A força do amor
1 Capitulo 1 : Volta as aulas
Depois das férias entediantes que passei, hoje é o dia de voltar pra escola, pra falar a verdade, eu já não aguentava mais ficar em casa. Meus amigos, os três únicos que tenho, viajaram para outro estado e não deram nenhum sinal de vida.
Levanto da cama e vou para o banheiro, tento abrir a porta mas o Tonni esta no banheiro.
— Anda Antonni, não posso chegar atrasada, sai dai logo. — Grito enquanto bato na porta. O Antonni é 2 anos mais velho do que eu, ele é filho do meu padrasto Josh, a mãe do Tonni morreu na sala de parto e ele se sente culpado por isso. Quando tinha 1 ano, eles vinheram morar aqui. O meu pai, abandonou a minha mãe quando ele estava com 5 meses de gravidez e nunca mais nos procurou. O Tonni, sempre me tratou como irmã e eu tento ao máximo retribuir todo o carinho. O Josh sempre foi a única figura paterna que tive e eu não peço nenhum outro, ele nunca nos deixou faltar nada e faz a minha mãe muito feliz. Meus pais sempre falam a verdade, vez ou outra eles nos lembra sobre o passado. Eu não trocaria essa família por nenhuma outra.
— Pronto chata, pode entrar... — Disse ele me olhando na porta. Adentrei no banheiro, fiz minha rotina matinal, fui para o quarto e vesti a roupa que havia separado. Me troquei e desci as escadas, vejo a minha mãe na cozinha tomando seu café da manhã.
— Bom dia filha. — Disse ela sorrindo.
— Bom dia mãe. — Sorri e te dei um beijo na testa.
— Seu café esta pronto, come logo que o Josh vai deixar você na escola e o Tonni também. — Falou ela entre seu gole de café.
— Não se preocupa mãe. — Falou o Tonni descendo as escadas. — Eu levo ela pra escola e aproveito pra ficar logo no treino. — ah, esqueci de mencionar que ele joga no time da escola ainda.
— Tudo bem, mas dirija com cuidado.
Ele deu um beijo na testa da mamãe e pegou o meu café, a mamãe só fez rir e eu o olhei.
— Poxa, o que custava você pegar uma xicara pra você? — Falei olhando brava pra ele e ele apertou minha bochecha. Deu seu ultimo gole de café e subiu.
— Traz minha mochila Tonni... — Gritei.
O Tonni volta com minha mochila e pega a chave em cima da bancada.
— Tenha cuidado Tonni, cuide da sua irmã. — Fala o papai descendo as escadas.
— Pai... Eu sei me cuidar, não preciso de baba. — Falei te olhando.
— Tudo bem filha, mesmo assim, fica de olho nela. — Sorrimos e ele me da um beijo na testa.
Sai com o Tonni, entramos no carro e saímos. A escola não fica longe da nossa casa, é mais ou menos uns quinze minutos de carro. O Tonni tem uma mania de sempre que entra no carro liga o som.
— Posso escolher o CD dessa vez?
— Claro, coloca ai...
Pego o CD e coloco Eminem. Ele me olha sério sem entender bem.
— COMO ASSIM MINHA IRMANZINHA CURTI RAP? VOLTA O FILME QUE EU ME PERDI. — Ele me olha boquiaberto.
— Ah, para de coisa, sempre curti rap, você que acha que eu sou uma menininha indefesa.
— Que evolução princesinha. — Ele gargalha.
— Ei, para... — Bato no braço dele.
Ele sorriu e começamos a cantar feito dois idiotas e depois caímos na gargalhada.
— Você ainda tem tido aqueles sonhos? — Pergunta ele.
— Tonni, eu não quero falar sobre isso, pelo menos não agora.
— Eu entendo. — Ele me olha. — Saiba que estou aqui pra tudo.
— Obrigada. — Fico em silencia ate chegar na porta da escola.
— Pronto, chegamos. — Fala ele parando o carro.
— Não me esqueça ta, eu vou embora contigo.
— Sim senhora.
Desço do carro e bato a porta. Ele sorri e faz um sinal tosco com a mãe e me mando um beijo. Sorrio e viro. Ando ate entrar na escola. — Nossa, quantas pessoas novas. — Penso. Avisto meus amigos e vou em direção a eles.
— Olha quem chegou... — Fala o Will. O Will é um dos melhores amigos que já tive. Ele me abraça e sorri. Retribui ao mesmo sorrindo.
— Oi... — Falo sorrindo. O Jack e a Charlotte me abraçaram de uma vez só. — Quanto amor pela minha pessoa... — Falo sorrindo.
— Como foi as férias sem a minha pessoa? — Charlotte perguntou. Ela é daquelas pessoas que sempre levantam o seu astral, mas é bem inconveniente. Te olho como se quisesse voar no pescoço dela.
— Calma, não precisa ficar assim, eu já estou de volta.
— Voltou mais convencida que o normal também. — Todos rimos. — Quais as novidades? — Pergunto curiosa.
— Ah, eu tenho. — Falou a Char, te olho assustada. — Fiz uma tatuagem.
— Serio? Onde? — E ela começa a abrir o zíper do seu vestido.
— Aqui nas costas. — Era uma mão de Hamsã.
— Pensei que rolaria nudes aqui. — Fala o Jack e todos rimos.
— Ela é linda, agora fecha esse vestido.
Conversamos mais um pouco e o sinal toca. Fomos para a sala e sentei na bancada, me surpreendi pelo Will não ter sentado do meu lado. Procurei ele pela sala toda, ate que vejo ele com a Karolaine, olhei para traz e a Char estava senta com o Jack. Ate que senta um garoto esquisito ao meu lado.
— Oi, sou a Carie.
— Oi. — Ele foi seco e frio.
— Nossa, só quis ser educada. — Ele me olhou e vi algo diferente no seu olhar. Olhei pra baixo e vi uma sombra estranha no seu braço, antes que eu falasse algo, ele baixou a manga da camisa e não falou mais nada.
As aulas passaram voando, me despeço da galera e vou procurar o Tonni. Por obra do céu, ele já estava me esperando. Me aproximo do carro e vejo ele beijando uma garota, chego perto e dou uma batidinha no vidro do carro. Ele me olhou como se quisesse me matar e eu dou um sorriso. A garota desce do carro e me olha.
— Desculpas, não gosto de ser estraga prazer. — Caio na gargalhada. Entro no carro e o Tonni está me olhando.
— Pow maninho, você não perdoa nem o primeiro dia de aula. — Gargalhei.
— Você é muito estraga prazer Carie, poderia ter me ligado. — Fala ele ligando o carro e saindo.
— Você estava muito ocupado para atender o celular.
— Foi engraçado. — Falo rindo.
— Foi nada. — Ele fala se segurando.
— Ah, foi sim! — Te olho e te cutuco.
— Ta, foi só um pouquinho. — Caímos na gargalhada.
Chegamos em casa, desço do carro e entro. Vejo o papai na cozinha e vou até ele.
— Oi filha. — ele me olha e sorri. — Cade o Tonni?
— Oi pai. — te dou um beijo. — Ele esta colocando o car...
— To aqui pai. — entra ele me interrompendo.
— Ta ai. — aponto na sua direção.
— Como foi hoje? — pergunta ele. Eu olho para o Tonni e ele fica me olhando com um olhar do tipo “se você contar, eu te mato”, eu abaixo a minha cabeça e dou uma gargalhada baixa.
— O que aconteceu? — o papai me olha.
— Não sei. — dou de ombros e vou ate a geladeira. — pergunta ao Tonni. — falo enquanto pego um copo de suco e dou um gole. O pai me olha, dou de ombros e sorrio, ele olha pro Tonni.
— Ah pai, não foi nada, ela está inventando. — Ele me olha com raiva.
— Eu não disse nada. — Coloco o copo em cima da bancada, pego minha mochila e corro pro meu quarto. Entro no quarto e jogo a mochila na cadeira e vou tomar um banho, visto um vestido e deito na cama. Coloco os fones e deixo tocando Flashlight, fico ouvindo e pouco mais adormeço.
— Que lugar estranho... Ei, você, oi, sou Carie...
— Oi, o que você está fazendo aqui? Você não deveria esta aqui.
— Eu te conheço, esse cabelo azulado não é estranho.
— Isso é um sonho, acorda, logo, Carie, acorda...
— Acorda Carie... — Sinto alguém batendo no meu rosto e me sacolejando, era minha mãe, acordo assustada. — Eu estou indo ate a agencia, estão precisando de mim, o Josh já saiu pro escritório e o seu irmão saiu com os amigos, tem comida feita. Te amo filha, se cuida... — Sinto um beijo na minha testa e sorrio.
— Também te amo mãe.
Destravo o meu celular e vejo que falaram comigo, não abri a conversa e voltei a dormir.
— Porque vim parar novamente aqui? — avisto um garoto e vou ate ele. — Oi, eu te conheço ne?
— Sim, você me conheço, mas você esta sonhando, você esta sendo puxada pra esse sonho e eu estou aqui pra te proteger, agora acorda e não fica sozinha.
Triiiiim... Ouço o celular chamando e vibrando, tinha varias chamadas perdidas e era a minha mae.
— Filha, esta tudo bem? — ela fala com um tom preocupado.
— Esta sim mãe, eu estou bem. Mas por que ligou?
— Nada filha... — e ela desliga.
Olho pro celular e fico pensando o porque disso esta acontecendo. Levanto da cama e vou ate o banheiro, passo agua no rosto e escovo os dentes, estico a mão pra pegar a toalha e vejo um desenho estranho no meu pulso, volto a mão assustada e a sombra desaparece, corro pro quarto, pego meu celular e ligo pro Tonni.
— Atende Tonni. — Falo nervosa.
— Alo? — Ele atende.
— Tonni. — Falo nervosa.
— Carie? O que aconteceu?
— Tonni, vem pra casa, me tira daqui, vem logo, mas não me deixa aqui sozinha.
— Tá, fica calma, eu já estou chegando.
Ele desliga, calço uma rasteira e desço pra sala, sento no sofá e fico olhando pra porta. Levanto, vou na cozinha, tomo um copo de água e escuto o carro chegar. — Graças a Deus... — Falei aliviada. Corro pra sala e vejo o Tonni entrando, vou em sua direção, te abraço e começo a chorar.
— Calma, o que houve? — Fala ele preocupado.
— Eu sonhei de novo com aquelas coisas Tonni. — Continuo a te abraçar.
— Calma, senta aqui. — ele me leva até o sofá. — me explica como foi.
— Eu estava em um lugar estranho, tinha um garoto lá também, ele dizia que tinha uma coisa me puxando para aquele sonho e que não era pra eu ficar sozinha. Eu tenho a impressão de que eu conheço ele de algum lugar, não sei...
— Como ele era, você lembra?
— Ele tinha um cabelo com mechas azuladas, era branco, alto...
— Carie... — Fala ele assustado.
— Oi?
— Esse garoto, ele não é aquele que esta estudando com você?
— Claro, eu sabia que já tinha visto ele, mas porque eu? Porque ele? — Fico pensando e o Tonni vai pra cozinha.
— Quer alguma coisa? — fala ele lá da cozinha.
— Não, obrigada.
A mamãe entra junto com o papai, me da um beijo e vai pra cozinha.
— O que vocês querem jantar? — pergunta o papai.
— Qualquer coisa. — respondo.
Levanto do sofá e vou pro quarto, deito na cama e fico mexendo no celular, entro no face e vejo uma solicitação de amizade, abro e vejo a foto.
— Não acredito. — falo assustada, corro ate a escada e vou ate a porta da cozinha.
— Tonni, corre aqui no quarto. — a mamãe e o papai ficam olhando.
— Ta, estou indo.
Corro pro quarto e fico andando de um lado pro outro e o Tonni entra.
— O que houve? — fala ele
— Olha quem me enviou uma solicitação de amizade... — te entrego o celular.
— Bernardo Blasse? — ele olha o celular e me olha. — é ele?
— Sim, é ele. — te olho.
— Fica calma Carie, tudo vai ter uma explicação. Agora vamos que o papai já deve ter terminado o jantar.
Desço com ele e não falo mais nada a noite toda, ajudo com a louça e subo, tomo um banho e me visto pra dormir, fico mexendo nas minhas redes sociais pelo computador e depois vou pra cama, fico olhando algumas mensagens no celular e alguém bate na porta.
— Pode entrar. — falo enquanto me ajeito pra sentar na cama.
— Oi? — era o papai. — Tá tudo bem? — ele senta na cama.
— Ta sim. — Sorrio. — Cadê a mamãe?
— Ela esta no escritório olhando um portfólio de um fotografo.
— Ah sim e o Tonni?
— Ele esta no quarto, quer que eu chame ele? — Ele pergunta sorrindo.
— Não, ele deve esta fazendo alguma coisa, não precisa. — Falo sorrindo.
— Então ta, vim só da boa noite. — ele me da um beijo na testa e levanta.
— Boa noite pai. — falo te olhando, ele sorri e fecha a porta.
Me deito e fico lembrando do sonho de mais cedo, ate que adormeço... Acordo em um lugar escuro, com nevoas e uma pessoa sentada me olhando.
— Não acredito que esta acontecendo de novo...
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