteceu algo? – Perguntou tenso.
– Não, mas eu estou tão nervosa!
– Está em dúvida sobre o casamento?
– Não é isso, mas se o casamento não for exatamente o que eu imagino? E se eu e Edward não formos felizes depois de casados?
– Querida, eu sei como se sente. – Ele segurou minhas mãos e me conduziu para nos sentarmos num sofá na sala de estar da estalagem. – Já estive no seu lugar e é realmente assustador começar uma vida nova sem saber exatamente o que esperar, mas eu e sua mãe sempre trabalhamos juntos para fazer nosso casamento dar certo e eu acho que isso é o mais importante.
– E se comigo e com Edward não for assim? Eu sei que você e a minha mãe eram perfeitos juntos, mas se para nós for diferente?
– Minha menina, não existe casamento perfeito e nem receita para felicidade. – Ele segurou minhas mãos com força. – O segredo é saber enfrentar as adversidades juntos, sempre prezando o respeito, a paciência e o amor.
– Será que a mamãe também teve medo antes de casar? – Perguntei timidamente, com o olhar baixo. Porém, ele apenas riu.
– Eu acho que sim, afinal nosso casamento não aconteceu nas melhores circunstâncias. – Ele citou, relembrando a desaprovação dos meus avós maternos. – É normal ter dúvidas, isso faz parte da jornada, mas Renée escolheu confiar no que nós tínhamos, assim como eu. Nem sempre foi fácil, mas nós sempre enfrentamos tudo juntos.
– Eu quero isso, pai. Mas tenho medo de não ser suficiente.
– Edward também será parte importante para fazer este casamento dar certo. Vocês precisam aprender e crescer juntos, e é esse companheirismo que fará da relação de vocês especial.
– E se ele não estiver disposto a tentar também? E se a vida conjugal desgastar nossa relação?
– Quando eu olho para Edward, eu vejo um homem que se importa com você. Ele entende o valor de estar ao seu lado, reconhece a mulher que você é e valoriza tê-la. Ele cuida de você, se preocupa e te protege. Tudo isso me mostra que ele está disposto a lutar por vocês dois. E, querida, o que eu vejo nele me dá a certeza de que ele não está apenas comprometido com o matrimônio, mas que ele vai se esforçar para te fazer feliz.
– Ele disse que está apaixonado por mim. – Confessei.
– Isso é óbvio! – Charlie riu. – Dá pra ver na forma como ele fala de você, na forma em que ele te olha. Podia até ser que ele não tivesse se dado conta disso ainda, no entanto em algum momento a verdade teria que vir à tona.
– Obrigada, pai. Eu precisava ouvir isso. – Sorri.
– Eu estou aqui por você, Bells. – Ele me puxou e me envolveu num abraço apertado.
Alguém bateu à porta e novamente Leah foi atender, não dei muita atenção, apenas aproveitando o acolhimento nos braços do meu pai. Porém, antes que a jovem funcionária da estalagem pudesse concluir seu discurso de apresentação, a pessoa na porta invadiu o lugar.
– Bella! O que se passou na sua cabeça? – Angela apareceu na sala onde estávamos, já ralhando comigo.
– Eu precisava falar com meu pai. – Me encolhi nos braços dele, envergonhada com a represália.
– Mas hoje é o dia do seu casamento!
– Eu sei! E eu ainda vou me casar, mas eu precisava de um pouco de colo antes da cerimônia.
– Olha o seu estado! Eu trouxe seu véu, o buquê e as luvas, mas olha o estado do seu cabelo, do seu vestido!
Olhei para a barra do vestido onde a poeira da estrada se acumulou durante a cavalgada.
– Eu acho que posso ajudar. – Leah se inseriu na nossa conversa. – Temos quanto tempo até o casamento?
– Alguns minutos, apenas! – Angela respondeu, parecendo prestes a ter uma síncope.
– Felizmente o tecido do vestido é leve, podemos bater a poeira e depois tirar o excesso com um pano úmido. Também tenho brasa acesa para engomar a rouparia dos hóspedes, posso passar o vestido depois.
– Parece ser nossa única alternativa. Vamos agir! – Angela demandou.
Me refugiei no quarto que meu pai ocupava na hospedaria e entreguei o vestido para que Leah pudesse cuidar dele, enquanto Angela tentava consertar meu cabelo e minha maquiagem. Conforme o tempo passava, comecei a ficar mais ansiosa, à medida que a compreensão de que talvez minha atitude impulsiva mais cedo pudesse custar minha pontualidade no casamento finalmente me atingia.
Enfim, duas batidas soaram à porta e eu me escondi atrás de um biombo para que Leah pudesse entrar com meu vestido.
– Eu fiz o que pude, acho que ficou apresentável. – Declarou.
– Obrigada, Leah. – Agradeci de onde estava, enquanto ouvia ela se retirar novamente.
Angela me ajudou novamente a colocar o vestido e a prender o corpete. Depois me entregou as luvas e pendurou um colar no meu pescoço. Por fim, colocou o véu nos meus cabelos e me entregou o buquê, que repousava sobre a penteadeira.
– Não está como novo, mas só dá para perceber os defeitos se procurá-los. – Ela analisou meu vestido, ainda frustrada com meu impulso de mais cedo. – No geral, fizemos um bom trabalho em transformá-la numa noiva. – Aprovou seu trabalho e eu sorri satisfeita.
Descemos as escadas, retornando à sala de estar, onde nos reunimos novamente com meu pai.
– Está linda, minha menina. – Charlie sorriu e depositou um beijo na minha testa. – Agora vamos antes que seu noivo pense que você fugiu.
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Enlacei meu braço ao dele e deixamos a hospedaria, caminhando juntos até a igreja da cidade, que não ficava muito longe.
Angela entrou primeiro, para anunciar minha chegada. Então a marcha nupcial começou a tocar. Respirei fundo uma última vez antes de ir encarar minha nova vida. Apertei levemente o braço do meu pai e nós dois entramos juntos na igreja, atravessando a nave a passos lentos.
No final do caminho estava meu lindo noivo, esperando com um sorriso iluminado para me receber. Ele estava bem vestido, com um terno novo e elegante, mas ainda era meu cowboy, com seu inseparável chapéu de couro, que era alvo de olhares desaprovadores do padre.
– Cuide bem dela, rapaz. – Meu pai ordenou, entregando minha mão ao noivo.
– Pode deixar, Sr. Swan.
– Seja feliz, minha menina. – Ele beijou minha testa e foi sentar-se junto aos outros na igreja.
Então, o padre deu início à cerimônia. Ele fez seu sermão sobre amor e respeito, falando sobre os deveres de um matrimônio. Sentia meu íntimo se agitar e meu coração bater acelerado. Eu sabia que uma vida completamente nova se estenderia diante de mim e eu não sabia como seria ser a esposa de Edward Cullen. Mas no fundo, estava em êxtase, não sabia como faria para ser uma boa esposa, mas estava disposta a dar tudo de mim para fazer deste casamento uma união feliz.
Então, finalmente chegou a hora dos votos.
– Eu, Edward Anthony Cullen, recebo você, Isabella Marie Swan, como minha legítima esposa, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, todos os dias da nossa vida.
– Eu, Isabella Marie Swan, recebo você, Edward Anthony Cullen, como meu legítimo esposo, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, todos os dias da nossa vida.
– O que Deus uniu, o homem não separa. Agora, pela autoridade a mim concedida, eu vos declaro marido e mulher. O noivo pode beijar a noiva.
A igreja explodiu em aplausos enquanto os lábios de Edward, meu marido, finalmente tocavam os meus, num beijo suave.
~*~
Após o casamento, fomos festejar no saloon, onde já havíamos combinado com o dono de abrir apenas para nossos convidados naquele dia. Também acertamos que um churrasco seria servido e minha própria fazenda tinha fornecido os novilhos no dia anterior. As vedetes e dançarinas de cancã não iriam estar presentes quando a noite caísse, para que as damas pudessem frequentar a festa, mas a banda local ainda se apresentaria para nós.
Assim que eu e meu novo marido passamos pelas portas duplas do local, os convidados que lá já estavam, nos receberam com aplausos e aclamação. Em seguida, os músicos começaram uma polca country bem animada e Edward me arrastou até o centro do espaço para dançar. Eu não me considerava uma exímia dançarina, mas era conduzida com tanta maestria que me sentia flutuando enquanto saltitava e girava pelo salão nos braços dele.
Ao final daquela música, a banda fez uma pequena pausa e todos os convidados aplaudiram, o lugar estava ficando cada vez mais cheio. Por isso, enquanto a banda começava uma nova música e outros casais tomavam a pista de dança, eu e meu marido circulamos pelo salão, cumprimentando os nossos convidados.
– Pai! – Praticamente corri para os braços de Charlie, que estava conversando com meus sogros.
Edward me seguiu, aproveitando para também receber o cumprimento dos pais.
– Está feliz, minha menina? – Papai perguntou ao me soltar.
– Muito!
– Bella, seja muito bem-vinda a nossa família oficialmente. – Esme me tomou nos braços e depositou um beijo na minha têmpora.
– Obrigada, Esme!
– Nós estávamos dizendo agora mesmo ao Charlie que vamos cuidar de você como nossa própria filha. – Carlisle me informou.
– Mas não vá esquecer seu velho pai!
– Jamais! – Sorri para ele.
– Se precisar, você sabe sempre onde me encontrar.
Eu ia responder ao meu pai, mas não tive chance.
– Bella! – Alice surgiu por entre as pessoas e praticamente se jogou nos meus braços. – Estou tão feliz de tê-la como irmã.
– Também estou feliz. – Respondi, sufocada no seu abraço.
– Sabe, você foi a única boa escolha que meu irmão fez na vida. – O provocou, me soltando.
Edward bufou ao meu lado.
– Brincadeira! Sabe que eu te amo, não é?
– É claro que sei.
– Não vai dizer que me ama também?
– Você não está merecendo.
Foi a vez de Alice bufar e rolar os olhos.
– Não sei como você pode ter escolhido por livre e espontânea vontade passar o resto da vida ao lado desse chato! – Ela se dirigiu a mim.
Me limitei a rir da implicância dos dois irmãos.
De repente, ela virou-se acenando para alguém, então nos pediu licença e se afastou. Nossos pais também já tinham se distanciado discretamente, portanto me vi a sós com Edward. Ele me tomou nos braços mais uma vez naquele dia e depositou um beijo casto na minha testa.
– O que acha de sairmos à francesa agora?
– Podemos ficar mais um pouco? – Pedi.
– Podemos fazer o que quiser, princesinha. É o nosso dia.
– Eu gostaria de aproveitar um pouco mais, afinal será nossa única festa de casamento na vida.
Ele sorriu, daquela forma iluminada que eu amava, que eu só via ele dirigir a mim e aos seus parentes.
– Gosto disso, você nunca mais terá outro marido, apenas eu!
– Você é bobo. – Sorri de volta. – Eu sou inteiramente sua.
Ele capturou minha mão e depositou um beijo sobre os dedos cobertos pela luva, mantendo o olhar intenso sobre mim, dando àquele pequeno gesto um significado muito mais devasso do que realmente poderia parecer para as outras pessoas. Então, fui puxada por ele de volta para a pista de dança.
A música tinha mudado para uma contradança e nos encaixamos entre os grupos de pessoas que dançavam no salão.
Por algumas horas nos dividimos entre dançar, comer e brindar com nossos amigos presentes. Eu estava feliz e mal vi o tempo passar, por mim aquele dia poderia durar para sempre!
– Com licença Sr. E Sra. Cullen – Emmett se aproximou e eu sorri bobamente, diante da forma com que ele me chamou, meu novo nome. – Foi um lindo casamento e a festa está maravilhosa, mas já está na hora de irmos.
– Já?!
– Sim, já é tarde e precisamos colocar esse rapazinho aqui para dormir logo. – Ele respondeu, passando um braço sobre os ombros de Rosalie, que vinha logo atrás do marido e trazia o pequeno Henry, de 5 meses, nos braços.
– Vocês precisam nos visitar mais vezes, para vê-lo com mais calma. – Rose convidou.
– Nós iríamos adorar. – Foi Edward quem respondeu.
– Com certeza! – Concordei.
– Bem, gostaríamos de parabenizá-los mais uma vez pelo casamento e desejar felicidades ao casal antes de irmos.
– Obrigada, Emm.
– Obrigado por terem estado aqui, irmão. – Os dois homens trocaram um aperto de mão viril e eu abracei Rosalie com cuidado para não mexer muito com o pequeno Henry, já quase adormecido.
– Acho que vou aproveitar a deixa e me despedir também. – Alice se aproximou, nos abraçando.
– Emm, você se importa de acompanhar minha irmã até em casa? – Edward pediu ao amigo.
Nossos pais já tinham deixado a festa há algum tempo, mas Alice decidiu ficar e então meu marido se sentia responsável pela irmã caçula.
– Claro, sem problemas.
– Na verdade, pedi para Jasper me levar. – Ela confessou.
– Jasper, hã? – Edward cruzou os braços e encarou maleficamente o peão, que estava a alguns passos de distância.
– Vamos ser flexíveis, cowboy. – Sugeri. – Jasper já provou que tem boas intenções indo declarar para seu pai o interesse dele em cortejar Alice. Acho que podemos dar um voto de confiança, certo?
Meu marido bufou ao meu lado e minha cunhada piscou agradecida em minha direção.
– Podemos fazer juntos parte do trajeto. – Rosalie sugeriu, conciliadora. – Então Jasper a acompanha quando nossos caminhos se separarem.
– Me sinto melhor assim. – Edward concordou.
Então os quatro se despediram definitivamente e saíram todos ao mesmo tempo.
– O que acha de irmos agora? – Edward sussurrou ao meu ouvido.
O salão já estava mais vazio, somente alguns dos funcionários da fazenda estavam por ali, bebendo e jogando cartas e apenas 3 casais ainda dançavam. Assenti para o meu marido.
– Obrigada por ter ficado mais.
– Tudo o que você quiser, princesinha.
Nos despedimos rapidamente dos convidados que ainda restavam na festa e saímos para a noite da cidade.
– Onde está sua carruagem? – Ele perguntou, quando já estávamos na rua.
– Não vim de carruagem, vim com o Twilight. – Apontei para o cavalo preso perto da estalagem, que não ficava muito distante do saloon.
Ele sorriu.
– Eu devia ter previsto isso, é tão você vir ao casamento montada a cavalo.
– Quase levei Angela à loucura. – Confessei.
– Eu posso imaginar. – Rimos juntos. – Você se importa de me esperar aqui enquanto vou buscar meu cavalo também?
Neguei e ele saiu. Enquanto esperava, desamarrei Twilight de onde ele estava e montei. Pouco depois, Edward retornou, também montado em seu cavalo de pelagem escura que eu reconheci imediatamente; era o Midnight.
Sem dizer mais nada, partimos juntos até a fazenda. Durante o trajeto era possível ouvir apenas o toque dos cascos dos cavalos sobre a relva e o sibilar do vento contra nossos rostos.
Quando chegamos, não fomos levar os cavalos aos estábulos e nem mesmo ao celeiro, paramos em frente à casa e deixamos os dois animais ali mesmo. Eu sentia falta de estar intimamente com Edward e tinha pressa para consumar logo nosso casamento. Aparentemente, ele tinha a mesma urgência que eu.
Estava prestes a subir os degraus da varanda quando fui surpreendida, sendo levantada no colo. Aquilo me fez soltar um gritinho assustada.
– O que você está fazendo?
– Carregando minha noiva nos braços! – Ele declarou com um sorriso bobo e eu não pude deixar de sorrir de volta.
Sem me soltar, ele me pediu que destrancasse a porta e só me colocou no chão novamente quando já estávamos no hall de entrada. Após me soltar, ele fechou a porta atrás de si e se voltou para mim outra vez.
– A casa está vazia? – Ele perguntou, notando o silêncio.
– Os funcionários devem ter nos dado privacidade.
Notei que nem mesmo Jacob estava nos esperando na porta, como costumava fazer sempre que chegava gente, talvez alguém o tivesse levado para passar a noite fora.
No entanto, não me detive muito naqueles pensamentos, logo os lábios de Edward tomaram os meus, exigindo minha atenção. Não me retraí ao corresponder seu desejo. O beijei de volta com a mesma intensidade, cruzando meus braços por trás de seus ombros. Logo, tratei de arrancar as luvas, para que pudesse sentir a pele dele contra a minha. Depois de jogar as peças rendadas longe, toquei sua nuca e infiltrei minhas mãos por seus cabelos, a medida em que subia meus toques, joguei para longe também seu chapéu.
As mãos dele também se infiltraram nos meus cabelos, há muito tempo livres do véu, que se perdeu em algum momento da festa. Giramos pelo cômodo ainda conectados pelo beijo, até que minhas costas se chocaram contra uma das paredes do hall de entrada.
Desci minhas mãos novamente pelo seu pescoço, dessa vez parando para me livrar da gravata. Depois, abri os primeiros botões de sua camisa, podendo finalmente sentir os músculos do seu peitoral sob meus dedos. Voltei a subir minhas mãos até encontrar os ombros do cowboy, então as infiltrei sob o paletó e agi para me livrar dele também.
Edward facilitou meu trabalho, deixando de me tocar por um instante, para que a peça de roupa escorregasse pelos seus braços. Depois, ele retornou a me beijar, descendo seus lábios por minha mandíbula e pescoço, até chegar ao decote ombro a ombro do meu vestido, que deixava parte do meu colo exposto. Seus beijos naquela simples região do meu corpo estava me causando reações astronômicas. Estava começando a me sentir fora do controle de mim mesma, meu corpo respondia somente aos toques dele.
Tombei a cabeça para trás, completamente entregue ao momento, porém acabei esbarrando na moldura de um dos quadros da parede, que balançou, mas não chegou a cair.
– Você está bem? – Ele perguntou, deixando minha pele por um instante.
Assenti e sorri, achando a situação levemente cômica por ser inoportuna. Depois de se certificar do meu estado, Edward voltou a se dedicar aos beijos no meu decote, desta vez com um pouco mais de delicadeza.
– Talvez fosse mais seguro para a decoração se continuássemos isso no nosso quarto. – Sugeri, mantendo ainda um leve sorriso.
No entanto, ele parou as carícias mais uma vez e recuou um passo. Seu olhar continha um pouco menos de chamas do que um segundo antes.
– O que houve? – Perguntei intrigada.
– É estranho estar aqui.
– Não é a primeira vez que você entra nesta casa. – Lembrei.
– Eu sei, mas antes era como funcionário.
– Você já morou aqui por uma semana! – Relembrei os dias que precederam a emboscada de pistoleiros que sofremos seis meses antes.
– Mesmo naquele período eu estava aqui como empregado, para defender a fazenda e proteger você e Angela que moravam sozinhas.
– Ainda assim, não dá para fingir que aquele período não aconteceu, não é como se você nunca tivesse ido ao andar de cima da casa e só conhecesse as áreas comuns, como tantos outros funcionários que entram aqui.
– Eu nunca conheci o quarto principal da casa, é estranho pensar em entrar lá pela primeira vez.
– Você precisa se acostumar com isso, é o seu novo quarto.
– Mas sempre foi o quarto dos patrões para mim, um lugar inviolável.
– Você é o patrão agora e o quarto lhe pertence.
Ele soltou um muxoxo.
– Vai ser difícil me acostumar com isso.
– Ei! Você sabia o que implicaria ser meu marido e mesmo assim quis casar comigo. Além disso, você prometeu assumir a fazenda ao meu lado.
– Eu sei, e não estou arrependido nem quero voltar atrás com nosso acordo, só estou dizendo que vai ser difícil mudar a mentalidade de alguém que sempre foi peão como eu.
De repente, algo me ocorreu.
– Eu tive uma ideia! Me espere aqui.
– O que... – Ele tentou me questionar, mas eu já disparava escada à cima.
As malas de Edward estavam todas no nosso quarto de vestir, algum funcionário devia tê-las colocado ali mais cedo, antes de ir ao casamento. Encontrei uma valise não muito grande dentre as bagagens e a coloquei sobre a cama, esperava que nela tivesse tudo que ele pudesse precisar por alguns dias. Encontrei no meio dos meus pertences outra valise bem similar à sua, a enchi com uma muda de roupa e alguns itens de higiene pessoal, depois juntei as duas bolsas e retornei ao andar inferior da casa.
Da escada, cruzei o hall direto em direção à porta da frente. Ao passar pela entrada da sala de estar, vi que Edward estava dentro daquele cômodo e me esperava sentado no sofá, mas não fui ao seu encontro. Ao invés disso, pedi que me seguisse.
– Aonde vamos? – Perguntou da varanda, me vendo acomodar nossa bagagem na sela do meu cavalo.
– Você vai ver, apenas venha comigo. – Pedi, montando em Twilight.
Ele fez o que eu pedi e igualmente montou em Midnight.
Disparei pela mata enquanto Edward seguia em meu encalço. Em determinado ponto do trajeto, senti que ele entendeu para onde estávamos indo porque tomou a frente e passou a guiar nosso caminho. De certa forma, fiquei grata por isso, porque eu não tinha certeza se acertaria o caminho para a cabana de caça, principalmente à noite.
Finalmente chegamos à pequena clareira da cabana, iluminada pela luz fraca da lua crescente. Descemos dos cavalos e os prendemos ao guarda-corpo da varanda, como da outra vez.
– Se sente melhor aqui? – Perguntei.
– Você me conhece tão bem! – Ele me puxou para seus braços e depositou um beijo casto nos meus lábios. – Poderíamos viver aqui em definitivo? Este lugar é tão mais a nossa cara.
– Não comece! Estamos aqui só para a nossa lua de mel, mas em algum momento teremos que voltar e tocar a fazenda. Você já prometeu me ajudar na administração, não vá dar para trás agora!
– Eu sei. – Suspirou. – Só queria que nossa vida pudesse ser mais simples, que a gente morasse numa casinha como essa, sem tanto dinheiro, posses e poder envolvidos. Seria tudo tão mais simples para nós...
– Você sabia que tudo isso viria junto comigo.
– Sim e eu não estou lamentando, nem me arrependo de nada, eu administraria milhares de propriedades se fosse preciso para me casar com você. Só estou contemplando uma realidade que não nos pertence.
– Eu também não queria ter herdado a fazenda, mas quando eu vejo quantas pessoas trabalham lá e dependem disso para viver, eu simplesmente não posso pensar em desistir e voltar a minha antiga vida humilde de filha de um xerife.
– Você tem razão e eu estou manchando esse momento tão especial para nós dois. Vamos apenas aproveitar enquanto podemos ficar a sós nesta cabana e fingir que não existe mais nada no mundo além da gente. – Ele me pegou novamente no colo, antes de subir os degraus da varanda.
– Isso é mesmo necessário?
– É o que manda o ritual.
– Não tem ninguém aqui além de nós para julgar se você está fazendo tudo conforme as regras.
– Eu sou um homem tradicional, Bella! Agora pare de reclamar e me deixe fazer meu papel. – Ele reclamou enquanto subia os degraus da varanda.
Novamente, ele esperou que eu abrisse a porta, sem me soltar. Porém, tão logo entramos na sala da cabana, ele me colocou de volta no chão.
– Não vai me levar para o quarto? – Desafiei.
– Você está me devendo algo aqui, nesta sala, neste tapete, diante desta lareira.
– Estou, é? – Ergui uma sobrancelha.
– Sim. Algo que aquele pulguento interrompeu da última vez.
– Não fale assim do Jacob!
– Tanto faz!
Pensei em repreendê-lo pelo desprezo com que se referia ao nosso cachorro, mas não fui capaz, logo sua boca estava sobre a minha, me calando. Em um segundo, eu tinha esquecido completamente o mundo ao nosso redor, para mim existia apenas Edward.
Lentamente, seus lábios deixaram os meus e seguiram uma trilha de beijo pela minha mandíbula, parando bem próximos ao meu ouvido.
– Me espere aqui, eu já volto.
Suas palavras me deixaram confusa, não condiziam com seus atos. Mas logo senti ele se afastar e foi como levar um balde de água fria na cabeça. Abri os olhos um pouco desorientada e percebi que Edward tinha ido até a lareira acendê-la.
Não segui sua ordem e caminhei até estar parada atrás dele. Me ajoelhei no tapete e o abracei pelas costas, me moldando perfeitamente ao seu dorso.
– Bella, o que está fazendo?
– Quero pagar minha dívida. – Levei meus lábios até a pele exposta de sua nuca e comecei a beijá-lo.
Com as mãos na parte da frente do seu corpo, comecei a tatear para abrir os botões de sua camisa.
– Bella, me dê só um minuto, eu preciso acender o fogo. – Reclamou, mas eu não parei.
Logo a chama estava crepitando na lareira e Edward virou-se, num movimento rápido me colocando deitada de costas no tapete macio e seu corpo debruçado sobre o meu.
– Agora você vai aprender a não me provocar, princesinha. – Falou com os lábios roçando bem leve nos meus, mas não chegou a realmente me beijar, o que me deixou frustrada.
Quando me lancei para frente, na tentativa de alcançar sua boca, ele se ergueu, ficando de joelhos ao meu lado. Aproveitando-se que eu já tinha aberto os botões, ele se despiu do colete, da camisa e da parte de cima de sua roupa íntima. Num sopro de ousadia, estiquei minhas mãos e também desafivelei seu cinto. Edward me deixou soltar sua calça, assistindo tudo com um sorriso torto de pura luxúria.
Ele começou a desfazer os laços do meu corpete e, ao me livrar da peça, puxou o vestido para baixo. Ergui um pouco a cintura para que ele tirasse o vestido e as anáguas de uma vez. Uma vez que chegou aos meus pés, aproveitou para tirar também minhas botas. Então, me vi diante dele apenas de combinação.
Edward voltou a se debruçar sobre mim e, desta vez, finalmente me beijou. Eu sentia que já estava a ponto de explodir, ansiando por aquele contato. Enquanto sua boca sugava a minha com voracidade, minhas mãos aproveitaram para sentir os músculos firmes de seu peitoral exposto.
Após algum tempo apenas me beijando, ele voltou a se afastar, daquela vez para me livrar da parte de cima da combinação. Meu peito subia e descia ofegante enquanto ele trabalhava nos fechos frontais da peça. Ao abrir completamente a parte superior, me vi com os seios expostos ao meu marido e seu olhar sobre minha pele era concentrado e penetrante. De repente, toda a ousadia que senti antes desapareceu e eu me senti corar.
– Não acredito que depois de tudo você ainda consegue se sentir tímida comigo.
– Acho que eu nunca vou me acostumar com essa forma com que você me olha.
– Isso é uma pena, porque agora que sou seu marido vou te olhar assim todos os dias, para o resto de nossas vidas. – Apesar de ter gostado daquela perspectiva, sua declaração me fez ficar ainda mais corada.
– Eu não entendo como você pode me olhar com tanta... admiração. – Procurei uma palavra que se encaixasse.
– Por que não? Você é linda! – Ao falar, ele levou uma das mãos ao meu seio e brincou com o polegar no mamilo, transmitindo um arrepio por todo meu corpo.
– É tão surreal que você pense isso de mim, justo você que é tão... – Procurei uma palavra que pudesse o descrever, mas nenhuma era boa o suficiente. Eu só podia encarar toda sua imponência e pensar em como o admirava.
– Eu que sou o quê?
– Tão perfeito? – Testei aquela palavra, foi a melhor que pude encontrar. – Você é lindo, charmoso, corajoso, determinado, seria capaz de conquistar tudo o que quisesse, ter o mundo aos seus pés. No entanto está aqui, comigo, fazendo eu me sentir especial.
– É porque você é sim especial, princesinha! E é melhor ir se acostumando porque eu sou todo seu e só seu, para todo sempre.
Dito isso, ele encerrou a conversa voltando a me beijar. Sua boca atacou com voracidade os meus seios, sugando e mordiscando de leve minha pele. Seu toque sempre era capaz de tomar o centro do meu universo e fazer todo o resto desaparecer da minha mente.
Enquanto seus beijos subiam, criando uma trilha úmida pelo meu pescoço e queixo até retornar à minha boca, uma de suas mãos descia, deixando um rastro de fogo pela minha barriga até se infiltrar no cós da parte inferior da combinação, a única peça que ainda me restava. Sem subterfúgios, um dedo me invadiu de surpresa, fazendo um urro involuntário brotar do meu peito.
– Você está tão pronta para mim! – Constatou com deleite.
– E você, não está pronto? – Ousei perguntar.
Ele riu, mas não com escárnio.
– Quer sentir o quão pronto eu estou?
Assenti timidamente. Quase como uma dança coreografada, sua mão alcançou a minha e nossos dedos se entrelaçaram. Lentamente, ele me conduziu a tocar sua região íntima, para que eu sentisse sua rigidez. Minha primeira reação foi de estranheza, por mais que eu já tivesse passado pela experiência de tê-lo dentro de mim, eu jamais o havia tocado daquela maneira deliberada.
Resistindo ao primeiro impulso de recolher a mão, experimentei mover meus dedos e sentir mais aquela região de seu corpo. Observei cautelosamente a expressão de Edward, que estava de olhos fechados e a cabeça levemente tombada.
– Você gosta disso, cowboy?
Recebi como resposta somente um gemido, que me pareceu de concordância. Sorri internamente, me sentindo poderosa. Eu apreciava a perspectiva de ser capaz de mexer com seus sentidos, da mesma forma que ele fazia comigo.
Diante de sua reação, me senti encorajada para continuar tocando e explorando sua intimidade. Em dado momento, Edward também voltou sua mão para o meio das minhas pernas, primeiro me tocando por cima da combinação, depois se infiltrando novamente sob o tecido.
Descobri que tocá-lo e ser tocada podia ser bom, quase tão bom quanto tê-lo por inteiro dentro de mim. Seus dedos em meu sexo estavam me levando a um ponto de suspensão absoluta, mas eu só queria continuar naquele caminho sem volta. No entanto, ele parou. Se afastou dos meus toques e também tirou seus dedos de mim.
– O que houve? – A frustração era latente na minha voz.
– Eu não aguento mais. Preciso estar dentro de você, agora!
Assenti enquanto o assistia se despir da calça, da roupa de baixo e dos sapatos. Eu também não suportaria esperar mais para senti-lo novamente. Em seguida, ele também puxou para longe minha última peça de roupa.
Qualquer traço da vergonha que eu senti minutos antes havia desaparecido completamente, mesmo que naquele momento estivéssemos ambos completamente nus. Era como se meu corpo tivesse finalmente assimilado a grandeza daquele ato, somente Edward e eu, compartilhando o sentimento mais puro que pode haver entre um homem e uma mulher. Sem julgamentos, sem pressões, sem pudores, apenas nós. O brilho no olhar dele era tudo o que importava naquele momento, a sensação de tê-lo ardendo por mim, enquanto eu igualmente ardia por ele.
O cowboy voltou a cobrir meu corpo com o seu e me beijou bem lentamente. Depois, voltou a se afastar e, fazendo um carinho suave em meu rosto, ele me invadiu de uma vez.
Não foi tão dolorido como da primeira vez, e eu pude aproveitar melhor apenas a sensação de prazer que meu marido me proporcionava. Meus gemidos se tornaram incontroláveis à medida que ele se movia dentro de mim, mas eu estava entregue demais às sensações para me importar com as respostas primitivas e involuntárias do meu próprio corpo.
Em certo momento, Edward levou uma de suas mãos até a parte de trás do meu joelho flexionado e me fez dobrar a perna sobre o peito. Com aquele novo arranjo, o senti atingir um ponto completamente novo, um lugar que ele jamais tinha alcançado antes. Era incrível como cada instante com o cowboy era ainda melhor que o anterior, sempre que eu achava estar vivendo o auge, ele dava um jeito de me mostrar que podia ser ainda melhor.
Daquela vez, chegamos juntos ao nosso limite. Ele se derramando dentro de min enquanto eu clamava seu nome com sofreguidão. Edward se jogou ao meu lado no tapete e nós dois permanecemos daquele jeito por vários minutos, enquanto esperávamos nossas respirações aceleradas normalizarem. Um silêncio confortável nos envolvia, assim como o calor proveniente da lareira.
– Está pronta para mais? – Perguntou, me puxando para me deitar sobre seu peito.
– Mais?!
– Eu apenas comecei, princesinha.
Arregalei os olhos e ele riu.
– Não sei se sobrevivo a mais um pouco disso que acabamos de viver aqui.
– Calma, eu espero você descansar antes de recomeçar. – Gracejou.
Ficamos em silêncio por mais um instante, apenas sentindo a presença um do outro. O calor das nossas peles se misturando com o calor que vinha da lareira, o som das nossas respirações e os dedos dele passeando pela minha pele, me causando arrepios.
– Que tal irmos para o quarto agora? Esse tapete foi muito bom para começar, mas vai ser mais confortável se continuarmos na cama.
Assenti e ele me tirou do seu peito, se levantando e me pegando no colo pela terceira vez naquele dia. Empurrou a aporta do quarto com o pé e me colocou deitada na cama. Depois, permaneceu parado de pé ao meu lado, apenas me olhando, daquela forma intensa que eu aprendi a reconhecer muito bem.
– Eu te amo, sabia? Te amo muito! – Falou repentinamente, com intensidade.
– Eu sei. – Sorri com ternura. – Porque eu também te amo. Te amo com o maior amor que existe neste mundo.
– Impossível! Porque ninguém jamais amou alguém como eu te amo.
– Você precisa mesmo sempre discordar de mim? – Rolei os olhos.
– Eu tenho certeza que você nem saberia o que fazer se eu agisse diferente. Te contrariar é parte do meu charme.
Eu ri. Mas ele tinha um bom argumento.
– O que eu faço com você, cowboy?
– Me ama? – Sugeriu.
– É uma boa ideia.
Rimos juntos e ele voltou a se debruçar sobre mim, beijando os meus lábios mais uma vez. Em poucos segundos, estávamos outra vez perdidos nos toques e carícias um no outro, exatamente como ele tinha prometido que faria.
Naquele momento, eu soube que ser casada com Edward Cullen jamais seria monótono, em diversos aspectos. E, sinceramente, que sorte a minha! Que começasse então o resto de nossas vidas, eu estava pronta.
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