A glimpse in the future

1 A glimpse in the future — capítulo único


Notas iniciais
Em comemoração ao aniversário do Shima mais tarado de todos, trago essa peça, assim como uma maneira de apaziguar o hiatus de oito meses no qual o mangá acabou de entrar ;w;

Ele não queria abrir seus olhos, não quando aquela seria a quarta vez que virava seu corpo procurando pela melhor posição, o melhor ângulo para sua cabeça sobre o travesseiro que já lhe incomodava o pescoço. Se Renzo abrisse seus olhos naquele momento, a árdua batalha estaria perdida então ele decidira que seria melhor saber por quanto tempo ele durara naquela noite mal dormida.

O cômodo ainda era breu quando sua mão buscou pelo celular sobre a estante e, assim como antes de ir para a cama naquela noite, o aparelho ainda estava onde ele o havia deixado.

Três e quarenta na madrugada. Contando que ele havia ido dormir depois da meia noite, era praticamente um esforço feito á toa, tentar dormir por tão pouco tempo, por mais que o brilho da tela ainda lhe cegasse a vista.

O corpo de Izumo parecia pequeno ao lado do seu, todo encolhido, buscando manter a temperatura mais agradável em meio a noite amena, enquanto que o dele parecia ter sofrido o efeito de uma maratona, o quão suado que estava. Agora ele definitivamente desistira de tentar pegar no sono.

Um banho quente, roupas limpas e livres de suor depois, a exaustão que sentia em seu corpo deixara de existir. Mesmo que estivesse aos bocejos ele sabia que não conseguiria pegar no sono tão rápido e como não estava no clima para ler uma de suas revistas favoritas acabou ligando o televisor na sala, se acomodando no sofá de dois lugares e deixando apenas que a estática da tela quadrada iluminasse o cômodo.

A programação durante a madrugada era quase nula, mas existiam algumas reprises que alguém nas qualidades de Renzo não se importava em assistir, como os melhores momentos de concursos de beleza de anos anteriores, por exemplo. Mesmo não sendo algo que ele veria normalmente, ter modelos desfilando em uma passarela não era algo de todo ruim.

Talvez lhe desse até sono. Bons sonhos talvez.

Seus olhos estavam tão entretidos, que dedicavam atenção total ao televisor, mal notando a presença que vinha lentamente do quarto atrás dele. Até ser pego de surpresa por um magro par de braços, deslizando por seus ombros e o peso de uma cabeça sobre a sua.

— Você me deixou sozinha de novo só para assistir um bando de mulheres tentando ganhar um concurso de beleza?

Izumo havia acordado. Nas outras vezes ele dera o azar de acordar no sofá com ela o encarando, claramente incomodada.

— É o que vejo quando não consigo dormir.

— Então me acorde, assim você não fica tão sozinho assim.

O beliscão na orelha que recebera o fizera rir, até as luzes serem acesas e sua vista doer no mesmo instante.

A presença dela desaparecera, sendo substituída por sons vindos da cozinha. Água preenchendo um bule de metal, as portas dos armários rangendo ao serem abertas. Quando deu por si, Renzo já não prestava mais atenção as modelos mas olhava para Izumo encarando o bule no fogão, bocejando de segundo a minuto.

Ele ouvira a água começar a ferver, assim como o som do fogo sendo desligado, então água sendo despejada em algum outro lugar, para depois ela retornar a sala com uma caneca branca decorada por ilustrações natalinas em suas mãos.

O vapor subia mas ele não sentia cheiro algum.

Quando olhou para dentro da caneca, percebeu a coloração vermelha e estranhou a escolha dela.

— Morango. Não vai te ajudar a dormir, mas beber algo quente relaxa, acho.

— Muito quente.

— Deixe de ser fresco, chá não se bebe rápido.

Dito isso o controle desparecera nas mãos dela, mudando os canais até parar em outra reprise, só que de calouros em um show de talentos. Havia uma garotinha cantando e isso pareceu emocioná-la o suficiente para se acolher ao lado dele.

O chá grudava na língua, mas tinha um gosto diferente que ele não sabia dizer se era bom ou ruim.

A respiração de Izumo mudara.

O show de talentos acabara.

O gosto do chá parecia melhor agora, havia menos de meia caneca mas ele bebia cada gole com cuidado.

Um programa de médiuns começara em seguida e por algum motivo ele achara isso engraçado. Principalmente quando via a mulher de roupas vibrantes dizendo algo com convicção, mexendo muito as mãos com aqueles anéis gigantes nos dedos, quando ele sabia que não havia nenhuma presença ali.

"Eu sinto ele aqui, seu marido está muito amargurado minha jovem"

Uma farsa televisionada.

— Eu sinto por quem gastou dinheiro com isso.

A voz cheia de sono dela fez com que ele risse mais do que deveria naquele horário e quando a notou coçando os olhos, percebeu que aquele momento inesperado era algo que ele não queria esquecer.

Que ele queria poder repeti-lo mais vezes.

Ter o mesmo chá, o mesmo programa e a mesma Izumo ao lado dele naquele sofá, a altas horas na madrugada.

a caneca já estava vazia

e


seus olhos focavam nela por muita insistência,

como uma lente de aumento.

Indo

e vindo

Algo estava diferente nele.

O televisor parecia sem foco algum,

haviam apenas cores, quadrados e retângulos coloridos.

Assim como o calor do corpo de Izumo, que era sentido em

o

n

d

a

s.

O que estava

acontecendo ali



com ele



naquele mo


me


n


to


?

E



xaa



taa



me

e

e

nte



e

e

?

O teto do daquele quarto era incrivelmente branco e ressaltava as manchas de mofo nos cantos.

O relógio digital na cabeceira da cama de Koneko marcava exatamente quatro e meia da manhã em um vermelho vibrante.

Renzo fechou seus olhos calmamente.

Um sonho.

Aquilo. Fora. Um. Sonho.

Como ele conseguia pregar peças em si mesmo daquele jeito!? Era crueldade demais consigo mesmo! Poder ter Izumo dormindo com ele, fazendo chá para ele, assistindo televisão com ele, para depois isso não ser real!?

Crueldade!!!

Crueldade demais do seu subconsciente!!!

Ainda era cedo, Bon nem havia levantado para sua corrida matinal e Koneko dormia tranquilamente do outro lado do quarto.

Ele não conseguiria ficar naquela cama depois daquilo, nem ferrando.

Levantou, acordando seu corpo sonolento, procurou por seu par de tênis e seguiu para fora do quarto, longe de sua cama e qualquer resquício daquele sonho tão quente e reconfortante que ele desejava ter sido real.

O céu ainda estava escuro.

Uma corrida e sua frustração seria substituída pelo cansaço.

Até ela voltar a todo o vapor ao ver Izumo na primeira aula.

Notas finais
Comecei a escrever isso por um motivo bem bobo, nem imaginava que conseguiria transformar nisso aqui e olha que eu enrolei uns bons meses pensando que conseguiria fazer algo diferente...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!