A filha do Chaos
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Notas iniciais

Charlotte Grayson
"Dezoito, finalmente dezoito anos" eu pensava com um sorriso enorme enquanto descia as escadas com minha mochila nas costas, lancei um sorriso debochado para Meredith, a velha que só havia me adotado para ficar com o dinheiro que Maggie, minha assistente social, fornecia para cuidarem de mim (já que por entrevistas de orfanatos ninguém se oferecia para me adotar) e não se esforçava nem mesmo o minimo para se quer cuidar da casa.
Sai da casa sem nem mesmo me despedir de Meredith q fingia estar triste pela minha partida, do lado de fora pude ver um conversível vermelho e um homem alto e loiro com roupas sociais apoiado no carro com óculos escuros e um sorriso perfeito.
—Olá Charlotte-ele disse sem desmanchar o sorriso- sou Apolo, seu novo assistente social
fiquei o encarando por um tempo, ele não parecia real era tão perfeito, Apolo me encarou e riu anasalado. Pisquei ainda meio atordoada
—E onde está Maggie?
—Megan teve que ir resolver problemas pessoais e foi obrigada a ir pro interior- Apolo respondeu ainda sorrindo
—Está mentindo-afirmei convicta-Maggie teria se despedido de mim
Apolo revirou os olhos ainda sorriso, um sorriso antes hipnotizante que agora se tornou totalmente irritante
—Bom ruivinha eu não ligo para qualquer laço emocional que vocês tinham agora agradeceria se você entrasse no carro.-falou já sem paciência.
ri sem humor, me virei e simplesmente fui embora, pude ouvir o barulho do motor do carro logo atrás de mim mas não parei.
—Vamos lá ruivinha, não quero ter que te obrigar a entrar no carro
Bufei e revirei os olhos
—quer parar de me chamar de ruivinha?-perguntei irritada
Apolo sorriu sem mostrar os dentes e abriu a porta do carro
—se você entrar eu juro que paro ruivinha
o encarei e sorri inocentemente
—meus pais me ensinaram a não falar com estranhos
E continuei andando, depois de alguns quarteirões parei de ouvir o motor do carro e não me preocupei em virar para checar se ele havia desistido, havia decidido ficar no apartamento de Amy, uma amiga do orfanato que ganhou seu apartamento dos pais adotivos assim q entrou para a faculdade.
Foi quando senti mãos nos meus quadris que me empurraram contra a parede de um beco arfei com o susto e logo reconheci o sorriso perfeito e irritante de Apolo.
—qual o seu problema? -reclamei- já sou maior de idade, não preciso de um assistente social atrás de mim tentando me arranjar uma porcaria de família nova.
Apolo riu e deu um sorriso diferente, um sorriso que quase me deixou sem ar.
—Eu não quero te achar uma família nova, eu quero te levar para conhecer a sua família biológica.
fiquei atônita, minha família biológica? eu não fazia idéia de quem eram, havia assumido o sobrenome Grayson da minha primeira família adotiva e dai nunca mais mudei, cada noite no orfanato ou na casa de uma família nova era uma tortura no começo, ouvia vozes e vozes me dando conselhos o que no começo era uma tortura mas com o tempo acabou me ajudando a "sobreviver" quando fugia das famílias adotivas.
-minha família?-perguntei ainda atônita
Apolo sorriu
—sim a sua família, seu pai está ansioso para te ver-falou sorrindo e aproximou sua mão do meu rosto mas parou no meio do caminho a abaixando
observei Apolo por um segundo e ai que notei nossa posição, eu estava encostada na parede com Apolo a minha frente e suas mãos nos meus quadris, o empurrei e bufei.
—Tudo bem eu vou com você
Apolo olhou para baixo e coçou a nuca sem graça
—tudo bem...eu...ahn...vou buscar o carro
Assenti arrumando meu gorro e abraçando a mim mesma pelo frio que estava sentindo, Apolo explicou que havia deixado o carro a alguns quarteirões para poder me seguir e pediu que eu lhe esperasse, apenas assenti novamente e ele me deixou sozinha.
Será que eu estava fazendo a coisa certa? provavelmente não mas o que eu tinha a perder? sem querer fazer drama mas eu não tinha ninguém a não ser Maggie e ela havia viajado para o interior sem ao menos se despedir, mas já era de se esperar já que a relação que tínhamos era apenas de assistente social para uma orfã sem teto, o que me incomodava é que Maggie realmente parecia se importar comigo como uma espécie de irmã mais velha.
Balancei a cabeça tentando expulsar esses pensamentos e foquei nas pessoas que passavam pelas movimentadas ruas de NY todas tão apressadas e outras sem preocupação nenhuma, meu olhar se focou em um garoto do outro lado da rua, sentado em um banco do ponto de ônibus a minha frente, nossos olhares se encontraram e ele me lançou um aceno com a cabeça, pisquei um pouco atônita e comecei a analisá-lo (uma mania que eu sempre tive foi de analisar o local e as pessoas ao meu redor) os cabelos escuros e curtos totalmente bagunçados com uma bandana na cabeça e apesar de toda a distância em que estávamos era possível ver seus olhos cor de fogo, usava calças jeans surradas e uma camisa preta com uma jaqueta de couro por cima (roupas que lhe cabiam muito bem e reforçavam o ar de bad boy que ele tinha) enquanto o analisava percebi que ele fazia o mesmo sem mudar a expressão séria, logo o garoto puxou uma faca do cinto e começou a brincar com ela e as pessoas ao redor se quer se viraram para ele, o garoto parecia invisível para todos exceto para mim, desviei o olhar assim que percebi o carro de Apolo parar ao meu lado.
—entra ai ruivinha- falou sorrindo
entrei no carro ainda um pouco indecisa e coloquei o cinto, olhei para o banco onde o garoto estava sentado e ele ainda estava la, o garoto me lançou um sorriso de tirar o folego, acenou com a cabeça e saiu andando.
Percebi que Apolo olhava para o garoto com raiva então ele me olhou e sorriu
—você fez a escolha certa ruivinha, é mais especial do que pensa
O encarei incredula e tentei mudar de assunto
—tudo bem eu aceitei vir com você, já pode parar de me chamar de ruivinha!-resmunguei indgnada- e agora para onde vamos?
—agora cumprirei minha promessa e te levarei até seu pai- Apolo falou e piscou
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