A filha de Camus!
14 Recuperação!
Notas iniciais

“Ramon Oliveira”
Assunto: Importante!!!_______________________________________________14:21
Eu olhava abobada, bestificada, boquiaberta, perplexa, atônita...
"CALADA, agente já entendeu filha, continue vá"
"Affs, me deixa consciência mais arengueira"
Ele tinha tido a cara de pau de me enviado um e-mail...
"Filha, ele te colocou um par de chifre com sua prima, chama-ló de cara de pau, é até uma ofensa a tamanho ator, o cara deve ser doutor e dar aula na faculdade dos cafajestes!"
E eu continuei parada olhando a tela do notebook, não conseguia decidir se abria ou não. Será que ele me pediria desculpas? Mais o assunto do e-mail dizia importante, poderia está acontecendo algo de ruim e minha mãe não está me contando? Com esse último pensamento cliquei para abrir o e-mail, e tratei de lê-lo meio que desesperada.
“Al....
Como você está? Fiquei preocupado quando você não me deixou terminar de falar, fiquei com medo que você fizesse alguma loucura, pois geralmente você age sem pensar. Continuei ligando até uma pessoa do hotel atender e falar que você esqueceu seu celular lá, mais garantiu-me que você estava bem.
Não há desculpas plausíveis para o que fiz a você, mais pelo jeito não fui o único que traiu nessa relação! Apenas o único a se dar mal e a ser sincero (pois pelo menos tive a coragem de contar a você). Qual foi a minha surpresa quando vi o seu vídeo com aquele cara rico, nunca esperei isso de você, mas pelo jeito, todos nos enganamos com as aparências. Por falar em aparências, não consigo entender como nunca dei valor a sua beleza, você é tudo que eu sempre quis, faz meu tipo (loira, branca dos olhos claros), mas nunca te dei valor. Sinceramente não consigo entender isso.
Se quiser podemos continuar nossa relação, eu ficaria mais do que feliz em tê-la em meus braços de novo, e como sempre ninguém precisa ficar sabendo, eu realmente amo você. Saiba que o caso com sua prima foi apenas passageiro, vou me casar com ela por que nossos pais nos obrigaram, mais é você que eu quero, e sei que você também me quer, então o que acha da minha proposta?
Com amor!
Seu Ramon Oliveira”
Acho que nunca tive uma crise de riso tão grande, cara como fui idiota, eu nunca nem se quer faz o tipo dele? Ele queria loira dos olhos claros, que cara preconceituoso, por isso logo minha prima (a galeguinha da família), coloquei a mão na testa e acabei desabando a chorar "bipolar", como eu nunca tinha percebido que ele era assim, eu realmente o amei tanto e ele só esteve comigo pelo que? Por dinheiro, por fama? Ele sempre vivia me falando que era para oficializarmos o namoro, que queria que todos soubessem da nossa relação, que filho da puta.
–Alana, posso entrar? –era Hyoga que batia na porta. Fiquei em silêncio ainda meio perdida. –Se você não me deixar entrar, eu....
–Pode. –eu nem liguei para minha aparência (que cá entre nós deveria estar uma desgraça), eu só queria um abraço, queria estar naqueles braços que sempre me passavam confiança, e que sempre estaria ali por mim, sem esperar nada em troca.
Hyoga me olhou por alguns segundos, mais não perguntou nada apenas veio até e me abraçou e afagando meus cabelos (parecia que a cena de mais cedo se repetia, só que agora por motivos diferentes), enquanto eu chorava, fiquei ali até me sentir melhor, seu cheiro como sempre me acalmava e passava confiança. Hyoga só afrouxou o abraço quando me sentiu para de chorar, e ainda sem me olhar disse.
–Fiquei preocupado, seu cosmo ficou agitado, e depois pareceu tão triste, que fiquei angustiado, você está bem? –fiz que sim com a cabeça, ainda encostada em seu peito.
–Não precisa me contar o que está havendo, mais se for sobre nossa conversa saiba que...
–Não, foi isso! –puxei o notebook que estava em meu colo e passei pra ele, que piscou sem entender por alguns segundos, mais ao pegar o note ele entendeu que era para ler o e-mail.
Nunca tinha visto o rosto de Hyoga mudar de expressão tão rápido, geralmente ele estava sempre alegre (comigo), ou impassível (na maior parte do tempo que estamos com os outros), mais eu vi ali sua expressão confusa ao pegar o notebook, passar para curiosidade e está dar lugar a raiva ao perceber de quem era o e-mail, mais nada me surpreendeu quando ele deu uma gargalhada de puro ódio, que me fez arrepiar toda, aquilo me deu muito medo.
–Acho que nunca tive sede de matar alguém como tenho agora de matar esse garoto insolente. –eu agarrei automaticamente sua mão.
–Não, não faça isso por favor.
–Você ainda gosta desse canalha? –ele falou exasperado puxando sua mão bruscamente e se levantando com raiva.
–Você me acha tão idiota assim? –ele se virou para me e eu podia ver a confusão em seus olhos. –Só não quero um sangue tão sujo em suas mãos.
Ele me estudava com olhar, como se tentasse decidir se o que eu falava era verdade, ou apenas uma desculpa, por fim sua raiva foi diminuindo e ele pareceu acreditar em minhas palavras.
–Não acho que você seja idiota Alana, apenas sei como é perder o primeiro amor, o primeiro amor nunca se esquece.
–A não ser que ele seja um cafajeste sem causa, que te colocou tanto chifre que mal dá para passar pela porta. –falei fazendo bico e ele riu.
–Hora, se isso te incomoda tanto... -fez cara de pensativo. -Podemos aumentar a porta para você passar. –eu não acredito que ele estava fazendo piadinha comigo. Peguei meu travesseiro e joguei nele, este o pegou com facilidade, mesmo se acabando de rir. E foi aí que percebi que ele estava apenas de shortinho (que short o que, aquilo estava mais pra uma boxer grande, meus deuses), escondi logo o rosto entre as mãos, imagino que deveria estar super vermelha.
–Ora ora, por que minha pequena está com tanta vergonha? –ele sussurrou em meu ouvido, ai meu Zeus, aquilo era muita tentação para minha pobre alma. –Que tal um banho, acho que um banho relaxaria você, já que eu te mandei dormir e você ficou aqui brincando no computador!
–Nãoo... banho não... Sabe, eu estou realmente cansada, e se tomar banho vou perder o sono... Vou dormir agora! –e dizendo isso me escondi puxando o lençol para cima de mim, ele gargalhou como nunca e pegou o note, e fechando-o colocou na cômoda. –Boa noite pequena!
–Boa!
Ele saiu do quarto ainda rindo de mim, isso foi maldade da parte dele, claro que eu gostaria muito de um banho, mais como eu faria isso sozinha se não podia dobra o joelho, a intenção dele era de me dar banho? E o pior, meus deuses como seria amanhã, eu não poderia passar mais um dia sem banho, poderia? Resolvi que realmente era hora de dormir, meu joelho não doía mais tanto quanto antes, o remédio havia feito efeito.
Acordei com algo alisando minha cabeça, era uma mão grande e calorosa, ficou me alisando até que eu por fim, resolvi abrir os olhos, dando de cara com aquele lindo sorriso de Hyoga, que dessa vez estava mais bem vestido, uma calça preta de linho e uma regata vermelha.
–Bom dia pequena! -ele falou ainda alisando minha cabeça. -Trouxe seu café!
–Obrigada! -agradeci e tentei me levantar, mais com o esforço meu joelho doeu um pouco. Vendo meu esforço Hyoga me ajudou a me ajeitar na cama e trouxe a bandeja até mim.
Estava com tanta fome que comi sem cerimonias os pões de queijo e o suco de laranja, bem como a salada de frutas que tinha ali, ele parecia feliz por me ver comendo tudo, pois enquanto eu literalmente devorava a comida ele apenas me observava.
–Pedi ao Shun que trouxesse June para te ajudar no banho e a trocar de roupa, tudo bem? -ele me olhou apreensivo. -Seria constrangedor para você, então achei que com ela você se sentiria mais a vontade.
–June?
–A mulher do Shun, cavaleira de prata de camaleão. -ele me explicou mais calmo, talvez por me ver aliviada com a notícia de que uma mulher me ajudaria com as "tarefas" mais delicadas. -Eles se conhecem desde criança, treinaram juntos, e depois de muitas brigas acabaram se casando a alguns meses atrás.
–Serio, que máximo. -ele se levantou pegando a bandeja que eu lhe entregava. -Obrigada por chamá-la para me ajudar!
–Sem problemas. Vou mandá-la entrar tudo bem? -eu apenas assenti, enquanto ele abria a porta, dando passagem para uma loira entrar.
Ela era uma mulher com rosto de menina, tinha a pela mais avermelhada, como se pegasse muito sol, seus cabelos eram longos lisos e loiros, de um tom amarelo escuro, mais o que chamou mais atenção foram seus olhos de uma extrema cor rara, violeta.
–Ola Alana, eu sou June. -ela falou meiga e Hyoga nos deixou a sós no quarto.
–Oi Jun,e é um prazer enorme lhe conhecer. -falei sincera e ela foi logo sentando ao meu lado na cama.
–Você está bem? Está feliz de está aqui? Sente saudades de casa? Como é ser famosa? O Hyoga é legal com você? -ele me jogou todas essas perguntas e eu fiquei ali assustada sem saber o que responder, então ela ficou envergonhada. -Ai desculpe eu estraguei tudo, só estava curiosa em ter uma menina normal pra conversar sabe.
–Tudo bem, só fiquei um pouco perdida com o tanto de perguntas. -sorri para ela.
Foi divertido conversar com ela, como ela é do tipo meiga logo ficamos amigas e já conversávamos sobre tudo durante o meu banho, que cá entre nós, foi complicado e constrangedor no começo, mais no fim deu tudo certo. Ela me contou como foi namorar com o Shun, principalmente por ele ser cobiçado por muitas cavaleiras agora que era um cavaleiro de ouro, que ele era do tipo super romântico e carinhoso, mais que também era um cabeça dura sem causa, mais que acima de tudo o amava incondicionalmente. Contei para ela como estava sendo viver aqui com o Hyoga, escondendo as partes mais picantes claro, falei apenas que tinha rolando um selinho e ela já estava dando pulinhos de alegria, dizendo que seriamos logo concunhadas (o pior é que essa palavra realmente existe).
O Shun veio me visitar e eu o agradeci, não só por trazer a June, mais também por ter me ajudado na Grécia, pois graças a ele eu não havia me esborrachado no chão, ele ficou com vergonha e disse que não precisava agradecer.
Na hora do almoço todos vinheram almoçar no meu quarto, foi aquela bagunça, eu, June e Jun estávamos numa discussão acirrada com Hyoga e Shun sobre os livros de O Senhor dos Anéis, pois nós três achávamos que os livros eram perfeitos e os filmes mais ainda, já os dois diziam que só livros prestavam, por fim acabamos concordando que só com os filmes não dava pra entender toda a história, enquanto isso Julian ficava emburrado pois esse só tinha assistido ao filme e nada poderia falar sobre os livros.
E assim se passaram três dias maravilhosos com Jun e June nós fazendo companhia, mais como tudo que é bom dura pouco, assim que eu fique melhor eles foram embora, e pela primeira vez eu fiquei triste por minha capacidade de se recurar mais rápido.
Acordei um pouco animada, aquele seria o primeiro dia que Hyoga me treinaria pesado, então acordei bem cedo e fiz minha higiene matinal, descendo rapidamente para tomar café, mais paro no meio da escuda escultando uma conversa entre Jun e Julian.
–Ele deveria levá-la para ver o tumulo do pai. -dizia Julian exasperado. -Se fosse o meu eu iria querer ver.
–Julian você bem sabe o por que do Sensei não levá-la lá, além das correntes serem fortes o frio é insuportável, e ainda há o fato daquela pessoa também estar lá. -eu sabia que não deveria ficar escultando a conversa deles, era errado, mais mesmo assim sentia que deveria ficar ali.
–Se ela usasse o nosso antigo equipamento de mergulho estaria tudo bem, e sejamos sinceros, um dia ela vai acabar vendo as fotos e verá a semelhança entre elas.
–Bom tenho que concordar com você que isso é estranho, sendo o lugar dos túmulos bem perto daqui, não vejo o por que de não levá-lá lá! -falou Jun
–Eu quero ir lá! -falei entrando na sala e assustando-os.
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