A filha do diretor
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Resisti ao impulso de correr até ela. Tenho que seguir o plano. Peguei meu celular e mandei a mensagem para ela:
“Preciso falar com vc sobre a Alysson — Scott”
Quase que imediatamente, ela olhou o celular e, em seguida, olhou para os lados, até que seu olhar parou em mim. Me encarou por alguns segundos e voltou sua atenção novamente para o celular. Enquanto digitava freneticamente, meu coração batia forte em expectativa. Agora, mas do que nunca, eu quero vencer essa aposta. Quero provar, não só a Ruby, mas a todos os outros, que ninguém, nem mesmo a filha do diretor, pode resistir a mim. Pode ser um pouco egocêntrico, e até mesmo infantil da minha parte, mas é isso o que eu penso e é isso que eu vou fazer.
Logo meu celular vibrou e a tela começou a piscar, anunciando a chegada de uma nova mensagem:
“Tudo bem. Me encontre na praça às 15h — Sarah”
O fato de ela ter aceitado fácil demais me preocupa, não vou mentir. Mas, por outro lado, me dá uma sensação de alívio, porque eu não estava com muita vontade de ter que explicar tudo por mensagem.
15h. Tudo poderia ser resolvido daqui a três horas. Eu não sei de onde eu tirei tanta confiança, mas eu sei, tenho certeza, de que, com Sarah ao meu lado, eu vou conseguir a Alysson.
Não me diga que sou insensível, sem coração ou coisas do tipo. Eu não me esqueci do Anthony. Mas não posso negar que pensar nele o tempo todo está me irritando. Porque, por mais que ele seja como um irmão para mim e aquela coisa toda, eu entrei na aposta antes de saber de tudo. E agora que eu já estou aqui, não vou dar para trás. Vou até o fim e vou usar todas as armas que tiver para conseguir essa garota.
…
Depois de longas duas horas e meia sem fazer nada em casa, a hora de encontrar com Sarah estava finalmente chegando. Faltavam vinte minutos para às 15h. Eu já estou inquieto. Durante todo o tempo que estive em casa fiquei dentro do quarto. Não quero que ninguém saiba da Sarah, não por enquanto, pois eu sei que uma hora todos vão descobrir (supondo que ela aceite me ajudar). Eu já estava pronto para sair faz um bom tempo. Peguei meu celular e as chaves da casa e saí sem falar nada com ninguém. Aliás, eu não falei com ninguém o dia inteiro. Resolvi ir a pé mesmo, já que a praça é aqui perto e ainda faltam minutos para o horário marcado.
Fiquei ouvindo música para não ficar entediado, até que a avistei à uma certa distância. Ergui a mão para que ela pudesse me ver, então, ela caminhou até mim. À cada passo que ela dava, vários motivos para ela simplesmente não aceitar e ir embora, me vieram à mente. Quer dizer, eu posso ser confiante o quanto for, mas eu ainda sou o estranho e a Alysson, a melhor amiga dela.
– Oi. — Ela disse quando se aproximou, e não parecia muito feliz em me ver.
– Oi. — Respondi tentando não demonstrar muita ansiedade ou coisa assim.
– Então? — Se sentou ao meu lado.
– Então… — Eu estou naquela situação em que não se sabe por onde começar, porque, de todos os ângulos, o assunto é estúpido. Ouvi Sarah suspirar ao meu lado. Eu não estou olhando diretamente para ela, e sim para o chão.
– Por que não vai direto ao assunto. — Sugeriu.
– Tudo bem. — Respirei fundo. — Eu quero que você me ajude com a Alysson. — Disse tudo de uma vez, sem pausa para respirar. Sarah ficou em silêncio por um tempo, o que estava me matando por dentro. Eu ainda não olhei para ela. A árvore gigante a minha frente insistia em prender minha atenção.
– Eu topo. — A olhei com os olhos levemente arregalados.
– Topa? — Ela assentiu. — Mas assim, tão rápido? Não vai fazer perguntas?
– Você não parece querer tanto a minha ajuda.
– Não, não. Eu quero. Só que… sei lá. Eu achei que… Ah, esquece.
– Tudo bem.
– Tudo bem.
– Finalmente te achei. — Disse um cara alto, branco, cabelos castanhos, se referindo a Sarah. — Quem é esse? — Perguntou se referindo a mim.
– Ah, ele? Scott, Scott Miller. — O cara me olhou de cima a baixo e murmurou:
– Hum…
– Scott, esse é o Ethan, meu namorado.
– Hum… — Murmurei
– Ok, vamos embora. — Ethan ordenou e puxou Sarah pelo braço, claramente a machucando.
– Ei, vai com calma ai. — Disse me levantando.
– Fica na sua, Scott.
– Está tudo bem. — Sarah me garantiu. Deu um sorriso forçado, mas sua expressão era de dor.
Eu não disse mais nada e eles foram embora.
…
– Sarah Foster? — Dylan perguntou quase gritando.
– Dá para gritar mais alto? Acho que o Anthony ainda não ouviu.
– Calma, Scott. Relaxa. Você está pegando Sarah Foster?
– O que? Não. — Dylan está cada vez mais sem noção. — E como você conhece tantas pessoas da minha escola?
– Como não?
– Ela tem namorado.
– E daí?
– Não me meto com garotas compromissadas.
– Tudo bem então. — Ele se sentou na minha cama. — Mas ela aceitou?
– Aceitou.
– Então, está de volta na aposta.
– É isso aí.
– Meu garoto! — Ele exclamou. Levantou da minha cama, deu dois tapinhas no meu ombro e saiu.
Às vezes eu acho que não existe mais salvação para o Dylan. Tratamento, remédios, terapia… Nada vai fazer nascer um cérebro naquela cabeça.
Depois de alguns longos minutos jogado na cama sem fazer nada que não fosse mexer nas redes sociais (que não estavam nem um pouco interessantes), resolvi descer para jantar.
– Está atrasado. — Tia Sally disse assim que eu entrei na cozinha.
– Foi mal. Me distraí. — Coloquei meu prato e me juntei à eles.
…
Mais um dia de aula. Eu, sinceramente, não aguento mais ir para escola. Porém, tenho uma motivação extra depois da minha conversa com a Sarah. Ninguém além de Dylan sabe sobre ela. Resolvi manter segredo por enquanto. Se bem que, contar para o Dylan é a mesma coisa do que contar para todo mundo, mas eu ainda tenho esperança de que ela feche aquela boca grande sem que eu tenha que arrancar a língua dele fora.
Como nos dias anteriores, ignorei os caras completamente. eles deve estar estranhando, mas nenhum deles, nem mesmo Anthony, se manifesta. De qualquer forma, eu coisas mais importante para pensar. Não falei mais com a Sarah depois da conversa de ontem. Falando em ontem, aquele encontro encheu minha cabeça de coisas para pensar. Primeiramente e mais importante, claro, se Sarah aceitou realmente me ajudar, ou se ela estava me enganado. Não que eu não confie nela, mas eu não confio nela. Não me julgue, eu mal a conheço. Ela pode ter contado tudo para Alysson e agora, estão armando um plano para me humilhar me público, ou coisa pior. Por mais que isso soe meio paranóico, pode ser verdade.
Estou no meio da aula de filosofia mais chata do universo. É sério. Eu não tenho nem vontade de dormir, tenho vontade furar meu coração com esse lápis. Não existe tortura maior que isso. Quando metade da sala já estava em estado de coma, uma mulher de meio idade, pele morena, alta, cabelo preso em um coque no alto da cabeça, sem nenhuma falha, uma blusa preta, um blazer e uma saia azul marinhos, calçando uma sandália também preta, entrou na sala. Eu não lembro de tê-la visto outras vezes por aqui.
– Bom dia, alunos! — Ela começou, após falar brevemente com a professora. — Sou a diretora Brith, diretora substituta. Como devem saber, o diretor Cooper está de licença. Eu ficarei no lugar dele durante esse período. — A turma permanecia em silêncio. — Agora, o aviso que eu realmente queria dar: a escola vai passar por uma pequena reforma durante o mês de março. Não é nada muito grave, apenas um probleminha na estrutura no prédio. — Nenhuma reação de nenhum dos presentes na sala. — Por isso, durante o mês de março não teremos atividade na escola. — Foi como a explosão de uma bomba. Todos os alunos da sala começaram a gritar e a bater nas mesas. Por um momento, pensei que não estivesse numa sala de aula, e sim, numa selva. — Silêncio. Silêncio, por favor. — Diretora Brith tentava acalmá-los.
– EI! — A professora de filosofia berrou. — JÁ CHEGA! — Foi o suficiente para todos se calarem.
– Obrigada, senhorita Hugnes. Voltando ao assunto: não teremos atividades na escola, no entanto, conseguimos alugar um sítio onde vocês farão atividades ao ar-livre. — Foi então que as reclamações começaram. — Sem reclamações. Já está decidido. E quem se recusar a ir será reprovado em todas as matérias, porque as atividades feitas, valerão ponto. Ah, e não haverá provas. É só. Boa aula. — E saiu da sala, fechando a porta atrás de si.
O resto da aula foi, basicamente, todo mundo falando sem parar sobre o tal acampamento, e a professora Hugnes tentando fazê-los calar a boca. Sem sucesso, claro. Mas eu ainda preferi ficar na minha, sem falar com ninguém. O sinal indicando o fim da aula tocou. Como sempre, saí depois de todos da sala, e comecei a andar no corredor praticamente vazio.
– Scott! — Ouvi alguém me chamar. Era Paris.
– Paris. Oi. O que foi?
– Nada. Eu só queria saber se… — Pigarreou. — Se, talvez, você quer ir lá em casa hoje. — Ele completou olhando para o chão, e voltando sua atenção para mim em seguida.
Hoje ela não está calçando uma sapatilha, o que a deixa muito mais baixa do que eu. E assim, me olhando de baixo para cima, com os olhos cheio de expectativa e um sorriso meigo no rosto, ela quase parece uma menina ingênua. Mas ainda é a Paris, e eu ainda tenho que ter a Alysson. Não posso ceder aos encantos dela. Não agora.
– Sinto muito, Paris. Mas hoje não vai dar. Tenho umas coisas para resolver. — Sua expressão mudou para decepção.
– Ah, tudo bem. — Disse e deu sorriso forçado. — A gente se fala depois. — E saiu andando.
Me sentei na mesma mesa de sempre, com as mesmas pessoas de sempre. Eles estão conversando enquanto eu, sem prestar nenhuma atenção neles, observo a Alysson. Então meu celular vibra. Recebi um nova mensagem.
“Pare de babar, Scott — Sarah”
Revirei os olhos ao ler a mensagem. Olhei para ela, que me encarava. Sarah ergueu a sobrancelha direita em provocação.
“Quando as piadas pararem, será que você pode cumprir com o nosso trato? — Scott”
“Paciência, gafanhoto — Sarah” — Ela respondeu após alguns poucos segundos.
Pus o celular no bolso da calça novamente, mas quase que imediatamente, ele vibrou mais uma vez:
“Talvez eu tenha uma ideia — Sarah”
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