A flor e a espada
1 Capítulo 1
A noite havia sido barulhenta lá fora, Bulma ouvira os soldados reais se movimentando, espadas chocando-se e cortando o ar . Ela entendia os perigos daquele tempo de guerra. Tudo era muito instável e tudo que ela mais sonhava era com dia que tudo voltasse à normalidade.
Saiu de seu quarto já ciente de suas obrigações de princesa, e nessa manhã ela sabia que encontraria seu preceptor para instruí-la na arte de caligrafia. Eram tantos detalhes e passos a seguir que só de pensar ela revirava os olhos. Se ainda fossem as aulas de politica, ela até relevaria, mas aproveitou do descuido de uma de suas acompanhantes e escapou pela porta lateral do palácio sem deixar vestígios, cumprimentou alguns nobres que encontrou no caminho, mas tratou de seguir por um de seus caminhos secretos que davam numa velha cabana no meio da floresta.
Os passos ligeiros em meio ao mato molhado demonstravam grande conhecimento do caminho, sua rota de fuga para dias chatos e burocráticos como aquele.
Bem no meio do caminho reparou algo de estranho, um cheiro metálico e diferente do amadeirado costumeiro lhe chamou atenção. Diminuiu a velocidade, o olhar mais atento, algumas manchas vermelhas no caminho a deixaram mais alerta ainda, mas ao invés de tomar a decisão mais sensata de retornar ao palácio, decidiu avançar e descobrir o deixara aquele rastro vermelho para trás.
Não demorou muito e ela encontrou o dono do rastro de sangue, recostado contra o tronco de uma árvore seguia um homem caído.
Sua armadura samurai manchada de carmesim, parte dela parecia ter sido golpeada por algumas lâminas bem afiadas revelando assim um grande ferimento na parte da costela. O peitoral subia e descia numa respiração pesada.
O rosto exposto era severo e de traços fortes, mas havia ali também o cansaço das batalhas, e certamente havia ali também dor.
Bulma olhava de longe, analisava ritmo de sua respiração e estudava se deveria ou não se aproximar. E dominada por sua curiosidade, se aproximou, ajoelhando-se ao lado da figura misteriosa. Percebeu que o homem suava e afastou uma mecha escura de cabelo que caia na face dele.
O corpo permaneceu imóvel, mas não parecia alguém prestes a morrer, analisou ela, sua respiração era estável, parecia febril, talvez por conta do ferimento.
Seus pensamentos estavam acelerados, ela poderia simplesmente retornar a sua vida de deixar que o destino seguisse seu curso. Mas só de pensar assim seu coração acelerava. Olhou para sua frente e notou que estavam a poucos metros de seu esconderijo secreto, ou sua cabana abandonada. Tentou arrastá-lo, mas o homem era pesado demais para que ela conseguisse se mover, ainda mais por conta do chão acidentado pelas raízes expostas.
Nessa tentativa de movimentação, o rapaz abriu os olhos e grunhiu algo que ela não pode entender de primeira.
-O que disse?- ela perguntou aproximando bem o seu rosto do homem fragilizado.
-Não me toque...— grunhiu ele.
— Não posso te ajudar sem te encostar. Mas se prefere morrer aqui por mim, tudo bem.
A garota levantou-se e saiu de perto dele, alisando as vestes amassadas pela tentativa de movimentação do rapaz. Mas, antes que ela retomasse sua caminhada, ele gemeu chamando a atenção da garota, ele tentou se pôr de pé. Ela não poderia deixá-lo cair e se aproximar dele o apoiando.
— Se você deixar de ser teimoso por uns minutinhos eu poderei ajudá-lo muito mais.
Vegeta não teve opção de recusar, pois a garota o segurou firme sem intenção de soltar. Ele mal conseguia firmar os passos e tentava disfarçar a dor que sentia, mas a jovem percebia quando davam passos demais e o corpo dele se contraía, ela diminuia o passo até quase parar para que ele pudesse se recompor.
Poucos metros a frente ela avistou seu lugar favorito, o rapaz mal aguentou entrar e praticamente caiu sobre o piso de madeira dominado pela dor respirando de forma ofegante. Bulma ajudou a se posicionar de forma mais confortável sobre o futon que ela roubara do palacio há muito tempo atrás.
O rapaz seguiu praticamente desacordado. Bulma então pegou num dos cantos do abrigo um balde de metal e seguiu até o rio que corria próximo ao lugar e retornou com ele cheio de água. No centro da cabana havia um pequeno irori, uma antiga lareira de chão,após reunir alguns gravetos ela acendeu o fogo que aqueceria a barraca, mas também serviu para aquecer a água.
O samurai permaneceu imóvel durante todo o tempo, até que ela o tocasse, afastou retirou a armadura dele com cuidado e abriu o kimono sujo de sangue revelando ali o grande ferimento, um corte a lâmina de espada profundo, mas ao que parecia não atingira a orgãos vitais. Bulma preparou um unguento com algumas ervas medicinais e começou a limpar o ferimento. Nesse momento o homem se revirou e com um grito gutural revelou que aquilo doía demais. Ela tentou ser mais cuidadosa, mas era impossível deixar aquele ferimento aberto.
- Não me toque, quer me matar?- ele reagiu a segurando pelo pulso.
- Estou cuidando de você, se não limparmos essa ferida irá infeccionar. -Explicou sem rodeios.
Ela então parou ali por uns instantes e levantou-se abruptamente o deixando confuso. Ela movia-se ali com tranquilidade, ele percebera, mas pelas vestes da garota aquela ali não poderia ser sua residência pois vestia-se e portava-se como nobre. Ela preparou uma infusão e serviu a ele numa xícara de cerâmica delicada.
- O que é isso?- ele perguntou antes de beber.
-É um chá anestésico, vai diminuir sua dor.
Ele apenas aceitou, bebeu fazendo careta, pois aquilo tinha um sabor azedo e amargo ao mesmo tempo. Logo ele sentiu algo estranho, um sono lhe dominava e parecia prestes a desmaiar a qualquer momento.
-Você me deu veneno?-Ele perguntou com a voz ficando grogue.
-É um anestésico...eu disse.- ela deu de ombros esperando ele finalmente apagar para que ela começasse os procedimentos,
Assim que s olhos dele se fecharam a respiração ficou mais lenta e controlada. Bulma se aproximou novamente e colocou sobre um pano limpo uma agulha e fio de ceda, limpou mais meticulosamente a ferida e deu pontos na pele. Passou uma espécie de pasta de ervas na ferida e cobriu com tecido limpo. Era o que ela podia fazer por hora. Deixou uma tigelinha com mingau de arroz para quando ele acordasse e decidiu que era hora de voltar ao palacio antes que seus pais se preocupassem.
Antes de deixar o local, ela olhou novamente para o homem caído, sem nome e sem história e pensou por um breve momento que aquela era a maior loucura que estava fazendo. Fechou a cabana e saiu de forma discreta escondendo as mãos do frio por dentro do kimono, mal sabia ela que homem que salvara tinha planos terríveis contra o seu povo.
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