A filha de Camus!
20 Matando as saudades!!!
Notas iniciais

Enquanto terminava de tomar meu “café da manhã” um barulho no meu quarto me fez virar todo o corpo na cadeira, e dele saiu Sabrina, a senhora que ajuda minha mãe com a casa, ela provavelmente havia limpado a sujeira do meu quarto, pois trazia em mãos um rodo, um balde e um desinfetante. Com esse pensamento fiquei rubra de vergonha.
–Alana, que bom que está comendo, já se sente melhor minha criança? -ela me sorria sincera, era amiga da minha mãe a anos, e ajudou a cuidar de mim desde criança, principalmente quando minha mãe dava plantões ela ficava comigo sem cobrar nada em troca, era como uma segunda mãe para mim. -Estava com saudades.
–Sabrina, me desculpe, eu acabei deixando o quarto todo sujo, e...
–Hora deixe de coisa menina, você está doente, isso é normal. -eu levantei e fui até ela a abraçando.
–Senti sua falta, você deveria usar um celular sabia!
–Não, essas tecnologias não são para essa velha senhora, agora me deixe ir que tenho de fazer umas compras para o jantar. -eu ainda roubei um beijo de sua bochecha deixando a velhinha com vergonha, essa saiu desbaratada e ao passar por Hyoga fez uma pequena reverencia com a cabeça, mas trombou em alguém que vinha saindo da cozinha.
–MÃE...... -eu corri ao vê aquela mulher ali ainda meio cambaleante que tentava ajudar a senhora a se equilibrar, mais ao ouvir minha voz esta jogou tudo pro alto e correu para me abraçar.
Corri ao seu encontro e quando os nossos corpos se chocaram foi como se todas as coisas em minha vida passassem pela minha cabeça ao mesmo tempo, e ela assim como eu só chorava, parecia que não nos víamos a séculos, eu sentia tanto a falta daquela doce mulher que me criou com tanto carinho, eu só queria transmitir o quanto a amava com aquele abraço, pude ver ainda com os olhos embaçados que Sabrina cobria a boca para esconder os soluços pois esta também chorava.
–Aqua minha filha estou tão feliz por você está bem, eu fiquei louca quando Alexei trouxe você doente. -ela dizia agora me afastando e me olhando melhor.
–Há mãe, desculpe a preocupar tanto.
–Venha cá me conte tudo! -ela olhou para Hyoga e sorriu. -Vou roubá-la um pouco de você Alexei, por favor fique a vontade.
–Obrigado Lyana, estarei no jardim Alana, e antes que eu me esqueça isso é seu pequena, o pessoal do hotel mandou junto com suas coisas que estavam lá. -ele foi até a mesa e me trouxe meu querido e amado celular. -É bom você ligar para sua amiga, antes que ela invada a casa. -ele saiu sorrindo e me deixando com minha mãe.
Minha mãe me levou para o quarto dela que ficava em frente ao meu, e enquanto nos dirigíamos para lá eu pude vê que tinha umas 50 chamadas de “Katya Louca” só de hoje no meu celular, então redigi uma rápida mensagem para ela... “Acordei praga, venha aqui para casa, estou matando as saudades de mamãe...”
Entramos no quarto e minha mãe sentou na cama e encostou as costas nesta e estirou as pernas, deu duas leves palmadinhas nas coxas me convidando a deitar ali, coisa que eu prontamente fiz, então ela começou a fazer carinho na minha cabeça.
–Como você está minha filha?
–No momento mãe, impossível não está feliz. -ela me olhou e riu. -Senti tanto sua falta.
–Eu também meu amor, estava louca de saudades de você, você nunca tinha ficado tanto tempo longe de mim, mas eu me sentia um pouco melhor sabendo que você estava segura. -ela suspirou. -Quase tive um infarto quando Alexei trouxe você desmaiada, e mesmo constatando que você não tinha nenhum machucado, eu fique preocupada quando você não acordou.
–Desculpe mãe, a culpa foi minha.
–Eu sei, e sei bem o motivo que a levou a sair, provavelmente se eu tivesse uma chance de vê seu pai mais uma vez eu faria o mesmo que você, por isso não tenho o direito de te repreender. -ela me deu um sorriso triste. -Mas saiba você que é impossível, Alexei me explicou que nem ele conseguiria te levar lá em completa segurança, e que o tal de Jun enganou você e o irmão dele.
Aquele maldito tinha me enganado, a quanto tempo ele planejava me pegar, que droga, como eu fui idiota, claro que se Hyoga pudesse ele me levaria para o tumulo do meu pai e da mãe dele.
"Agora você pensa assim né?"
"Calada maldita"
–Por isso me prometa que não fara mais nada imprudente, e que tentará ser compreensiva com o Alexei. -ela me olhou seria.
–Prometo. -cruzei os dedos na frente dos lábios selando a promessa e ela riu.
–Assim está bom. -ela sorriu sapeca. -Agora me conte até onde vocês avançaram!
–MÃE. -eu fiquei envergonhada e ela ria feito louca.
–O que? -ela fez cara de inocente. -Ora Alana é uma simples pergunta, vamos deixe de lado esses pudores bestas e conte para sua mãezinha tudo que ela está morta de curiosidade.
Não tive escolha, minha mãe sempre foi aberta para conversar comigo sobre tudo, e sempre me apoiou e aconselhou nas minhas escolhas. Acabei contando tudo aos mínimos detalhes para ela, só não falei nada sobre o “estupro” e os remédios pois achei que ela ficaria louca de preocupação, mas em compensação ela me fez dá mais detalhes do que o necessário sobre minha relação com Hyoga, e acabei dizendo que ele havia me rejeitado.
–Alana minha filha, ele não rejeitou você, qualquer idiota que olhe para vocês percebe o quanto ele é louco por você. -tenho certeza que ela enfatizou o idiota para mim, affs. -A questão é que ele não quer te prender a ele sem levar em consideração seus sentimentos, ele se preocupa tanto com você meu amor, se você tivesse visto o quão desesperado ele estava quando trouxe você para cá.
–Então a senhora acha que ele gosta mesmo de mim?
–Minha filha, eu não sabia que tinha criado uma filha cega.
–Ei...
–Só falta ele sair por aí com um cartaz com os dizeres “Eu sou louco pela Alana”. -não tive como não rir da encenação da minha mãe, sentia falta das palhaçadas dela. -Eu sei que você também gosta dele, então faça-o feliz minha filha, pois eu tenho certeza que ele fará mais do que isso por você.
–Mãe, me fale sobre o papai! -eu pedi e vi ela se perder em lembranças e sorrir como se estivesse revivendo o passado.
–Há o Camus era uma delícia de boca fechada, ele era lindo sabe, mas aquela personalidade rabugenta dele era um caus. -ela ria perdida no passado, e parecia bem mais jovem.
–Mais como vocês se deram bem se ele era rabugento, não consigo imaginar a senhora toda gaiata andando com o tipo de cara chato. -ela riu gostoso e balançou a cabeça como que concordando com minhas palavras.
–Eu também não, mas no tempo que fomos obrigados a conviver juntos brigávamos feito gato e rato, brigávamos tanto que meio que se tornou a nossa diversão infernizar um ao outro, e com o tempo aconteceu de percebemos o quanto nos desejávamos. -ela me olhou e alisou meu cabelo. -Ele me ensinou várias coisas sobre a vida e me mostrou um mundo que eu não conseguiria enxergar sozinha, por isso se você me perguntasse se eu me arrependo de algo eu diria que não, e que viveria tudo novamente, além do mais, você nasceu do nosso amor, e nós a amamos tanto, pois você era o fruto e a prova do nosso amor um pelo outro.
Nos abraçamos e daí em diante ficamos conversando sobre o papai e depois mamãe veio falar sobre os preparativos do meu casamento, e me disse que eu deveria ir com Hyoga vê o bufê e as comidas que ela escolheu, para ver se estava ao nosso gosto, bem como a floricultura, a ornamentação, e daí em diante eu já queria chorar, odeio essas coisas.
Só paramos de conversar quando Sandra veio avisar a minha mãe que já eram 17:30 e que ela precisava se arrumar para o plantão (ela mesmo não precisando ainda trabalhava, pois dizia que ser médica era ser ela mesma), então ela foi se arrumar e eu fui para o jardim vê como Hyoga estava.
Ao sair de casa me deparei com a cena mais fofa que poderia imaginar, Hyoga estava deitado com a cabeça encostada na árvore cochilando, ele parecia um anjo dormindo, então fui até ele e como sou boa pessoa, peguei um matinho e me dirigi até o mesmo, doida para fazer maldade. Quando me aproximei dele, me ajoelhei ao seu lado, tentando não fazer nenhum barulho que o despertasse, então fui com o matinho até o seu nariz, doida para perturbá-lo, quando este segurou meu braço e me puxou para cima de si.
–O que a senhorita pensa que está fazendo? -ele abriu um olho e me olhou curioso.
–Nada. -respondi com minha maior cara de santa.
–Nada é? -ele soltou meus braços e começou a me fazer cosquinha. -Hora essa, então eu também não estou fazendo nada com você.
Me levantei e comecei a correr pelo jardim (que diga-se de passagem é muito grande), e ele logo veio atrás de mim, passamos um bom tempo brincando feito crianças e só paramos quando minha mãe veio se despedir de mim antes de ir para o plantão, e já estávamos entrando quando uma voz me fez para.
–Alana Lyana Lopes sua praga do Egito, infeliz das costas oca, sangue de barata dos infernos, monstro do quitute, como você tem coragem de me mandar uma mensagem quando eu morri de te ligar sua infeliz. -era Katya, minha melhor amiga desde bom, desde sempre uai.
–Monstro do quitute? -Hyoga ria com o apelido/ofensa e Katya pareceu notar que eu não estava sozinha.
–De tudo o que ela me chamou você só ligou para o “monstro do quitute”? -eu perguntei incrédula e ela começou a rir também.
–Foi o mais estranho e engraçado. -ele respondeu simples, e a louca veio me abraçar.
–Saudades de você monstrinho!
–E eu de você louca. -eu disse a soltando e me virando para Hyoga. -Esse é Alexei Yukida, Alexei essa é minha melhor amiga...
–Samanta Katyanna da Silva Santos. -ela se adiantou apertando a mão dele. -Prazer em conhece-ló.
–O prazer é todo meu senhorita Santos.
Ela veio em minha direção e cochichou em meu ouvido “amiga diga pra mim que no mercadinho que você achou essa carne de primeira tinha mais e que você escondeu uma para mim”, eu comecei a rir e Hyoga que com certeza tinha ouvido o que ela disse pediu licença dizendo que iria nos deixar colocar a conversa em dia e saiu mais vermelho que um tomate maduro, não tive como não rir, a Katya era uma louca mesmo.
Katya ficou para o jantar e conversamos bastante, ela não me fez nenhuma pergunta sobre como eu e o Hyoga havíamos nos conhecido, mais em compensação fez tantas perguntas indiscretas que o Hyoga quase morreu engasgado várias vezes durante o jantar.
–Caramba você tirou 900 pontos na desgraça do ENEM, parabéns sua louca. -eu disse toda feliz, mas percebi que ela não estava tão animada assim. -O que ouve louquinha, qual o problema.
–Meus pais querem que eu estude direito como eles sabe, mais eu quero Engenharia de Software, então eles me disseram que se eu não fizesse o que eles queriam, eles não me ajudariam com mais nada e eu que me virasse, eles não querem uma filha que fizesse curso de homem em casa.
–O que? -eu fiquei revoltada, ainda existiam pais retrógrados nesse mundo.
–Claro que eu tenho uma grana guardada, mais não daria para nem 1 ano de curso... -eu a deixei falando sozinha na mesa e fui até meu quarto, abri o guarda-roupa e peguei meu talão de cheque reserva, peguei uma caneta e voltei a mesa, e antes que ela entendesse o que eu estava fazendo eu destaquei a folha do cheque e o coloquei na sua frente.
–Isso deve dar pelos 4 anos de curso e mais 2 até que você consiga um emprego considerável. -ela me olhou e sua boca mexia feito um peixe fora d'água.
–Eu não posso aceitar Alana, isso é errado e...
–E você é minha melhor e única amiga que sempre me apoiou e esteve ao meu lado, sejamos realistas Katya, quantas vezes você pagou meu lanche na escola quando eu não tinha dinheiro, ou me ensinou inglês quando eu não podia pagar um curso, ou...
–Mas Alana, não é a mesma coisa, 100 mil reais é muito dinheiro, eu não vou poder te pagar...
–Você enlouqueceu de vez minha filha, eu estou te dando e não emprestando e se você não aceitar eu juro que não falo com você mais, e minha mãe vai me matar por eu perder minha madrinha de casamento. -eu sorri e ela fez o mesmo e nos abraçamos. -Você estudou muito para seus pais acabarem com seus sonhos.
–Eu não sei nem como agradecer, pelas duas coisas! -ela dava pulinhos na cadeira.
–Nada de agradecer, como minha madrinha você vai comigo revisar toda a organização do casamento e do bufê. -ela fez uma cara de desgosto, que provavelmente foi igual a minha quando minha mãe me falou sobre o assunto.
–Quando você estiver no quarto período do curso me envie um e-mail, que eu farei questão que você faça um intercambio de estagio em nossa filial americana. -disse Hyoga estendendo um cartão a Katya, nos duas o olhamos abismada. -Não é todo dia que encontramos alguém que tirou uma nota tão alta, nossa empresa presa por jovens talentos, e tenho certeza que não vou me arrepender de convidar você.
Depois disse a noite transcorreu mais leve, até que Katya foi embora, com a promessa de que estaria de volta as 8h em ponto para o nosso tormento. E eu e Hyoga resolvemos assistir um filme na sala, eu o deixei escolher o filme, e acabamos assistindo Matrix.
******************************************************************
Tudo estava escuro, e eu tentava, apertava os olhos tentando me acostumar com a escuridão ao meu redor, onde eu estava, o que estava acontecendo? Eu tentei tatear ao meu redor quando toquei uma parede molhada, minha mão ficou cheia do que parecia ser musgo, e quando eu tentei limpar minha mão algo forte bateu contra mim me prensando na parede.
–Saudades de mim princesa? -não, eu não podia acreditar, meu coração acelerou feito louco e um medo súbito se apoderou de mim, era ele, o maldito do Jun.
–Me largue Jun, ou...
–Ou o que? — ele foi subindo a mão por minhas pernas e só aí eu percebi que estava de saia, eu tremia de medo, e quando este rasgou minha calcinha eu comecei a me debater..
–Isso reaja, tenha medo, é assim que eu gosto...
********************************************************************
–ALANA... -Hyoga me balançava freneticamente, e só ai eu percebi que me debatia, minha garganta estava seca e dolorida, provavelmente eu havia gritado.
Parei de me debater e o olhei, este me olhou e me abraçou, segurou forte em meu cabelo e costa, o filme que antes assistíamos estava perto do final, provavelmente eu havia cochilado,
–Você está bem? -ele me perguntou sem me soltar.
–Sim... -minha voz saiu embargada pelo choro.
–Você precisa de um banho para se acalmar. -ele fez menção de me soltar e eu o abracei mais forte.
–Não, não me deixe. -eu pedi apavorada.
–Ei, eu nunca deixaria você, nunca... -ele ficou abraçado comigo até que eu me acalmasse mais, e depois foi pegar água com açúcar para mim, eu tomei e depois me levantei para tomar banho, quando eu tinha terminado de me arrumar para dormir ele veio me desejar boa noite, e antes que ele saísse do meu quarto eu agarrei sua mão.
–Dorme comigo!
Fale com o autor