Eu não sabia que hoje era o dia perfeito ate Carl invadir o lugar e matar alguns homens de Negan. Esse era o momento. Esperei ate que Negan saiu para levar Carl de volta a Alexandria, os Salvadores estavam ocupados limpando a bagunça ou cuidando do carregamento de suprimentos que tinha chegado.

Corri na direção das celas e abri a porta, Daryl estava sentado no chão. Sorri.

— Sua carta de alforria chegou. — Ele me encarou surpreso. — Levante-se. Eu calculo que uma hora para pegar suas coisas e ir embora. — Joguei as chaves de uma moto para ele que as agarrou no ar. — É vermelha. Esta estacionada bem perto do portão. Negan saiu. Temos que ir rápido.

— Isso é um teste, não vou sair.

— Deixe de ser idiota. Vamos logo. — Agarrei ele pelo braço e o puxei em direção a porta. — Você precisa ir. Tudo que você precisa é pedir ajuda a Hitlop. Pergunte a Jesus sobre o Reino, talvez Rei Ezequiel queira se juntar a vocês.

— Por que esta me ajudando?

— Por que alguém precisa para-lo. — Parei no corredor. — Sei que seu grupo pode fazer isso, mas não sozinho. Vocês precisam se rebelar. Precisam acabar com isso. Acredite em mim. — Segurei suas mãos. — Por favor, acredite em mim. Fuja daqui enquanto pode. Você nunca será um Negan e não posso mantê-lo ao meu lado para sempre.

— Por que esta fazendo isso?

Olhei para o corredor. Senti o nervosismo ficar pior.

— Quando fiquei sabendo que um grupo atacou a base achei interessante. Nada disso tinha acontecido. Mesmo que Negan tenha feito a emboscada e matado dois dos seus, eu sabia que não seria ao bastante para faze-los serem domados. Quando tirei sua bala e costurei você, tudo que desejei era que você ficasse vivo e se ficasse eu faria de tudo para tira-lo daqui.

— Quer ver seu pai morto?

— Não. Não quero. Mas sei que é o certo. Ele só vai parar quando morrer e alguém tem que para-lo. Por favor, fuja e encontre sua família. — Segurei seu rosto com as mãos, senti a barba pinicar minha pele, me estiquei e o beijei.

Ele ficou surpreso, mas correspondeu o beijo agarrando meu pulso com as mãos calejadas, quando nos afastamos seus olhos azuis estavam mais escuros.

— Não pode me beijar e pedir que eu vá.

— Não pode ficar aqui.

— Venha comigo.

— Não posso. Não agora. Seria pior. Tenho que ficar e ajudar.

— Não vou te deixar aqui.

— Daryl, vá. Eu vou ficar bem.

— Garota. — Murmurou em um suspiro. — Obrigado. — Meu sorriso saiu pequeno.

— Eu menti. — Seus olhos ficaram alertas. — Quando disse que não queria você daquele jeito. Eu quero. Com suas cicatrizes e seu passado. Mas não posso tê-lo.

Ele beijou meus lábios de forma faminta. Agarrei seus braços musculosos e suspirei entre seus lábios.

A única coisa no mundo que eu queria e não podia ter.

O empurrei.

— Vá. — Continuei empurrando seu corpo ate a saída.

E quando ele se foi, parte de mim foi junto.

Retornei ao quarto, tomei um banho tirando aquela roupa. Depois me joguei na cama e abri um livro qualquer o deixando ao lado. Estava nervosa, mas precisava acreditar que o plano tinha funcionado.

Meu pai retornou uma hora depois, deitei na cama e fingi dormir. Eu teria que fingir muito bem.

Os minutos passaram ate que alguém entrou no quarto.

— Luce, acorde. — Meu pai falou me balançando.

Abri meus olhos e o encarei.

— Oi, papai. Ja voltou? — Fingi olhar para a janela. — Acho que acabei dormindo. — Bocejei. — Levou o garoto ate o pai?

— Depois te conto. E Daryl?

— Não o requisitei hoje, não tinha nada que pudesse manda-lo fazer, queria ficar sozinha. — Sentei na cama e marquei a pagina do livro antes de fecha-lo. — Achei que iriam quere-lo para limpar o pátio. — Sorri. — Matou mais alguém?

— Sim. Mas... Daryl não esta na cela.

— Como assim Daryl não esta na cela?

— Ele não esta na cela, se você tiver alguma coisa...

— O que esta dizendo? Esta me acusando de alguma coisa? — Perguntei irritada.

— Vocês andavam bem amiguinhos.

— Claro. Estava fazendo as coisas pelo lado certo. Estava convencendo-o a ser um Salvador.

— Bom, ele fugiu!

— Desgraçado! — Levantei da cama. — Vou matar quem o ajudou a fugir. E quem tiver acobertando ele. Quero ele, papai. Solte os batedores. E retorne a Alexandria. Temos que tê-lo aqui.

Fui ate o guarda roupa.

— O que vai fazer?

— Vou sair a procurar é claro. E quando encontrar eu mesma o torturarei.

Nunca torturei ninguém, mas ja fingi torturar algumas pessoas ate a morte, claro que na verdade somente os deixei fugir.

— Era isso que eu queria escutar.

Meu pai saiu do quarto para me deixar vestir uma roupa. Aproveitei esse momento para respirar aliviada e sorri animada. Ele tinha conseguido.

Vesti um body rosa claro de alcinha e decote com detalhe de amarração, calça jeans e bota cano curto flat. Coloquei o colete com a arma e peguei meu bastão.

Sai para o corredor e desci com Negan ate a cela vazia. Gritei com alguns Salvadores cobrando que tivessem feito algo, os chamando de irresponsáveis por não cuidar direito das coisas. Ajudei a vasculhar tudo. Por fim entrei em um carro com Simon e saímos para procurar nas estradas.

Viramos a noite procurando. Eu ja estava cansada, mas tinha que fingir estar furiosa e caçando ele.

Ao amanhecer fomos ate Hitlop. Vasculhamos o lugar e agradeci mentalmente por estarem bem escondidos. Jesus me encontrou em uma casa vazia.

— Ele chegou bem? — Murmurei observando pela janela.

— Sim. — Jesus respondeu e eu assenti lançando um olhar a ele.

— Ótimo, Paul.

— Pode me chamar de Jesus, somos amigos.

— Só conheço um Jesus. — Apontei para o céu. — E ele com certeza não se veste assim. — Ele riu e eu segui para a porta.

— Quer deixar um recado? — Sorriu me fazendo bufar.

— Mande-o se cuidar. E não ser pego.

— Esperava algo mais meloso. Ardente.

— Idiota. — Resmunguei saindo e o deixando rindo.

Ordenei que os Salvadores retornassem aos carros. Fomos embora.

Negan estava furioso quando chegamos sem Daryl.

— Ele não pode ter sumido.

— Ou ele esta escondido em Alexandria. — Falei.

— Vou colocar aquele lugar a baixo. — Resmungou.

— Você não pode chegar lá e dizer que Daryl fugiu. — Falei. — Talvez não saibam que Daryl fugiu, ele era esperto ao bastante para saber que seria o primeiro lugar que iriamos procurar, depois Hitlop.

— O que sugere?

— Vamos mapear as florestas e deixar os batedores nas estrada. Temos que pensar antes de agir.

— Você acha que ele pode ter ido para a floresta? — Dwight perguntou.

— Você roubou a besta dele, idiota. Um homem não aprende a usar uma besta do dia para a noite. Ele pescou os peixes, tinha habilidade. Eu o observei. Enquanto vocês idiotas estão bancando os machões, eu estava observando. Ele é um caçador. E garanto que ele sabe viver na floresta.

— Se ele foi para a floresta vai esperar uns dias ate a poeira baixar. — Simon falou.

— E então voltar a Alexandria. — Negan completou e eu assenti. — Ouviram a garota. Quero grupo de buscas em todas as partes da floresta. E batedores nas estradas. Vamos encontra-lo, se puderem me traze-lo vivo será melhor, mas se não tiver escolha. Matem-no.

Tremi só de pensar em mata-lo. Mas Daryl sabia que ele tinha um alvo nas costas, eu só precisava acreditar que ele não faria qualquer loucura. E que iria ate o Reino. La eu poderia vê-lo quando fosse visitar Ezequiel que seria daqui a 3 dias.

Esperava ter feito a escolha certa, ter apostado na pessoa certa para destruir Negan.

Não poderia dizer que estava fazendo a coisa certa, mas alguém tinha que parar Negan.

Não aguentava mais ver algo que ajudei a construir se tornar isso. Saqueadores, manipuladores, aproveitadores. Eu odiava os Salvadores, e consequentemente odiava meu pai. E o que ele fez.