A garota que mora ao lado

15 Capítulo 14: Pedido


Clara: on

— Bem isso é um pouco difícil de perguntar — começa Sófia parecendo nervosa — se você...

— Se eu? — pergunto quando ela se interrompe.

— Se você quer ser a minha amiga — disse Sófia por fim.

Tá ok, como eu reajo a isso? É pegadinha? Zoação? Digo sim? Será que na biblioteca tem um manual para isso? Por que eu não tô com medo? Por que eu tô em pânico?

— Clara? — chama a garota me fazendo parar andar de um lado pro outro, eu nem tinha notado que estava fazendo isso.

— Desculpa, você me pegou de surpresa — digo meio sem jeito.

— Deu pra notar — disse Sófia sorrindo sem graça.

— Posso pensar mais um pouco? — pergunto — é que eu realmente não esperava por isso.

— Você não tem muitos amigos, né? — pergunta a outra garota.

— Violeta — repreende Sófia.

— Não, tudo bem é verdade — digo dando de ombros — a minha capacidade social realmente não é das melhores, em toda a minha vida eu só tive 3 amigos e um deles paga o meu salario.

— Pera ai quantos anos você tem? — pergunta Violeta.

— 24 — respondo sem entender.

— E só teve 3 amigos em toda a sua vida? — pergunta Violeta.

— Não, pera eu esqueci do cara do cemitério — digo — então são 4 ou melhor seriam 4, mas acabei perdendo contato com um.

— Sua vida é triste — disse Violeta tocando em meu ombro enquanto negava com a cabeça — pobre garota, que tipo de pais privam uma criança de ter infância?

— Eu não fui criada pelos meus pais — digo sendo sincera não conseguindo entender a reação de Violeta.

— E você foi criada por quem? — pergunta Sófia que parecia estar juntando um quebra-cabeças de algo que não soube dizer.

— Pelos meus avôs — respondo ainda sem entender — e eles não eram muito de sair.

— Isso explica algumas coisas — disse Sófia ainda mais pensativa.

— Clara tão chamando você no refeitório — disse a enfermeira entrando na sala — alguém vomitou lá.

— Já vou — digo olhando para ela antes de ir até a porta — bem eu... Vocês ouviram...

— Pode ir — disse Sófia.

Com isso saio indo até onde havia deixado o carinho de limpeza ao mesmo tempo que era seguida de perto por Melissa: — Então a caloura queria conversar o que com você? — pergunta ela.

— A Sófia me perguntou se eu queria ser sua amiga — respondo começando a guiar o carrinho na direção do refeitório.

— E você aceitou, né? — pergunta Melissa num tom de esperança.

— Eu disse que iria pensar — digo.

— Deus dai-me forças para aguentar essa garota — disse minha amiga — sera que vou ter que te dar um guia passo a passo para você entender que aquilo foi a chance perfeita?

— Realmente tem um guia? — questiono sem entender — e chance perfeita pra quê?

— Morri — disse Melissa se inclinando um pouco para trás, mas rapidamente voltando a posição inicial — eu realmente não sei como você pode ser tão esperta para algumas coisas e tão burra para outras.

— O que eu poderia fazer? Entrei em pânico na hora — digo tentando me justificar.

— Dizer sim, isso era o que você poderia ter feito — disse minha amiga.

— Ok, eu digo isso na próxima — falo ainda não entendendo muita coisa.

— Pelo menos isso — disse ela — mas lembre-se de uma coisa Clara, nem sempre vai ter próxima vez.

Continua...