A gravata Vermelha
1 Mais que uma Peça
Notas iniciais

“Assim como o gelo que necessita de água pra se formar, eu necessito de você.” – Fubuki Shirou
Primeiro: Fubuki tinha uma carranca no rosto. Isso não era muito natural, visto que as expressões do príncipe do gelo eram sempre tranquilas e calmas. Segundo: sua morena e ele, discutiram por um motivo que o Shirou nem sabia o porquê. Ultimamente e infelizmente, isso se tornava parte da relação. Terceiro: ele estava morto de ciúmes. Ninguém era capaz de fazer esse sentimento desagradável ir embora.
— Cara... — Chama Hiroto sentando numa das carteiras à frente do amigo. — Você tá com uma cara péssima. — Avisa o ruivo, apesar de Shirou obviamente saber isso. Estava tão frustrado, que era capaz de cometer um assassinato à sangue frio e o fazer sorrindo feito um psicopata. — Fala quem é a pobre criatura que tá te deixando ciumento. — Pediu ele divertido.
Shirou não queria responder.
Por quê? Porque com certeza seria o maior sarro que tirariam dele.
— Ninguém. Me deixa quieto. — Responde ele seco. Porém seu pedido foi ignorado. Dar uma ordem ao Kiyama, é o mesmo que falar com uma vaca.
O ruivo não deixava o pobre Fubuki em paz. Em todas as aulas, fazia a mesma pergunta. Até parecia sua mulher! Os nervos de Shirou estavam mais do que a tal flor da pele. Já não bastava sua situação? Por fim, não aguentou a persistência. O Kiyama sabe ser chato quando quer.
— A GRAVATA! Pronto, falei! — Admitiu Fubuki se envergonhando.
Quarto: estava morrendo de ciúmes de uma peça de roupa.
— O... Quê? — Indaga Hiroto. Tendo Midorikawa; Nagumo e Suzuno como testemunhas do fato.
— Sempre que a gente tá junto e eu peco um carinho pra ela, sua atenção vai pra aquele... Bicho. — Explica Fubuki. Os outros rapazes o encaravam com a sobrancelha arqueada e caras de “Você tá piorando”. — A gente não tá se falando muito. E ela sabe que eu detesto aquela gravata! Me provoca com ela.
Uma gargalhada escandalosa ecoou pelo pátio todo durante o intervalo. Hiroto segurava a barriga e se engasgava tanto que engoliu a saliva de qualquer jeito e quase morreu de verdade. Os outros com exceção de Suzuno, riam debochadamente.
— É melhor eu me afastar de vocês, antes que acabem com o resto da minha sanidade. — Diz o albino sério meneando a cabeça negativamente.
— Já pode parar. — Pediu Fubuki.
— Você... Você... Tá com ciúme de uma roupa! — Ressalta Hiroto gritando aos quatro ventos.
Shirou suspirou e revirou os olhos. Sabia que seus amigos não seriam de utilidade nenhuma, por isso quer ajeitar as coisas do seu modo. Sem intrometimentos alheios.
Sua relação com Yasmin não estava mais como as flores que ele via no começo. Tudo por conta dos ciúmes da parte de ambos. Discussões desagradáveis fizeram tudo esfriar como as técnicas de gelo que Shirou usava. Tiveram que dar um tempo, infelizmente. Isso estava matando Fubuki por dentro, por mais que sempre demonstrasse calmaria. Porém já se passou muito, três semanas sem trocar uma sílaba sequer! Shirou experimentava o sabor ruim da saudade. Queria sua morena de volta e para já. Desejava seu corpo quente lhe aquecendo nos dias frios; as madeixas negras e lisas que o rapaz tanto brincava entre os dedos; os lábios carnudos fazendo par com os dele. Mas os dois estavam sendo orgulhosos demais para admitir.
Ver que não podia a tocar como queria, era angustiante; sufocante. Se perguntava se a morena se sentia assim em relação a ele. E ele temia que se continuasse assim, tudo tomaria um rumo pior.
De volta à sala de aula, ele se deparou com a Atsuki de prosa com Kazemaru no corredor. Não gostou. Sempre soube que o azulado tinha uma queda pela morena, apesar de serem somente amigos. Mas de repente, um abraço. Seu coração perdeu o compasso e estava prestes a cometer homicídio em praça publica. Mas Shirou se controlou. A duras penas, mas se controlou. E parou pra pensar. A situação estava séria. Tinha que fazer algo. Mas o quê? Foi então que lhe surge uma ideia idiota e louca na mente.
✽ ❤ ✽
Yasmin acabava de tomar uma refrescante ducha em casa. Após o banho, e também se trocar, se preparou pra organizar o uniforme escolar recém tirado. Algo estava faltando. Sua gravata. Procurou por todo o canto e não a encontrou de jeito nenhum.
— Mas estava aqui agora à pouco! — Se desespera. Aquela gravata não era só um acessório. Era sua marca, seu detalhe favorito. Perdê-la significa perder uma pequena parte de si. Se sentia um pouco menos Yasmin sem o acessório. — Ah!
De repente se recordou que não vasculhou o quarto. Foi verificá-lo sem demora. Qual não foi a surpresa, talvez agradável, em ver seu namorado ali sentado em sua cama. Com sua gravata nas mãos. Sua gravata. Ambos se encaram durante um tempo. Olhos castanhos chocolate e olhos cinza grafite se perdendo um no outro.
— Como entrou? — Pergunta a morena quebrando o silêncio tenso.
— Precisa mudar o esconderijo da chave. — Respondeu chegando perto da moça. E a abraçou. Ou melhor, a agarrou.
A manteve em seus braços masculinos como se fosse morrer amanhã. Um sorriso se formou em seus lábios ao notar suas mãos femininas rodeando sua cintura. Bom sinal, ela também sentia falta dele.
— Shirou... — Chama a Atsuki melancólica.
— Vamos parar, eu prometo ser menos ciumento. Mas por favor, Mimi, volta. Não consigo viver sem você, morena. — Confessou Shirou manhoso, desfazendo o abraço para contemplar a perfeição daquele rostinho que ele amava beijar.
Yasmin queria se render e se entregar àqueles braços fortes, mas era complicado. É fácil fazer isso e simplesmente esquecer os problemas. Porém seu coração estava à beira de gritar pelo de Shirou.
Pois um não ficava sem o outro.
Os dois tinham que ficar juntos, era como se algo estivesse vazio e o parceiro automaticamente o preenchesse.
— Foda-se o orgulho. — Disse a morena e atacou os lábios do amado.
Nada de doçura e delicadeza. Quase imploravam por aquilo há semanas. Não precisavam se conter.
Começando com uma disputa de línguas. Cada um se focava em explorar a boca do outro e sentir a sensação do beijo ficando cada vez mais quente. Lábios se encaixavam de qualquer jeito. As mãos inquietas de Yasmin apalpavam e passeavam pelo corpo de Shirou sem escrúpulos. Enquanto ele, rodeava seu quadril e a erguia com suas pernas salientes trançando a cintura do rapaz. A jogou na cama ficando por cima do corpo desenvolvido da jovem. Interrompeu o beijo, a deixando confusa e com cara de “Parou por quê?”. Se lembrou da gravata que ele tanto tivera um ciúme ridículo e passou seu tecido por toda parte que a garota possuía.
— Não se importa de me emprestar ela, certo? — Perguntou sedutor admirando os olhos castanhos dela igualmente maliciosos.
— Para quê? — Yasmin Indaga curiosa e confusa. O que ele ia fazer?
— Bom... Porque eu podia fazer várias coisas com ela. — Shirou expressava pura sedução. E Yasmin estava gostando desse lado dele. — Posso te amarrar, te vendar, cobrir sua boca. Se bem que não vou fazer isso, ela emite sons que adoro. — Confessa Shirou apaixonado.
— Você já a roubou de mim, espertinho. — Avisa Yasmin se referindo ao acessório e por ele ter invadido sua casa antes.
O beijo fora retomado com mais paixão e calor entre ambos.
E a gravata vermelha da morena? Ela foi bastante útil para Shirou, portanto, ele passou a gostar dela.
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