Esme POV

Na manhã seguinte ao acordar meus olhos encontraram os de meu marido a me sorrir:

— Bom dia, mon amour! Como foi sua noite?

— Bom dia, querido... argh, desculpe estou com bafo... a noite foi maravilhosa.

Carlisle ficou pensativo enquanto eu me levantava da cama e corri para o banheiro escovar meus dentes. Ao retornar, antes de preparar o café-da-manhã ele me disse:

— Esme, querida você chorou...? Me desculpe pelo que eu fiz — a expressão contrita em seu rosto angelical.

— Tudo bem, Carlisle.

Quando eu puxei o lençol uma pequena mancha vermelha que se destacava sob a cobertura branca. Carlisle notou ao mesmo tempo que eu:

— Esme, eu te machuquei?

— Sou uma mulher! – disse quase cantando.

Carlisle não entendeu nada. Mesmo sendo médico ele não sabia disso. Ou esqueceu-se. Não, vampiros não podem esquecer simplesmente porque tem uma memória perfeita. Isso também prova que ele era tão virgem quanto eu.

— Esme, você está bem? — ele questiona.

— Estou, claro que estou. Carlisle, isso significa – disse apontando para a mancha no centro da cama. – Significa que eu não sou mais menina – Eu estava tão contente, a ponto de explodir. Poderia sair voando como se eu tivesse esse poder maravilhoso. Estava me sentindo tão leve que poderia flutuar.

Os olhos dele se iluminaram como se ele finalmente houvesse compreendido:

— Esme, isso significa que eu machuquei você...

— Não estou nenhum pouco machucada. Não tenho nenhuma marca roxa como eu tinha quando meu pai me batia.

— Esme, eu jamais bateria em você. Não faria sentido. Nem sei por que alguém bate em alguém... mas, eu tirei seu sangue. – a voz dele de repente subiu um pouco na palavra sangue.

— Carlisle. Qualquer homem faz isso, é claro se a esposa dele for virgem. Você não precisa se sentir culpado – minha voz era séria.

— Esme você quer dizer que eu...?

— Sim, não queria perder minha virgindade com mais ninguém além de você meu querido. Valeu a pena ter esperado, foi uma noite maravilhosa.

— Mas você estava com os olhos de quem havia chorado quando eu voltei para o quarto...

— Sim, porque você me deixou... mas agora estou feliz – indiquei de novo o lençol. Como se fosse a marca patente do que nós fizemos na noite anterior. e na verdade é sim. tenho muito orgulho. Queria amarrar na sacada para todo mundo ver.

...XXX...

Me arrumei, tomamos café-da-manhã — bem apenas eu — e fui com Carlisle até a estação ferroviária, nos despedimos.

— Não quero que você vá – choramingo.

— Eu tenho que ir meu bem – diz ele afetuosamente, segura meu queixo e me dá um beijo de despedida. – Prometo que vou voltar.

— Estarei te esperando — lhe digo.

— Eu sei — ele diz e acena adeus.

Ele vai se afastando, lentamente caminhando como se ele fosse humano, e assim que embarca o trem parte apitando ruidosamente.

***XXX***

1918

Carlisle partiu a apenas seis meses mas parece uma eternidade, cada minuto sem ele é uma dor excruciante. Fiz questão de guardar a macha do lençol, mas até que um dia ela me fez pensar em algo que eu não queria que acontecesse.

Não quero que Carlisle ataque as pessoas feridas na guerra. Não entendo qual é o propósito de uma guerra. Pessoas matando pessoas. Não vejo razão. Isso não é racional.

Estou preocupada com meu marido. Não posso evitar ficar preocupada. Estou preocupada com ele, mas sobretudo com as pessoas inocentes que ele pode atacar. Mas preciso confiar que ele vai ser forte o suficiente para não atacar ninguém. Preciso acreditar em meu marido. Ele vai conseguir. Tem que conseguir. Não só para o bem dele, mas de todos os soldados.

...XXX...