A filha do diretor
39 Capítulo 38
Notas iniciais
– Ela aceitou — contou Zac.
Estamos no portão do colégio. Chegamos bem mais cedo, para que eu pudesse ficar com a Alysson. Ela, por sua vez, dormiu na casa da Sarah para que isso fosse possível. Parece que o diretor a liberou de parte do castigo. Estão todos aqui, menos Lilyan.
– Eu sabia! — Alysson exclamou.
– Acho que todo mundo sabia — Sarah disse.
– Pois é — concordou Alysson. — Lilyan é arrogante desse jeito, mas no fundo é uma manteiga derretida.
– Mas o que você disse a ela depois que ela saiu correndo? — James perguntou.
– Isso é confidencial — Zac respondeu, com um sorriso divertido rasgado no rosto.
– Boa, garoto! — exclamei, dando dois tapas em seu ombro.
– Zac Harris, quem te viu e quem te vê — James disse enquanto ria.
– Realmente, não deve ter sido qualquer coisa — Sarah disse. — Porque, ela pode ser a maior boba apaixonada do mundo, mas para demonstrar isso, é difícil. Só não digo impossível porque você fez o milagre de conquistar aquela garota. — Zac alargou ainda mais o sorriso.
– Não sei vocês, mas eu estou curioso para saber como ela vai se comportar na nossa frente — comentei.
– Pode ter certeza de que você não é o único — James garantiu.
– Não importa como ela vai se portar diante de vocês. O importante é que estamos juntos — declarou Zac.
– Acho que o bobo apaixonado da história não é a Lilyan — provoquei.
– Você não fica para trás, não, Scott — ele rebateu. Dei de ombros.
– Sou bom em tudo o que eu faço. É um dom natural.
– Não me tirem dessa conversa — protestou James. — Sou mais romântico do que vocês dois juntos!
Vi Sarah e Alysson rolarem os olhos.
– Não, James, me desculpe. Mas meu romantismo está num nível bem mais elevado do que o seu — afirmei. — Não é, amor? — perguntei a Alysson.
– Não posso negar que o Scott está me saindo um ótimo Romeu.
– Viu?
– Isso porque ela não viu meus encontros com a Sarah.
– É, mas nenhum de vocês as pediu em namoro em público.
– É, mas Alysson não saiu correndo quando eu a pedi em namoro.
– Verdade — Alysson concordou. — Quem saiu correndo foi você — completou e todos riram.
– E você correu atrás de mim — lembrei.
– O que é isso? — James perguntou. — Conto de fadas ao contrário?
– Tempos modernos, meu bem — zombou Sarah. — Agora quem corre atrás são as mulheres.
– Eu prefiro a versão original — disse Zac.
– Cada um com seu gosto — eu disse. — Mas garanto que a minha versão é bem mais divertida.
– A minha é mais romântica — rebateu Zac.
E assim nós voltamos a discutir quem é o mais romântico. Mas não precisamos debater. A resposta é bem clara: eu! Fala sério, gente. Nem Romeu consegue ser tão romântico quanto eu. Tudo bem, eu não morri (e nem pretendo), também não faço parte de uma história de romance clássica e famosa, como a história do Romeu com a tal da Julieta, mas eu tenho superado minhas próprias expectativas com meus pensamentos, minhas atitudes e, principalmente, com as minhas palavras.
– A conhecendo como que a conheço — começou Sarah -, ela vai corar, e muito!
– Não sei se ela vai deixar transparecer assim a vulnerabilidade dela — opinou Alysson.
– Eu já disse que isso não importa — Zac disse. — Ela pode até fingir que não estamos juntos. Por mim… — Ele deu de ombros, como se dissesse “tanto faz”.
– Essa discussão não se trata do que você vai achar — Sarah respondeu.
– Trata-se de como ela vai se reagir a sua presença na frente de outras pessoas — Alysson completou a frase da amiga.
– Como quem vai reagir a presença de quem? — Lilyan perguntou. Espera! Lilyan?
Se ela percebeu que o assunto é ela, não demonstrou, o que é bom… Eu espero.
– Ninguém importante — eu disse apressadamente.
Lilyan estreitou os olhos e nos encarou por um tempo.
– Tudo bem — disse prolongando cada sílaba. Ela parou o olhar em Zac e sorriu. — Oi — disse sorridente, e logo os dois estavam beijando-se. Não, você não entendeu errado. Lilyan beijou Zac na frente do colégio inteiro!
– Oi — Zac finalmente respondeu.
Ninguém se atreveu a dizer uma única palavra. Zombar de Lilyan não é muito seguro, e eu todos prezamos pela nossa vida.
…
– Você tem noção de que eu estou te aturando há dois meses? — disse Alysson para mim.
Estamos indo comemorar nosso aniversário. A data mesmo já passou, mas tivemos uns probleminhas e não teve como nós sairmos. O nome do tal problema é Jonh Cooper, também conhecido como meu sogro. Mas devo confessar, o diretor não é o que mais me preocupa. O que está perturbando meus pensamentos, é o fato de estarmos no final do mês. O que me apavora, é o fato de Peter estar a solta e pronto para cumprir suas ameaças. É claro que ele sabe que estamos juntos. Ele não seria idiota de nos deixar sem ninguém vigiando. Se bobear, ele deve ter colocado até câmeras escondidas nas nossas casas. E eu não estou exagerando.
– Eu sei que você ama minha companhia, Alysson. Não precisa fingir.
– É sério, Scott. Você precisa baixar sua bola de vez em quando. Você sabe que não é perfeito.
– Eu sei. E você também tem lá os seus defeitos.
– Eu sei.
– E você me ama mesmo assim.
– Pode ser. — Abri um sorriso.
– Seu pai não desconfia de nada mesmo? — Ela negou com a cabeça.
– Eu nunca fui de quebrar as regras, de desobedecê-lo. Ele confia em mim. E o fato de não nos falarmos mais em público ajuda a convencê-lo também. — Assenti.
Chegamos ao nosso destino. Onde estamos indo? Ao boliche! Foi ela quem escolheu. Eu, na verdade, não sei jogar muito bem. Mas se é o que ela quer, vamos lá!
Devo dizer que nos beijamos mais do que jogamos. O que posso fazer? Alysson é meio irresistível. Mas foi um bom jogo, devo admitir. Alysson ganhou, claro. Como era de se esperar. Essa garota é sensacional! E não, eu não me importo que ela seja melhor do que eu em alguma coisa. Se fosse há alguns meses atrás, provavelmente a dispensaria por isso, mas não estamos há meses atrás. Estamos aqui e agora, sem falar que a Alysson não é tipo de garota dispensável assim. Um tipo como o dela não se encontra em cada esquina, não. Garotas como a Alysson estão entrando em extinção.
Alysson venceu, e para comemorar, o que ela escolheu? Ir para a praça em que tivemos nosso primeiro encontro. Aquela em que descobrimos a nossa felicidade em meio a dor e ao caos.
Nos sentamos naquela mesma escada, perto da escultura grande e estranha, e, advinha. Nos beijamos. Pois é… Nós nos vimos nos últimos dias, mas não com tanta frequência. Não podemos correr o risco de o diretor desconfiar de alguma coisa. Tanto é que estamos comemorando nosso aniversário de namoro bem depois da data certa. E, bom, matar a saudade é necessário. Mas nosso beijo foi interrompido pelo toque irritante do meu celular. Maldito celular!
Olhei no visor. Era Dylan. O que ele quer a essa hora? Ele sabe que eu estou com a Alysson. Bufei e atendi.
– Alô.
– Scott, pelo amor de Deus! Você precisa vir até o hospital.– Fiquei tenso assim que ouvi a palavra “hospital”.
– O que aconteceu, Dylan?
– Peter aconteceu. Tenho certeza de que ele está envolvido nisso!
– Peter? Quem está no hospital? — Anthony era quem está na minha mente. Tenho medo de que seja ele. — É o Anthony?
– Não– Dylan respondeu. Me senti aliviado de imediato. Mas esse alívio só durou até eu ouvir Dylan dizer: — É a tia Sally.
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