A garota sonserina the slytherin girl
2 CAPÍTULO DOIS - They Walked in Line
Notas iniciais
—Malfoy tem razão, Neelie! Você anda muito tensa... Não há motivos! Não somos sangues ruins e nem ninguém das nossas famílias, e nosso diretor de casa é diretor de Hogwarts! — Astoria comentou sentando-se ao seu lado junto da irmã mais velha, Dafne, que lhe fitou e disse cheia de si:
—Mandamos nesta escola, amiga! Se liga! Você não tem porque ficar assim!
De certa distância, uma terceira figura discreta observava a tudo com interesse. Solitária e com um livro nas mãos, recostada a uma mesa próxima e sem perder nenhum detalhe da conversa que se dava nos sofás.
Repentinamente ela se levantou e se aproximou sutilmente, exatamente como uma cobra rastejante o faria, e então jogou o livro que antes fingia ler para um lado sem se importar com aonde iria cair e deixou de lado toda descrição e sutileza para dar o bote...
—Huumm, Epans... Será que teu pai é mesmo sangue ruim e esconde isto do ministério...? Ou será que VOCÊ é! Teria ele ou a tua mãe pulado a cerca com algum verme trouxa pra você nascer!? Ou seriam... Eles mesmos trouxas, na verdade... Mas que segredinho, hein!
Neelie se levantou e parou, ainda um pouco insegura frente a quem falava... As coisas ainda rodavam um pouco a sua volta, a cabeça um pouco zonza e ela tentava que suas pernas incertas não a denunciassem, e o irritante veneno continuou a ser destilado:
—Olha só... Está tremendo, Epans? Então é verdade...?! Cuidado, hein! Vamos treinar Cruciatus em você e no teu papai de sangue ruim...
—Cale a boca garota! Você já está irritando! — o sangue de Neelie ferveu enquanto dizia entre dentes, dando-lhe forças para ignorar a tontura e enfrentar a peçonhenta garota que ainda falava a sua frente... Ela então colocou instintivamente a mão em volta do próprio pescoço e encontrou pendurado lá algo curioso, perecia uma pedra, fechou o punho nela por um segundo enquanto Pansi Parkison ainda ria debochada na sua frente.
—Ora, como ousa se referir ao acessor direto do nosso Ministro da Magia e à família dele com tanto desrespeito, Parkison!? Se estas acusações saírem desta sala, você pode estar em sérios apuros! — Foi a a vez de Astoria intervir, e antes que mais alguém falasse, algo em Neelie mudou...
Ela respirou fundo, passando do nervosismo a uma gélida tranquilidade, ainda que apenas aparente... Cruzou os braços diante de si e encarou Pansi olhando-a de cima tão séria e com um olhar tão frio, que a garota intimidou-se, fechou o riso de deboche no mesmo instante, e dirigiu-se não mais à ela...
—Oras, fique quieta Astoria... Sua mosca morta!
E saiu rapidamente em seguida tomando a mesma direção que Malfoy, Goyle e Crabbe haviam tomado antes.
—Aposto que aquela oferecida foi atrás do Draco! — resmungou Astoria, mais para si mesma... Porém não sem que a irmã a escutasse e se aproximasse para falar-lhe algo ao ouvido...
—Isso, Tori! Continue implicando com a Parkison e diga isso um pouco mais alto, e logo a casa inteira vai saber da tua queda pelo Malfoy!
—Ah, Dafne, não me enche!
Enquanto as irmãs Greenglass discutiam os outros alunos ao redor deixavam o salão comunal, saindo pela mesma entrada que Malfoy e posteriormente Parkison haviam tomado. E Neelie relaxava de fato, pela primeira vez, com um suspiro...
Então inspecionou melhor o objeto preso a uma fina corrente prateada em volta de seu pescoço, tirou-o para vê-lo melhor: uma pedra ônix que lhe cabia em seu punho fechado, com o formato oval e algo gravado na parte da frente que a garota logo reconheceu ser uma cobra verde... E teve de trazer perto dos olhos para tentar ler algo que notou gravado no verso, mas antes que conseguisse foi interrompida.
—Ei meninas, todo mundo já subiu! Por Merlin! Vamos nos atrasar! Depressa!
Neelie não entendia o alarme de Dafne, e olhou em volta por um momento, não vendo de fato mais ninguém no salão comunal, que naquele instante já estava vazio, assemelhando-se ao seu sonho. E ao vê-la hesitar a outra a puxou pelo braço dizendo enquanto andavam rápido, já subindo escadas:
—Nem se preocupa com o cabelo, Nee! Ele é tão liso que nem parece que você acordou agora... E muito menos que dormiu fora da cama esta noite!
—Humm, Nee... É mesmo, saiu ontem a noite? Deve ter sido bom, já que chegou tão cansada que nem dormiu no quarto com agente! Teve algum encontro? Depois tem que nos contar!
—Não é hora pra isso, Tori! Mesmo nós da Sonserina não devemos nos atrasar para a Formação... Nosso querido diretor a determinou... Todas os dias no mesmo horário!
—Oras, mas sabemos bem que foi o "Mestre dele" quem ordenou isto! Ainda que não comentem...
—E daí? Que tem isso...? Como se nosso diretor não adorasse a idéia!...Como forma de manter a disciplina e intimidar os sangues-ruins da escola e as outras casas!
—Por isso! Logo, ninguém ia ligar se não fôssemos, Dafne...
—EU ia ligar! É o nosso momento de triunfo! De mostrármos nosso orgulho a Sonserina, estufarmos nosso peito e caminharmos em linha reta! Mostrar nossa supremacia diante das outras casas! Porque só a nossa possui a mais pura nobreza do sangue! Não se esqueça disso, Tori!
Neelie escutava toda aquela conversa entre as duas irmãs, recolocando seu cordão com destreza e sem dar muita importância. Caminhava a passos largos e apressados pelos corredores do Castelo ao lado das outras, calada e aparentando certa indiferença enquanto elas ainda trocavam palavras.
Logo chegaram a um local aberto, onde dava para se ver o céu... Que naquele dia estava nebuloso e cinzento, e Neelie sentiu um certo conforto ao olhá-lo.
Neelie notou que estavam num tipo de ponte, com uma longa queda de ambos os lados, e que funcionava como caminho a um pátio, mas não sentiu medo. E ali haviam muitos alunos de outras casas.
Parecia na verdade que todos os alunos de Hogwarts estavam ali, e ela observou que as casas aparentemente não se misturavam entre si...
Olhou em volta e viu todos os alunos formando filas apressadamente em meio a um intenso burburinho, cada casa em seu quadrante, e percebeu que Sonserina era o primeiro a frente de todos os outros.
E logo acompanhou as colegas correndo em direção ao quadrante de sua casa, enquanto outros alunos e alunas de outras casas lhes abriam passagem ou eram empurrados por Dafne, que ia na frente.
No instante em que elas alcançaram a última fileira de Sonserina os burburinhos cessaram abruptamente, como se por temor... Agentes disciplinadores passavam pelas fileiras de alunos...
Todos nas outras casas haviam se calado, e um clima de tensão nas fileiras de Grifinória cerca de um metro e meio metro logo atrás podia ser claramente sentido por Neelie.
— Que sorte! Chegamos bem a tempo... Lá está nosso ilustre diretor! A marcha vai começar... — comentou Dafne entre a empolgação e o alívio, apontando para a grande janela da torre metros a frente, ao final do pátio ao qual eles deveriam adrentar, enquanto Astória revirava os olhos e dava de ombros.
Tendo se posicionado entre as duas irmãs na última fileira Neelie olhou para a figura um tanto distante que a colega apontara, no alto e além da entrada do pátio a frente, e repentinamente havia percebido que seus batimentos cardíacos aumentaram...
Mal podia ver sua fisionomia devida a distancia... Mas lá no alto e adiante, estava um homem todo trajado em negro, cabelos pretos até quase os ombros, braços cruzados imponente frente ao peito...
A garota sentia um leve arrepio sem imaginar de onde o mesmo viera, e sem conseguir tirar os olhos da distante e altiva figura... Enquanto as fileiras de alunos começaram a se mover como um exército... Todos muito bem vestidos em uniformes... Eles andaram em linha...
Continua...
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