A filha de Camus!
23 Diário de Hyoga! Parte 1!
Notas iniciais
Olhos grandes, castanhos e curiosos me observavam (da mesma forma que eu fazia), e diferente do que eu tinha imaginado ela veio até mim. Subiu com certa dificuldade no sofá e sentou comportadamente do meu lado esquerdo, e virou o rosto me encarando em desafio, tive uma enorme vontade de rir (como Mu a minha direita já fazia discretamente), ela era muito petulante para uma criança de três anos.
“Ela é bem diferente do que você imagina Hyoga, você vai se surpreender” –a lembrança de horas atrás, com Mu tentando me preparar para este momento.
–Mamy me falou que você é meu paid.. pain... –ela tentava lembrar a palavra.
–Padrinho, eu sou seu padrinho. –ela balançou a cabeça afirmando e seus cachos castanhos caíram em cascata por seu rosto redondo.
–O que é isso? –ela me olhava curiosa e se não fosse tão pequena eu poderia jurar que me estudava. –É tipo um pai? –talvez ela tenha associado a palavra, ou fosse só uma forma de tentar intender, mas ao me lembrar do pai dela eu tratei de ficar mais sério, não podia deixar os sentimentos de perda me dominarem. –Porque eu já tenho um pai.
–Não, não como pai, é mais como uma pessoa que sempre vai te proteger. –tentei explicar.
–Hunnnn. –ela ficou pensativa. –Isso quer dizer que você me ama? –eu fiquei sem reação e Lyana que estava a nossa frente e até então estava triste tratou de dar um breve sorriso, diferente de Mu ao meu lado que estava se remexendo, provavelmente se segurando para não gargalhar. –Mamy me disse que sempre protegemos quem amamos. –ô, agora entendi o ponto, quase deixei escapar um suspiro de alivio.
–Há sim, é mais ou menos isso. –tentei não acabar com aquela inocência infantil, meus motivos para protege-la eram tudo menos inocentes.
Ela levantou ficando em pé no sofá, e veio até mim, ficando parcialmente da minha altura, e estendeu os bracinhos pedindo colo. Eu a peguei e ela deu um sorriso bobo, então me levantei do sofá com ela em meus braços, ela ainda ria, e estava tão quentinha, ainda com aquele cheiro de bebê. Isso acalmou meu intimo, como se aplacasse um pouco a dor em meu coração, e então ela colocou suas mãozinhas em meu rosto me fazendo olhar dentro de seus olhos castanhos.
–Então eu também amarei você padrio. –por um momento eu pude jurar que senti sua energia através de suas mãos em meu rosto, uma energia quente e calorosa, tão diferente da minha e do seu verdadeiro pai.
Eu não sabia o que dizer a ela, então apenas sorri-lhe, com a certeza de que eu a protegeria de tudo e de todos. Aquela criança era minha última missão de vida, e eu a cumpriria com prazer.
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Passaram-se 4 anos desde que eu vim morar no Brasil, com a desculpa de estudar em um lugar que não chamasse tanta atenção. Agora com 17 anos eu estou terminando o ensino médio, e moro em um apartamento bem próximo da casa dos pais de Lyana (ela ainda mora com os pais por causa dos plantões no hospital), podendo assim sempre ficar de olho na Alana.
E por falar na minha protegida (que agora tem 7 anos, e é mais traquina do que qualquer moleque de sua rua), está na hora de eu passar na rua de sua casa. Não estranho ao ver enquanto subia a rua ela pendurada no pé de goiaba de sua residência. Lembro da primeira vez que ela subiu, tive de usar todo meu alto controle para não correr e tira-lá de lá, pois ela só tinha pouco mais de 5 anos. Mas graças a Atena nada aconteceu, e hoje a cena já é tão comum que eu mesmo já cansei de me perguntar se ela tem parentes macacos, pois vive pulando nos muros dos vizinhos e nas árvores deles. Acho que ela tem sorte de João Pessoa ser uma cidade tão arborizada.
–Dessa já daí sua peste, você vai lavar aquela louça. –sua vó tentava chama-lá sem gritar.
–Não desço não, é a vez de Magna lavar, eu já lavei ontem de noite e hoje de manhã. –retruncou ela se sentando em um ganho, e nem olhava para a velha senhora no chão.
–Magna quase nunca vem aqui, é você que mora aqui, então você que tem de lavar. –sua vó dizia.
–Mas eu nem almocei, por que eu tenho de lavar? –dizia ela indignada. –É sempre assim, a senhora nunca manda Magna fazer nada é só eu que tenho de fazer tudo quando ela está aqui.
–É por que ela é a princesinha da família, diferente de você que mora de favor, agora desça JÁ DAÍ. –gritou um homem que eu sabia ser o tio dela e pai de Magna. Andei mais devagar, eu não estava gostando daquela situação.
–Eu não desço não...
–Se não descer agora mesmo, quando sair daí vai levar uma surra sua pirralha ridícula. –disse ele. –AGORA DESÇA. –ele gritou, e eu podia ouvir ela fungar, aquilo me doeu, e eu parei onde estava.
–Eu não desço, só saio daqui quando minha mãe chegar.
–Pro seu azar ela está de plantão hoje, ou seja, só volta manhã sua peste. –disse a velha.
–Então eu só saiu daqui amanhã. –teimou, e eu conhecia bem aquela garota para saber que se preciso ela dormiria ali.
Fui até o beco próximo a casa dela, onde eu poderia ficar de olho nela sem chamar atenção e liguei para Lyana. Não deu nem três toques e ela me atendeu preocupada, eu nunca ligava, e se estava ligando era por que algo estava acontecendo com a Alana. Lhe expliquei rapidamente a situação e ela ficou revoltada prometendo que viria o mais rápido possível.
Em menos de dez minutos, Alan o “pai” de Alana chegou, e foi aí que eu entendi o por que Lyana o escolheu para ser pai dela.
–Alana filha desça daí! –ele disse gentilmente.
–Mais se eu descer o Lyan vai me dar uma surra. –retrucou ela.
–Hora e o que minha diabinha fez para merecer uma surra? –ele brincou.
–Ela não quer lavar a louça. –disse Lyan.
–Eu não sabia que você surra sua filha quando ela não lava a louça. –ele olhou sério para o tio dela. –Isso pode dar cadeia sabe.
–Eu já lavei a louça duas vezes pai e nem almocei, e mesmo assim eles dissera que eu teria de lavar a louça, por que Magna era a princesa da família e não podia lavar. –ela realmente era uma pestinha.
–É mesmo? –ele olhou para os dois ao seu lado. –Venha filha, desça daí, eu vou conversar com sua mãe e...
–Não é bem assim Alan, você conhece a Alana sabe como ela aumenta as coisas. –tentou aplacar a velha, mais a pestinha foi mais inteligente.
–É verdade papai, eles disseram que eu morava de favor e por isso deveria fazer tudo. –Alan que já estava vermelho de raiva, os olhou com ódio.
–VOCÊS DISSERAM O QUÊ? –gritou ele e apontou o dedo na cara do tio dela. –FAVOR??? TANTO EU QUANTO A LYANA SUSTENTAMOS VOCÊS. –ele olhou para o lado e ela já estava descendo, e mesmo com o tamanho dela ele a pegou no colo, e ela o rodeou com suas pernas, eu podia ver mesmo aquela distância que ela chorava. –Nós ainda pagamos para vocês cuidarem dela, por que Lya tinha medo que se colocássemos babas elas poderiam machucar nossa filha, mais pelo jeito não tivemos sorte. –exasperou-se ele. –Vamos arrumar suas coisas filha, aqui você não fica mais.
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–Você não pode simplesmente ignorar um chamado do grande mestre Hyoga. –dizia Shun, mas o que eu poderia fazer.
–Eu prometi a mãe dela que não passaria dessa noite Shun, eu tenho de ir busca-la. –eu já estava ficando furioso com todas aquelas regras.
–Alana já tem 18 anos Hyoga, ela não é nenhuma criança! –argumentou ele. –E no mais eu posso ir pega-la.
–E o que você dirá a ela?
–Mostrarei a carta de sua mãe e a trarei para as doze casas. –ele estava sendo sensato, então tive de concordar. –Prometo mantê-la em total segurança até você chegar.
–Obrigada irmão.
–Não há o que agradecer, eu faria isso por qualquer pessoa, você sabe. –Shun e sua mania de ser afável com todos.
Sai da casa de virgem e me dirigi para o salão do grande mestre. Desde que fiz o acordo com Saory a alguns anos atrás que nós preparamos para esse dia. Não deixando de enfatizar que me sinto apreensivo por está aqui novamente, pois desde aquele fatídico dia que não havia mais pisado aqui, passei os últimos anos me revessando em cuidar da Alana e treinar meus novos discípulos.
Mas tal foi minha surpresa quando antes mesmo de entrar no “palácio” o encontro em pé observando todo o local, então fiz uma breve reverencia em respeito.
–Mandou que me chamassem Grande Mestre?
–Sim Hyoga Cavaleiro de Aquário, temos algo a tratar sobre sua jovem futura esposa. –entonou.
–E o que seria? –pergunte confuso, eu tinha seguido todas as regras até ali.
–A jovem filha do ex-cavaleiro de Aquário, seu mestre Camus já completou 18 anos, e imagino que logo vocês estarão casados, devo lhe avisar, que se ela ferir inocentes, sendo sua mulher ou não será punida. –ele falava calmo, eu sabia que ele não hesitaria em mata-la ao menor deslize.
–Eu entendo grande mestre, se era só isso eu peço licença para me retirar.
–Pode ir!
–HYOGA! –eu ouvi Shun gritando. –corri ao seu encontro
–Shun o que ouve, onde está a Alana? –ele parecia preocupado e isso me deixou aflito.
–Em minha casa, eu a salvei de um acidente de moto...
–O QUÊ? –eu gritei já correndo para lá e ele me acompanhou.
–Eu fui busca-lá mas a encontrei no caminho, ela pilotava a moto a mais de 100k/h, e parecia realmente revoltada com algo, a peguei quando a moto bateu em algo, mais na velocidade que estava eu não pude conter todos os danos ao corpo dela quando se chocou ao meu. –ele estava bastante aflito. –Me desculpe!
–Tudo bem Shun, se ela está bem é o que importa não é? –eu agora estava uma pilha de nervos, e parei a porta, a porta que me separava dela.
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–Hyoga eles não estão aqui. – Seiya me dizia o obvio.
–Onde aqueles três se enfiaram? –eu abri a porta com tudo e sai para fora de casa com Seiya em meu encalço. –Eu fui bem claro com eles, ela não pode sair sem mim.
–Deixa de ser paranoico, eles devem só ter ido dar uma voltinha na cidade mais próxima. –ele ria enquanto eu rangia os dentes tentando me controlar. –Eles até que demoraram para te desobedecer.
Me virei para ele me preparando para despejar vários impropérios, mais parei quando senti o cosmo de Julian e Jun se elevarem, e Seiya empalideceu.
–Precisamos... –eu não parei para ouvi-lo apenas corri com todas as minhas forças até o local tão conhecido por mim.
“Que droga Alana, por que você foi para o cémiterio!” –eu sabia e temia que esse dia chegasse, sabia que ela queria vê-lo, mais era profundo e perigoso demais, eu jamais arriscaria sua vida a levando ali.
Mas nada me preparou para a cena a minha frente!
Julian estava usando a armadura de cisne, e estava totalmente ensanguentado, e sua mão direita, estava atravessada na barriga do irmão que ao me ver começou a rir, e eu pude ver ao longe deles estava caída Alana, meu coração falhou uma batida e ao me aproximar dela, meu corpo tremeu, o medo se apoderou de mim, e se ela estivesse morta? Não, ela não podia estar morta, eu ainda podia sentir a centelha de seu cosmo.
–Veja irmão, ele nunca vai se importar com nada além dela. –dizia Jun, e sangue saia de sua boca o fazendo engasgar. –Ele não salvou nossos pais daquela avalanche por que dizia que um cavaleiro não deve intervir nas escolhas humanas, mas quantos ele não matou por ela? O.. quanto ele... não interviu... na dela....
–Jun por que isso agora? –eu não entendia todo aquele ódio, muito menos o que estava acontecendo aqui.
–Eu a marquei... de... de uma.. forma que ela... jamais esquecerá... –e quando Julian retirou a mão dali este caiu para trás manchando a neve de sangue. –Adeus... irmão idiota.
Eu fiquei puto, e Julian caiu desmaiado, me deixando furioso, o que tinha acontecido ali? E como se para responder minhas perguntas vi Alana se mexer.
–Alana você está bem? -perguntou Seiya preocupado se aproximando dela.
–QUE PORRA VOCÊ ESTAVA PENSANDO? -gritou furioso, e vi quando ela colocou a mão entre as pernas e voltou com os dedos sujos de sangue.
–Eu... Eu fui estuprada. -disse e eu parei assustado, enquanto ela se inclinava para vomitar, e pouco depois desmaiou.
–MU! –eu gritei a plenos pulmões indo até ela... Eu não podia acreditar, eu não queria acreditar que isso tinha acontecido.
De todas as minhas falhas com ela, essa era a única que eu jamais poderia ter me dado ao luxo de permitir. Eu estava desesperado com ela em meus braços, a sacudi um pouco tentando reanima-la mais ela não reagia. Vi de soslaio quando Seiya pegou Julian, e partiu voando com este. Eu me deixei cair de joelhos no chão com ela em meus braços, e chorei como não chorava a tempos. Como eu pude permitir isso, como eu deixei que outro tocasse a mulher que amo! O que eu faria agora, ela jamais me perdoaria por não a proteger, meu mestre não me perdoaria, eu, eu mesmo não me perdoaria por permitir que tal atrocidade acontecesse.
–Hyoga, precisamos tira-lá daqui! –disse Mu pesaroso, tocando meu ombro.
–Para onde? –eu já não conseguia raciocinar direito.
–Para a mãe dela. –ele respirou fundo. –Lyana saberá o que fazer.
–Sim. –era o melhor para ela. Eu só não sabia como encarar aquela mulher a quem jurei dar minha vida para proteger a filha, e agora eu retornava com esta em meus braços após sofrer tal barbaridade.
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