A guerra das Runas

3 A garotinha da casa de madeira e o passado de Vi


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo. Esse título do capítulo foi ruinzinho, mas é que eu não sabia qual nome eu ia dar. Não sei se aconteceu algo de importante aqui, mas prometo que as coisas vão melhorar. Espero que gostem. ♥

Annie

Faziam duas semanas desde a primeira vez que os yordles foram até a casinha da garota. Naquele dia, Teemo foi sozinho. Ele resolveu não incomodar Tristana, e talvez até conseguisse um pouco de contato.

Ao chegar perto da casa, ele notou algo diferente: a porta velha de madeira estava aberta. E, lá dentro, aparentemente não havia ninguém.

Atrevido como sempre foi, o pequeno yordle entrou devagar, tentando não fazer barulho. A casa era medonha, haviam cinzas por todos os lados. Poucos móveis faziam parte da decoração, e Teemo começou a observar tudo. Encontrou, em cima de uma mesa velha de carvalho, alguns desenhos. Na maioria deles, Annie havia desenhado ela mesma rodeada por amigos e por uma família.

Teemo sentiu pena. Ao mesmo tempo, também ficou com medo quando viu os desenhos de Tibbers, o urso gigante e sinistro da garotinha. Estava tão concentrado nas folhas amareladas de papel que nem notou uma sombra atrás de si. Só percebeu o problema quando uma onda de calor tomou conta do cômodo onde estava.

Virando-se para trás, Teemo estremeceu quando viu olhos flamejantes o encarando. A garota estava parada na porta, com uma chama ardente em uma mão e com seu ursinho na outra. O yordle engoliu seco, pensando no que fazer.

Annie ia matá-lo, porque odiava quando alguém tocava em suas coisas. Mas, olhando-o de cima embaixo, o reconheceu e notou que ele trazia consigo uma cesta cheia de frutas e doces caseiros. Baixou seu posto, fazendo com que seus olhos voltassem ao normal e sua chama se apagasse. No mesmo instante, seu estômago soltou um ruído.

Teemo não soube interpretar a reação dela. Deduziu que a garotinha estava morta de fome e então, num impulso de coragem, perguntou:

— Você está com fome? Eu trouxe comida.

Deu um passo à frente, mas Annie recuou.

— Não vou machucar você. Pode comer. – Teemo tentou passar confiança à garota e colocou a sesta no chão.

Annie se aproximou, observando o objeto, e então começou a comer. A comida dos yordles era tão boa que a garota até colocou Tibbers no chão e sentou-se ao lado da sesta, sem se importar com a presença de Teemo.

— Qual o seu nome? – O yordle perguntou.

Ela não respondeu, apenas o encarou e continuou comendo.

— Tudo bem. Se não quiser dizer não precisa.

— Annie. – Ela disse, depois de engolir o doce de morango. — Meu nome é Annie.

Caitlyn

A xerife estava sentada num dos bancos do campo coberto de treinamento policial. Olhou para o celular hextec em sua mão e percebeu que sua parceira estava quarenta minutos atrasada. “Ótimo”, pensou, “primeiro dia começando desta forma”.

Ficou mais uns dez minutos observando policiais praticarem suas habilidades quando de repente um ser de cabelos curtos e cor de rosa começou a atravessar o campo com uma mochila gigantesca nas costas.

— Se quer mesmo fazer isso, sugiro que chegue no horário. – Caitlyn levantou-se do banco de madeira quando Vi se aproximou.

— Desculpe, fofa, eu tive uns problemas. – Ela comentou enquanto mascava um chiclete, jogando a mochila no chão e fazendo um barulho alto.

Caitlyn arqueou as sobrancelhas para a mochila exageradamente grande, mas resolveu não perguntar nada.

— Siga-me, por favor. – Ela disse, enquanto entrava em uma sala um pouco afastada do campo e do barulho dos tiros.

Vi pegou a mochila e foi atrás dela, descobrindo uma sala recheada de armas. Penduradas na parede e até amontoadas em caixas, ali havia armas de todos os tipos (até de balas de borracha e armas de choque). Era a sala favorita da xerife e ela esperava que Vi fosse ficar impressionada, mas ela apenas estourou uma bolha rosa de chiclete e nem sequer olhou para as armas direito.

— Irei avaliar suas habilidades agora. Escolha uma que saiba usar melhor ou que tenha mais afinidade. – Caitlyn pediu, enquanto encostava-se na parede para observar. Ela entendia de armas, mas não conseguia pensar em uma que combinasse com Vi.

— Você está brincando, certo? – Ela disse, enquanto mascava o chiclete com desinteresse. – Por acaso tenho cara de quem usa essas coisinhas de hétero?

Caitlyn levantou as sobrancelhas e a encarou, pensando no que deveria responder, e Vi continuou:

— Isto daqui é bem melhor.

Ela jogou a mochila no chão e a abriu, revelando um par de luvas gigantes hextec. Caitlyn sabia do que se tratava, mas não esperava que Vi fosse usá-las sendo uma policial.

— Somos da polícia. Usamos armas e não... – A xerife começou a pensar em um nome adequado para aquelas coisas gigantes – luvas de metal.

— Primeiramente não chame meus bebês assim. Segundamente, corrigindo: vocês usam armas. Eu não.

Caitlyn respirou fundo. Não queria discutir com ela, pois não precisava de mais problemas.

— Tudo bem, então. Vamos para a sala de treino.

As duas saíram da sala e entraram em uma ala de treinamento separada. Num canto, havia uma salinha com janelas de vidro, onde Caitlyn poderia observar tudo e controlar os mecanismos de treinamento da sala.

Do lado de fora, Vi pegou as luvas hextec e começou a retirar suas luvas de couro preto. Caitlyn viu as mãos dela: completamente machucadas, cheia de cicatrizes e parecia que elas tinham sido queimadas. O estrago terminava mais ou menos no meio dos antebraços dela e a xerife se lembrou as palavras de Bob no dia anterior, depois da entrevista, quando havia perguntado sobre ela:

“ – Ela não é exatamente como Jinx, acho que você pegou pesado nessa parte. Não está escrito na pasta, mas Vi roubava somente dos burgueses estúpidos que moram aqui. O bando dela nunca fez mal a quem não merecesse. Pelo menos neste ponto, ela é decente. E há algo mais que você precisa saber: é sobre a mina. Não toque muito no assunto, ela é sensível. A situação saiu do controle e não foi culpa dela, mas sim de outro bando. Não saiu nos jornais, mas foi ela quem salvou os trabalhadores. Eles estavam soterrados, e Vi encontrou um par de luvas hextec, mas diferentes das que ela tem hoje. Eram luvas que não foram projetadas para humanos, e ela as vestiu mesmo assim. Conseguiu destruir a parede de pedras que prendia os homens dentro da mina, mas machucou gravemente suas mãos, perdendo o controle delas. As luvas superaqueciam e queimaram sua pele. Fora o impacto dos socos contra as rochas.

Depois que tudo terminou, ela adaptou as luvas para poder usa-las. A única coisa que ela consegue fazer com as mãos agora é socar alguém. E acredite, ela faz isso muito bem.

— E por que isto não aparece na ficha dela? – Caitlyn perguntou, pensando que devia um pedido de desculpas a Vi.

— É uma ficha criminal. – Bob explicou. – Além disso, não fui eu que a escrevi. Eu teria feito diferente.

Depois da conversa, em sua casa, Caitlyn repensou todos os pré-conceitos que havia estabelecido sobre Vi. E, um pouco depois, ligou para ela.

— Oi docinho. Eu sabia que ligaria. – Vi disse quanto atendeu, e Caitlyn pode visualizar o sorriso sarcástico dela do outro lado da linha.

— Eu pensei um pouco e.... bem, vamos começar amanhã. As sete, por favor não se atrase. ”

A xerife foi tirada desta lembrança quando vi cutucou o vidro com suas luvas já colocadas.

— Runeterra chamando. Vamos começar ou não? – Ela perguntou, impaciente.

— Desculpe. – Caitlyn se reposicionou. – Fique ali naquela marca no chão. – Ela apontou e Vi seguiu. – Vou começar com o nível fácil.

Caitlyn foi controlando a sala de treino e Vi destruiu todos os bonecos robóticos que encontrou pela frente, mesmo que fossem feitos de um metal resistente.

No fim, a xerife teve uma avaliação positiva, e abriu uma exceção para uma policial que não utilizasse armas.

— Ok, você se saiu bem. Agora, primeiro de tudo, deve saber que eu, a xerife, e meu parceiro estamos focados em encontrar e prender Jinx. Tem sido uma tarefa complicada: mesmo que eu me encontre com ela em Summoner’s Rift, não posso prende-la durante uma batalha. E, quando as lutas terminam, ela não vai para um hospital para se tratar. Aqui em Piltover não temos cápsulas incubadoras de ouro, como os demacianos, — Caitlyn falou das cápsulas com ironia, pois achava exagero e uma injustiça — então não há como encontrar Jinx, mesmo que ela esteja se recompondo. De qualquer maneira, espero que você dure mais tempo que o meu parceiro anterior.

Vi sorriu com ironia. Ela nunca desistiria, especialmente por Jinx.

Lux

— Eu vou voltar lá. – A loirinha avisou, enquanto caminhava apressadamente na direção do caos.

Ezreal se desesperou. Os demacianos estavam perdendo, não podia deixar Lux voltar para lá.

— Não posso deixar. – Ele disse, enquanto a segurou pelo pulso.

— Ele é meu irmão. – Lux virou-se para ele, com os olhos marejados. –Preciso ajuda-lo. Eu vou com ou sem você.

Ez, um filho único, não entendia como era ter um irmão. Mas ficou com dó da garota. Suspirou, e começou a puxá-la de volta para o acampamento, debaixo da chuva.

Quando chegaram devagar até a barraca de Garen, os soldados demacianos soltavam seus últimos suspiros do lado de fora. Antes que os dois loiros pudessem entrar, Ezreal percebeu que haviam dois caras lá dentro.

— Cadê ele? – Uma voz grossa e masculina perguntou. Mesmo com o som da chuva, Ezreal e Lux conseguiam ouvir claramente.

— Quando eu cheguei, a barraca já estava rasgada. Ele deve ter fugido. Não encontramos a patricinha também.

— Merda. Katarina têm que completar a missão logo. O que vamos fazer?

— Por enquanto, vamos acampar aqui perto, até que Kat retorne. Vamos avisar os homens.

Lux estava prestes a entrar lá e enfrentar os dois caras que estavam conversando, mas Ezreal os teleportou para longe dali, de novo.

— EU ODEIO QUANDO VOCÊ FAZ ISSO! – Ela protestou.

— Você não tem senso. Ia enfrentar dois noxianos? Fora que o grupo completo deles estava ali pertinho.

— Preciso saber mais. Preciso achar Garen. E se ele estiver machucado?

— Olhe, pelo que eu sei sobre o seu irmão, ele é muito bom e sabe se virar.

— Katarina foi atrás dele.

— É, eu sei. Mas não acho que uma assassina seja párea para um general. Katarina é boa em matar pelas costas, e Garen é inteligente demais para permitir isso.

— E o que você sugere que eu faça?

— Primeiro precisamos ir para um local seguro. Essa chuva está insuportável, e eu também não estou afim de dar de cara com uma pantera noxiana. Quando as coisas acalmarem, eu ajudo você a encontrar seu irmão.

Lux não queria ir. Ela queria procurar por Garen até encontrá-lo. Mas sabia que não daria certo, principalmente porque a floresta era perigosa demais á noite.

— Você conhece um local seguro? – A loira perguntou.

— Eu sou um explorador. Conheço a floresta toda. Ou quase. – Com um sorriso de canto, Ezreal começou a falar. – Vem, vamos logo.

Karma

— Consegue sentir? – Ela perguntou para Irelia, enquanto caminhava com dificuldade para se desviar dos corpos no chão.

— Sim. Além do medo dos soldados e da aura de Syndra, há outra energia aqui. Bem trabalhada, provavelmente de um ninja.

— Pelo massacre, eu chuto Zed.

— Por que Zed deixaria seu templo para vir até aqui pessoalmente? E o pior é que aparentemente ele veio ajudar Syndra, já que os dois estão vivos.

— Esta é minha menor preocupação. O que quero saber é o motivo que fez o nosso exército vir atacar a mulher.

— Achei que você fizesse parte do conselho. – Irelia parou de olhar os corpos para dirigir-se a Karma.

— E eu faço. Como líder religiosa, mas mesmo assim, cada ação oficial só ocorre depois de uma reunião do conselho. E, até onde eu sei, não houve nenhuma. Suponho que os outros líderes não saibam o que estão acontecendo.

— Talvez isso tenha a ver com o passado de Syndra. Ela já matou muitos soldados quando criança, até mesmo sem querer.

— Ela os matou porque nunca a deixaram em paz, supondo que ela fosse uma ameaça.

— Não estou culpando ela. Karma. A questão é que penso diariamente sobre isso. Nós duas sabíamos que algo assim poderia acontecer.

Karma parou para pensar. Anos atrás, depois do assassinato de seus pais, Syndra era constantemente perseguida. Ionia a considerava uma ameaça. E, um dia, Karma a encontrou ferida e a acolheu. Percebeu, durante este tempo, que apesar de tudo Syndra era humana, e tinha sentimentos como tal. Ensinou-a o poder do equilíbrio, e a ajudou a criar a Ilha Flutuante, para que Syndra pudesse viver tranquilamente. Convenceu o conselho de que assim não teriam mais problemas, e tudo aparentemente estava em paz em Ionia.

Só que agora, pelo visto, o exército ainda não confiava na mulher.

— Quem a avisou sobre isso? – Karma perguntou a Irelia.

— Lee. Ele estava meditando aqui por perto, quando sentiu dois choques de energias muito grandes. Acho que Zed e Syndra lutaram no começo.

— Certo. De qualquer forma, precisamos encontrá-la. Syndra, quando se sente ameaçada, não consegue se controlar.

Syndra

Ao abrir os olhos, ela notou que estava em uma casa de madeira, de estilo tradicional. Pela aura do lugar, percebeu que ainda estava em Ionia. Levantou-se com dificuldade, tentando se lembrar do que havia acontecido.

Ela e Zed haviam dizimado os soldados ionianos. Porém, durante o processo, Syndra ficou esgotada e desmaiou, deixando Zed finalizar o trabalho.

Com apenas alguns cortes, Syndra estava bem e então levantou-se, olhando o lugar em volta. Era um quarto simples, com poucos móveis, a cama era de um carvalho velho e os lençóis eram brancos.

Saindo para o corredor, Syndra encontrou uma sala com algumas poltronas, uma pequena prateleira de livros e uma cozinha no canto, com poucos móveis. Havia também um pequeno banheiro e, ao lado dele, um outro quarto. A porta era mais reforçada, e Syndra tentou abrir, mas estava trancada. Com sua magia, abriu com facilidade, entrando em um quarto um pouco maior.

Dentro do cômodo havia uma cama de casal, também de madeira. Num dos cantos, uma cômoda velha e um espelho rachado em vários pedaços. No centro do quarto, um tapete vermelho ocupava o chão.

Syndra andou até a cômoda onde encontrou um porta-retratos com uma foto velha e amarelada. Era de uma família: o pai, de cabelos negros, vestia uma roupa de ninja e abraçava uma mulher de cabelos castanhos. A mulher estava com a mão direita no ombro de uma criança de cabelos tão escuros quanto o pai. Os olhos do garotinho eram verdes, idênticos aos da mãe.

Analisando a foto, ela sentiu uma presença estática na porta. Num impulso, jogou uma de suas esferas, mas quando se virou para olhar, não havia ninguém.

— Entrar neste quarto é proibido. – Syndra pulou de susto quando ouviu a voz atrás de si, tão perto de sua orelha que a fez congelar.

Quando saiu de perto, indo para outro canto do quarto, pôde ver Zed parado no local onde ela estava.

— Eu.... Onde estamos?

— Em uma casa, obviamente. Agora saia.

Syndra revirou os olhos e saiu do quarto, indo para a sala. Zed veio logo depois, fechando a porta.

— Por quanto tempo eu dormi? – Ela perguntou.

— Já está anoitecendo. Eu trouxe você para cá de madrugada. Então, quase um dia todo.

— Por que você me ajudou?

— Nada em especial. – Ele respondeu, enquanto desprendia suas lâminas de seus pulsos.

— Tem que haver um motivo.

— Eu teria te matado se os ionianos estivessem vivos. Daí eles me pagariam.

— O quê?

— Eu mato por dinheiro. Não vou receber, então não vou gastar meu tempo. Além disso, descobri que aqueles otários queria matar nós dois.

— Espera, eu não entendi.

Zed revirou os olhos.

— Me contrataram para te matar. No meio do processo, eu não te matei porque... porque não, e então os soldados invadiram sua casinha. Surpreendentemente eles me atacaram. Deduzi que eles queriam matar nós dois, porque não havia outro motivo para irem até lá. Eu conseguiria acabar com você tranquilamente. Enfim, matei todos eles e trouxe você para cá.

— E não vai mais me matar?

— Você pergunta demais. – Zed suspirou, perdendo a paciência. — Eu mato por dinheiro. Então, a menos que alguém me pague para cortar seu pescoço, você pode ir embora.

Depois de dizer, o ninja voltou para o quarto, carregando as lâminas, e fechou a porta. Syndra começou a pensar no que faria, porque agora ela não tinha mais para onde ir.

Saiu pela porta da frente, e notou que a casinha ficava em uma montanha, numa floresta. Contando com a própria sorte, começou a andar.

Notas finais
Até o próximo cap.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.