A garota dos punhos cerrados.
4 Chegastes
Notas iniciais
Chegamos à árvore e engatamos numa conversa nada a ver depois de ficarmos horas colocando o papo em dia.
–-Fiquei sabendo que perdeu aquela luta decisiva... --Ela disse mais por carência de assunto do que por qualquer outra coisa.
–-É... Mas já superei—Nem tinha oque superar. Uma luta perdida, não o fim do mundo. —Na próxima eu ganho, vai ter revanche, mas e você? Como esta no bale?—Perguntei engatando numa longa conversa sobre os testes de balé, a nova academia russa que tem na região sul, e na viajem que faria para os Estados Unidos que me surpreendeu.
Deu certa hora e eu já estava cansada. Pegamos o metro e há poucos minutos cheguei em casa pronta pra dormir. Mas quanto entrei em casa, estava meu irmão Carlos sentado no sofá. Tinha voltado da viajem do intercambio que fizera na Europa. Pulei em seu colo abraçando-o depois de um ano sem vê-lo. Conversas por Skype nunca mais.
–-Por que não me avisou?-Perguntei puta da vida de não ter ficado aquele dia todo com ele.
–-Queria fazer uma surpresa. —Desde a minha festa de 14 anos, que minha mãe quis fazer uma festa surpresa, chamou todos da família e meus amigos, mas era á noite, eu tinha ido a uma festa e estava com um “amigo colorido”. Chegamos aos amassos em casa, pois achei que minha mãe já estava dormindo e o bolo de tarde era a minha comemoração. Todos me viram com o tal garoto e minha cara e de todos os convidados foram no chão. Ele ficou com tanta vergonha da situação que paramos de nos pegar e a amizade não durou muito tempo.
–-Não, deveria ter me falado cavalinho. -- Disse dando um leve tapa no seu braço. Ficamos conversando sobre como foi sua viajem.
Ate que alguém bateu na porta. Pensei que era a Mamis, já que já tinha ficado de plantão, mas não. Era a tal garota do clube. Ela olhou para dentro da minha casa e gritou o nome de Carlos que veio ate a porta. Uma hora nada convencional de uma pessoa visitar outra.
–-Amanda—Ele disse todo entusiasmado me empurrado de frente da porta e indo abraçá-la. Nessa hora que eu lembrei quem era essa criatura. Amanda. A filha da única hippie das redondezas morava perto da esquina da minha rua e era amigona do meu irmão. Vinha até na minha casa ás vezes vê-lo, mas seu pai, emo-gótico, foi na casa da mãe, que morava em outro estado, e foi assassinado por um bando de sem-noção que o julgaram pela aparência. Falam que foi um homicídio “sem querer”, mas ele foi morto, e todos foram presos. Ela ficou a noite toda, no parque, chorando. Uma semana depois se mudaram. Ela mudou tanto que não consegui reconhecer.
–-Essa aqui é a minha irmã, se lembra?—Carlos disse, notando minha mera existência.
–-Aham, lembro sim, vi ela na luta—“vi ela’’. É ela não era tão boa em português.
–-Também a vi na luta—disse e eles me ignoraram legal, continuando uma conversa que não estava a fim de escutar. Sentei no sofá e continuei vendo “Wolverine-imortal”
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