Notas iniciais
olá, seres de luz! ♡ vocês estão bem? se sim, que ótimo, você não sabe o quanto eu fico feliz por isso, mesmo que talvez não nos conhecemos diretamente, sua felicidade importa muito pra mim. antes de deixar vocês lerem o capítulo e comentar sobre ele, eu preciso comentar sobre uma coisa muito, muito importante. como muito de vocês já sabem, estamos no mês do Setembro Amarelo, trinta dias inteirinhos dedicados a prevenção do suícidio. então, caso não estejam bem e precisarem de alguém para conversar, quero que saibam que minha dm está sempre disponível, independente do mês. vocês são importantes, nunca esqueçam isso e deixem de acreditar o contrário. agora, falando sobre o último, fiquei extremamente feliz de saber que vocês gostaram e entenderam claramente a linha do tempo. obrigada por estarem dando tanto feedback positivo, sério, eu amo vocês! o agradecimento especial vai para o Caique Morningstar, a tmalfoy, Leh Kiraly e a Natalie Jenny que sempre aparecem aqui e deixam comentários lindos que me motivam cada vez mais a não desistir da estória ♡ e deixo aqui também o meu pedido a você que acompanha a história mas nunca deixa um comentário sequer, por favor, apareçam.. temos 55 acompanhamentos, poxa. enfim, sobre o capítulo ele está recheadinho de lembranças e flashbacks fofos que eu espero que vocês gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever! boa leitura e até ali embaixo! ♡

Sobre amizade, lembranças e beleza — Scorpius Malfoy

Eu era do tipo acomodado, metódico e controlador. Tinha minha própria rotina e gostava de tudo da minha maneira. Odiava mudanças, por mais pequenas que fossem, porque de alguma forma eu acreditava que com isso as coisas saiam do meu controle. E eu sempre queria estar no controle da situação.

Independente do que fosse, se é que me entendem.

Por isso, quando eu encontrei Rose Weasley malditamente linda e completamente mudada, eu surtei. De verdade.

— Por que você não contou que ela havia voltado?

Abri à porta em um estrondo, conseguindo vislumbrar o momento em que Albus era jogado para fora da cama por uma garota que eu não sabia e nem gostaria de saber quem era. Ela estava apenas com as roupas íntimas e corou assim que a encarei, tentando tampar seu corpo com um dos cobertores que haviam caído junto com o Potter.

Meu querido amigo levantou, resmungando algumas palavras que eu não consegui entender, revelando os cabelos desgrenhados e a boca inchada, assim como o peitoral nu.

— Pessoas não trancam à porta atoa, Scorpius. — bufou, jogando com raiva o travesseiro mais próximo na minha direção.

— Por que você não contou que ela havia voltado? — repeti.

Albus suspirou, começando a recolher as roupas da garota e à entregando. — É melhor você ir.

Ela suspirou ainda envergonhada e tratou de se vestir rápido, praticamente correndo para fora do quarto.

Quando finalmente ficamos a sós, o Potter suspirou, sentando-se na cama mais próxima e me encarando.

— Você precisava descobrir sozinho. — ele murmurou e eu senti meu sangue começando a esquentar.

— Descobrir sozinho? — ri debochado. — Você é, ou quem sabe era depois de tudo isso, o meu melhor amigo! Eu te considerava um irmão, Potter! Era sua obrigação como tal ter me alertado que sua prima, a garota na qual eu humilhei publicamente estava voltando e, pior, malditamente mais gata que antes!

— Não me coloque no meio desse fogo cruzado, Malfoy. O que aconteceu é somente entre você e Rosie, eu não queria me envolver mais do que já tinha me envolvido. Mas, confesso que nada vai pagar a cara de otário que fez quando viu ela. Você precisa parar de achar que as pessoas são seus brinquedos caros que seu pai lhe dava quando criança para calar a boca, e assim que ele quebrava ou você simplesmente enjoava, jogava fora e comprava um novo! Caralho, você a despedaçou e sequer se preocupou em tentar ajudar a juntar os caquinhos!

— Eu nunca achei nada disso, você sabe, Potter! E...

— Escuta, Malfoy... — ele suspirou cansado, abaixando a cabeça e as apoiando com o cotovelo nos joelhos. — Como você disse, eu sou seu melhor amigo. E, caramba, você não tem ideia do quanto eu considero você, talvez bem mais que James, porque é você que esteve comigo em todos os momentos e era você que ás vezes me defendia da minha própria família, logo que fui mandado para Sonserina.

“Mas, Rosie é minha prima. Minha família e meu sangue. Eu sempre ria ou tentava deixar para lá quando você zoava ela ou qualquer outro familiar meu porque, no fundo, eu gostava disso. Afinal, era o que eles faziam comigo também no início, não é? Mas, de todos, ela sempre esteve comigo independente de qualquer coisa também. Você lembra da primeira frase dela, um pouco antes de eu lhe apresentar? “Eu estou orgulhosa de você” e, caramba, ela foi a única que me disse isso. Ela me ajudou, e à você também, para não levar bomba e sempre me escutava e dava conselhos que eu não podia pedir pra você, porque você não entenderia ou diria que era bobagem. Então, Malfoy, não me peça para escolher um lado entre vocês dois, porque eu sempre ficarei ao lado dela, estando ela certa ou errada.”

Sem dizer mais nada, ou dar qualquer brecha para eu responder, Albus buscou a camiseta que usava na festa, jogada em um canto qualquer do quarto, e foi em direção à saída do dormitório.

— Porém, — escutei ele abrindo a porta novamente, e logo tive um vislumbre de sua cabeleira negra arrepiada. — caso você ainda queira minha opinião e alguma parte pequena e racional sua ainda me escute... acho que você deveria ir conversar com ela.

Assim que escutei a porta fechando, meus joelhos cederam e eu cai no chão, ainda atordoado com tudo que Albus havia dito.

{...}

— Scorpius... — a voz ainda infantil e estridente dela murmurou repentinamente, em uma das tardes em que ela me ajudava com História da Magia. — eu... ouvi por aí... hm... que você tem uma queda por Hadassa Nott... — desviei meus olhos do livro, arqueando a sobrancelha em sua direção. — ela foi elegida a garota mais bonita do nosso ano, sabia? — suas bochechas grandes e sardentas ganhavam uma coloração avermelhada.

— É, eu fiquei sabendo. — murmurei desinteressado, voltando minha atenção para o pergaminho na minha frente.

— Me perguntou se... — continuou insistente. — se um dia poderei ser bonita como ela. — encarei-a novamente, vendo suas bochechas ficarem ainda mais vermelhas, se possível.

Lembro-me que, na hora, eu me segurei para não soltar uma gargalhada e dizer algo do tipo “isso é uma piada, Weasley?” ou “isso nunca acontecerá”. Mas qualquer frase do gênero foi contida quando nossos olhos se encontraram por acaso. Ela me encarava com expectativa, e me recordo que foi naquele momento em que percebi o quanto eu valia algo para ela.

Então, ei, Albus, você não foi o primeiro a perceber isso. Foi naquele momento, em que ela me encarava buscando em minha expressão qualquer sinal de resposta positiva, que eu entendi que Rose Weasley não queria ser aceita e reconhecida por nossos colegas de sala, sua família ou os professores, embora por esses últimos ela já fosse, não, ela queria ser reconhecida por mim. E isso, de alguma forma, me alegrou.

— Deixa de besteira, Weasley. — voltei meus olhos para o pergaminho, tentando ao máximo evitar contato visual. — Cada um tem sua forma de beleza.

Já passava das três da manhã e eu continuava imóvel na cama, sem conseguir pregar os olhos, apenas encarando o dossel sobre um feitiço. Minha mente brincava entre o presente e o passado, trazendo consigo lembranças dela. Inconscientemente, deixei ela vagar para o dia em que Rose Weasley me presenteou com esse céu enfeitiçado.

— O que você gostaria de ganhar de aniversário, Scorpius? — escutei sua voz irritante murmurar baixinho, tentando não chamar atenção da Diretora e Professora Mcgonagall.

Recordo que estávamos na aula de Transfiguração, e meu décimo quarto aniversário se aproximava com mais rapidez do que eu gostaria.

A verdade era que eu não me importaria se não chegasse. Antes das aulas retornarem, eu havia entrado em mais uma das, infelizmente, já costumeiras discussões que sempre nos acompanhavam quando eu e meu pai estávamos juntos: minha proximidade com Albus, um meio-Weasley, e os meus planos para o futuro.

Papai insistia que minha amizade com o Potter havia me deixado insolente, apenas porque eu não queria mais seguir seus passos na empresa da família. Mal sabia ele que a razão de tudo isso, tinha na verdade cabelos desgrenhados ruivos e dentes tortos enormes.

Nós ficamos semanas sem trocar sequer uma palavra, e isso se estendeu até minha vinda a Hogwarts. Eu recebia vez ou outra uma carta em seu nome, mas eu sabia que era apenas minha mãe tentando concertar as coisas. Draco Malfoy sempre mantinha o maldito orgulho na frente de qualquer coisa, e eu sabia que meu aniversário não era uma desculpa boa o suficiente para ele quebrar isso.

— Nada. — respondi.

— Nada? — questionou confusa. — Como assim nada? É seu aniversário! Precisa querer algo!

— Não quero nada. — grunhi, começando a ficar irritado com sua insistência.

— Vamos, Scorpius, deve ter algo que você queira! — que garota mais irritante!

— Olha, Weasley, — comecei, perdendo a pouca paciência que me restava naquela entediante aula. — à menos que você encontre uma maneira de me aproximar novamente do meu pai, eu não quero nada. — ela não respondeu mais e nem insistiu no assunto, voltando as suas anotações no pergaminho.

Logo meu aniversário chegou e como previsto, nada de realmente interessante aconteceu. Lembro que foi um dia comum, como todos os outros, se diferindo apenas que as pessoas não me parabenizavam ou desejavam felicitações com tanta frequência como nesse dia.

Até a noite do meu aniversário de catorze anos.

Eu havia chegado cansado e suado do treino de Quadribol, indo direto para o banheiro tomar um banho quente e relaxante. Demorei tempo suficiente para minha pele começar a avermelhar e sai, vestindo um calção qualquer do meu malão e me jogando na cama.

Apenas quando eu me joguei e escutei um estranho barulho de papel amaçando que fui notar que havia um bilhete ali.

Com uma caligrafia fina e bonita, com corações nos lugares dos pingos dos is, era dito:

“Hey,

Infelizmente não tenho o poder de aproximar você do seu pai realmente, mas eu tentei algo da minha maneira.

Sempre que se sentir triste ou com saudade dele, olhe para cima! Tenho certeza que, como a constelação aí, ele sempre estará com você, mesmo que às vezes você acredite que há somente a escuridão e que ele te deixou, ele estará ali, iluminando seus caminhos e sonhos, independente de qualquer coisa. Algumas vezes com menos brilhante que outras, mas ele estará aí. Eu te prometo, Scorpius!

Espero que goste!

Com todo meu amor,

Rose Weasley.”

Me lembro da estranha sensação de alegria que tive no momento em que meus olhos se desviaram do bilhete, olhando para cima. O dossel da cama estava sobre um feitiço semelhante ao do Salão Principal, onde era possível observar o céu estrelado.

Ali, bem acima dos meus olhos, era possível ver Draco, a constelação que consagrou meu pai, me guardando e iluminando como a Weasley disse que faria.

Um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios. Ela era realmente brilhante.

E, aqui, anos mais tarde, deitado na cama e encarando aquele presente simples, mas com um significado tão grande, eu percebi que eu estava certo, afinal. Rose Weasley nunca conseguiria ser bonita como Hadassa Nott.

Porque ela era muito mais.

Notas finais
Scorpius está começando a sentir o peso de suas ações, e começando a entender depois de anos o que esteve sempre óbvio, hihi. esse capítulo é para vocês entenderem um pouco mais dos pensamentos do Malfoy em relação à Rosie. prometo que no próximo terá muuuuito Rose Weasley, ok?? como vocês perceberam, eu brinquei de novo com o passado e o presente, então qualquer dúvida que tiverem a respeito, me mandem nos comentários ou por dm, está bem? obrigada por lerem até aqui, um beijão e até o próximo! ♡