A flor do inverno

21 A busca por nada


Notas iniciais
— Olá, me perdoem pela imensa demora, mas andei muito ocupada gente, infelizmente não posso dedicar meu tempo 100% ao mundos das fanfics, mas estou fazendo meu melhor para postar aqui sempre s2 — Espero que gostem e desculpem qualquer erro de portguês

Monick andava de um lado á outro de seu covil com vários frascos nas mãos, a bruxa sussurrava palavras mágicas em frente ao seu caldeirão enquanto colocava alguns dos ingredientes em mãos, a cada palavra citada o fogo em torno do caldeirão se tornava mais forte e o líquido dentro dele mais borbulhante.

A bruxa estava focada no que estava fazendo, sua concentração era tanta que mal percebeu a presença de uma energia mágica dentro de seu covil, mas assim que o fez sorriu, pois sabia a quem pertencia tal poder, porém não pôde deixar de ficar surpresa pela visita:

Monick: O que o traz ao meu humilde lar mago Veigas?

O mago que estava á poucos metros de distância da bruxa tirou o capuz que cobria seu rosto e sorriu. Quem quer o visse diria que o mesmo não passa de criança, seus grandes olhos dourados somados á baixa estatura lhe conferiam uma aparência extremamente jovial, como se não possuísse mais que uns quinze anos:

Veigas: Olá Nick, como tem passado? — antes que a bruxa pudesse lhe responder ele completou — vejo que muito ocupada...

Monick: Só estou fazendo meu trabalho velho amigo — sorriu

Veigas: Esse seu trabalho está muito perigoso, quase consigo ver uma nova guerra celestial no horizonte — disse sério

Monick: Eu fiz uma promessa a deusa Gaia; usar meus dons para ajudar aqueles que necessitam, e é o que estou fazendo — se defendeu

Veigas: Sim — respirou fundo passando uma das mãos pelos cabelos arroxeados — não vim lhe repreender como em outras ocasiões, apesar dos riscos, entendo o que está fazendo, por isso estou te ajudando.

Monick: Me ajudando? — questionou surpresa

Veigas: Sim — sorriu — no caminho para cá, eu encontrei alguém perto do bosque que conhece essa história melhor do que nós e poderá lhe ajudar muito.

Monick: Você sempre diz que não vai se intrometer no que estou fazendo, mas sempre se intromete — sorriu

Veigas: E você sempre diz que não vai se meter em problemas, mas sempre se mete — piscou para a bruxa — de nada!

Não muito longe dali, Lupus e Lourenço caminhavam apressados, a conversa com Monick havia sido reveladora, mas os dois ainda precisavam resolver a situação de Rey:

Lourenço: Deve existir alguma coisa com ela que possa ser usada na poção.

Lupus: Talvez alguma peça de roupa?

Lourenço: Quem sabe, ou talvez alguma joia, ela não tem nenhuma?

Lupus parou por alguns instantes ao ouvir o anjo, ele levou uma das mãos a cabeça, como se tivesse deixado passar algo obvio:

Lupus: É exatamente isso meu amigo — exclamou deixando Lourenço confuso — vá até Rey, leve ela até Monick, tudo o que precisamos para a poção está com o Dio e vou buscá-lo!

Lourenço se surpreendeu com atitude repentina de Lupus, mas percebeu que o demônio tinha uma carta na manga, sem demora ele rumou em direção ao bosque, para a casa de Rey. Lupus seguiu para comércio, precisava por procurar por Dio, e este provavelmente ainda estaria nos arredores do comércio procurando por sua amada.

Inicio da noite — Bosque próximo a vila de Canaban

Duel andava de um lado á outro pensativo, vez ou outra encarava Rey, que apreensiva apenas acompanhava seus passos:

Rey: O que lhe trouxe aqui?

Duel: Você! — respirou profundamente antes de prosseguir — o motivo de me arriscar á vir entre esses malditos mortais é você!

Rey: Você me trouxe para cá, se esqueceu?

Duel: Eu lhe dei uma chance de recomeçar sua vida e você quer por tudo isso a perder? — disse sério ignorando as palavras da jovem.

Duel tentou se aproximar de Rey e lhe tocar o rosto, mas a jovem se afastou no mesmo instante e o encarou completamente desacreditada, as palavras do arcanjo soaram tão absurdas que ela deixou escapar uma risada nervosa e levou as mãos ao rosto tentando conter as lágrimas que insistiam em cair:

Rey: Como você ousa pronunciar tais palavras?

Duel: Acredite Rey eu só quero que tudo isso acabe.

Rey: Cale a boca! — gritou surpreendendo o arcanjo — saia da minha frente ou vou acabar perdendo o pouco da sanidade que me resta!

Duel: Você não entende, era pra você estar morta e eu não permiti — gritou — eu te mantive viva e é assim que você retribui?

Rey: Você tirou meu dom, a memória de todos os que me conheceram no santuário e tudo isso para esconder sua sujeira — apontou para o rosto do arcanjo — eu morri naquela noite e foi você quem me matou!

Duel: Não diga isso, eu lhe dei a oportunidade de viver uma nova vida, eu lhe privei do julgamento celestial!

Rey: Eu preferia ter sido julgada á passar por tudo que eu passei!

Duel: Se fiz o que fiz foi pensando em você, com o tempo pensei que você fosse se arrepender de seu erro...

Rey: Claro, e numa bela manhã de sol, você apareceria á minha porta e eu o acompanharia feliz da vida! — disse irônica- eu tenho nojo de você!

Duel: Por favor...

Rey: Saia da minha vida! — gritou

Duel: Me entenda Edna!

Rey: Não me chame assim nunca mais! — ao ter seu nome trocado por Duel sua raiva fora tão grande que ela lhe desferiu um tapa

Duel: Você não sabe o que está fazendo, não sabe do que eu sou capaz! — gritou enquanto levava uma das mãos a face ardida

Rey: Eu sei muito bem do que você é capaz e não estou disposta a continuar com essa discussão, se você não sai daqui, então saiu eu!

Transtornada Rey correu para fora de sua casa em direção ao bosque, ela não sabia se iria conseguir escapar de Duel, mas precisava tentar. A jovem pensou em buscar refúgio no comércio, mas já era noite e não haveria mais nenhum comerciante por ali, sem ter opções ela acabou optando por algo arriscado; ir até Lin.

Para tentar despistar Duel, Rey se entranhou ainda mais na mata e pegou a passagem dos comerciantes; uma trilha estreita e escondida que da para uma pequena caverna, onde eles guardam suas mercadorias e passam despercebidos por saqueadores. Rey ainda não sabia o que iria fazer para conseguir conversar com Lin, uma moça procurando por outra aquela hora da noite não seria vista com bom olhos, mas ela não via outra alternativa, precisava escapar de Duel e não tinha mais ninguém com quem contar.

Nas proximidades do bosque, Duel respirava fundo enquanto levava uma das mãos novamente a face ardida, estava inconformado com a reação de Rey, furioso por te-la deixado escapar, pois mesmo com a ajuda de seus poderes, encontra-la naquele bosque não seria tão fácil, principalmente na escuridão da noite.

Sem perder tempo o arcanjo abriu suas asas e começou sua busca, iria encontrar Rey nem que isso levasse a noite toda e muito provavelmente levaria.

Não muito longe dali, Rey corria tão depressa que mal via para onde estava indo, as arvores ao seu redor mais pareciam borrões verdes, por sorte sua inteligencia lhe ajudara, aquela mata era tão conhecia sua como a palma da mão, se não fosse por isso talvez já estivesse perdida ou nas mãos de Duel.

Assim que avistou a caverna Rey parou sua corrida e tomou fôlego, ela tirou um dos pequenos galhos que camuflavam a entrada e se certificou de que não não havia mais ninguém ali além dela, com cautela a jovem adentrou o local.
Uma pequena vela mantinha um pouco de luz na caverna que naquele momento, exceto pelas mercadorias, estava vazia. Rey analisou o estoque á sua frente até encontrar os produtos de uma alfaiataria.

Rey pegou alguns tecidos, linhas e agulhas, depois correu dali como se não houvesse o amanhã, não poderia desperdiçar mais tempo, mas fora inevitável para ela não se desconfortar com aquela situação, sentia vergonha por ter tido que roubar, mas para tentar se livrar daquela situação se viu obrigada.

Noite, palácio de Lorde Frederick — Canaban

Lin seguia apreensiva para a sala de jantar, o lorde á aguardava para a refeição, mas não era ele o motivo de sua preocupação e sim Lourenço. Ela não sabia onde o anjo estava, nem o que estava fazendo e temia ser questionada pelo lorde sobre seu paradeiro.

Tentando não demonstrar qualquer desconforto a jovem princesa cumprimentou o lorde e se sentou a mesa, por dentro, sua mente tentava criar mil desculpas para livrar a barra de seu amigo, por fora, sua língua não parava dentro da boca, falando sobre assuntos dos mais variados com Frederick, na esperança de distraí-lo:

Lin: Você não me disse quantas pessoas virão para o nosso noivado, estou curiosa — mentiu

Frederick: São vários nobres, alguns eu mal conheço — foi sincero — não se preocupe, todos eles irão gostar de você

Lin: Estou tão ansiosa para tudo isso, quero que tudo dê certo — forjou seu melhor sorriso

Frederick: Dará tudo certo.

O lorde mal terminara sua frase quando a porta da sala fora aberta por Nora, a governanta vinha apressada pedindo permissão para entrar, quatro guardas a acompanhavam e para variar, sua expressão era pouco amigável e isso foi suficiente para fazer com que Lin se desesperasse, pois já sabia o assunto que ela viria tratar:

Nora: Desculpe por perturba-lo meu lorde, mas foi necessário — encarou Lin pelo canto dos olhos friamente — demos por falta de um guarda!

Lin tentou parecer indiferente á notícia, mas sentiu o ar lhe faltar nos pulmões e por alguns instantes parou de respirar, suas mãos ficaram tremulas e ela quase derrubou o garfo que segurava:

Frederick: Qual guarda? — perguntou confuso

Nora: Lourenço, o guarda pessoal de sua noiva — arqueou a sobrancelha provocando Lin, como se lhe devolvesse o desaforo de horas atrás na biblioteca

Frederick: Tem certeza de que ele não está na propriedade? — disse sério

Nora: Absoluta, por isso estou aqui — sorriu — talvez sua noiva saiba onde o guarda dela possa estar

Todos os olhares se direcionaram a Lin que se endireitou na cadeira para adotar uma postura mais ereta, ela contou até dez em pensamento e coordenou sua respiração para não demonstrar desespero, quando conseguiu reunir mentiras para enfim se pronunciar, Trevor adentrou o recinto apressado e a atenção dos presentes fora direcionada á ele:

Trevor: Meu lorde, eu peço perdão pela intromissão — encarou Nora, lhe pedindo desculpas com o olhar — mas tem uma jovem no portão chamada Rey, ela disse que é costureira e que a senhorita Lin requisitou sua presença no palácio.

Por alguns instantes Frederick pareceu incrédulo, há poucos instantes jantava tranquilamente e agora sua sala de jantar mais parecia uma feira, de um lado Nora o encarava rígida, como se esperasse alguma medida extrema de sua parte, do outro havia Lin que mantinha uma expressão indecifrável no rosto.

Depois de analisar bem a situação e pensar um pouco, o lorde optou por uma abordagem mais branda, queria entender o que estava acontecendo ali e não seria com a força bruta, ao modo de Nora, que ele conseguiria respostas:

Frederick: Você pode me explicar isso Lin? — pediu gentilmente

Lin: Sim, desculpe-me por isso, mas eu precisava dos serviços dela — abriu um sorriso que desconcertou o lorde e enfureceu ainda mais Nora — vou imediatamente recebe-la, com licença.

Nora: Os guardas podem fazer isso — retrucou petulante

Lin: Eu faço questão — olhou para Frederick e o mesmo não lhe reprovou — não demoro.

Lin deu um longo suspirou ao deixar a sala, ela não fazia ideia do que estava acontecendo, nem o que Rey fazia ali aquela hora da noite alegando ser uma costureira, mas logo pensou em Lourenço, e se o anjo estivesse em apuros?
Mesmo não entendendo bem a situação a jovem se apressou em chegar até Rey e agradeceu mentalmente aos céus pelo milagre, precisava de mais tempo para escapar das garras de Nora e não poderia ter tido uma oportunidade melhor que essa.

Os guardas a escoltaram até os portões do palácio, Rey á aguardava do outro lado e trazia consigo alguns tecidos e outros materiais de costura. Lin deu a ordem para que abrissem os portões e foi de encontro a amiga:

Lin: O que faz aqui á essa hora, está tudo bem com você? Onde está Lourenço? — perguntou quase num sussurro enquanto cumprimentava Rey

Rey: Preciso de ajuda, por favor — suplicou

Lin: Entre depressa e por favor tente me ajudar lá dentro...

As duas caminharam depressa para dentro do palácio, Frederick recepcionou Rey, Nora também fez questão de cumprimenta-la, e claro, analisá-la; a governanta não acreditava em Lin e muito menos na aparição fora de hora da suposta costureira, então fez questão de interrogá-la:

Nora: Então você trabalha a noite também, senhorita? — encarou Rey e não escondeu sua desconfiança

Rey: Eu vim por que a senhorita Lin me pediu — mentiu

Nora: Que interessante, ela teve o dia todo para experimentar roupas e decidiu fazer isso na hora do jantar?

Lin: Isso é um problema para você Frederick? — se dirigiu ao lorde ignorando Nora

Frederick: Não, mas é curioso — fez uma breve pausa — você não respondeu, onde está Lourenço?

Lin: Eu pedi que ele fosse busca-la — mentiu

Frederick: Mas Rey está só, não está? — perguntou desconfiado

Lin: Ele não está com ela por que eu lhe dei algumas horas de folga — foi convicta em suas palavras — acho que ele encontrou o amor e eu não gostaria de priva-lo disso.

Lin correu na direção de Frederick e o abraçou, ela se aproveitou do sentimento do lorde por si para inebria-lo. O ato deixou á todos na sala atônicos, o lorde se surpreendeu com a atitude repentina de sua noiva, mas fora incapaz de negar-lhe o abraço, Nora por sua vez saiu da sala imediatamente.

Rey percebeu o que Lin fez e deu continuidade a farsa, fortalecendo ainda mais suas mentiras:

Rey: Eu só aceitei vir, por que a senhorita Lin me pareceu muito aflita, ela me disse que vai se casar, imagino como isso deve ser importante — sorriu

Lin: Sim, eu ainda tenho tanto a fazer — enfatizou — obrigada por vir

Rey: Não tem que me agradecer — sorriu — podemos tirar suas medidas?

Lin: Se importa se nos retirarmos?

Lin se dirigiu ao lorde com um sorriso e isso foi suficiente para ele aceitar seu pedido, convencer Frederick havia sido fácil, bastou faze-lo acreditar que aquilo era importante para ela e para o casamento, estava cego de amor pela jovem princesa e nem mesmo Nora poderia livra-lo daquela venda.

Por outro lado, a governanta não havia acreditado numa só palavra das duas garotas, ela seguiu para o jardim afim de inspecionar os guardas, mas não sem antes ordenar aos seus guardas de confiança que espionassem Lin e Rey e que lhe pusessem a par de qualquer ação das duas.

Lin e Rey saíram da sala e seguiram para o quarto do lorde, a jovem princesa inspecionou o corredor antes de fechar a porta atrás de si. Lá dentro as duas espalharam os materiais de costura pela cama e Lin chegou até a retirar alguns vestidos de seu armário, tudo para manter as aparências, pois se tinha algo que havia aprendido naquele palácio, era que Nora estaria a espreita, só esperando uma oportunidade de expô-la ao lorde:

Lin: O que está acontecendo Rey? — a preocupação era evidente em seu tom

Rey: Duel veio me procurar — lágrimas escaparam de seus olhos — ele sabe de tudo, sabe que vocês estão tentando me ajudar. Eu vim lhe pedir ajuda e avisar Lourenço, mas se ele não está aqui...

Lin: Então é isso — disse séria — ele saiu já tem muito tempo, não me disse para onde e nem o que ia fazer, agora compreendo...

Rey: Lupus... — as duas se olharam, confirmando suas suspeitas — temos que encontrá-los!

Lin: Não podemos sair daqui, não agora depois de toda essa situação, Nora está por ai procurando qualquer coisa para me denunciar, demos muita sorte agora pouco, não sei se teremos tanta sorte assim mais uma vez.

Rey: É tudo culpa minha, minha! — levou as mãos ao rosto tentando conter as lágrimas

Lin: Não é sua culpa — abraçou Rey consolando-a — fique tranquila, você está protegida aqui, agora temos que torcer para que os dois, seja lá o que estejam fazendo, consigam lhe ajudar de alguma forma...

Não muito longe dali, Lourenço observava a casa de Rey intrigado, a porta da casa estava aberta e não havia nenhuma luz lá dentro, desconfiando do pior o anjo chamou pela jovem e não obteve resposta, diante disso ele imediatamente abriu suas asas e passou a procura-la pelos arredores do local, se ela estivesse por perto ele com certeza iria encontra-la.

Duel vasculhava cada canto do bosque furioso, já estava em sua busca á horas, mas ele sabia que seria difícil, conhecia Rey o suficiente para saber que ela não estaria por ai correndo sem rumo, a jovem não possuía mais seus dons sobrenaturais, mas a inteligência e astúcia sempre foram de sua natureza, tentar encontra-la naquele bosque era quase como procurar uma agulha num palheiro.

"Grandark"

Uma voz feminina invadiu a mente de Duel, era sua espada Eclipse e o nome pronunciado por ela o fez parar no mesmo instante:

Duel: Onde ele está? — olhou ao redor, como quem procura por sua presa

"Perto, bem perto"

O arcanjo enrijeceu sua postura e ficou em alerta, ele desceu ao solo devagar, olhando tudo á sua volta já esperando pelo pior e de todo modo ele não estava errado, assim que seus pés tocaram o chão ele se deparou com um rosto familiar; Zero:

Zero: Eu sabia que você era desprezível, mas isso que está fazendo é baixo demais até pra você!

Notas finais
— Gostou? Não gostou? Comente, seu feedback é importante para a autora s2 — Até o próximo capítulo