A filha de Stoico
27 Cavaleiro misterioso
Notas iniciais
Pov's Seeylfe
Quando atravessamos os limites de Berk,fechei meus olhos quando senti um aperto em meu coração.
Odiava ter que desobedecer papai,mas a minha razão e minha teimosia sempre falavam mais alto.Eu simplesmente não podia ficar sentada enquanto um cara louco e lunático planejava roubar Flora e todos os outros dragões.Ah,mas eu não ia mesmo permitir isso!
Quando achamos o barco de Eret e começamos a nos aproximar,eles dispararam várias redes em nós,mas desviamos com facilidade.
Pousamos dentro do pequeno barco.
Retirei minha máscara e a guardei,enquanto eu via Eret se aproximar com a espada apontada pra nós.
—E aqui estava eu,achando que eu ia terminar de mãos vazias-sorriu ele.
Me preparei para atacar e Dag com Astrid fizeram o mesmo até que...
—Não,é seu dia de sorte-afirmou meu irmão fazendo sinal para não atacarmos-Nos rendemos-declarou erguendo as mãos para cima em redenção.
Arregalei os olhos incrédula ao mesmo tempo em que os Hoffersons.
O que!?!
Soluço desceu do dragão e descemos também,ainda confusos.
—Tem duas Fúrias da Noite,dois Naders Mortais...-explicava meu irmão enquanto tomava as armas das nossas mãos e entregava para os caçadores-E quatro dos melhores cavaleiros ao oeste de Luttor-disse jogando uma rede em cima de mim,ignorando a noção do perigo-Vai deixar o chefe feliz né?-comentou ele nos guiando até a jaula.
Vi pelo o ombro,Flora e Banguela rosnarem para Eret antes de nos seguirem.
Retirei a rede de cima de mim.
—Com licença-disse meu irmão passando por um caçador grandalhão.
—Que loucura é essa?-ouvi Astrid sussurrar pra ele.
Descemos as escadas em direção à jaula subterrânea.
—Banguela...fica...-pediu Soluço enquanto a porta da jaula se fechava.
Banguela e Flora começaram a rondar a jaula.
—É,como os dragões não gostam de lugares apertados,eu acho melhor eles ficarem aí com vocês,mas não vai ter problema nenhum não-explicou meu irmão tranquilo.
Os caçadores apontaram as armas para Banguela e Flora que saltaram assustados e ficaram em posição de ataque.
Soluço abriu a pequena porta da jaula e colocou a cabeça pra fora.
—Ah,há menos que vocês façam isso-alertou-Barco de madeira,no meio do oceano,vocês tem treinado natação?
—Eu não-respondeu um caçador fazendo Eret revirar os olhos.
Meu irmão acendeu a espada e em seguida desligou.
—E,quase esqueci.Prisioneiro não pode ter arma,né?-respondeu entregando para o caçador que não sabia nadar.
—Isso é mesmo um plano?-sussurrei confusa.
—É-respondeu me lançando um olhar rápido-Isso tem tudo o que um caçador de dragões precisa-avisou vendo que dois caçadores mexiam na sua espada com curiosidade-Uma ponta contém saliva de Pesadelo Monstruoso-explicou quando a fumaça verde saiu da espada-E a outra solta gás de Ziper Arrepiante-completou enquanto se abaixava-Basta só uma fagulha e...
Gargalhei quando ocorreu uma explosão.
—Ah é!Dá nisso!-sorriu Soluço colocando a cabeça de volta pra fora novamente-Quando eles vêem você como um deles,até o dragão mais arredio pode ser treinado,não é Banguela?
—Me dá isso-ordenou Eret pegando a espada e jogando pra longe.E se virou pra nós sem perceber que Tempestade foi atrás da espada-Que armação é essa sua?
Tempestade voltou e colocou a espada perto de Eret.
—Armação nenhuma,eu quero conhecer o Drago-declarou meu irmão vendo Eret jogar a espada e Tempestade ir atrás novamente.
—Porque?-questionou.
—Porque eu vou mudar a opinião dele em relação aos dragões-afirmou fazendo todos gargalharem,mas Eret parou quando viu que Tempestade voltara com a espada.
Sorri botando a cabeça pra fora e ficando ao lado de Soluço.
—Ele pode ser muito persuasivo-comentei.
—Depois que se ganha a lealdade deles...-confessou meu irmão acariciando a cabeça de Banguela-Não há nada,que um dragão não faça por você.
—Você não vai mudar muitas opiniões por aqui-riu Eret.
—Eu posso mudar a sua-rebateu-Bem aqui e agora.
Ele puxou o leme ajeitando.Então,saiu da jaula ficando de pé.
—Ah,me permite?-perguntou.
Arregalei os olhos quando meu irmão foi tirado brutalmente do barco.
Me apoiei na porta vendo o barco balançar violentamente quando foi atingido no mastro.
Saí correndo da jaula vendo Banguela subir o mastro e gritar furioso,mas parou quando viu que quem pegou Soluço,fora Dente de Anzol.
Não acredito!
Observei meu irmão se soltar das garras de Dente de Anzol e ativar seu equipamento de vôo.Eret preparou a arma para atirar em sua direção.
—NÃO ATIRE!-berramos eu e Astrid o empurrando e fazendo-o errar.
Meu irmão pousou no barco ao mesmo tempo em que os pilotos pousaram com os dragões.
—O que vocês estão fazendo aqui?-questionei irritada vendo Soluço guardar as asas.
—Nós viemos resgatar vocês-declarou Bocão pousando no barco e apontando para nós.
—Não precisamos ser resgatados-afirmei rolando os olhos.
—JÁ CHEGA!-arregalei os olhos quando ouvi um berro furioso.
Fechei os olhos frustrada.Estamos ferrados.
Abri meus olhos e me virei vendo papai descer de Quebra-Miolos,seu novo dragão,e se aproximar de nós,nada satisfeito.
—Aí,será que você não escolheu o barco errado não?Eu sou Eret,filho de...-Eret se calou quando papai botou a mão na sua cara empurrando-o pra trás,em seguida,caiu no chão quando Bocão bateu com o gancho na sua cabeça.
Resmungão colocou-se sobre Eret que arregalou os olhos resmungando algo que eu não entendi.
—Mais alguém?-questionou Bocão-Foi o que eu pensei-comentou vendo que ninguém respondeu.
—Vocês...-papai apontou para mim e Soluço-...podem montar,vamos pra casa.
—Não-respondemos ao mesmo tempo.
—AH,AS COISAS IRRESPONSÁVEIS...-ele se preparou para brigar.
—ESTAMOS TENTANDO PROTEGER NOSSOS DRAGÕES E IMPEDIR UMA GUERRA!ONDE ISSO É SER IRRESPONSÁVEL!?!-questionei incrédula.
—PORQUE GUERRA É O QUE ELE QUER FILHA!-esbravejou insistente.
Desviei o olhar irritada antes de encarar ele novamente que suspirou,antes de declarar sombrio:
—Há anos houve um grande encontro de líderes para discutir a praga de dragões que estávamos enfrentando.Então surgiu um estranho de uma terra estranha,coberto de cicatrizes,enrolado em uma capa de pele de dragão.Ele não trazia armas e falava calmamente.E disse que ele,Drago Sangue Bravo,era um homem do povo,dedicado a libertar a raça humana da tirania dos dragões.Ele foi lá dizer que sozinho podia controlar os dragões e nos manter a salvo,se nós nos curvassemos e o seguíssemos.
Perna de peixe,Melequento,Cabeça dura e Cabeça quente gargalharam.
—Que idiota-comentou a Thorston.
—É também rimos-confessou meu pai preocupado-"
Até ele se enrolar em sua capa gritar:Então vamos ver se vocês vão sair sem mim.O telhado de repente se incendiou e dele saiu dragões com armaduras e reduziram o salão à cinzas.Eu...fui o único que escapei...
Todos se entreolharam,exceto eu e Soluço que ainda encarávamos nosso pai.
—Homens que matam sem motivo,não podem ser convencidos-alertou.
—Talvez-disse meu irmão indo até Banguela e eu fui até Flora.
—Soluço.Seeylfe.
—Nós ainda vamos tentar-declarei subindo em Flora e encarando papai-É nisso que somos bom pai,e se conseguimos convencer o senhor, também podemos convencê-lo.
Eu e Soluço decolamos ao mesmo tempo e minutos depois,estávamos voando sobre as nuvens.
Bufei irritada.Odiava estar nessa situação,odiava brigar com meu pai,odiava deixar Berk e odiava tudo aquilo que estava acontecendo.
A raiva e a frustração percorriam pelo o meu corpo.Precisava tirar aquilo de mim,de alguma forma.
Respirei fundo me preparando pra gritar,mas parei assustada quando meu irmão gritou irritado e em seguida,se jogou nas costas de Banguela.
Arregalei os olhos assustada,pois geralmente era eu que tinha ataque de raiva.
Banguela e Flora ronronaram preocupados.
—Relaxa gente,nós não vamos deixar nada acontecer com vocês,eu prometo-afirmou ele.
Suspirei abaixando o olhar.
Franzi a testa quando eu senti uma sensação estranha,uma sensação que tinha alguém além de nós e dos nossos dragões.
—Ah não,perai pai,fala sério!-reclamou Soluço se levantando.
Virei minha cabeça alerta e soltei um som de espanto ao ver que não era papai,mas sim,um cavaleiro montado em um dragão.Ele tinha vestes meio rasgadas coloridas e um capacete enorme cheio de espinhos na cabeça que cobria todo o seu rosto.
O cavaleiro desceu,sumindo por entre as nuvens.
Olhei para todos os cantos assustada e alerta.
—Calma,sem movimentos bruscos-pediu meu irmão aos nossos dragões que rosnavam.
Me assustei quando o cavaleiro surgiu na nossa frente montada em seu dragão enorme de olhos dourados e asas enormes.Ele voava ao nosso redor enquanto nos encarava,ao mesmo tempo em que Banguela e Flora,batiam as asas desesperados tentando manter o equilíbrio.
O dragão enorme parou a nossa frente e abriu as asas revelando que tinha quatro delas.Nossa!
—Espera!Espera!-exclamou Soluço assustado.
Mas o que esse cara tá querendo?Quem é ele?
Me agarrei mais a cela de Flora enquanto ela e Banguela encaravam irritados para o dragão de olhos dourados.
Gritei assustada quando garras fortes agarraram os meus braços,me tirando de Flora fazendo ela começar a cair e vi que a mesma coisa ocorreu com Soluço e Banguela.
—FLORA!!!!-berrei ao mesmo tempo em que Soluço gritou por Banguela.
Avistei nossos dragões atravessarem o gelo e caírem no mar.
Me debati desesperada enquanto mais dragões se juntavam perto de nós.
—Perai!Vocês deixaram nossos dragões lá atrás!Eles não conseguem voar sozinhos!Vão se afogar!-esbravejou meu irmão desesperado,mas o cavaleiro nos ignorou.
Arregalei os olhos surpresa ao ver pra onde estavam nos levando.Uma ilha cheia de espinhos de gelo,parecido com a ilha que visitamos recentemente.
Os dragões entraram por uma entrada e nos deixaram no chão,no meio de uma roda de outros dragões.
Me levantei junto com Soluço.
—Nós temos que buscar nossos dragões!-pedi com a voz chorosa.
Soluço me puxou para trás de si,me protegendo de um dragão que se aproximava perigosamente.
Meu irmão acendeu a espada e começou a balançá-la calmamente fazendo a maioria dos dragões se encantarem.
Dei passos pra trás me afastando.
Soluço desligou e jogou a espada — sem virar — pra mim e a peguei.
Me abaixei girando e soltei um pouco de gás de Ziper Arrepiante e em seguida,soltei uma faísca causando uma pequena explosão.
Me levantei e entreguei a espada para Soluço que a guardou e juntos,nos aproximamos do dragão mais próximo.
Demos as mãos e estendemos as livres em direção ao focinho do dragão.
O barulho de passos nos fez virar em direção ao cavaleiro misterioso,que andava de um jeito estranho ao nosso redor.
—Quem é você?-questionou meu irmão-O ladrão de dragões?Drago Sangue Bravo?
O cara não respondeu.
Coloquei as mãos na cintura.
—Você tá entendendo o que estamos falando?-perguntei impaciente.
O cavaleiro mexeu o chocalho que tinha na ponta do cajado fazendo dois dragões enormes surgirem e jogarem Banguela e Flora perto de nós.
—Flora!-exclamei.
—Banguela!-exclamou Soluço ao mesmo tempo.
Me aproximei de Flora e a abracei recebendo uma lambida no rosto.
—É muito bom ver você também...-murmurei-Eu fiquei muito preocupada...
O cavaleiro balançou o chocalho mais uma vez fazendo todos os dragões acenderem as chamas dentro de suas bocas.
Banguela e Flora se colocaram na nossa frente rosnando enquanto o cavaleiro largava o cajado e se aproximava de nós.
Quando ele estendeu a mão,Banguela e Flora caíram no chão com a língua pra fora e com uma das pernas traseiras balançando.
Arregalei os olhos chocada.Como ele fez isso?
Demos passos pra trás incomodados com a aproximação do cavaleiro.
Até que ele soltou um som de espanto ao olhar para a cicatriz no queixo de Soluço e para o meu colar.
Ele se afastou,se agachando,como se estivesse assustado.
—Soluço?E...S-Seeylfe?-deu pra ver que era voz de mulher.
Eu e Soluço nos entreolhamos.
Ela se levantou e retirou o capacete,revelando ter olhos verdes esmeraldas e cabelos castanhos com alguns fios brancos.
—São vocês mesmo?Depois de tantos anos?Como é possível?-murmurou atordoada se levantando.
Franzi a testa confusa.
—Nós devíamos...conhecer você?-questionei.
Ela abaixou o olhar tristonho.
—Não...vocês eram só dois bebês...
Meu coração acelerou.Espera aí...
Ela nos encarou novamente.
—Mas uma mãe nunca esquece...-afirmou sorrindo emocionada.
Arregalei os olhos em choque.
Minha mãe!?!
Abri a boca para falar algo,mas ela fez sinal para ficarmos quietos.
—Venham-pediu com um sorriso maroto igual ao meu,enquanto se afastava
Pov's Stoico
Eu e Bocão voávamos em busca dos meus filhos.
—Teimosos!Iguais a mãe deles!É,ela também não gostava de ficar quieta!-esbravejei.
—Os dois só tem 20 anos e são vikings.Existe uma combinação pior que essa?-questionou Bocão-Ha!Eu me lembro quando você era teimoso e insensato na idade deles.Ah...na verdade não mudou muita coisa.
Suspirei.
—Você sabe como eles são,eles não vão desistir,Bocão-avisei-Se a Seeylfe e o Soluço encontrarem o Drago antes de nós os encontrarmos...
—Ah!Ninguém vai machucar aqueles garotos com aqueles Fúrias da noite!São Fúrias da Noite!-afirmou.
Arregalei os olhos quando avistei o capacete do Soluço em uma parte do mar do gelo quebrado.
Voltei voando com Quebra-Miolos e me aproximei pegando o capacete.Voltei para o lado de Bocão encarando o capacete preocupado.
Encarei Bocão que parecia tão assustado quanto eu.
Olhei pra frente com o ar determinado.
—Encontre-os Quebra Miolos-pedi dando o capacete para meu dragão cheirar-Encontre-os.
Quebra-Miolos cheirou capacete antes de rugir e acelerar com tudo.
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