A flor do inverno
25 Obsessão e Raiva
Notas iniciais
O bosque parecia pequeno diante dos dois arcanjos que se encaravam de forma hostil, por longos segundos os dois ficaram em silêncio, como se tentassem ler a mente um do outro, mas Duel não estava disposto a prolongar aquele encontro, queria continuar sua busca por Rey e Zero estava interferindo em seus planos:
Duel: Rebelde traidor, saia do meu caminho! — gritou
Zero: Saia você do mundo dos mortais, este não é o seu lugar!
Duel: Quem você pensa que é para me dizer o que fazer? — debochou — você é um traidor, não ouse pensar que pode me desafiar!
Zero: O traidor aqui é você — fitou com seriedade o rival — a trindade celeste sabe quais as suas atividades no mundo mortal?
Duel: Não se meta com os meus problemas, deles cuido eu!
Zero: Ela não é a Edna e você sabe disso!
Duel se enfureceu ao ouvir o nome de Edna, sacou sua espada sagrada Eclipse e apontou para o pescoço de Zero que se manteve imóvel:
Duel: Eu vou matar você, coisa que eu já deveria ter feito á muito tempo!
Zero: Vá em frente, nossa luta não passará despercebida — o dourado de seus olhos se intensificou- você também está sentindo a presença de outro celeste
Duel exitou por um instante, ele queria acabar com Zero, mas sabia que ele estava certo, uma luta chamaria a atenção de todos e isso colocaria um fim em sua busca por Rey:
Duel: Isso não termina aqui, vou buscar o que me pertence e nem você, nem ninguém poderá me impedir!
Duel alçou voo com tanta ferocidade que as folhas das árvores ao seu redor se agitaram, Zero o observou por alguns instantes se certificando de que ele realmente não iria voltar, quando teve certeza caminhou bosque adentro em direção a presença celeste que sentia por perto, não demorou para encontrar Lourenço:
Lourenço: Zero, então uma das presenças que senti era você, o que faz aqui?
Zero: Fui avisado das atividades de Duel eu tive que interferir, isso tem que acabar
Lourenço: Ele está com Rey?
Zero: Não — sorriu — ela fugiu dele
Lourenço: Vou encontrá-la, sabemos como ajuda-la, mas para onde pode ter ido?
Zero: Ela correu floresta a dentro em direção ao norte — encarou Lourenço com seriedade — por favor encontre-a, eu fiz o que pude para tentar acabar de vez com isso, mas agora está tudo em suas mãos
Lourenço: Se tudo sair como o planejado isso acaba esta noite, obrigada por sua ajuda meu amigo
Lourenço partiu depressa e seguiu para o norte da floresta, já imaginando onde Rey poderia ter ido e claro que Lin tinha a ver com isso aquela era a direção do palácio, mas se Lin estava envolvida com certeza estaria em apuros, ele não sabia como e nem se a fuga de Rey havia dado certo e de repente o anjo se viu preocupado, era noite e com tudo o que estava acontecendo já imaginava o pior, uma mulher vendendo verduras à essa hora? Claro que não, nem mesmo apaixonado Frederick acreditaria nisso.
Temendo o pior Lourenço voou o mais depressa que conseguiu e só parou quando avistou o palácio do lorde, ele diminuiu o ritmo parando o mais próximo que conseguiu da propriedade sem ser visto, em cima do galho de um carvalho ele acompanhou por alguns segundos o movimento dos guardas.
Guardando a entrada haviam oito deles e aparentemente tudo parecia normal, d ez guardas protegiam os fundos e por lá tudo também parecia normal, porém o movimento nas laterais do palácio foi o que lhe chamara a atenção, embaixo da sacada do quarto do lorde estavam Trevor e Heldren fiéis guardas de madame Nora, mas por que estariam ali? Afinal por que proteger a janela do lorde com tanto zelo?
Lourenço não teve dúvidas, Lin com certeza tinha alguma coisa a ver com isso, mas ele não conseguia imaginar o que, porém não poderia descartar o pior, afinal sua amiga poderia ter sido descoberta e estar sob cárcere apenas esperando por sua volta para serem desmascarados, definitivamente ele precisava entrar naquele quarto sem ser visto e também precisava encontrar Rey então pensou por alguns instantes e sua alternativa mais fácil seria usar de seus dons sobrenaturais.
O anjo esperou que os guardas da vigília passassem e desceu voando se deixando ser visto por Heldren e Trevor que o olharam boquiabertos, os guardas ficaram sem reação e antes que eles pudessem atacá-lo ou fazer alarde sobre sua presença Lourenço usou seu dom e ordenou que se esquecessem do que estavam vendo. Sem ter que se preocupar com os guardas Lourenço deu duas batidas no vidro da janela do quarto.
Lin e Rey se olharam desconfiadas, mas a curiosidade de Lin, como sempre, falou mais alto, ela fez sinal para que Rey mantivesse a calma e devagar abriu as longas cortinas da janela dando de cara com Lourenço, mesmo surpresa Lin não perdeu tempo e abriu a janela permitindo que ele entrasse fechando a em seguida para não serem pegos.
Lourenço não perdeu tempo e quis saber o que estava acontecendo no palácio, Lin explicou tudo e assim puderam manter as mentiras contadas por ela para Frederick, Rey por outro lado se sentia ansiosa e mal podia esperar para que sua maldição fosse quebrada:
Lourenço: Agora que sei o que está acontecendo posso entrar pela porta da frente — sorriu — mas você poderia ter inventado outra desculpa, namorada?
Lin: Na hora me pareceu uma boa ideia e ele acreditou, você só precisa de um nome, vamos você é criativo — sorriu
Lourenço: Lin você me coloca em cada situação — respirou fundo — como se chama a ajudante de costureira do atelier da Lire?
Lin: O nome dela é Helena — sorriu
Lourenço: Bom agora que encontramos uma namorada para mim, eu já volto
O anjo saiu pela janela e Rey sentia como se seu coração fosse sair pela boca, aqueles poucos minutos pareceram uma eternidade para a jovem, mas assim que ouviu as batidas na porta pulou de alegria.
Lourenço entrou pela porta da frente como havia dito e sustentou a mentira de Lin para o lorde e Nora que o questionaram assim que ele chegou, quando tudo foi esclarecido ele foi até o quarto do lorde e abriu a porta do quarto sorrindo.
Os olhos de Rey se encheram de lágrimas quando vira o anjo, se não fosse pela situação clandestina a qual se encontrava com certeza teria chorado, mas precisava se segurar ao menos até sair dali.
Lin se despediu de Rey desejando toda a sorte do mundo e depois voltou para o quarto do lorde e este estava à sua espera, assim que o viu Lin sentiu um leve desconforto, não gostava muito da presença dele no quarto, mas aquele era o quarto dele afinal:
Frederick: Quem diria que Lourenço daria certo com Helena, eu sempre achei que ela gostasse do capitão Soelder
Lin respirou fundo e contou até dez antes de dizer qualquer coisa, temia ser pega e qualquer deslize seu poderia colocar tudo a perder:
Lin: Na verdade eu não havia percebido também, mas fomos tantas vezes aquele atelier e mesmo assim não foi o suficiente, tive que pedir que uma costureira viesse em casa
Frederick: Nora me fez muitas perguntas e queria que eu deixasse você nas mãos dela — disse sério
Lin: Isso por que ela desconfia de mim o tempo todo, sinceramente eu não entendo essa mulher — torceu os lábios — acho que ela tem ciúmes de mim com você
Frederick: Nora? — gargalhou — não, a questão é que ela está comigo desde que meus pais morreram, sei que ela pega muito no seu pé, mas ela é desconfiada de tudo e todos
Lin: E que mal é esse que ela acha que posso fazer contra você? Olhe para mim, mesmo que eu quisesse eu não sou nada e você é um lorde cercado de proteção e riquezas
Frederick: Nora sempre foi assim, ela tem os métodos dela eu nunca interferi, na verdade eu acho que ela se tornou essa mulher por causa de mim.
Lin: Como assim?
Frederick: Bem você percebeu, eu quase não fico aqui, raramente me sento a mesa e acho que a minha vida toda sempre foi assim, ela não fez outra coisa que não cuidar de mim, ela poderia ter tido uma vida, família, mas não, ela ficou aqui
Lin: Essa foi a escolha que ela fez, não tem a ver com você, tem a ver com ela, mas talvez ela nunca tenha te dito nada.
Após as palavras de Lin Frederick ficou em silêncio, pensativo, ele fitou o vazio por alguns instantes como se tentasse encaixar as peças, será que poderia mesmo existir algum tipo de sentimento de Nora por ele que não fosse fraternal?
Arredores do comércio de Canaban
Lupus avistou Dio e correu para encontrar logo o amigo, Dio estava sentado próximo a fonte central do comércio, o demônio estava inconsolável, sua busca havia sido em vão e ele já não conseguia mais procurar, estava exausto emocionalmente e incapaz de continuar, aquilo o machucava demais:
Lupus: Dio eu trouxe boas notícias
Dio: Diga que a trouxe de volta para mim — a melancolia era visível em seu tom de voz
Lupus: Não, mas eu trarei, por isso estou aqui, preciso que me empreste seu crucifixo e o anel que está em seu dedo
Dio o encarou incrédulo, Lupus mais do que qualquer um sabia o significado daquele crucifixo:
Dio: Você sabe que eu não posso entregá-lo para você
Lupus: Por favor, sem ele não dará certo, tem que confiar em mim e esperar só mais um pouco
Dio: Eu preciso ter certeza, diga que não é uma brincadeira
Lupus: Eu juro por nossa amizade que trarei ela de volta pra você, mas preciso que tenha paciência e espere só mais um pouco
Dio retirou o crucifixo e um anel que usava e os entregou para o amigo, Lupus colocou o anel na corrente e os colocou no pescoço voando dali o mais rápido que conseguiu.
O demônio foi em direção a floresta antiga, ele tinha pressa em encontrar Monick, Rey e Lourenço para colocar um fim na dor de seu amigo, mas enquanto voava se deu conta de que estava usando em seu pescoço uma arma contra sua própria raça e era intrigante para ele como ela não o enfraquecia.
Madrugada — Floresta antiga
Duel desceu do céu lentamente, ele já havia voado por todos os cantos da floresta, mas não encontrou o que estava procurando, impaciente o arcanjo começou a gritar numa clareira no centro da floresta:
Duel: Apareça eu sei que está escondida nessa floresta imunda!
Como não obteve nenhuma resposta o arcanjo perdeu a paciência de vez e usando sua espada sagrada derrubou algumas árvores, ele esperou alguns instantes e como não viu nenhuma reação começou a destruir a floresta usando seus poderes, mais árvores caíram e muitas flores foram destruídas até que alguém interveio:
Duel: Finalmente, então é você a tal bruxa da barganha?
Monick: O que está fazendo arcanjo, ficou louco? — disse incrédula
Duel: É verdade que você é a única maldita desta terra que dizem ser capaz de desfazer maldições?
Monick: O que o traz aqui?
Duel: Diga-me bruxa, você pode desfazer maldições? — gritou
Monick: Sim, eu posso!
Duel: Era tudo que eu precisava ouvir!
As asas do arcanjo se abriram e a uma luz azul o envolveu, ele levantou sua espada eclipse e num único golpe lançou uma rajada de energia que varreu todas as árvores em seu caminho, Monick levou uma das mãos a boca horrorizada com o que viu e antes que pudesse proferir qualquer palavra Duel mais uma vez levantou a espada pronto para lançar outro ataque a floresta, mas Monick reagiu.
A bruxa abriu os braços e usando sua magia conjurou um escudo em volta das árvores, flores e toda a vida existente naquela floresta, Duel gargalhou ao perceber o que Monick estava fazendo:
Duel: Que tocante, você prefere proteger esse monte de folhas á sua própria vida? — ele se aproximou da bruxa e a segurou pelo pescoço o apertando
Monick: Prometi a Gaia que usaria meus dons para ajudar aqueles que necessitam e é isso que farei! — disse com dificuldade
Duel: Gaia está morta, uma tola que deu a vida para a terra e para que?
Monick: Gaia está viva, olhe ao seu redor ela é a própria vida!
O arcanjo arremessou a bruxa contra o tronco de uma árvore, a força do impacto fez com que ela sentisse muita dor em suas costelas e antes que pudesse se levantar Monick fora puxada com violência pelo braço, Duel a fez se levantar a força e novamente a arremessou, mas dessa vez contra uma enorme pedra.
O impacto dessa vez foi maior e atingira em cheio a cabeça e todo lado esquerdo de seu corpo, Monick viu sangue escorrer por seu braço e sentiu o sabor ferroso do sangue em sua boca, a bruxa tentou se levantar, mas seu pé esquerdo doía muito e ela não conseguia mexe-lo pois estava quebrado.
Monick estava bem machucada, mas não estava disposta a se render, com muita dificuldade a bruxa se colocou de pé e tentou atacar Duel com sua magia, mas o arcanjo conseguiu se defender com facilidade de seus ataques:
Duel: Não seja ridícula, acha mesmo que tem poder para me enfrentar? Talvez essa luta fosse mais interessante se você não estivesse usando praticamente toda a sua magia para defender essa floresta imunda
Monick: Você nunca matará essa floresta — disse com dificuldade
Duel sabia que Monick estava determinada a proteger a floresta então passou a atacá-la novamente e viu seus ataques serem defendidos pelo escudo criado por ela, a bruxa tinha sua magia drenada a cada ataque do arcanjo, o escudo que envolvia a floresta sugava diretamente sua magia, como se fossem um só e Duel sabia disso.
O arcanjo continuou a atacar a floresta sem cessar para enfraquecer cada vez mais a bruxa que estava debilitada por seus esforços e ferimentos.
Monick sentia cada fibra de seu corpo doer, estava exausta e quase não conseguia se manter de pé, ela apoiava na pedra em que fora arremessada, a bruxa tentava se manter de pé e acordada a todo custo, não iria desistir tão facilmente de proteger a floresta e isso tirou a paciência de Duel.
O arcanjo lançou um olhar ameaçador para a bruxa e decidiu terminar com tudo aquilo, ele apontou sua espada para ela correu em sua direção, Monick fechou os olhos acreditando que aquele era o fim, mas antes que fosse atingida por seu rival ela ouviu o som de lâminas se chocando.
Duas espadas gêmeas de lâminas negras envoltas por uma aura escarlate pararam a eclipse, quando abriu os olhos Monick viu Lupus entre ela e Duel, o demônio empunhava suas espadas em X protegendo — a do ataque direto do arcanjo e salvando sua vida.
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