A garota Winchester

1 A sexta escola


Notas iniciais
Espero que gostem, me desculpem qualquer erro e não deixem de comentar!

- boa aula, crianças. — Dean riu ao estacionar o carro em frente a nossa sexta escola em dois meses, ele tinha se livrado daquele inferno fazia dois anos, mas eu ainda tinha um ano inteiro pela frente. — comportem-se.

Sai do carro seguida por Sam, ele tava com a mesma cara de sempre, como se estivesse com uma eterna dor de barriga.

- ah, vamos Sammy, anime-se! Vai ser legal!- falei tentando anima-lo.

- é Sam, será que é tão difícil entenderem isso?- Sam entrou na escola, ele andava muito mal humorado ultimamente, provavelmente porque papai vinha pegando no seu pé porque o vira lendo um livro sobre faculdades, e, na nossa família, isso é muito errado.

...

-senhores, está é Carrie Winchester!-a professora me fez ficar em pé lá na frente para que eu me apresentasse-Carrie, tem algo a dizer?

- é Cassie!

-ham?

- meu nome é Cassie, não Carrie. — falei e arranquei risadinhas da turma.

-ah, certo. — a professora apontou para a única carteira vazia da sala. — sente-se ali.

Andei até a carteira sentindo os olhares em mim, me sentei e tentei ignorar os cochichos de três garotas sentadas mais atras.

A aula era matemática, a pior criatura sobrenatural que poderia existir. Vampiros? Lobisomens? Metamorfos? Tudo isso se tornava brincadeira de criança perto da matemática.

Tirei um caderno da mochila e um lápis, a professora explicava sobre alguma coisa que realmente não importava, mas para disfarçar, abri o caderno e fiquei rabiscando.

- desenho bonito. — um garoto sentado atras de mim disse, ele olhava meu caderno por cima do meu ombro. — Carrie.

Virei-me para vê-lo melhor e me deparei com dois olhos azuis que me deixaram tonta, voltei a olhar pra frente.

- é Cassie. — falei arrancando a folha do caderno e a amassando.

- tanto faz. — ele se calou por um momento. — que cicatriz medonha é essa?

Ele falava de uma cicatriz que eu tenho na nuca, feito por um vampiro que me jogou em um carro estacionado na rua, o vidro do carro quebrou e me causou aquilo, a cicatriz normalmente ficava escondida pelo cabelo, mas ele estava preso em um coque aquela manhã.

- minha casa foi assaltada e um dos bandidos passou a faca na minha nuca, pra assustar minha família. — inventei.

- sei. — ele não acreditou. — é melhor soltar o cabelo, se alguém vir você já terá muitas histórias na hora do almoço. É serio, eles vão dizer que você tentou se matar, ou que se droga, ou se prostitui, ou...

- certo, entendi. — o fiz parar de falar. — mas você já viu aposto que vai esperar eu sair da sala para contar pros seus amiguinhos.

- eu nunca contaria.

- ah é? E por quê?

Senti sua mão no meu cabelo, ele puxou o elástico e soltou meu cabelo.

- porque sei como é ser humilhado por uma coisa idiota, e eu não desejaria isso a ninguém.

Ele jogou o elástico em cima da minha carteira.

Esperei a aula acabar e ele se levantar pra falar com ele, o segui para fora da sala.

- de onde eu venho às pessoas dizem o nome. — falei.

- Sou Christian Owens. — Christian parou em frente a um armário e o abriu. — é melhor se afastar, se te virem comigo vai ficar marcada.

Ah, então ele era a ovelha negra da escola, todas tinham um, pessoas marcadas por algo que fizeram no passado, pessoas com fama de maus, injustiçados na maioria das vezes.

- acho que já estou àquelas garotas devem estar falando de mim. — apontei discretamente cinco garotas encostadas no armário mais a frente, três delas eram as mesmas da aula de matemática, a cinco eram lideres de torcida.

- se você usasse óculos ou tivesse o cabelo feio, elas nem ligariam pra você, mas você é bonita, elas veem seu castelo ameaçado. — Christian revirou os olhos.- tenho aula agora, tchau.

Ele fechou o armário com força e saiu andando, as garotas riram alto quando ele passou por elas, o segui.

- porque você é careca?- perguntei.

Christian não era realmente careca, mas tinha o cabelo bem curto, bem curto mesmo.

- porque você é loira?- ele perguntou no mesmo tom que eu perguntara.

- Meu cabelo não é loiro, ele ta mais pra castanho claro.

-certo. — ele sorriu debochado-tchau, e não se esqueça de manter o cabelo solto.

Christian entrou na sala de inglês, eu tinha biologia agora, felizmente a sala ficava no mesmo corredor, entrei e procurei uma cadeira no fundo, assim eu passaria despercebida.

Obviamente isso não deu certo.

-hey, garota!

O garoto que me chamou vestia a jaqueta do time da escola, ele estava sentado perto de mim, dois outros garotos do time e uma líder de torcida estavam perto também.

Os ignorei.

- hey, garota!

- o que é?- os olhei brava.

Foi a líder de torcida quem falou.

- você namora com o Christian bizarro? Ele beija bem?

- vai se ferrar. -voltei a olhar pra frente, o professor ainda não chegara.

A garota se levantou e andou até a minha carteira.

- vocês fazem? Ele aponta a arma dele pra você?

- me deixa em paz!- peguei minha mochila e me levantei, sentaria lá na frente. — sai da frente, garota.

Ela continuou parada, me impedindo a passagem.

Foi nessa hora que o professor entrou na sala, a garota olhou pra mim maldosamente e simplesmente soltou um grito agudo e se jogou no chão.

-Samantha, o que houve?- o professor se aproximou de nós.

Samantha colocou a mão na bochecha.

- a novata me bateu! Eu vim dizer que ela era bem-vinda e ela simplesmente me bateu.

Abri a boca, sem reação.

- mentira!- consegui dizer.

- garota, qual é o seu nome?- o professor perguntou.

- Cassie Winchester.

- venha comigo.

O professor me arrastou pra fora da sala, e me levou pra diretoria, ótimo.

Ele levou um minuto para dizer a diretora que eu batera em uma garota sem motivo algum, não me deixaram nem falar antes de me darem detenção.

...

- você levou detenção no primeiro dia de aula?- Sam me olhou descrente quando eu lhe contei no intervalo.

- não foi minha culpa!- falei. — diga para Dean vir me buscar as cinco, ta?

- ta bom.

Avistei Christian saindo do refeitório.

- até logo!- baguncei o cabelo dele e sai do refeitório.

Christian estava sentado em uma das escadas que levava ao segundo andar.

-porque não come lá dentro?- perguntei enquanto o via desembalar um lanche.- no refeitório.

- eu nunca como lá dentro. — ele deu de ombros. — você bateu na Samantha Jones?

- meu Deus, essa história já se espalhou!- me sentei ao seu lado. — eu não bati nela não, a garota se jogou no chão e fingiu que eu bati nela.

- foi expulsa?

- detenção. — mordi a maçã que eu pegara no refeitório.

- eu não acho que você devesse ficar perto de mim, sério.

- porque você é tão odiado?

Christian mordeu o lanche que desembalara, mastigou em silêncio por um tempo.

- é uma longa história.

-temos tempo.

Mas o sinal bateu assim que eu terminei de falar, sem me esperar, Christian correu escada a cima.

...

Lá estava eu, as cinco horas da tarde, esperando Dean chegar, o céu estava escuro e eu não duvidava que logo começaria a chover.

- anda, Dean!- chutei um dos degraus da escada que levava a escola.

Finalmente eu vi o Impala virar a rua, estava começando a chover, Dean estacionou o carro e eu corri pra dentro, eu não tinha a saúde muito boa, e uma chuvinha era capaz de me deixar de cama.

-demorou. — reclamei.

- Sammy disse que você levou detenção porque bateu em uma garota. — ele riu.

- eu não bati nela. -bufei- mas devia ter feito.

- calma ai, irmãzinha, você sabe que um tapa seu pode arrancar alguns dentes da garota.

Sorri orgulhosa de mim mesma.