A floresta

1 Primeira luz


Notas iniciais
Para aqueles que esperavam suspense ou terror, planejei fazer o uso dos dois gêneros nos próximos capítulos. Não queria fazer algo cheio de terror e suspense logo de cara.

"Um..dois...três...quatro...cinco."

"Um..dois...três...quatro...cinco."

Essa vai para o meu abrigo de madeira. Talvez mais uma e seja o suficiente.

O sol incomodava um pouco. Uma luz forte batia na minha cara, fazendo com que o simples ato de se olhar para cima se tornasse um grande esforço. A bola de fogo ardente atrapalhava, porém, era realmente bonito. Ver aquelas árvores enormes, onde pequenos feixes de luz passavam e vinha direto para o meu rosto me faziam até relaxar um pouco, por um breve momento, até lembrar novamente de tudo que aconteceu.

Fui até a árvore que estava alguns passos de distância da que acabei de derrubar e recomecei.

"Um..dois...três...quatro...cinco."

"Um..dois...três...quatro...cinco."

Novamente, aquele barulho de árvore caindo. Pensei que se alguém estivesse lá com certeza iria escutar. Não tinha como não ouvir.

Encostei as duas mãos no tronco, já caído, e comecei a fazê-lo rolar. Tive sorte de encontrar duas árvores pequenas, ao menos em relação as outras, sendo assim, levar a madeira até onde queria não seria um grande desafio.

Havia escolhido um bom lugar para esperar. Tinha um grande mar em frente, e era de lá que eu esperava ajuda. Em volta, não tinha muita coisa além de areia e algumas rochas. Atrás estava a floresta, onde havia acabado de sair. Onde todo esse pesadelo começou.

Depois de duas viagens até a floresta, que era a uns 15 metros de distância da praia, peguei as duas madeiras que havia derrubado e comecei a montar o abrigo. Comecei a colocar as pedras primeiro, que seriam usadas para fixar os gravetos. Coloquei 3 pedras de cada lado, que ficaram cerca de 3 pequenos passos de distância. Em seguida, comecei a por os gravetos que havia pego mais cedo, sendo 12 ao todo. Finquei 6 deles na terra, que ficaram em dentro do pequeno circulo, que mais tarde deixei colado nos gravetos, de cada lado. Por fim, só faltava a madeira. Comecei cortando-as em partes menores. Ao todo, os dois troncos renderam seis pedaços menores, servindo exatamente para completar o meu abrigo. Coloquei os pedaços cortados de madeiras em uma diagonal. Ainda estava com receio de quando fosse me deitar, aquilo poderia desabar sobre minha cabeça. Pensei um pouco sobre isso e decidi procurar algumas plantas que servissem para firmar os troncos. Assim amarraria todos eles, diminuindo as chances de um acidente.

O resto do dia foi cansativo. O que fiz foi praticamente só ficar pegando madeira e caçando coelhos. Além de conseguir encontrar as plantas certas para amarrar as madeiras de minha casa. Consegui também achar algumas frutas, as quais guardei em minha mochila para mais tarde comer.

Montei uma fogueira com alguns poucos gravetos que achei no caminho, coloquei algumas folhas secas e acendi com o meu esqueiro. A noite estava bem perto, e com ela, o frio e a fome. Aproveitando a fogueira, coloquei mais dois gravetos em pé, dessa vez, ambos com a ponta em forma de "V" ao lado, e com um outro em mãos, dessa vez , completamente reto, perfurei o coelho, fazendo-o chegar até a metade do graveto. Coloquei o coelho para assar, após ter tirado toda a pele dele.

A janta foi o suficiente para encher meus estômago, afinal era só o que havia comido por 2 dias seguidos, então, era coelho ou nada. Após a refeição me vejo deitado dentro da minha nova "casa" pronto para dormir. O sono veio quase que instantaneamente, como se alguém estivesse com pressa de me mostrar algo.

– Filho, vamos, segure em minha mão, o avião já chegou.

Peguei nossas malas e fomos em direção ao avião. Não demorou muito e lá estávamos, eu e meu filho sentados um do lado do outro, eu no lado esquerdo, com vista da janela, e meu filho á direita, segurando meu braço. Ele provavelmente estava com medo, sendo aquela a sua primeira viajem.

O avião estava cheio. Pegamos um voo com praticamente só jogadores de tênis. Todos esses jogadores estavam indo para um campeonato, que aparentemente ficava no mesmo destino para onde meu filho e eu estávamos indo.

Acordei com um barulho vindo das árvores. Ainda não sabia distinguir se aquilo era real ou não, se ainda estava sonhando. Levantei devagar e com cuidado para não bater a cabeça. Em seguida, já me vi em direção à floresta para checar o que foi aquilo. Poderia ser alguém por perto, minha salvação, talvez.

Fui me aproximando de pouco em pouco, passo a passo, cheio de esperança e receio ao mesmo tempo. Finalmente entrei na floresta, o que era bem simples devido a distância. Pensando bem, a palavra "entrar" não seria correta nessa ocasião, pois não estava exatamente dentro. Um pé estava para fora e outro quase dentro. Eu realmente gostaria de entrar, mas algo dizia que era melhor não. Pensei por um breve momento se devia ou não seguir em frente, mas como estava em uma ilha a qual aparentava ser deserta, não havia muitas coisas a se fazer. Segui em frente.

O barulho predominante naquela momento era do canto dos pássaros. Simplesmente maravilhoso. Me distrai por alguns segundos, mas logo voltei ao meu objetivo principal. Olhei para os lados, nada. Olhei para frente, nada. Tentei até forçar um pouco a vista para encontrar algo, mas não obtive sucesso. Cheguei a ficar parado um pouco, e até prender a respiração para tentar ouvir o mínimo dos barulhos. Nada de diferente, silêncio total. Comecei a refletir sobre o barulho que tinha ouvido poucos segundos atrás. Poderia ser um coelho, o que seria excelente. Mas, coelhos não fazem árvores chacoalharem, fazem? Finalmente resolvi gritar. Caso alguém ouvisse, certamente me responderia, viria em minha direção. Só que, o que pessoas estariam fazendo em uma ilha como essa? Talvez fossem pesquisadores, ou aventureiros com programas na TV que ficam gravando suas experiências de sobrevivência.

– Têm alguém ai!? — Não gritei tão alto assim, pois cogitei a ideia de que o barulho poderia ter sido causado por algum predador.

Se não fosse pelo canto dos pássaros, o silêncio seria absoluto.

– Têm alguém ai!? — Resolvi ignorar a probabilidade de animais maiores por perto e gritei com todas as forças que tinha.

O resultado foi o mesmo.

Assustei os pássaros com o me último berro, pois consegui ouvir o bater de suas asas.

Fiquei um pouco decepcionado por não ter sido uma pessoa o causador do barulho. Pelo menos sabia que era um animal. Talvez se houver um ser humano nessa ilha junto comigo, com certeza ouviu o meu berro.

Virei de costas e voltei para a praia, para onde estava a minha "casa". No mesmo instante lembrei de checar a armadilha que tinha feito, se encontrasse algum coelho lá dentro, meu ânimo voltaria ao normal.

Ouvi um zumbindo vindo, levei minhas mãos ao lado dos meus ouvidos e comecei a abanar para espantar o mosquito. Fiz isso algumas vezes, só que o mosquito não queria sair.

O barulho foi ficando cada vez mais alto. Percebi que não era um mosquito, parei de andar para olhar ao redor. Virei de costas e não vi nada, não nos lados, não na frente. Havia uma coisa sim, mas no céu, e aquilo não era o sol e nem as nuvens. O que era eu não sabia. A única coisa que sabia era que estava vindo em minha direção, e nem um pouco devagar. Um Avião. Ao longo dos segundos que iam se passando rapidamente consegui dizer o que era aquilo vindo em minha direção. Senti um sorriso se abrindo no meu rosto, mas logo sumiu. O avião estava caindo, e o pior de tudo, em minha direção. Simplesmente fiquei imóvel, sem saber o que fazer. Não havia o que fazer. A cada segundo que passava, a imagem se aproximava. Faltava pouco para o impacto. Finalmente retomei a mim mesmo, e ao mais rápido impulso comecei a correr em direção a praia, o mais rápido possível. Cheguei na praia, continuei correndo. Enquanto corria, deixava a marca de meus pés na areia. Olhei para trás, o avião continuava vindo. Cheguei ao lado da fogueira que havia construído e parei. Não estava muito longe, mas a poucos metros de mim.

Um clarão me fez fechar os olhos. Não era do sol, com certeza. Só fechei os olhos e protegi meu rosto com as mãos, esperando pelo pior.

Acordei gritando. Me levantei tão rapidamente que bati a cabeça na madeira de minha "casa". Coloquei a mão em minha testa, respirei fundo para tentar me acalmar do pesadelo que acabara de ter. Até ignorei a dor que estava sentindo.

Pensei sobre o pesadelo, sobre a luz. Será que foi um aviso? Um sinal? Só sabia que seria difícil de esquecer aquela primeira luz, a do avião caindo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.