A garota do time 7 - Livro 1

20 Capítulo 20 - Novos Aliados


Harumi olhou para cima. Apesar do sol sumir no horizonte, todos ainda estavam reunidos na pequena sala da casa de Tazuna. Tsunami preparou alguns alimentos e os servidos.

Respirando fundo e criando coragem, ela disse:

— E… eu… queria sugerir sobre Zabuza e Haku juntar-se a Konoha.

— O quê? — Zabuza olhou-a atentamente, o suficiente para ele ter reaberto algumas de suas feridas. — O que você quer dizer? — ele perguntou rispidamente.

— Oh, Haru-chan, você pensa grande. Seria incrível, neh Haku? Eu poderia lhe apresentar as maravilhas do Ramen — Naruto disse animado.

— Pare de gritar, seu idiota — Sasuke grunhiu, e retornou seu olhar para a garota, tentando imaginar o que ela tinha em mente quando sugeriu que os dois fortes inimigos se unissem às fileiras da Aldeia da Folha.

— Em Konoha, as linhagens são altamente respeitadas e valorizadas... quase reverenciadas. — Harumi disse com cuidado. — Haku tem uma linhagem rara, ele seria aceito. Como portador de um Kekkei Genkai de uma terra estrangeira, Haku seria praticamente adorado — ela corou quando percebeu todos os olhares sobre ela. — Foi algo que pensei.

Kakashi acenou.

— Isso é verdade, como diz o ditado: O lixo de um homem é o tesouro de outro homem.

— Haku nunca foi lixo — resmungou Zabuza, ofendido em nome do garoto. — Aqueles idiotas de Kiri simplesmente não podiam reconhecerm o valor do seu sangue.

— Zabuza-sama… — Haku disse, emocionado por seu mestre o defender tão fortemente. Eram raras as ocasiões que aquele assassino mostrava qualquer tipo de sentimento positivo.

— É por isso que você tentou um golpe? — Kakashi perguntou com curiosidade aberta.

Zabuza rosnou, sua intenção de matar quem fez Tazuna e sua família estremecer. — Aquele desgraçado do Mizukage ordenou que shinobis valiosos fossem mortos. Você está certo, eu tenho um problema com isso.

Kakashi disse com cuidado, sondando as informações: — Ouvi dizer que houve uma guerra civil, causada por um medo das pessoas em relação ao Kekkei Genkai.

Sasuke arregalou os olhos. Ele não podia entender porque uma aldeia ninja exterminaria as linhagens Kekkei Genkai. Os clãs com habilidades especiais eram as armas polidas de uma aldeia, eliminá-las era tão sem cabimento.

— Em Kirigakure, as guerras civis são normais — disse Zabuza, dando de ombros. — Mas, desta vez, alguém decidiu que Kekkei Genkai era o responsável. Muitos clãs foram totalmente destruídos. Então, tive a ideia sábia de matar o responsável: Yagura, o Yondaime Mizukage.

— E isso não foi tão bem.

Zabuza bufou ironicamente. — A maioria dos meus subordinados morreram e eu fui enviado para o exílio.

— Eu certamente não invejo a vida de um nukenin — disse Naruto — Aposto que papai os aceitaria. Konoha valoriza ninjas fortes e habilidosos.

Zabuza adotou um silêncio pedregoso. Então, ele perguntou: — Como isso aconteceria?

Kakashi ficou um pouco aliviado pelo interesse de Zabuza, contudo ele não demonstrou. Claro, ele preferia que Harumi tivesse abordado esse assunto antecipadamente, para ele oferecer para Zabuza em particular.

De maneira despreocupada, ele disse:

— O Hokage teria que decidir permitir sua entrada nas fileiras ninjas de Konoha. Então os jounins da vila votariam se aceitariam ou não você. Pense nisso como uma revisão acadêmica.

— Hmph!

— Você teria uma classificação jounin, é claro. Se Konoha confirmar a sua lealdade, você estará exercendo seu próprio peso com missões difíceis — O ANBU disse, contribuindo para convencer o assassino da névoa.

— Enquanto ninguém tentar me prender com pirralhos... — Zabuza murmurou — Seja sincero comigo, Kakashi, quais são minhas chances?

— Eu suspeito que eles desconfiem de você, dada sua tentativa de golpe de estado em Kiri. Mas se você explicar seu raciocínio por trás disso, isso provavelmente deixará as pessoas à vontade. Ora, você pode até ser cantado como um herói de Kekkei Genkai, salvador do último remanescente de um clã — disse Kakashi de maneira despreocupada. — Obviamente, você estará sob intenso escrutínio, incluindo um período de estágio, durante o qual terá que ter o seu melhor comportamento.

Zabuza ficou um pouco preocupado ao ouvir isso.

— Que diabos isso significa? — ele perguntou devagar.

Naruto interferiu, já que não gostava de ficar muito tempo calado:

— Não intimidar os civis por preços mais baixos de mercadorias.

—oÕo-

— Podemos conversar? — Kakashi perguntou, enquanto caminhava para fora da casa após a reunião e o jantar terminar, e as pessoas seguiram para tomar banho ou dormir. Zabuza e Haku, assim como o time 7, optaram por acampar no quintal da casa do construtor.

Harumi gemeu e seguiu seu sensei.

Professor e aluna seguiram em silêncio por alguns metros até as margens do rio, até que Harumi criou coragem e estendeu um rolo grande ao seu sensei.

— Uh, aqui — Harumi estendeu dois pergaminhos — Aqui estão os corpos de… Tem os corpos!

Certamente selar uma pessoa, mesmo morta, em pergaminho requer um grau alto de Fuuinjutsu. Kakashi teria que investigar corretamente quão avançada era as habilidades de sua aluna na parte de selagem.

Pegando os pergaminhos, Kakashi olhou para ele, esfregando o queixo. — Esta é sua primeira morte, não é?

Nohara Harumi negou.

— Está incomodando você?

— Não, mas sim... quero dizer... é meio estranho, Kakashi-sensei. Eu não penso que a maneira como estou me sentindo é normal — murmurou Harumi. — Até mesmo na minha primeira morte, na missão com o time 8. — Ela não queria ter matado alguém, porém não estava em crise por isso.

Balançando a cabeça, Kakashi sentou no píer e apontou para que a garota ocupado o lugar ao seu lado.

— Quer falar sobre isso?

Harumi inalou profundamente e contou a história em um relato rápido, mas detalhado. Sobre como matou o shinobi Iwa, que não sabia o nome, por instinto e sem nenhum remorso.

Que seguiu a ideia de Kakashi sobre eliminar Gatou. Como ela esfaqueou o homem no peito e observou a luz apagar de seus olhos. Que talvez, por ele ser um civil, ela vomitou quando o corpo grande caiu no chão e que o sangue carmesim forçou uma poça ao redor dele.

Ela estava com raiva por Aoi ter desertado de Konoha, com raiva o suficiente para querer que ele morresse. Harumi disse-lhe como ela havia tentado mutilar Aoi com uma explosão habilmente colocada.

Depois veio o senbon, seguido pelo confronto corpo a corpo. Ela concluiu sua história descrevendo como Inari interferiu, impedido que Aoi desse o golpe final nela, e quando viu Inari em perigo, ela moveu-se sem pensar, e cortou o pescoço de Rokusho Aoi.

Harumi o encarou enquanto aguardava o seu julgamento. Ele não tinha certeza do que ela queria ouvir, porém, ela precisava ouvir a verdade.

— Muito bem, Harumi. — Os olhos azuis da garota se arregalaram — Você foi inovadora, decisiva e pensou rapidamente. O mais importante é que você venceu shinobis mais velhos e mais experiente, além de ter protegido vidas inocentes. Quanto a Gatou, tem de considerar quantas vidas poupou ao eliminá-lo.

Ela gaguejou. — Mas, o que eu deveria estar sentindo sobre matar alguém, Kakashi-sensei?

Kakashi permaneceu em silêncio a observando.

— Meu pai sempre falou dever estar preparada para isso. Que vida e morte andam com profissão de um shinobi, todavia, também disse que muitos ninjas nunca chegam a tirar uma vida — ela falou enquanto olhava para seus próprios pés.

Kakashi suspirou. — Bem, o que você está sentindo?

O rosto da menina se contorce. — Nada! Eu não estou sentindo nada. Eu o matei, e daí? Isso não pode estar certo, eu não deveria estar triste ou algo assim? Eu… depois da floresta da morte… quando morri quase diversas vezes, tudo que pensei foi: não quero deixar meu pai e avó… que meu pai não merece sofrer novamente por outra perda. Eu não quero morrer.

— Você pensa que seria melhor ser você estivesse arrependida, Harumi? — Kakashi perguntou.

Ela suspirou desanimada. — Eu… só não quero me tornar alguém que tem prazer em matar. — Harumi encarou o homem de cabelos prateados. — Chegar ao ponto que não tenha remorso de matar um homem que apenas estar protegendo sua família e povo, como Tazuna.

— Essa é a diferença de um shinobi que cumpre seu dever e um assassino insano. Você sabe a diferença entre quem matar — disse ele com o peso de sua autoridade jounin — Um dia receberá a ordem de matar alguém que tem família, amigos que pelo bem da sua aldeia, sua família e por ordem do Hokage, terá que cumprir. Mas sabe o que pesará em sua decisão?

— O quê?

— Você servir um Hokage justo e honrado. Yondaime é cuidadoso com as missões que aceita.

Harumi arregalou os olhos diante da afirmação do homem. Ela sabia que Namikaze Minato era totalmente diferente de Yagura. Ele jamais mandaria aniquilar um clã inteiro por loucura ou medo.

— Alguns simplesmente fazem isso para satisfazer sua sede de sangue — disse Kakashi, encolhendo os ombros — E ainda conseguem viver vidas funcionais. Outros estão dormentes de matar, no entanto, esses indivíduos são raros. Não é inédito na primeira matança quebrar um shinobi completamente.

— E você, Kakashi-sensei? — Harumi perguntou cautelosamente, com medo de que ela estivesse invadindo um assunto tabu.

Kakashi deu de ombros.

— Matar é uma das muitas maneiras de proteger e servir a vila. É um fardo a carregar pelo bem dos outros.

Ela assentiu lentamente.

— Acredito que por isso que apenas 30% dos formados na academia se tornam genin. A Academia colore muito a vida de um shinobi — Harumi murmurou — Iruka-sensei disse muitas vezes da dureza da vida de um ninja, entretanto as crianças tendem a fantasiar com aventuras, honra e dinheiro.

Kakashi assentiu. — Está correta! Ao enfrentar um inimigo, se resume matar ou ser morto. Você matou e foi a coisa certa a fazer.

— Eu acredito que não conseguirei minha carreira atrás de uma mesa, neh — ela disse com leve risada.

— Você é muito inteligente para ser desperdiçada assim. Seus planos, desde o teste de formatura, na floresta da morte e nesta missão foram bem planejados — Kakashi disse com sinceridade.

O alívio começou a se gravar no rosto de Harumi. — Não sei se quero. — Soltou um suspiro. — Então, eu não sou uma puta psicopata... só sou inteligente para processar mais rápido as coisas — ela disse.

— Sim, essa é a razão provável. Julgo que as meninas realmente amadurecem mais rápido que os meninos.

Harumi revirou os olhos para o céu. Uma risadinha estrangulada saiu de sua garganta.

— Você é tão idiota, Kakashi-sensei!

— Coxo? — Kakashi ecoou com mágoa fingida, coçando a parte de trás da cabeça. — E eu aqui pensando em pedir Haku para lhe ensinar jutsu de água...

— Não seja mesquinho! Sabe que tenho muito a melhorar. Não pode ensinar somente para os garotos as coisas legais — ela disse com sorriso brincalhão, feliz por sentir-se mais leve.

Kakashi sorriu sob sua máscara.

— Foi bem pensado a ideia de atacar a base. Além disso, quando retornar, o Hokage certamente irá recomendar que visite um especialista. Sabe temos um psicólogo e tudo...

— Oh, eu acho… seria bom — Harumi suspirou — Enfim, desculpa se disse sem lhe consultar antes — ela disse — Mas fiquei com medo da oportunidade passar.

— Sem problema — Kakashi disse olhando para trás.

—oÕo-

Os dias transcorreram sem grandes acontecimentos. A ponte estava sendo concluída com rapidez, e apesar de não terem mais uma grande ameaça, Kakashi decidiu que os times ainda reservariam para ajudar e vigiar, afinal, algum ex-mercenário de Gatou poderia aparecer.

Nos dias que o time 7 não ajudava na construção, eles empenhavam em treinar, principalmente Harumi que esforçava para dominar agora o teste com a folha. Ela tinha que manter por mais tempo possível a folha agarrada em sua testa usando chakra.

Zabuza recusou ajudar a vigiar a ponte, não era sua missão, mas também não foi embora. Ele e seu aprendiz permaneceram no Vilarejo. Haku construiu uma estranha amizade com Naruto. O loiro decidiu adotar o garoto do gelo como seu animal de estimação, arrastando Haku para os treinamentos, vigiar a ponte ou pequenos consertos que faziam na precária cidade.

Sasuke nao tolerava o menino bonito, talvez por ser espetado por seus senbon, ou, porque Haku mostrava sempre gentil ou conversando com Harumi. Se aguem perguntasse, o herdeiro Uchiha negaria até a morte.

Era final de uma tarde, quando Kakashi apareceu no campo de treinamento e chamou seus alunos para finalizar o dia. Zabuza estava encostado em uma árvore com os olhos fechados enquanto Haku explicava a Harumi algum jutsu de água.

— Vamos pessoal. Tsunami-san fez jantar especial. Ei, Zabuza, vamos indo, sim?!

O homem grunhiu.

Os genins suspiraram de alívio e recolheram suas coisas para seguir seus professores.

Harumi seguia calada ao lado de Haku enquanto seus professores seguiam logo atrás. Os dois adolescentes pareciam confortáveis com o silêncio. Já Sasuke estava carrancudo logo atrás com um tagalera Naruto ao seu lado.

Kakashi estava bastante certo de que o Demônio da Névoa não era mais uma ameaça para o povo de Nami no Kuni, todavia um shinobi raramente podia deixar de ser cuidadoso. Entretanto, ele admitiria fazer um trabalho bastante relaxado no momento, lendo sua Icha Icha.

Zabuza bufou com nojo.

— O famoso Sharingan Kakashi, o famoso copiador de mais de mil jutsu, lê pornografia em seu tempo livre. Vou ter certeza de que isso será adicionado ao Livro de Bingo.

Kakashi respondeu alegremente, dizendo:

— Tecnicamente, estou em uma missão no momento. Então, na verdade, estou sendo pago para ler.

— Sabendo que fui espancado por alguém que lê esse lixo... acredito que seria melhor se você tivesse me matado — Zabuza disse com desdém.

— Posso realizar seu desejo agora.

— Eu te odeio.

— Hum? — Kakashi murmurou, olhando para longe de sua literatura pervertida. — Você disse algo?

Zabuza então revirou os olhos.

— Você gosta de irritar as pessoas — ele disse, estreitando os olhos. O silêncio do ciclope já era suficiente. Seus passos os levaram para mais perto da ponte — Eu nunca pensei que alguns genins poderiam ter derrotado Haku — disse Zabuza — Muito menos os pirralhos de Konoha.

— Haku certamente é forte, e ele tem um presente único e mortal com esse Hyoton.

Zabuza assentiu.

— Infelizmente, para ele, estava lutando contra a nata da colheita. Sasuke e Naruto compartilham o título de Novato do Ano. Como você deve saber agora, um deles pertences ao clã mais forte de Konoha e o outro tem sido treinado antes mesmo de aprender a andar...

— Então nós tivemos uma pequena guerra entre Kekkei Genkai de Konoha e Kiri, hein?

Foi a vez de Kakashi concordar.

— E a garota? Ela tem altas habilidades em Fuuinjutsu! Por um momento pensei estar em frente ao famoso Relâmpago Amarelo.

A boca de Kakashi se contorceu sob sua máscara. — Oficialmente, ela é de família de civis… o último morto da turma.

Zabuza franziu as sobrancelhas. — Você está me cagando. Ela tem altas habilidades em Fuuinjutsu. Decapitou um homem como se cortasse manteiga.

— Esse é o registro oficial, mas, na verdade, ela é descendente Uzumaki, daí as habilidades em selagem. Suas notas a colocaria no meio, contudo foi influenciada para estar por último… quanto ao fuuinjutsus? Nem sei ainda seu grau de conhecimento.

— Por que diabos alguém manipulou isso?

— Porque o Hokage quis? Ela era a melhor opção para está com os dois prodígios de Konoha.

Zabuza apertou os olhos e balançou a cabeça.

— Há rumores de que Konoha estava ficando mole, porém está certo que isso era besteira. Parece que você tem uma geração de monstros rastejando para fora da madeira.

Kakashi tomou isso como um elogio para sua aldeia.

Eu nunca quis que Haku perdesse, contudo, estou feliz que ele tenha lutado com crianças tão fortes quanto ele, pensou Zabuza. Da próxima vez, porém, ele vai chutar todas as suas bundas.

— Ele seria bem tratado lá, você sabe.

Zabuza olhou-o atentamente, o suficiente para ele ter reaberto algumas de suas feridas. — Eu ainda não decidi? — ele perguntou rispidamente.

— Pode ser difícil tentar deixar de lado a vida de mercenário, para obedecer alguém… Mas certamente é melhor ter uma noite calma do que viver sempre fugindo. — ofereceu Kakashi.

— Aqueles idiotas em Kiri simplesmente não podiam constatar o valor do seu sangue — resmungou Zabuza.

— Eu posso entender seu desejo de libertar seu povo da tirania de um homem — Kakashi disse.

— As guerras civis de Kirigakure são tão normais, que seu povo já se acostumou. — disse Zabuza, dando de ombros.

— Quem sabe no futuro você consiga ajudar seu povo. — disse Kakashi.

—oÕo-

No dia seguinte, o time 7 ficou responsável pelo guarda, bem, Naruto e Sasuke, já que o Corvo pareceu para raptar Harumi.

Sasuke ficou rapidamente entediado com a monotonia do serviço de guarda. Ele sabia que isso fazia parte das funções de um ninja, mas não deixava de ser chato.

Girando duas kunai em torno de seu anel e dedos indicadores, Sasuke viu alguns trabalhadores examinando uma marca de queimadura no concreto, coçando a cabeça. Sasuke sorriu, porém, rapidamente o gesto desapareceu.

Harumi havia matado. De todos do time, ele considerou que ela seria a última pessoa a realizar a primeira morte tão cedo; os lobos e tigres não contavam. Ela sempre se mostrou ser uma coisinha medrosa.

O garoto olhou para cima e reparou no seu amigo. Naruto estava lendo um livro de Tazuna sobre o básico da carpintaria, enquanto o pendurava na parte inferior de uma viga de apoio, à qual seus pés estavam colados. O rosto com bigode de Naruto estava enterrado tão profundamente no livro quanto o nariz de Kakashi era rotineiramente enterrado em sua coleção de pornografia.

Durante seus estudos na academia, quando revisaram as Grandes Guerras Shinobis, Sasuke ficou mais intrigado com a sangrenta vingança nascida desses conflitos, que gerou novos conflitos. Ele chegou à conclusão de que provavelmente teria que deixar um rastro desarrumado de corpos inimigos em sua fúria divina.

A garota não disse nada sobre a luta. Depois que as feridas de todos foram consertadas, Harumi simplesmente entregou um pergaminho para Kakashi, alegando que ali armazenou o corpo do shinobi desertor de Konoha e outro pergaminho o corpo de Gatou.

O Uchiha estava preocupado com Harumi. Mesmo quando ela estava passando por algo, ela estava tentando ser gentil com todos. E fora que ele ficou desconcertado com todas as sugestões que ela fez. Harumi mostrou-se inteligente, estrategista e pensou sempre adiante. Ele e Naruto tinham mais habilidades físicas, mas, obviamente, Harumi tinha uma visão mais ampla de um líder nato.

Agora, parado na ponte com trabalhadores correndo com vigor renovado, Sasuke se perguntou o que a garota estava fazendo; Sasuke não se sentiu confortável por tê-la deixada sozinha. Bem, tecnicamente com um ANBU, mas Sasuke não confiava em ninguém que não podia ver o rosto, mesmo sendo um ninja da alta elite de Konoha.

Ele estava grato por Kakashi fazer rotação de dias para os dois times treinar e vigiar a construção, pois assim, não precisavam lidar com os bajuladores do time 6. Apesar de que, ultimamente eles andavam mais contidos. Talvez uma verdadeira batalha, os fez perceber, a seriedade da profissão que escolheram.

Não passou despercebido por Sasuke que a garota do esquadrão 6 olhava aterrorizada para Harumi. Ele temia que ela falasse algo desagradável para a garota do time 7.

Saindo de seus pensamentos, Sasuke aproximou-se do seu melhor amigo, no entanto, uma voz intrometeu, cortando seus pensamentos já tumultuosos em pedaços.

— Haku se ofereceu para treinar. Vocês querem participar? — Harumi disse com tranquilidade. Os dois garotos se aproximaram da companheira de time e do aprendiz de Zabuza

Sasuke olhou pensativo.

— Não estava com o ANBU? — ele perguntou, não gostando de Harumi novamente ao lado do aprendiz de Zabuza.

Harumi encolheu os ombros.

— Ele me perguntou algumas coisas e depois sumiu. Encontrei Haku-san no caminho para cá.

Sasuke acenou.

Ele certamente gostaria de lutar novamente contra o especialista em senbon, principalmente se não envolvesse morte ou grandes feridas.

— Mais quem vai vigiar a ponte? — Naruto perguntou.

Haku apontou para trás.

— Mestre Zabuza e seu sensei já estão vindos.

— Podemos usar o campo próximo à casa de Tazuna. Na verdade, eu queria treinar caminhar com as folhas e Shunshin no Jutsu. Vocês podem intercalar em treinar com Haku — ela disse.

O Uchiha estreitou os olhos. — Posso lhe ajudar com Shunshin, enquanto Haku e Naruto duelam — ele ofereceu e recebeu um aceno agradecido de Harumi.

Quando os dois jounins se aproximaram da ponte, o quarteto se despediu e seguiu para o treinamento leve.

—oÕo-

Duas semanas depois, eles estavam na ponte que ligava à Terra do Fogo e à Terra da Onda. Zabuza e Haku decidiram juntar–se a eles no caminho de volta para a Aldeia da Folha.

A família que os hospedou estava presente para vê-los partir, assim como alguns dos construtores e aldeões. Inari estava à beira de explodir em lágrimas, mas conseguiu impedir qualquer vazamento dos seus olhos.

— Estamos super tristes em vê-los partir — lamentou Tazuna. Ele deu uma olhada no grupo, e os olhos persistentes de Zabuza o fez estremecer — A maioria de vocês, de qualquer maneira.

Kakashi assentiu enquanto o espadachim fazia uma careta sob as bandagens. — Obrigado por sua generosa hospitalidade e paciência — disse Kakashi.

Os genins e Haku se curvaram.

— Oh, não foi problema nenhum. — Garantiu Tsunami — Na verdade, eu vou sentir falta de ter tantas pessoas conosco. Aqui estão algumas marmitas para comerem na estrada — Tsunami os presenteou com um embrulho bem amarrado.

Sasuke, que estava mais próximo, pegou os embrulhos. — Eu vou cuidar disso, obrigado — ele os colocou com segurança em sua mochila. Ajoelhado, ele foi incapaz de ignorar o olhar aguado de Inari — Os visitaremos quando tivermos chance — Sasuke prometeu.

— Sim! — Naruto cantou.

— Quem sabe em qualquer momento que não envolva assassinato — disse Harumi com leve careta.

Tazuna assentiu. — Sim, venha passar algumas férias na praia ou quando tiverem que cortar à Terra da Onda para suas missões.

Souja aproximou e sorriu. — Agradeço pela hospitalidade! — Mas sua expressão azedou ao ouvir alguns murmurou baixo dos aldeões dizendo ‘seu time não ajudou muito’.

Inari soluçou. — Vou sentir sua falta, Aniki.

Sasuke sentiu vários olhares nas costas. Até esse momento, ele conseguiu impedir o garoto de chamá-lo assim na frente dos outros. Ele bateu na cabeça de Inari. — Até mais. Fique forte.

Inari assentiu rigidamente.

— Podemos apressar as despedidas chorosas? — Zabuza disse agitado. — Eu gostaria de pegar a estrada hoje.

— Zabuza-san — disse Haku repreendendo seu mestre, mas, na verdade, ele também deseja partir. Ele não estava acostumado com emoções de despedidas.

— Cadê o outro ninja? — Inari perguntou curioso.

— ANBU-san já foi na frente há dois dias — Harumi informou.

Kakashi sorriu com os olhos.

— Vamos embora! Cuidem-se!

Tsunami cruzou os braços sob o peito — Prometam fazer o mesmo, Sensei — disse ela severamente, contudo em um tom suave.

O jounin coçou a cabeça e assentiu antes de liderar o grupo pela ponte.

O time 6 partiu na frente, enquanto os genins time 7 seguiam no meio e os jounin mais atrás.

Os moradores de Nami no Kuni assistiram aos viajantes se afastando com alegria, tristeza e orgulho. Eles deviam muito àquelas pessoas, que os protegeram e salvaram de um destino temeroso.

Tazuna olhou as espirais vermelhas nas costas de Kakashi e Naruto. Ele estava cutucando algo em sua cabeça por um tempo, todavia ele não conseguia se lembrar do que era.

— Foi graças a eles que conseguimos completar a ponte — disse Tazuna, com carinho, como se recordasse uma memória distante, já perdendo o esquadrão 7.

— Sabe, ainda não conseguimos nomear a ponte, Tazuna — um dos ajudantes na construção disse.

— Oh sim! Eu sabia que esqueceu algo — resmungou Tazuna, coçando o cavanhaque — Hm, como chamá-la... — as espirais vermelhas continuavam aparecendo em sua cabeça por algum motivo... e então seu cérebro desenterrou a memória. Tazuna riu. Claro, isso foi perfeito — Vocês todos podem não estar cientes disso, porém há muito tempo, uma das ilhas abrigava uma vila ninja.

Inari olhou para o avô com um rosto que só podia ser feito por uma criança fascinada.

— Sério? Uma vila ninja, aqui?

Tazuna assentiu, sorrindo tristemente. — Mas foi destruída na segunda guerra shinobi. Só me lembro do nome de um clã em particular que pertencia à vila, um lote muito temido de shinobi. — Ele forçou os olhos antigos para olhar para o pequeno pedaço de laranja à distância — Eles foram chamados clã Uzumaki.

— Pai, isso é verdade? — Tsunami perguntou.

— Sim! É por isso que o nome perfeito é: A Grande Ponte Uzumaki! — Tazuna declarou grandiosamente.

— Que incrível!

Puxando a bainha do vestido de sua mãe, Inari disse:

— Mãe... julgo que quero ser um ninja.