A filha de Camus!
5 O acordo de Hyoga e Saory!
Notas iniciais

Quando saímos pela porta logo me deparei com um corredor, neste havia mais 3 portas, todas de madeira, e ao olhar ao redor tomei consciência de que a casa era toda erguida nesse material rustico. No fim do corredor havia uma escada, e era para lá que Hyoga me levava.
Caminhamos em silêncio (nada constrangedor, apenas calmo) e logo observei que nas paredes tinham várias fotos minha, desde a minha infância até algumas mais novas, algumas eu nem me lembrava de onde estava nelas, mais uma em especial perto do fim do corredor me chamou a atenção e eu parei abruptamente para observá-la.
Era uma foto minha e dos meus amigos, nela eu sorria com meu time recém-formado, sim time, eu tinha cerca de 14 anos e minha turma resolveu comemorar o fim do ensino fundamental jogando Paintball, mais não era por isso que eu lembrava tão vivamente daquele dia, por muito tempo eu tive pesadelos com o que aconteceu nesse dia.
Tínhamos escolhido o paintball no bairro de Mangabeira, pois ele sempre foi famoso pelo seu grande espaço, possuía em seu terreno casas, uma floresta, várias trilhas, um rio que entre um lado e outro só podia ser atravessado nadando ou por uma ponte (sempre ficava um dos funcionários de olho para ninguém se afogar), carros velhos, e um terreno aberto, com caixas de frutas de feira virados para criar esconderijos, era perfeito para jogarmos, nossa sala possuía 39 alunos, mas apenas 27 apareceram para jogar. Pagamos por 3 partidas e não por hora, e começamos a jogar as 17h pois queríamos curtir o inicio da noite, desta forma sorteamos os dois times no par ou impar, sendo eu e Ramos os lideres por sermos respectivamente presidente e vice-presidente de sala.
No fim o grupo de Ramos ficou com 14 pessoas sendo 8 mulheres, e o meu com 13, dentre eles éramos 5 mulheres o que equilibrava bastante os times, no sorteio também foi decidido o lado que cada equipe começaria, Ramon ficou com a floresta e eu com as casas, desta forma com tudo resolvido nos vestimos pegamos as armas e iniciamos o jogo. As 18:35 minha equipe já havia ganho 2 das 3 partidas que pagamos para jogar, e estava sendo muito divertido até aí, mais as meninas queriam desistir, então resolvemos deixa-las descansando no alojamento principal e jogarmos a ultima partida com novos times. Ficaram agora dois times de 12 pessoas decididos novamente na sorte, e meu time dessa vez ficou com a floresta como campo inicial. Uma chuva se iniciou mais isso só tornava as coisas mais emocionantes para nós, eu sorri com esse pensamento e avancei.
Como agora estava escuro e com a chuva eu precisava tomar mais cuidado ao avançar, mesmo assim eu corri cautelosamente pela floresta para me aproximar de uma casa, esse foi meu 1° erro, pois ao ficar próxima da casa percebi que está estava tomada pelo time inimigo, eram 3 deles, o Carlos, o Jackson e o Michel. Se fossem sós os dois primeiros eu ainda me arriscaria a tentar derruba-los, mais Michel era o mais rápido dos jogadores, sem falar que ele também era muito inteligente, seria muito arriscado, então resolvi recuar, e nas presas para sair do campo de visão deles, não prestei atenção que estava próxima de um morro, eu quase escorreguei, mais quando eu consegui me equilibrar para não cair eu me senti sendo empurrada, eu rolei morro abaixo, fiquei toda dolorida, antes de me levantar testei meu corpo para vê se não tinha quebrado nada (filha de médica aprende algumas coisas), mais estava bem, a chuva piorou de uma forma que eu quase não conseguia me manter de olhos abertos, e eu podia ouvir gritos ao longe de meus amigos tentando se reunir, ótimo agora eu estava sozinha ali.
Começou a fazer muito frio, eu levantei usando a arma como apoio, e olhando por onde cai percebi que não tinha como subir novamente, por causa da chuva estava um lamaçal só, seria imprudências minha tentar subir assim. O frio começou a me incomodar, estava tão frio que pela 1° vez na minha vida eu podia ver o ar que a minha respiração formava, eu não podia esperar a chuva parar para virem me procurar, eu poderia pegar uma pneumonia. Comecei a caminhar para achar uma saída, ficar parada só me faria ficar com mais frio, não caminhei nem 10 minutos quando achei minha solução para voltar e sorri com isso.
Do outro lado do rio estava a ponte que conectava os dois lados, só que do lado de lá a subida para a ponte era uma escada de pedra e não um barraco de barro, tudo o que eu precisava era atravessar o rio nadando, o que não seria nenhum problema, pois esse nem era tão extenso (provavelmente um 10 braçadas de distância) e nem possuía uma correnteza forte, e no mais eu sempre nadei muito bem. Aproximei-me do mesmo, como já estava molhada eu peguei a jaqueta do exercito que usava por cima da minha regata, e a amarrei na arma fazendo um suporte e amarrando a frente dos meus grandes seios (sério eles chamam bastante atenção, e me fazem parecer mais velha). Exercitei-me o máximo que minhas dores me permitiram, e pensando que minha mãe me mataria se soubesse disso, eu caminhei para dentro do rio.
Dei vários passos adentrando-o, mais ainda estava um pouco longe do meio quando precisei começar realmente a nadar, a água estava gelada de mais, mas eu não tinha escolha então mergulhei e comecei a nadar, no começo foi tudo tranquilo, mais em um certo momento eu escutei algo caindo na água, o impacto foi tão forte (provavelmente um tronco pesado de alguma árvore), que criou uma onda, deveria ser algo extremamente pesado. Eu lutei para submergir mais meu pé ficou preso em algo (na verdade parecia está sendo segurado, mais isso era ridículo), eu tentei me soltar de várias formas, e o ar começava a me faltar, então decidi usar as mãos. Nesse momento senti um solavanco e pude jurar que estava sendo puxada rio acima, a força foi tanta que me senti sendo jogada para outra parte do rio, quando consegui me firma, a água estava em minha cintura, saí da água correndo o mais rápido que pude e olhei ao redor, mais não tinha ninguém ali, um medo descomunal me atingiu, então corri o máximo que pude e subi as escadas de pedra, a chuva começou a ceder, atravessei a ponte e só parei de correr quando encontrei meus amigos. Todos estavam preocupados, então eu disse que alguém tinha me empurrado e todos negaram tê-lo feito, e pareciam está dizendo a verdade, desta forma não contei o ocorrido a ninguém. Voltei pra casa e encontrei minha mãe aflita, passei meses de castigo(vulgo férias completas), parecia que ela sabia o que tinha acontecido comigo, mais isso era impossível, me convenci de que isso era coisa de mãe e deixei pra lá.
Agora olhando para a foto tudo fazia sentido.
–Foi você, você me salvou de alguma coisa no rio. -eu falei apontando a foto, e ele riu triste descendo as escadas, e eu o segui.
–Não foi alguma coisa, foi alguém. -ele me olhou sério e me apontou o sofá para que eu sentasse, e assim o fiz. Estávamos na sala, e haviam dois sofás pretos um de 3 e outro de 2 lugares, uma lareira que estava acesa, um tapera branco, e entre os dois sofás tinha um pequeno centro, acima dele tinha uma caixinha de presente, Hyoga pegou a caixa e se sentou no sofá de dois lugares, e eu no de 3. -Depois do que eu fiz eu tinha certeza que eles viriam atrás de você, e dada a sua natureza imprudente eu e sua mãe não poderíamos te mandar para outro lugar, você com certeza daria um jeito de fugir. -ele respirou fundo e colocou a mão livre na testa.
–Eu sabia que eles tentariam te matar e aquela não foi nem a primeira vez, só que foi a única que alguém encostou em você, foi um descuido meu, não perceber que eram mais de um, quando começamos a lutar, ele tentou te esfaquear, e antes de eu pega-ló, ele conseguiu por um milésimo de segundo encostar em você, o que fez você cair morro abaixo, quando eu consegui mata-ló, eu fui te procurar. Hyoga estava de olhos fechados, mais eu podia vê o nó dos seus dedos ficando brancos devido a sua raiva, a temperatura da sala começou a cair e eu me arrependi de ter usado pouca roupa. Eu te achei atravessando o rio quando vi que mais um deles se jogou no rio adentro atrás de você, corri e te puxei de lá antes que ele te afogasse, no seu lugar, foi aquele atrevido que morreu afogado pela audácia de ter tocado em você. -ele matou alguém, só ai eu notei que isso era normal para um cavaleiro, morte era algo comum na sua vida.
–Eles? Quem são eles?-eu perguntei curiosa.
–Só eu e Mu sabíamos da sua existência até seu pai morrer. -ele parecia está escolhendo as palavras certas. -Com a morte dele a casa de Aquário ficou vazia por um tempo, até que eu completei 24 anos, idade suficiente para assumir o lugar dele, entenda Alana isso não é algo comum, um cavaleiro de bronze raramente se torna um cavaleiro de prata quem dirá um de ouro, pois poucas pessoas possuem o dom de alcançar o sétimo sentido, geralmente esse é um dom passado de pai para filho, então se subtende que eu não deveria recusar essa honra. Mais foi o que eu fiz quando Shaka o ex-cavaleiro de virgem e atual grande mestre me nomeou como o novo Cavaleiro de Ouro de Aquário.
–Sério então por que você recusou?
–Um Cavaleiro de Ouro, a não ser por ordem do grande mestre, não deve se ausentar muito tempo das Dozes Casas, então se eu me tornasse Cavaleiro de Aquário eu não poderia cumprir a promessa que fiz a meu mestre, eu não poderia proteger você. -ele brincava com o embrulho na mão enquanto falava. -Todos ficaram horrizados com minha recursa, e Seiya me perguntou o por quê, no começo eu não respondi, mais quando o grande mestre me perguntou eu tive de contar a verdade sobre você.
–Mais isso não é certo, você passou por muita coisa para receber a armadura...
–Eu não preciso da armadura, e se precisasse ela viria a mim, pois ela só responde atualmente a mim. -ele segurou firme o embrulho, suspirou e olhou para mim. -Minha preocupação era você, ao falar a todos da sua existência eu te coloquei em grande perigo, eles moveriam céus e terras para te matar, e eu sabia que eles não demorariam a te achar, pois quanto mais você crescia mais forte ficava sua áurea, o feitiço de Mu estava enfraquecendo com os anos. E como imaginei eles te encontraram e um atrás do outro eles apareciam para te matar.
–Por que eles queriam me matar? Eu não sou filha de um cavaleiro de ouro, eles deveriam assim como você me proteger ou apenas me deixar em paz, eu nunca fiz nada para ninguém. -eu não estava entendendo mais nada, ele me olhou com pena.
–Só o fato de você ter nascido já era um pecado que daria pena de morte ao seu pai. Um Cavaleiro de Ouro não pode de nenhuma forma se envolver com uma humana normal, só podem se envolver com amazonas de prata ou de bronze, e os filhos destes sempre nascem como meninos, assumindo o lugar do pai.
–Por isso seu pai e Mu tiveram tanto cuidado para te esconder, era para sua própria proteção. E eu não percebi que quando recursasse a armadura eu te colocaria em tamanho perigo.
–Mais você me protegeu todo esse tempo, e como você mesmo disse eles iriam descobrir mais cedo ou mais tarde sobre minha existência por causa da minha áurea, seja lá o que isso quer dizer. -eu me levantei e fui sentar ao seu lado. -Obrigada por tudo o que você fez por mim. -eu falei sincera.
–Não me agradeça ainda, essa não é a pior parte da história pequena. -eu me arrepiei toda com o seu tom de voz frio, ele se levantou do sofá ficando de costas pra mim. -Com as lutas para te proteger, vários cavaleiros de bronze e prata morreram, então Shaka designou Cavaleiros de Ouro para a tarefa, mais tanto Ikki,Seya,Shun e Mu se recusaram a matar uma garota inocente, e então exigimos falar com a própria Saory, só ela poderia parar essa matança.
–Ela nós ouviu e entendeu quando eu lhe expliquei a história, e todos concordamos que você não representava perigo. Mais ela nós disse que futuramente as coisas poderiam mudar, então algo deveria ser feito para impedir que pessoas inocentes se machucassem. Ela estipulou três regras para que você fosse deixada em paz.
– Primeiro, eu deveria treinar o próximo Cavaleiro de Cisne, e quando uma criança nascesse com o dom, eu deveria treina-lo para ser o novo Cavaleiro Aquário.
– Segundo, até que o novo cavaleiro estivesse apto, eu deveria ser o Cavaleiro de Ouro de Aquário, pois nesse momento a armadura só responde a mim.
–Eu teria permissão para viver na Sibéria e cuidar de você, mais se algo acontecer-se ou Athena me chamasse eu deveria voltar para a Grécia e seguir os seus comandos. -ele parou e se virou para mim, suspirou e se ajoelhou na minha frente, eu fiquei nervosa, seu rosto estava impassível, e eu não saberia dizer o que ele estava sentido agora até que ele suspirou e por fim continuou.
–E por ultimo!–ele segurou minhas mãos, pois por causa do frio eu estava esfregando-as, e com isso eu me senti um pouco mais confortável. -Quando você completasse 18 anos, para que todos te aceitasse e você pudesse ficar segura, eu deveria me casar com você.
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