A garota que você não quis
12 XII
Notas iniciais
Sobre o universo fora do nosso mundo — Scorpius Malfoy
Madelaine Goyle não demorou muito ali conosco, alegando que voltaria mais tarde para saber como ele estava, e acabou restando somente eu, Hadassa e Haran, ainda desacordado. A garota apertava a mão do irmão, ao mesmo tempo que com a outra segurava um lenço para secar algumas lágrimas rebeldes que insistiam em cair.
— O que você acha que pode ter sido? — murmurei, sem saber muito o que dizer.
— Eu não sei, eu... — as lágrimas que segurava começaram a jorrar e ela não se preocupou mais em segurá-las. — Não posso perdê-lo de novo, Scorp...
— E não vai! — exclamei, trazendo seu corpo para mais perto de forma que ela se encaixasse no meu peito, como em um abraço. — Não sei se é uma boa hora para perguntar isso, mas... Você disse “ele não pode ter feito isso de novo”... o que aconteceu na primeira vez?
Ela respirou fundo, enxugando o rosto e ficando segundos calada. Naquele momento percebi que, embora fossemos amigos e da mesma família, eu não sabia nada do que acontecia com eles e aquilo fez meu coração apertar de uma maneira que só havia acontecido duas vezes. Quando minha ficha caiu do que eu tinha feito com Rose Weasley, e quando eu e Albus brigamos.
— Haran é... livre. Não gosta de ser controlado ou comandado, você sabe bem. — ela deu um sorriso triste, afastando alguns fios de cabelo dos olhos do rapaz, que permaneciam fechados. — E papai tem todo o destino dele planejado, como o único filho homem e herdeiro do sobrenome Nott, quer que ele assuma os negócios da família e está até em busca de uma herdeira rica de sangue puro para um casamento de contrato. — suspirou, e eu não consegui conter minha careta de surpreso. Como tudo isso estava acontecendo e eu sequer fazia ideia? — E como você deve imaginar, meu irmão não quer isso. Ele quer jogar quadribol e sabe que é bom o suficiente pra seguir carreira profissional nisso. — sorriu, e eu acompanhei. — Quando ele contou aos nossos pais, eles brigaram feio e papai chegou a bater nele e ameaçar torturá-lo, além de dizer que ele poderia não se considerar mais um Nott, caso ele não deixasse o time e assumisse as “responsabilidades da família”. — suspirou. — Haran então gritou que se fosse para viver daquela forma e ser controlado por alguém, então preferia não viver mais. Não demos muita atenção na hora porque ele parecia de cabeça quente, mas naquela mesma noite fomos todos parar no hospital porque ele tentou tirar sua vida, e quase conseguiu...
Pisquei atônito, sem saber o que dizer. Quanto mais eu não sabia do meu próprio primo e um dos meus melhores amigos?
— E-eu... não sabia.
— Não se culpe por isso. — deu um meio sorriso. — Você sabe como mamãe é, gosta de manter as aparências e pagou uma fortuna para o hospital não vazar a notícia.
Madame Pomfrey apareceu trazendo duas cadeiras e deu alguma poção para o Nott, que permanecia desacordado. Hadassa seguia segurando as mãos de Haran e eu apenas observava calado, jogado em uma das cadeiras, refletindo ainda sobre a história que minha prima havia acabado de contar.
— Como ele está? — a voz de Minerva Mcgonagall nos despertou, fazendo nós dois nos virarmos e encontrarmos a diretora, acompanhada do professor Slughorn, que naquele momento acredito que fazia seu papel de diretor da casa da Sonserina.
— Madame Pomfrey disse que ainda não tem previsão de quando acordará, mas que ele ficará bem. — Hadassa murmurou. A diretora acenou positivamente com a cabeça.
— O Senhor Nott é o rapaz forte, logo estará por aí contando piadas e arrumando desculpas pelos seus trabalhos mal feitos. — Slughorn sorriu meigamente, arrancando risadas leves de todos do cômodo.
— Já sabem qual é a causa? — perguntou.
— Parece que ele ingeriu muita raiz de Valeriana, geralmente é usada em poções para o sono, e por suas propriedades relaxantes, se feita de maneira correta, pode ser usada também para aliviar ataques de ansiedade, de pânico... — a velha enfermeira bruxa saiu de sua salinha, analisando e sem tirar os olhos de algo em sua prancheta.
— Ansiedade, ataque de pânico... — Hadassa murmurou, parecendo compreender algo. — Diretora, se me permite perguntar, o que disse ao meu irmão quando o chamou hoje na aula?
A mulher pareceu pensativa por alguns instantes, como se tentasse se lembrar.
— Ah, claro... — começou, recordando-se. — As notas do Sr. Nott não estão boas, então comuniquei seu afastamento do time, mesmo após o fim da detenção, e avisei que teria que contactar os seus pais... acho que foi somente isso. — a loira acenou lentamente com a cabeça, parecendo entender.
— Obrigada. — deu um sorriso fraco.
— Por nada. — retribuiu o sorriso, da sua maneira. — Qualquer coisa que precisar, me avisem. — acenamos positivamente. — Poppy, assim que o garoto acordar, mande me avisar.
— Tudo bem, Minerva.
— Diretora! — chamou Hadassa de repente, fazendo a mulher e o professor pararem antes de chegar à porta. — Poderia não comentar nada com meus pais ainda? Sobre esse incidente prefiro eu mesma avisá-los. — murmurou.
— Como preferir, Senhorita Nott, mas terá até seu irmão acordar para comunicá-los. — minha prima agradeceu novamente, observando os dois docentes sumirem pela porta da enfermaria.
Assim que se certificou que os dois estavam longe o suficiente e Madame Pomfrey havia voltado para seus aposentos, Hadassa respirou fundo, largando a mão do irmão pela primeira vez desde que pisou na enfermaria e sentando-se mais relaxada na cadeira.
— O que você descobriu? — avaliei seu rosto, arqueando a sobrancelha.
— Haran provavelmente teve mais uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico, talvez por Mcgonagall ter dito que iria falar com nossos pais. — suspirou, observando o irmão. — Eles não sabem que ele está no time, acham que desde aquela briga Haran cortou os laços com o quadribol e, se souberem que ele não só está jogando ainda, como é capitão e com notas ruins, vão mandá-lo pra longe de novo ou fazer coisa pior! — a encarei, percebendo seus olhos marejarem novamente. — Eu vou perdê-lo, Scorp...
Foi então que eu percebi que desde que Rose voltou, tudo que eu pensava eram nos meus problemas e como eles me afetavam, esquecendo que meus amigos também eram humanos e tinham problemas como qualquer outro. Em uma promessa muda, prometi para mim mesmo que não deixaria mais isso acontecer. Nós éramos sonserinos, e fazíamos qualquer coisa um pelo outro.
— Eu vou dar um jeito, Hass... eu prometo.
Sem dizer mais nada e com o olhar curioso de minha prima sobre mim, segui a passos rápidos para o corredor.
{...}
— Entre. — autorizou a voz severa de Mcgonagall. Suspirei, respirando fundo e empurrando a porta de madeira pesada, revelando o escritório da diretora.
Já havia visitado tanto aquele local, que sabia todos os detalhes decór. Sobre a mesa onde estava sentada, a mulher mantinha alguns instrumentos estranhos, costumeiramente barulhentos e com um péssimo hábito de expelir fumaça, mas que naquele fim de tarde estavam silenciosos e imóveis. Os antigos diretores e diretoras nos retratos que cobriam as paredes também estavam quietos, talvez por medo da expressão dura que Mcgonagall carregava.
— Tenho serviço a fazer, Senhor Malfoy, por favor seja breve. — desviei meu olhar dos quadros, finalmente me lembrando do porquê estava ali. Mais uma vez, respirei fundo antes de caminhar até uma das cadeiras em sua frente e me sentar.
— Tentarei ser breve, diretora, mas é um assunto de extrema importância e delicadeza... — ela arqueou a sobrancelha. — Sobre meu primo, Haran Nott.
— O que há com o Senhor Nott? Ele acordou?
— Não. Digo, ainda não. — corrigi. — Mas Hadassa suspeita do motivo de ele ter desacordado.
— E qual seria? — descansou a pena no tinteiro, cruzando as mãos em frente o rosto, parecendo curiosa.
— Haran e meu tio tem tido... desentendimentos sobre o futuro dele. Tio Theo quer que ele assuma os negócios da família, enquanto meu primo quer jogar quadribol profissionalmente. Na primeira briga deles, Haran foi parar no hospital e desde então meu tio acredita que ele não tem qualquer contato com o esporte...
— E vocês acreditam que eu ter comunicado que deveria contactar os pais dele e afastá-lo do quadribol por conta de suas notas pode ter causado essa crise... — completou.
— Sim.
— E acredito também que queiram pedir para eu não contar nada, estou correta? — arqueou a sobrancelha. Minerva Mcgonagall parecia sempre ter as mesmas expressões e tons, por isso não saber o que aquele tom significava me deixava mais nervoso ainda, se possível.
— Sim, diretora.
Ela não falou nada por alguns segundos, relaxando — um pouco — a postura severa e parecendo analisar a situação.
— Entendo e admiro seu apelo, Malfoy, mas a partir do momento que vocês são selecionados para suas casas e passam a ter Hogwarts como um lar por praticamente dez meses no ano, cabe a mim retribuir a confiança que seus pais depositaram quando matricularam vocês, deixando-os a par de tudo que acontece com seus filhos.
— Diretora, mas ele pode mandá-lo para um internato na Escandinávia ou na América do Sul! Não só Hadassa ficará sem rumo, mas eu e meus amigos também!
— Eu sinto muito, mas como diretora não há nada que eu possa fazer.
Sem mais nada para falar, levantei irritado já indo em direção a saída.
— Não terminamos ainda, Senhor Malfoy. — bradou calmamente.
— Se não há nada que possa fazer, o que mais temos pra falar? — retruquei, cruzando os braços.
— Talvez eu devesse matriculá-lo nas aulas extracurriculares de literatura, Malfoy, porque não está sabendo interpretar direito minhas falas. — arqueei a sobrancelha, sem entender. — Como diretora, não há nada que eu possa fazer, a senhorita Nott tem até o irmão acordar para comunicar os pais. — ela continuava falando calmamente e aquilo deixava tudo mais estranho ainda. Mexeu em alguns papéis sobre a mesa, retirando dali um calendário e o avaliou. — O primeiro bimestre não está nem na metade, mesmo assim, o Senhor Nott não consegue recuperar as notas dos primeiros testes, e além do mais, ainda não é certo quando ele acordará. — levantou seu olhar, me convidando silenciosamente a se sentar de novo, e eu prontamente obedeci. — Entretanto, talvez o segundo seja possível recuperar, caso ele se esforce e tire, no mínimo, um “E” em todas as matérias.
— Diretora, mas é a segunda maior nota! É preciso tanto mesmo?
— Nossas médias são dadas por números de pontos que somando consequentemente geram letras. A menos que o senhor Nott tire um Excede Expectativas, a soma de pontos de sua nota o reprovarão direto.
Respirei fundo. Droga, Nott, não poderia ter se esforçado ao menos um pouquinho?
— Certo, então caso ele tire “E” a senhora não irá comunicar meus tios?
— Como eu disse, como diretora terei que avisar que, pelo menos, ele passou mal mas que está bem e se recuperando. O que a senhorita Nott disser, fica de responsabilidade dela. — acenei positivamente com a cabeça. — Caso ele continue com as notas ruins ou torne a ter outra crise, então serei obrigada a comunicar todos os acontecimentos, incluindo o de hoje.
Acenei positivamente, processando cada uma das palavras.
— E quanto ao quadribol? — perguntei, o que provavelmente seria a primeira coisa que ele perguntaria quando eu contasse esse acordo com a diretora.
— Terei de deixá-lo afastado pelo menos até o resultado das primeiras provas.
— Tudo bem... — suspirei. — Obrigado diretora, eu garanto que irei me esforçar para que ele cumpra esse acordo.
— Eu acredito que sim. Espero que esteja ciente do quanto estou me arriscando para ajudá-los, então não me decepcionem. — esboçou o que pareceu um sorriso e então novamente me levantei em direção a saída. — Senhor Malfoy. — chamou, fazendo-me parar poucos centímetros da porta.
— Sim?
— A senhorita Weasley continua uma aluna brilhante e está com bastante tempo livre, já que não se matriculou ainda em nenhuma aula extra. — arqueei a sobrancelha. — Talvez seja do seu interesse e do seu amigo.
Respirei fundo. Mais uma vez, tudo voltava a Rose Weasley.
— Diretora, se me permite perguntar, por que Slughorn deixou para mim a tarefa das aulas extras? — questionei. — Nós três sabemos que não tenho as melhores notas e existem alunos muito melhores para isso.
— Foi uma ideia minha. — admitiu, entrelaçando os dedos e me encarando indecifravelmente. — Para que resolvessem suas divergências pessoais e se ajudassem nos estudos. Está funcionando?
— Creio que esteja só confundindo tudo ainda mais, diretora. — ela acenou positivamente com a cabeça, ficando calada por alguns longos segundos.
— Mandarei outra pessoa para ajudá-la. — disse por fim, recostando-se em sua cadeira. — Caso queira voltar as aulas, é só falar comigo. — concordei em um aceno mudo. — Não deixe que seus sentimentos confusos pela Senhorita Weasley afetem seu amigo, Malfoy. Peça ajuda a ela, é uma boa garota e tenho certeza que ajudaria de bom grado.
Concordei, saindo da sala apressadamente, não deixando brechas para ela continuar seu mini-discurso.
{...}
Afrouxei mais ainda — se possível — a gravata, ao mesmo tempo que caminhava de volta ao Salão Comunal da Sonserina. Havia acabado de voltar da enfermaria, onde Nott permanecia desacordado, e contado de minha conversa com Mcgonagall a Hadassa, que me abraçou chorando e agradecendo. A ideia de não saber ainda o que de fato acontecia por trás dos retratos familiares impecáveis dos meus primos me afetava de uma maneira que eu não sabia se pararia tão cedo, mas de alguma forma, o acordo com a diretora me confortou, e minha consciência já não me cobrava tanto assim — não que eu tivesse ido até Minerva só para aliviar minha consciência, mas vocês entenderam.
Meu corpo implorava por um banho e descanso, e eu me preparava mentalmente para as desculpas que daria aos curiosos de plantão que perguntariam sobre Haran — que a essa hora deveria ser o assunto principal nas rodas de fofoca — quando dobrei o corredor do Salão e meus olhos involuntariamente pararam em um ponto vermelho demais para a escuridão das masmorras.
Assim que me viu, Rose Weasley se virou, pegando algo ao seu lado e levantando prontamente, vindo ao meu encontro.
— Hey. — cumprimentou, parecendo sem jeito.
— Hey. — murmurei, tentando entender o que ela fazia ali. Só então identifiquei os materiais de Hadassa em suas mãos, que na hora do desespero deve ter esquecido-os na biblioteca mesmo.
— Eu estava na biblioteca quando vocês saíram apressados... — contou. — Ela estava demorando para voltar, então juntei tudo e resolvi trazer. Estava esperando algum conhecido entrar ou sair do Salão para poder entregar. — estendeu alguns rolos de pergaminho e o tinteiro que Hadassa usava para estudar naquela tarde.
— Obrigado. — agradeci, pegando-os. — Nós a vimos na biblioteca com aquele...
— Alex Dunkle. — completou, sorrindo sem mostrar os dentes. Que tipo de nome idiota era aquele?
— Isso. — sorri igualmente. — Corvinal, não é?
— Sim. — concordou e eu acenei positivamente com a cabeça, desviando o olhar para o pergaminho.
Diferente das aulas extras ou da detenção, tinha algo diferente ali, e Rose parecia também perceber. Talvez o nosso quase beijo tivesse deixado mais marcas do que eu havia notado.
— Mcgonagall vai achar outro aluno para as suas aulas extras. — contei, ela me encarou indecifravelmente.
— Por quê?
— Não sei... talvez ela tenha percebido que deixar nós dois sozinhos nunca dá certo. — dei um meio sorriso, e ela me acompanhou. — De qualquer forma, elas já estão acabando.
Ficamos nos encarando por alguns segundos em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Não sabia do porquê ter mentido daquele forma, mas algo dentro de mim gritava que Rose Weasley não precisava saber que não era Minerva Mcgonagall que havia chegado a essa conclusão, e sim eu. Não precisava saber que eu havia finalmente admitido para mim mesmo que a queria e, por isso, o mais seguro para nós dois era mantermos uma distância segura e, principalmente, não precisava saber o quanto eu queria colar nossos lábios ali mesmo.
— Eu preciso ir. — pisquei atônito, saindo do transe que havia me colocado e já caminhando apressado para a porta do Salão Comunal.
— Malfoy... — ela chamou, fazendo-me virar. — Ela sozinha chegou a essa conclusão?
Automaticamente as palavras de Mcgonagall invadiram meus pensamentos, e eu lembrei que deveria pedir algo a ela, pelo bem do meu amigo.
— Preciso de um favor seu. — comecei, respirando fundo. — Haran... quer ser jogador profissional de quadribol, mas para isso precisa se manter no time e consequentemente tirar boas notas. — me aproximei. — Ele não foi tão bem nos exames e por isso Mcgonagall quer afastá-lo, queria pedir para você dar umas aulas para ele.
Ela arqueou a sobrancelha, não parecendo convencida. Talvez meu tom de voz não tenha sido tão convincente.
— Se vai mentir, ao menos conte uma mentira que pareça verdade. — cruzou os braços. Rose não parecia brava ou séria demais, ela me encarava com uma expressão neutra, aguardando uma resposta.
Suspirei, evitando encará-la. Eu não sabia ao certo se era a necessidade de desabafar com alguém, ou o efeito que recentemente eu descobri que ela tinha sobre mim, sabia apenas que, quando percebi, já estava despejando tudo.
— Eu sou um péssimo amigo. — ri sem humor, dando voz a frase que me assombrava desde a enfermaria. Suspirei, me aproximando da parede e sentando-me, deixando o material de Hadassa ao lado. — Meu primo, parte da minha família, estava com problemas gigantes e eu nunca saberia se eles não tivessem vindo à tona agora, porque estava ocupado demais sendo um idiota para perceber. — inclinei minha cabeça para trás, encarando o teto. — E a única coisa que posso fazer nesse momento, para proteger ele e Hadassa, é convencer você a ajudá-lo porque, por alguma brincadeira ou punição estúpida do Universo, tudo volta a você.
Rose se aproximou, se abaixando na minha frente e me encarando com um brilho no olhar. Ela estava segurando as lágrimas.
— Para uma mentira, sua história parece carregada de verdade pra mim. — sorriu meigamente.
Ri. A ruiva estava tão próxima, que eu sentia suas lágrimas pingando nos meus joelhos. Desviei o olhar do teto, retribuindo o olhar.
— Talvez eu seja um bom mentiroso. — sorri, não conseguindo controlar meu braço, antes que ele se esticasse de modo a enxugar mais uma lágrima insistente do rosto da garota.
— Ou talvez só precisasse desabafar. — apontou, e eu dei de ombros, ainda sorrindo. — Avise seu primo que será um prazer ajudá-lo no que for possível.
— Obrigado, Weasley. — as lágrimas não saiam mais, mas mesmo assim, não conseguia afastar minha mão da pele macia da ruiva.
Me aproximei cautelosamente. Não me importava mais com a distância que antes queria manter dela ou qualquer outra coisa, só queria beijá-la. Ela me encarava com os chamativos lábios vermelhos entreabertos e eu podia sentir meu coração batendo acelerado no peito.
Antes que nossos lábios finalmente se tocassem, Rose se levantou abruptamente.
— Não posso fazer isso. Me desculpa.
Sem esperar uma resposta, Rose Weasley partiu, me deixando sozinha e ainda imóvel sentado no corredor.
Fale com o autor