A garota do time 7 - Livro 1
23 Capítulo 23 — Tranquilidade
As reflexões de Harumi foram interrompidas quando ela parou em frente à sua casa. Seu peito se aqueceu ao visualizar os traços da sua casa de infância. Ela estava quatro semanas longe de casa. 30 dias longe de sua família.
Harumi colocou as pontas dos dedos contra a maçaneta do portão, ativando o selo e destravou as proteções da casa. Ela retirou as sandálias na porta e, quando a fechou atrás de si, ativou novamente os selos.
Respirou fundo, sentiu o perfume das flores que a casa exalava. Sua avó cultivava um jardim nos fundos da casa, por isso, era característico sentir o cheiro de suas flores.
Harumi não se incomodou em ligar as luzes, apenas seguiu sem fazer barulho para o segundo andar da casa. Ao girar a maçaneta do seu quarto, a porta do lado se abriu, e a figura sonolenta do seu pai apareceu a encarando.
— Tadaima Otousan… — ela disse baixinho.
Os olhos de Raiden se arregalaram, antes de suavizar em amor e carinho. Trajando uma calça de flanela e uma camisa velha, o homem saiu do próprio quarto e diminuiu a distância que o separava de sua única filha. Ele a abraçou com força, esmagando seu pequeno corpo.
— Okarie Hime! — disse Raiden. — Senti sua falta.
— Eu também senti. É bom estar em casa — ela disse enquanto retribuía o gesto carinhoso.
Raiden acariciou os cabelos castanhos.
— Eu ouvi sobre o envolvimento do seu time contra sequestradores das crianças — ele disse. — Sério, Haru-chan… porque o perigo lhe persegue? Você lutou contra jounin…
— Eles eram fracos, e Kurenai estava lá para nos instruir e proteger — ela disse. Harumi não tinha certeza até que ponto seu pai sabia, mas certamente não queria falar das mortes com ele.
Raiden suspirou fundo e quebrou o abraço. Com as mãos apoiadas nos ombros da sua filha, encarou-a.
— Eu ouvi de Maito por horas sobre a façanha da minha filhota. O homem parece bem orgulhoso.
— Gai-sensei sempre exagera — Harumi disse, as bochechas levemente coradas.
— Eu estou orgulhoso de você. Não só ajudou o time, como garantiu a proteção de todos — Raiden disse. — Estranhamente recebi até mesmo convite de Hiashi-sama para tomar uma bebida.
Harumi arregalou os olhos.
— Céus, esse homem é estranho — ela disse com uma risada.
— Não me diga! Mas como foi a outra missão? Algo sobre auxiliar o time 5 no País das Ondas?
Harumi suspirou, e contou um breve resumo da missão ao seu pai, deixando de lado sobre as mortes e o medo nos olhos de Aiko quando a encarava.
— Fora duas missões bem difíceis. Estou orgulhosa que se saiu bem. Agora, vá tomar banho e durma, mas diga boa noite à sua avó antes — Raiden disse, enquanto dava um empurrão leve na sua filha, em direção ao quarto.
— Hai! Até mais tarde… eu quero panquecas de Kimchi — ela disse, antes de entrar em seu quarto. Sim! Era bom estar em casa.
—oÕo-
Decidindo lidar logo com sua ‘consulta’ ao conselheiro ou psicólogo, Harumi se dirigiu para o endereço no pedaço de papel. Ela queria resolver isso antes de encontrar com Sasuke e Naruto para treinar.
Quando ela chegou em frente ao local, hesitou. Conferiu o papel e a placa, para garantir estar no endereço correto, e depois entrou. O ar da loja estava levemente úmido e o vapor de água rodeava as flores. Atrás do balcão estava uma garota de cabelos loiros que tinha um olhar meio sonolento e meio irritado.
— Bem-vindo à loja de flores de Yamanaka. — disse a herdeira do clã Yamanaka. — Posso fazer algo por você?
— Ah... ehm... seu pai... está?
— Se você quer comprar um buquê ou qualquer outra coisa, eu sou a pessoa indicada. Meu pai realmente não tem muito talento nesta área. — A garota disparou com um sorriso, antes de franzir a testa. — Espere, você é um dos pacientes dele, certo?
Ela assentiu sem jeito.
— Então você deve ser Nohara-san?
Harumi assentiu mais uma vez.
— Oh! — ela piscou. — Espere! Eu lembro de você agora! — Ela bateu palmas — Você está com o time de Sasuke-kun e Naruto-kun! — Ino inclinou a cabeça para o lado. — Isso significa... você é o último morto, certo?
— Ah... sim, eu acho... — Harumi resmungou.
— Sasuke-kun também está aqui? — De repente a garota estava do outro lado do balcão. — Você por acaso não gosta dele, neh? Sim, porque me lembro bem, na Academia você nunca lhe deu nenhuma atenção ou presente. Sou bem observadora.
— Ehm... seu pai...
— Francamente! ela continuou, ignorando-a. — Eu não sou como as outras garotas, sou diferente, não acha? Sou a garota ideal para ser esposa de um grande shinobi. Eu tenho talento… não sou como a testa… vindo de família civil e sem talento...
— Eu não…
— Essas outras garotas? Como a testa? — continuou Ino — Ela realmente penses que Sasuke-kun vai reparar nela? Quero dizer, dá para ver que você não tem interesse, porque eu nunca me vestiria assim… — ela apontou para Harumi — Se quisesse conquistar o coração de Sasuke ou Naruto. Você não acha, Nokuso?
— É Nohara. No seu caso, haveria um conflito de interesse, já que você será futuramente líder do seu clã e Sasuke do dele. Seria complicado — ela murmurou. — Seu pai?
Ino arregalou os olhos, surpresa, somente para estreitá-los depois irritada.
— Sim, sim, tudo bem! Outra que não entende as coisas do coração. — Ino encolheu os ombros. — Pai! Você tem uma paciente ferrada! — ela gritou isso rudemente, antes de retornar ao seu posto atrás do balcão.
— Ino! Quantas vezes eu te disse...— Inoichi desceu, antes de erguer um sorriso constrangedor ao ver Harumi. — Oh, bem, então venha, Nohara-kun...
Harumi engoliu nervosamente enquanto subia as escadas, passando pelo balcão e por Ino.
O escritório era pequeno, mas de aparência convidativa. Havia uma mesa, duas cadeiras e um sofá em pé perto de uma janela. Havia muitos livros nas prateleiras perto das paredes, e alguns pergaminhos estavam espalhados em pilhas indisciplinadas.
— Sente-se onde quiser — indicou Inoichi, apontando para a sala. Harumi sentou-se na cadeira e apoiou as mãos nos joelhos. — Agora, não há necessidade de pensar que sou seu carrasco. — o homem se sentou na frente dela. — É apenas uma mera conversa. Eu vou lhe mostrar algumas fotos, está bem?
Harumi assentiu.
A primeira foto era de uma kunai. A segunda era de um Konoha shinobi; a terceira, de um Iwagakure shinobi; depois um Sunagakure, um Kumogakure e, finalmente, um Kirigakure. Então vieram os protetores de testa das pequenas aldeias, alguns realmente a intrigaram, porque ela nunca os viu antes.
Inoichi mostrou a imagem de um cadáver, e Harumi ficou verde quando ela levou a mão à boca. O desconhecido tinha os olhos arregalados e a pele pálida.
— Então… — a imagem desapareceu às pressas. — Como foi sua última missão?
— Ah... infernal? Quero dizer, eu tiver duas missões seguidas uma da outra. A primeira foi mais calma, até os sequestradores aparecer, já a segunda, fomos o time de apoio. Foi m eio infernal.
— Por que foi infernal? — Inoichi perguntou, com sua voz era suave e seu tom calmo.
— Er… porque o cliente mentiu sobre os riscos reais da missão. Ele disse ser C, mas acabou sendo B… E tivemos que auxiliar o time 5, incapaz de lidar com a situação.
— O procedimento é recusar, porque prosseguiram com a missão?
— O time 5 acharam capaz de lidar, e no fina, o sensei deles ficou ferido e os genins…. era… incapazes.
— Uhm! — Inoichi ficou pensativo. — Você acredita que eles estavam errados?
Harumi acenou. — Sim! Quero dizer… Eles deveriam ter retornado à aldeia, repassar as novas informações para o Hokage. Ele poderia atribuir a missão para ninjas mais experientes.
— Mas, pelos relatórios vocês se saíram bem… mais do que bem — Inochi disse, deixando entender que ele sabia sobre a fortuna conquistada para Konoha e os planos de envolver-se na guerra civil de Kiri.
Harumi fechou os olhos, antes de fazer uma careta. — Você sabe, havia muitas variáveis envolvidas. Tudo poderia ter dado errado. Qualquer um poderia ter morrido. Os únicos experientes eram Kakashi-sensei, ANBU e Souja-sensei, mas este último estava ferido.
— Por isso matou? Porque sua vida estava em risco?
— Eu matei primeiro na missão da fronteira. Duas crianças foram sequestradas por Shinobi Iwa. Lutamos contra eles… ele interviu… — Harumi murmurou. — Ele foi abatido, porém, ia atacar Kurenai-san, acabei intervindo para proteger.
Inochi acenou. — Você sentiu o dever de protegê-la?
Harumi desviou o olhar e encarou algumas pinturas na parede. — Eu estou bem! Não me sinto culpada ou com remorso… o cara era traidor e assassino. Não se importaria de matar um inocente. Quero dizer… Kakashi-sensei conversou comigo...
— E teve mais duas mortes no País da onda? Como você se sentir?
— H-horrível — ela disse. — Eu não queria matar, mas se a vida lhe dá limões, faça uma limonada.
— Você teria feito diferente? Talvez prender Gatou ao invés de matá-lo?
— Eu... eu não sei. — ela concordou. — Talvez ainda teria? Ele fez tanto mal, e se apenas o deixamos ir, ele poderia fazer mal em outro lugar ou ainda ali… e o outro ninja, ele era desertor de Konoha… roubou relíquia do Ninadame. Ele ia ferir Aiko… Ela nao podia lidar com isso.
— A culpa por isso?
— Aiko sempre encarou a vida shinobi como uma fantasia. É culpa do sensei dela por não desistir da missão quando soube que o cliente mentiu. Olha… eu sei que essa é a vida de ninja. Queria matar? Não! Mas não vou morrer ou deixar meus camaradas perecerem, se eu puder evitar. — disse Harumi com pesar na voz.
— O que você quer dizer?
— Eu... minha mãe morreu em uma missão... — Sua voz falhou levemente. — Quando eu era pequena, me disseram que foi para proteger seus companheiros e a missão… mas eu li relatório. Eu não deveria, eu sei. — Harumi arregalou os olhos. — Acredito que eu não deveria estar dizendo isso… — ela balbuciou. — Minha mãe, ela não morreu simplesmente para proteger seus companheiros… ela morreu porque o capitão do esquadrão foi lento um segundo para agir… porque ele cogitou que o inimigo já estava inconsciente, mas não estava. Minha mãe se sacrificou por ele...
— Você pensa que ela deveria deixar o companheiro dela morrer?
— Não! Minha mãe não poderia conviver consigo mesmo sabendo que alguém morreu quando ela poderia ter evitado. — Harumi disse. Era algo que não poderia falar com seu pai, isso seria difícil para Raiden. Já foi difícil para o homem superar a perda da esposa. — Mas… é injusto!
— Respire fundo agora, Harumi-san. Está tudo bem — disse Inoichi — Vamos agora, respire profundamente.
Harumi respirou, apertando os joelhos com mais força.
— Agora… — observou Inoichi. — Você contou a seu pai sobre sua primeira morte?
— Não! — ela respondeu imediatamente. — Quero dizer, minha avó… ela sabe… eu contei-lhe.
— Uzumaki Yumi? Mas porque não seu pai?
— Sim, mas... eu… eu tenho medo de que ele pense que não posso lidar com a vida shinobi… porque eu estava em perigo...
— Você tem medo que ele te obrigue a deixar de ser ninja?
— Sim! — Harumi murmurou. — Eu fiz… eu queria… queria estar em um time normal, sabe… como esses ninjas que nunca precisaram matar...
— Por que você escolheu se tornar um shinobi, Harumi-kun? — Inoichi perguntou, sua voz leve.
Harumi fechou os olhos. — Eu... talvez eu queria … seguir os passos dos meus pais. Eu sou adotada, deve ter isso na minha ficha… Raiden e Hikaru me aceitaram quando mais ninguém faria. Eu queria… fazer algo que me deixasse mais perto deles.
— Mas eles lhe obrigaram? Aposto que Raiden jamais lhe pediria isso.
Harumi acenou. — Não, ele não fez, até foi contra no começo, mas minha avó me apoiou.
— Entendo! — murmurou Inoichi. — Diga-me, você já teve pesadelos?
— Não! — ela balançou a cabeça. — Eu estou... eu estou bem.
Isso preocupou Inoichi, mas ele permaneceu quieto. — Muito bem! — O homem sorriu. — Eu não julgo que exista algo com que se preocupar. Se você sentir necessidade de conversar, venha a qualquer hora do dia.
— O-obrigada.
— Vamos nos ver novamente no próximo mês. Não pule, ou eu vou procurá-la.
— Ah, sim.
Inoichi acompanhou a garota e a viu sair com sua equipe. Suspirando, ele voltou para dentro.
— Então, ela é outra caso de parafuso solto? — Ino perguntou. Ele amava sua filha, todavia às vezes ela tinha o mesmo tato e graça de um rinoceronte.
— Eu não discuto os casos dos pacientes com você, Ino.
— Vamos pai! — disse ela, com olhos suplicantes, — Se ela é uma maluca, isso não tem preço! A garota no time do meu Sasuke-kun é louca… devo promover um abaixo assinado para retirá-la do time.
— Ino, quando você vai crescer? — Inoichi suspirou.
— Eu apenas… — Ino fez beicinho — A propósito, posso ir agora? O preguiçoso e o gordo provavelmente já estão no campo de treinamento.
Inoichi resmungou, antes de assentir.
—oÕo-
Naruto e Sasuke seguiram sem pressa para o campo de treinamento. A dupla se vestiam casualmente, ao invés dos uniformes padrão que adotavam. Quando chegaram ao campo, perceberam que Harumi ainda não chegou.
Os dois colocaram-se a fazer alongamento, e depois uma leve luta de aquecimento. Com certeza estavam mais descansados, já que, depois de um mês, puderam dormir no conforto das suas camas. Eles somente pararam quando viram a garota se aproximando.
— Bom dia! — Harumi disse enquanto acenava.
— Bom dia Haru-chan. Dormiu bem? — Naruto perguntou curioso quando ele e Sasuke se aproximaram da garota.
— Sim! — exclamou Harumi.
Sasuke inclinou a cabeça. — Pensei disse que não acordaria cedo, mas está mea hora adiantada
— Eu sei… mas não consegui ficar mais tempo na cama. — Harumi disse ao encolher os ombros. — E fui ver Inoichi-dono!
— Tudo correu bem? Devo matar alguém? — perguntou Sasuke em tom sério, que chegou assustar Harumi.
— Está tudo bem. Foi bem tranquilo. Ele disse que não sou uma louca assassina e tem me tornei insano ou algo do tipo.
— Muito bem, Haru-chan. Temos que dar o nosso melhor, afinal, somos o melhor time de genins. — Naruto disse, dando pulos animados.
Sasuke concordou com um aceno.
Harumi se sentiu aliviada por eles concordarem. Ficou com medo de ter feito algo muito audacioso.
— Será que Kakashi-sensei vai nos inscrever? No exame? — Harumi perguntou.
Naruto acenou com veemência. — Com certeza! Ele gosta de fazer mistério para nos atormentar, mas com certeza seremos inscritos. Vamos ser incríveis.
Sasuke sorriu confiante.
— Espero estar pronta até lá — Harumi disse — O que querem treinar? — perguntou, enquanto entregava aos meninos o pão que havia comprado para eles, recebendo agradecimento.
— Vamos lutar na água — Sasuke disse — Temos que melhorar o nosso condicionamento em lutar como time e em terrenos variados. Vamos começar com a água, depois em árvores e até em montanhas — sugeriu.
— Lutamos um contra o outro? — Harumi perguntou confusa.
— Eu vou criar clones e lutaremos nós três juntos contra um batalhão de clones. — Naruto disse, orgulhoso por sua ideia. Ele e Sasuke haviam conversado no caminho de casa para o campo sobre a tática mais proveitosa de treinamento.
— Parece bom! — Harumi concordou.
O trio seguiu para o rio mais próximo. Eles se colocaram em frente à água. Eles haviam praticado desta mesma forma quando ainda estava em Nami no Kuni, contudo, em duplas.
Realizaram os selos manuais, concentrando um chakra constantes na sola de seus pés, e subiram no rio. Harumi estava mais confiante agora, neste tipo de exercício.
— Kage Bunshin no Jutsu! — Naruto criou um pequeno batalhão de doze clones, e todos se colocaram em posição de combate.
Sasuke ativou seu Sharingan. Ele vinha praticando para prolongar o seu uso, já que o doujutsu consumia chakra para manter ativo. Sasuke preferia testar seus limites enquanto treinava do que em campo de batalha.
Harumi sacou duas kunai e afastou as pernas. Ela sentia-se nervosa.
Os quatro clones das sombras de Naruto atacaram em taijutsu, enquanto os demais ficavam em posição. O clone esquerdo avançou com uma varredura de perna reversa, que Sasuke se esquivou pulando. Antes que ele pudesse retaliar, o clone da direita mergulhou para Harumi, enquanto ela ainda estava em rotação, e travou em suas mãos.
Os golpes foram sincronizados. Os três genins conseguiram lentamente combinar os seus ataques. Enquanto deixavam um espaço entre si para não se trombarem, eles trocavam de posição para ataque duplo ou triplo contra os clones.
Naruto foi o primeiro a usar ninjutsu, testando o jutsu de fuuton que aprendeu. Shuriken de vento cortou a água verticalmente de uma maneira rápida e devastadora. Ele eliminou os clones, somente para surgirem o dobro no lugar.
Não querendo perder mais kunais para o fundo do rio, Harumi sacou sua espada — retirando-a do selo no pulso — e a usou com belos movimentos.
Sasuke amaldiçoou quando se distraiu brevemente, e teve o ombro cortado por uma kunai do clone de Naruto. Ele realmente queria aprender a usar aquela arma agora. Parecia hipnotizante o seu uso em batalha.
Naruto correu em direção ao trio de clones e jogou sete kunai. Os clones desviaram das armas carregadas de chakra de vento, no entanto, não puderam desviar quando Harumi surgiu de trás dele e cortou as sombras laranja no meio.
Os três tomaram posição de V, com Harumi no meio e os garotos a ladeando. Sasuke segurava duas fuuma shuriken, enquanto Naruto formou chicotes de ar em suas duas mãos e Harumi erguia — em perfeita pose — a espada.
O pelotão de clones gritou em sinal de guerra e correram para os genins, que se moveram em perfeita harmonia, lutando cada um em seu estilo e ajudando uns ao outros.
A pequena batalha sobre as refrescantes águas do rio durou não mais que quarenta minutos, mas certamente foi bem desgastante. Quando todos os clones foram eliminados, o trio deixaram a superfície da água e caíram sentados ou deitados nas margens.
— Sinto uma dor de cabeça se aproximando — Naruto gemeu.
— Eu penso que você criou mais de 50 clones… quando os desfaz, voltam muito rápido… deve ser cansativo — Harumi disse. — Mas quanto mais usar, mais seu corpo vai se adaptar.
Sasuke concordou.
— Isso foi tão legal… — Naruto disse, jogando-se deitado no chão. — Vamos descansar por dez minutos e fazer de novo. Vamos melhorar bem rápido nosso trabalho em equipe, assim.
Harumi sorriu.
— Você acabará melhorando mais rápido que nós dois… devido aos clones. — Sasuke disse com leve pesar.
— Não pode criar clones? — Harumi perguntou. — Eu suponho que no seu nível de chakra poderia criar pelo menos um… ao nível de treinamento.
Sasuke a encarou.
— Papai disse ser perigoso… que até chuunin não conseguem criar. Pode causar exaustão de chakra — Naruto disse, sentando e encarando os dois companheiros. — Julgo que Sasuke poderia criar um com facilidade, desde que seja apenas para usar no treino.
Harumi olhou para cima, encarando o céu azul deslumbrante. — Se usar o clone e sharingan, poderá acompanhar o desenvolvimento de Naruto-kun.
— E você? — Sasuke perguntou.
— Eu? Já estou treinando com Gai-sensei… — ela disse com cuidado. — Vou retornar às aulas de Kenjutsu e minha Obachan disse que estou pronta para aprender o nível 3 de Fuuinjutsu, mais que isso não consigo administrar.
Naruto concordou.
— Neste ritmo, estaremos mais que prontos para os Exames chuunin. Vamos chutar a bunda de todos ‘dattebayo.
—oÕo-
Haku olhou para os homens e mulheres presentes na grande sala. Líderes dos mais poderosos clãs de Konoha. O adolescente não pode deixar de sentir-se apreensivo. Ele tentou manter-se firme ao lado do seu mestre, mas sentia o suor escorrer em suas costas.
O Quarto Hokage fora incrível ao relatar todos os feitos do time 7 na Terra das Ondas e informar sobre a fortuna conquistada do magnata Gatou. Houve certa comoção quando ele explicou sobre a ideia de montar um posto de comando em Nami no Kuni, criar parceria de proteção e ganhos sobre pedágio, além da participação no golpe em Kirigakure.
Houve muitas vozes exaltadas e até perguntas inquietantes, entretanto os dois conselheiros do Hokage, Sandaime e as contribuições de Kakashi serviram para aprimorar o plano e eleger seus frutos futuros para crescimento de Konoha.
Zabuza mudou de novo, chamando a atenção de Haku. Sem dúvida, ele sentiu falta da espada, e a inquietação só deixou Haku mais tenso.
Haku concentrou-se na reunião novamente, e seu pulso acelerou quando a mulher idosa de olhos fechados levantou as preocupações de Konoha enfiar o nariz onde não devia. Haku temia que Kiri fosse deixado afundar sob o peso dos seus cadáveres.
Zabuza se conteve de gritar quando suas chances de ser Mizukage foram questionadas. Haku não sabia quão boas eram as chances de Zabuza, mas ele garantiria o sucesso apesar disso.
— Vamos precisar de um embaixador para esclarecer as coisas — disse o homem enfaixado, os olhos à deriva na sala — Alguém para fornecer correspondência, para podermos saber quem apoia como Mizukage, quando atacar, etc. Tenho alguns agentes em mente; eles têm uma extensa em experiência com Kiri.
O homem barbudo, o Comandante jounin, franziu o cenho. — Kakashi, você tem um bom controle da situação, não é? E você é conhecido o suficiente para legitimar os interesses de Konoha.
— Suponho não haver como evitar...
— Excelente — disse o Yondaime — Então Kakashi transmitirá as minhas mensagens para os líderes dos rebeldes.
O homem enfaixado franziu a testa. — Kakashi atualmente não está ensinando uma equipe de genin? Como eles se encaixam nas responsabilidades dele?
— Verdade! Talvez enquanto Kakashi estiver fora como embaixador, outro instrutor possa liderar seus genins — disse Hiashi, em uma frente unida a Minato, para evitar que Danzou interferisse em envolvesse nesta empreitada. Tanto Hiashi e Fugaku estavam cientes que o Yondaime queria evitar que a raposa velha colocasse suas mãos gananciosas onde não deveria.
— Meus alunos provaram ser ninjas capazes — Kakashi disse confiante — Eles ficarão tristes por não poderem ir para o encontro.
— Muito bem! — disse o homem enfaixado. — Eu me ofereço para treiná-los. Esses jovens de hoje em dia estão muito protegidos.
Fugaku queria rosnar, mas manteve a expressão neutra. — Eu tenho outra sugestão — disse elegantemente.
— Você, com certeza, não teria tempo, afinal, já é conselheiro e chefe de polícia, e ainda líder do clã — Inuzuka Tsume disse. Ela estava sempre disposta a enfrentar os rabos presos do Uchiha. Era realmente divertido atormentar Hyuuga e Uchiha.
— Não! Pensei em sugerir algo diferente. Morino Ibiki. Ele é um jounin que ainda não teve time. Seria interessante supervisionar os genins para aprenderem corretamente sobre interrogatório e coleta de informaçõe. — disse Fugaku. Ele havia combinado com Minato esta sugestão, caso fosse necessário enviar Kakashi como embaixador e Shimura Danzou mostrasse interesse em colocar suas garras no esquadrão sete.
— Morino-san é um homem ocupado, não é recomendado que tome conta de três crianças — Yamanaka Inoshi disse, com leve tom irritado.
— Eu acho seria uma boa ideia — Kakashi disse em tom indiferente. — Apesar de Ibiki-san ser um homem ocupado, ele seria grato por ter mais três mãos de trabalho. Além, disso, ele tem subordinados que podem ajudá-lo.
Fugaku estreitou os olhos friamente para Kakashi, considerando o que aquele estranho homem estava pensando.
— Eu gostei da ideia — disse Sandaime. — Quando eles se tornarem chuunin, terão de lidar com captura e até interrogatório.
— Você já vem realizando a troca de experiência? Acredito que Nohara esteja treinando com Gai e seu aprendiz — disse Minato — Se der certo, poderemos observar a inclusão da parceria futuramente — explicou.
— Então, está decidido — Sandaime disse com cuidado. Aquela reunião realmente estava sendo divertida.
Uchiha Fugaku queria protestar, pois, temia que o ensinamento do seu filho fosse negligenciado. Ele teve que engolir seu orgulho nesta situação, por sorte, era temporário.
— Quanto tempo Kakashi deverá ficar fora? — perguntou uma idosa.
— Não devemos demorar mais que duas semanas — disse Zabuza, pela primeira vez.
— Kakashi, enviarei o ANBU Corvo contigo. Quero que cuidem igualmente do contrato com Tazuna, referente ao posto de segurança e sobre o pedágio da ponte — disse Minato — Isso será de grande valia quando precisamos enviar os comboios com armamento.
— Sim, Hokage-sama!
— Algum outro assunto a ser tratado? Se não, essa reunião está finalizada.
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