A filha de Camus!

24 Diário de Hyoga! Fim!!!


Notas iniciais
Bom, quero agradecer a todos que pacientemente me acompanharam até aki, pois eu sei que foi um logo caminho!!! Obrigada aqueles que não desistiram de mim e me apoiaram tanto, esse capitulo eu dedico a vocês!

Esgotado, era a palavra que me definia nesse momento, e essas escadas que eram o único acesso entre as doze casas estava acabando comigo. Não que a mala em minha mão estivesse pesada, mas sim toda a bagunça que foi essa semana. Viajar entre um país e outro era realmente cansativo, e por isso que resolvi dar um fim na minha vida dupla de cavaleiro e empresário. Eu havia pedido demissão do meu cargo de CEO, para trabalhar apenas como programador na empresa, e isso me obrigou a passar a semana fora treinando e passando tudo para o meu sucessor.

Agora tudo que eu queria era chegar em casa e tomar um bom banho, e quem sabe com sorte a Alana chegasse cedo. Ainda estou me segurando para não correr atrás dela, sei que está com Mu e que enfim está levando o treinamento a sério, mais poxa eu senti tanto a sua falta nessa semana, desde que nos casamos a 2 anos atrás que nunca ficamos tanto tempo longe um do outro. Algumas vezes eu ficava um ou dois dias fora em alguma missão, ou resolvendo algo para a empresa, e talvez por isso ela tenha colocado na cabeça e infernizado a todos até que Mu a aceitasse como discípula, para que esta pudesse aprender o teletransporte. E esse era o maior motivo pelo qual eu passei direto pela casa dele, pois talvez nem Atena saiba onde eles se enfiaram para treinar.

Quando enfim alcancei a casa de aquário, quase corri para abrir a porta e na pressa não percebi que esta abriu por dentro, e eu por pouco não cai em cima do senhor que saiu de dentro da casa. Mas devo dizer que ao reconhecer o homem todo o meu cansaço sumiu e uma onda de preocupação e desespero se apoderou de mim.

–Doutor, o que faz aqui? O que ouve? Ela está bem? O que ouve com ela? –quase gritei com o homem a minha frente que mesmo com o jorro de perguntas que despejei sobre ele, se limitou apenas a me sorri e me deu espaço para entrar.

–Não se preocupe, ela está muito bem, um pouco anêmica devo dizer, mas já lhe expliquei que isso é normal, só precisará tomar cuidado... Mas é melhor você entrar, ela está ansiosa demais para sua chegada. –eu quase cai aliviado, se algo acontecesse a ela enquanto eu estivesse fora, eu não me perdoaria.

O senhor foi embora sem que eu notasse, e nem tive tempo de agradece-lo. Apesar de que no momento meu único foco era encontra-la e seguindo os cosmos (ela e Mu), eu rumei pela escada subindo-a em direção ao nosso quarto. E dali mesmo eu podia ouvir a risada dos dois.

–Bom eu já vou, vocês tem muito para conversar. –disse Mu antes mesmo que eu entrasse, e eu esperei ele abrir a porta. –Olá Hyoga!

–Mu! –nem o olhei direito apenas adentrei o quarto olhando-a, ela estava vermelha como se tivesse envergonhada de algo, e o mais estranho, não olhava para mim, parecia que um ponto do chão do quarto era mais interessante do que eu.

Quase ri com a cena, eu estava aliviado por ve-lá bem, e sabia que ela estava agindo assim por que tinha feito algo errado e não sabia como me dizer.

–Obrigado por cuidar dela Mu! –agradeci e joguei a mala no chão, e ouvi quando Mu saiu fechando a porta atrás de si.

Segui lentamente até ela que parecia ficar mais nervosa a cada passo meu, sentei na cama ao seu lado ficando de frente para ela, e não conseguia imaginar o que de tão ruim ela poderia ter feito para ficar assim. A ultima vez que ela fez essa cara foi quando colocou laxante nos abacaxis e saiu da cozinha fingindo que falava com a mãe no celular, ela sabia que Seiya não resistiria ao vê os abacaxis recém fatiados em rodelas em cima da mesa, e ela tinha raiva que beliscassem a comida antes da hora, o pobre coitado teve a maior noite de rei da sua vida, o que ela não contava era que eu também não resistiria e comeria-os. Lembro que só descobri que tinha sido ela, quando no outro dia ela não olhava diretamente para mim, e sempre me diz para não se preocupar que ela tinha certeza que não era nada sério.

–“O que você fez, sua diabinha pequena?” –eu sempre a chamava de diabinha quando ela aprontava algo, e talvez por eu ter usado um tom mais sério, ela começou a tremer e a chorar, me pedir desculpas, dizendo que só queria castigar o Seiya por ele sempre beliscar a comida. Me senti mal por vê-la tão triste, e me desculpei também, mas não antes dela prometer que não faria algo assim novamente.

–O que houve Alana? Você está bem? O médico me disse que você está anêmica, ficou com tanta saudade de mim que esqueceu de comer? –brinquei, e ela sorriu de leve e finalmente me olhou.

–Hyoga, eu tenho algo para te dizer, mas... promete não surtar? –respirei fundo, seja lá o que ela tinha aprontado eu estava preparado para ouvir, então respirando fundo manei a cabeça afirmativamente. Então ela pegou minha mão, e eu fiquei confuso quando ela a colocou na barriga. –Eu estou grávida!

“Há então era só isso, não tinha posto fogo na casa de Seiya, só estava grávida.... GRÁVIDA!”

–Hyoga, ei você tá bem? HYOGA. –a peguei no colo e comecei a girar alegremente com ela pelo quarto, deuses como eu estava feliz.

–Eu amo você... –foi tudo que consegui dizer em meio as lágrimas de felicidade...

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Eu a carregava nos braços, e mesmo com a barriga de 8 meses ela continuava linda, ainda mais naquele vestido de festa rosa, que delineava tão bem suas novas curvas. Mas eu sabia que algo a incomodava desde que saímos da festa de casamento de Katya, pois não parecia mais a menina alegre que a pouco estava com a mãe a se divertir rindo da forma como as piruás se vestiam, e posso dizer, sentar com duas mulheres que se divertem com a desgraça da sociedade, é algo “inusitado”.

Resolvi que deveria ir para o jardim da casa da mãe dela, e esperei que Lyana entrasse em casa, ela também sabia que algo estava errado com a filha, então apenas se retirou. Forrei meu palito no chão e me sentei encostando as costas na árvore, e a trouxe mais para junto de mim, colocando suas costas confortavelmente em meu peito, e alisando sua barriga.

–O que ouve? –perguntei angustiado, não gostava quando ela ficava silenciosa assim. –Você está sentindo alguma coisa?

–Não estou bem! –respondeu com a voz triste, e aquilo realmente me doeu, então puxei seu queixo a virando um pouco para mim e encostei nossas testas.

–Me diga o que está acontecendo por favor Alana, eu fiz algo? –os olhos dela se encheram de água e ela balançou a cabeça negando, e tentou se afastar, mais eu a segurei ali. –Ei, não fique assim amor, não fuja, prometemos ser sinceros sempre um com o outro. –vi quando ela mordeu o lábio inferior.

–Eu... eu... você me responderia sinceramente?

–Sempre. –nossas testas ainda coladas, eu a olhava firme, nunca mentiria para ela.

–É que eu notei hoje como estou gorda, e... e vi que mesmo me cuidando apareceram algumas estrias na barriga e... e eu sei que não sou mais tão atraente... mas... mas –ela estava nervosa, tão nervosa que não conseguia montar uma frase. Ela tentou novamente se afastar e eu a puxei de vez para mim a beijando ardentemente.

–Nunca, em nenhum momento de nossas vidas eu serei esse tipo de homem. –ela me olhou sem entender. –Você está linda, você não sabe o quanto tenho de me segurar todas as noites para não te atacar selvagemente. –ela me olhava num misto de curiosidade e vergonha. –Se você tem estrias, eu vou beija-la todas as noites, e amar não só elas mas qualquer outra marca que essa gravidez venha deixar em seu corpo, pois elas são as marcas de que você está gerando nossa filha dentro de você, e no futuro serão as lembranças de nossa história. Eu sempre vou amar você Alana, e se eu conseguir chegar a velhice do seu lado, minha única preocupação será acordar no dia seguinte e te ter saudável ali. –ela chorava, e segurava fortemente a minha mão. –Eu vi você crescer, se tornar uma mulher, a minha mulher, e agora tenho a sorte de acompanhar o desenvolvimento da nossa filha em você, todas as manhãs quando acordo, eu a olho e a trago ainda mais para mim na cama, agradecendo mentalmente a Atena, por me agraciar com mais um dia ao seu lado. Então jamais pense que eu deixaria de ama-lá por simples estética, por que eu amo o que está aqui! –levei nossas mãos entrelaçadas ao seu coração. –E nada mais me importa.

–Hyoga... –eu não a deixei falar e a beijei de leve, ela me sorriu e depois fez uma careta estranha e eu senti algo molhar o chão. Ela ficou pálida!

–Acho que a bolsa estourou. –disse num fio de voz e eu levei alguns minutos para entender a qual bolsa ela se referia, já que ela tinha levado apenas um carteira para o casamento.

–Mas... mais ainda é cedo... –eu me apavorei, tentei levantar mais ela me puxou.

–Fique calmo sim, apenas chame a mamãe, ela saberá o que fazer.

Sai correndo e na pressa acabei levando a porta da casa comigo, assuntando uma Lyana que estava tomando chá na cozinha.

–Vai nascer... –não esperei que ela entendesse, apenas corri até ela, a coloquei no colo e meio segundo depois estávamos no jardim ao lado de Alana, que estava mais branca do que já era.

–Alana filha o que aconteceu? –coloquei Lyana no chão, e está se aproximou da filha.

–A bolsa estourou mamãe. –Lyana a olhou seria.

–Precisamos ir ao hospital, as contrações vão começar logo, você precisa contar a periodicidade em que vai senti-las. Vou buscar o carro! –ela saiu correndo me deixando ali sem saber o que fazer.

Alana me estendeu os braços, como uma criança que pede colo, e eu a peguei visivelmente em pânico, eu não sabia o que fazer, ainda não estava preparado para isso, e se algo acontecesse, ainda não estava na hora de nossa filha nascer.

–Hei, fique calmo, estamos bem, nossa filha é apenas apressada. –Lyana buzinou e eu a levei até o carro.

Quando chegamos ao hospital, toda a equipe médica estava a nossa espera, Lyana provavelmente os tinha avisado, e logo Alana foi levada para fazer os primeiros exames, e depois de quase 20 "enlouquecedores" minutos sem noticias onde eu quase abri um buraco chão de tanta preocupação a mãe dela voltou já vestida como médica.

–Ela não tem passagem Hyoga, tem apenas 2 cm, teremos de fazer uma cesariana, pois ela já perdeu o liquido amniótico. –eu a olhava desesperado. –Você ira com a enfermeira Carla, ela te ajudar a se vestir, já que imagino que queira acompanhar tudo. –apenas afirmei com a cabeça, não estava em condições de pensar direito.

Fiz tudo mecanicamente, com um nervosismo aparente, mas a enfermeira não pareceu se importar, na certa já estava acostumada. Quando entrei na sala de parto, Alana já estava deitada e os médicos e enfermeiros já estavam ao seu redor.

–Mantenha ela acordada Hyoga, ela não deve dormir. –Lyana me disse e eu me aproximei dela que estava meio chorosa, e aquilo partiu meu coração.

–Vamos começar. –disse um dos médicos passando um liquido vermelho em sua barriga.

–Você esta sentido dor pequena?

–Não, acho que só sono. –ela me disse cansada.

–Ei você não deve dormir. –alisei seu rosto. –Onde está a minha pestinha...

–Eu nunca fui uma pestinha. –retrucou ela.

–Não, e quem foi que trocou o pote de sal pelo açúcar da avó quando esta não quis fazer a comida que ela gostava para fazer o que a prima queria.

–Quem nunca? –me perguntou ela sorridente, e a mãe dela me olhou como que afirmando para que eu continuasse a distrai-la. –Eu era só uma criança.

–Há, e quem foi que no ensino médio colocou cola de isopor no gel de um menino, só por que ele tinha dito a melhor amiga desta que não namoraria uma menina do cabelo de leão.

–Como você sabe disso? –ela estava boquiaberta.

–Eu sei disso e muito mais, por exemplo teve a vez em que você e Katya foram suspensas por que subiram na laje da escola para ver o eclipse solar, e ao invés de voltarem para casa, fora para o cemitério brincar com as caveiras de “ser ou não ser, eis a questão!”.

Acabamos rindo e só paramos quando ouvimos algo que eu jamais esqueceria, o chorinho de nossa bebê.

–É uma linda menina. –disse o médico a colocando entre os seios de Alana que como eu chorava feliz, e ali eu vi pela primeira vez juntas as duas mulheres mais importantes da minha vida. E quando horas depois eu peguei minha pequena pela primeira vez em meus braços, não poderia jamais imaginar que poderia ser mais feliz. Mas Alana como sempre me provava que eu estava enganado e que ela sempre iria me surpreender.

–Qual o nome vão dar para o bebê? –perguntou a enfermeira, e eu me vi pedido, ainda não tínhamos decidido isso.

–Natassia. –disse uma Alana convicta, e eu a olhei chocado, ela escolhera o nome de minha mãe. –Natassia Lyana Yukida.

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–Hyoga você não acha que o Kamui anda estranho? –perguntou Alana enquanto lavava a louça.

–Ele esteve normal nos treinos. –disse comendo mais uma fatia de minha panqueca.

Kamui era nosso filho mais novo, e diferente da irmã que sempre foi arteira e provavelmente tinha puxado o gênio da mãe (e de mim só tinha herdado a mesma cor dos olho), era o típico menino tímido, quando bebê todos o queriam pegar para o colocar no colo, já que ele e a de colo em colo e sempre abraçava que o pegasse pelo pescoço e deitava a cabeça no ombro da pessoa, e ficava tranquilamente ali, “tão fofo”, era o que eu sempre ouvia, “ele parece carente”. Eu sempre me preocupava com ele, essa forma de agir poderia trazer sérios problemas futuros, e talvez por isso eu pegava um pouco mais pesado com Kamui.

Fui tirado de meus pensamentos quando o telefone de Alana tocou, e esta assumiu um semblante preocupado ao falar com a pessoa do outro lado da linha, o que me fez ficar imediatamente em alerta.

–Desde quando? –ela perguntou sem entender. –Entendo, eu agradeço por avisa, quando ele chegar terei uma conversa séria com ele. Me desculpe o transtorno e obrigada.

–O que ouve? –perguntei me levantando com o prato na mão indo até ela.

–Era a diretora da escola do Kamui, disse que desde segunda que ele não vai a escola.

Ouvimos a porta da sala se abrir e nos entreolhamos e seguimos rapidamente para lá. Uma criança de cabelos loiros sol de 10 anos entrou, e mesmo de cabeça baixa eu sabia que meu filho estava triste, e que provavelmente seus olhos tão claros como os de Alana estavam embargados.

–Chegou cedo filho. –ele parou aos nos vê ali.

–Eu... eu... –mordeu os lábios e as primeiras lagrimas escorreram por seu rosto, e ele as limpou nervosamente. -Eu não quero mais ir para a escola mamãe.

Em nenhum momento ele me olhava, e tremia um pouco, toda sua atenção estava em Alana, e aquilo me incomodou.

–O que está acontecendo meu filho? –Alana foi até ele e se ajoelhou em sua frente, passando a mão em seu rosto molhado. Mas ele continuava silencioso, e a abraçou.

–O que houve Kamui, por que você está agindo assim? –eu disse um pouco bravo, mais me arrependi na mesma hora quando o vi tremer nos braços dela. Alana levantou o levando no colo e eu a segui para a sala onde ela o sentou no sofá, e ficou de cócoras a sua frente, e eu ao seu lado.

–Nenhum de nós sairá daqui até que nos conte o que está acontecendo filho. –disse ela e eu me abaixei ao seu lado, e passei minha mão na cabeça dele.

–Somos seus pais Kamui, se algo te incomoda você tem que nos contar. –disse e ele ainda tremia, aquilo estava me deixando em total desespero, o que tinha acontecido com meu filho para o deixar assim? Alana suspirou, eu sabia que ela provavelmente estava pior do que eu, mas essa segurou sua pequena mão entre as suas e sorriu de leve para ele.

–Seja o que for, somos uma família e resolveremos juntos filho, leve o tempo que precisar para se acalmar tudo bem, agora você está em casa, e vamos ouvi-lo em silencio até que termine o que tem para nos dizer. –ela foi tão carinhosa, que eu tive de conter vontade de abraça-la.

Kamui levou um tempo para se acalmar, e mais ainda para tomar coragem para falar, ficamos em total silencio, e eu podia ver que ele me olhava de esgueira, e isso sempre o parecia desencorajar de alguma forma. Será que eu o tinha machucado, não, não podia ser isso, eu sempre tomava muito cuidado para não machuca-los em nenhum treinamento, não só por que ao sinal do menor arranhão Alana ficava fula da vida, mas por que eu mesmo tinha medo de ferir de qualquer forma um deles. Vi quando ele puxou o ar e enfim começar a falar.

–Já faz um tempo que meus colegas de classe me perturbam por eu ser diferente. –ele ainda me olhava de soslaio. –Mas na segunda eles fizeram uma brincadeira muito chata comigo. –tanto eu quanto a Alana prendemos a respiração, sem acreditar no que ouvíamos. –Eles riscaram todo o meu caderno e rasgaram alguns dos meus livros. –ele elevou a mão a bolsa e tirou o caderno de lá, nos mostrando o estrago. E eu nunca fiquei tão revoltado na vida. A palavra que mais se repetia no caderno era “viadinho”. –Eu não liguei, não era a primeira vez que faziam isso, e eu poderia comprar um caderno novo, mas... –ele parou, um pouco e me olhou pela primeira vez desde que chegara, e eu vi seus olhos tão parecidos com os de sua mãe transbordarem, e nem mesmo em minhas piores lutas eu senti tanta dor como naquele momento. –No final da aula eles se juntaram ao meu redor, e alguns até me bateram, mas mesmo assim eu não liguei, aquilo não era nada para mim, eles não podiam me ferir, mas quando o Set falou aquilo eu não pude ficar mais parado. –ele voltou a tremer. –Eu o empurrei e ele caiu, e se machucou um pouco, ralou um pouco o braço, eu me senti tão mal pelo que fiz que não consegui mais voltar lá. –relatou ele e parou.

–O que ele disse a você que o fez perder o controle filho? –perguntou Alana alisando sua mão.

–Ele disse que vocês deveriam ter vergonha de ter um filho frutinha e que meu pai quando descobrisse a verdade teria nojo de mim, assim como eles tinham. –Alana colocou a mão na minha cocha aplacando a minha raiva, ela olhou dele para mim, e só aí eu pude entender o todo da situação.

Eu havia falhado como pai, meu próprio filho tinha receio de mim, era perceptível que se eu não estivesse em casa ele teria procurado a mãe para conversar, mais a todo momento ele teve receio de mim, do que eu poderia pensar dele, e aquilo me chocou, em que momento eu deixei de ser o pai carinho e confiável para ser o pai tirano?

–Eu vou na sua escola ter uma conversinha com sua diretora e com os pais dos seus colegas de sala. –ele a olhou suplicante, implorando com o olhar que ela não o deixasse sozinho comigo, e aquilo foi como uma facada no meu peito, meu próprio filho tinha medo de mim. –E Hyoga baixe o seu cosmo, eu não quero passar a tarde tirando água da casa. –ela veio até mim e me beijou a testa carinhosa e me olhou terna, e depois foi até nosso filho e beijou o topo de sua cabeça, e eu o vi lutar para não agarra-la, deuses.

Ele a acompanhou sair com o olhar e depois fitou o chão, a mesma mania da mãe.

–Kamui? –ele relutou um pouco ao me olhar, e eu fique tenso.

–Sim pai. –ele me disse choroso.

–Me desculpe. –coloquei a mão na sua cabeça e ele me olhou ainda chorando. –Eu deveria ter percebido que algo estava errado com você. –ele balançou a cabeça negando, mais eu não o deixei falar, aquilo em partes era culpa minha. –Eu errei como pai, não só por não ter percebido que algo lhe incomodava, como quando o passei uma imagem errada sobre mim, e eu nunca vou me perdoar por isso filho. Você, sua irmã e sua mãe são a minha vida, e eu não suportar que nada se ruim aconteça a vocês filho.

–Então você não tem... raiva de mim? –aquilo cortou meu coração, pois ele soluçava e tentava falar entre o choro, eu não tive como não abraça-ló numa tentativa inútil de reconforta-lo, Atena, como as coisas ficaram assim. –Não me acha ... um.. um fraco?

–O que te faz pensar isso filho, em que momento eu o fiz pensar que me sentia assim sobre você?

–É que a Natassia mesmo sendo mulher, com a minha idade tinha sido escolhida pela armadura de leão, e... eu... eu não consigo fazer nada o que faça se orgulhar de mim pai. As vezes eu só queria ser um cavaleiro para que você também se orgulhasse de mim, mas eu tenho medo.

–Você não precisa ser um cavaleiro para que eu me orgulhe de você Kamui, eu já sinto orgulho e sempre vou sentir de te-ló como meu filho. Você é a prova do meu amor por sua mãe. O fato de você se tornar ou não um cavaleiro deve ser decisão sua, e não importa o que você decidir eu vou apoia-lo filho. –eu o sentei novamente e o fiz olhar para mim. –E sejamos sinceros, o fato da sua irmã ser uma cavaleira me deixa com cabelos brancos de preocupação. –ele riu de leve, e isso me tranquilizou um pouco. –Eu treino vocês desde novos não para serem cavaleiros, mais para que saibam se proteger, eu nem sempre estou em casa, e um dia não estarei mais na sua vida, e quando isso acontecer eu me sentirei mais tranquilo ao saber que não deixei meus filhos à mercê da vida.

–Então pai, você também não me acha estranho? –sorri para ele.

–Claro que sim, você é filho da Alana, não tinha como você não ser estranho. –ele riu com vontade e eu alisei sua cabeça. –Só não diga isso para sua mãe, ela é terrível quando nervosa. Quase sinto pena da diretora da sua escola.

Ele arregalou os olhos.

–O fato de sua irmã ser mais “danada” e você ser mais carinhoso nunca me incomodou de forma alguma, pois isso é sua personalidade, é o que torna você diferente dos outros, o que me incomoda é saber que você não confia e tem até um pouco de medo de mim. –o olhei sério. –Eu sou um cavaleiro de ouro Kamui, mais antes disso sou seu pai, então seja qual for o problema que tiver, confie em mim, você é apenas uma criança ainda, não guarde tudo para você, confie em mim e na sua mãe. E jamais pense que eu vou lhe repudiar caso você venha a gostar de garotos. -ele arregalou os olhos e ficou vermelho, e eu não tive como não rir da sua inocência. –Pra mim e para sua mãe, e posso falar com toda certeza por seus tios e primos também, que o que nos importa é sua felicidade. É que o Kamui carinho e tímido continue ele mesmo, o amor que você demonstra por tudo que faz é encantador filho, e eu não poderia desejar um filho melhor.

–Obrigada pai! –ele chorava.

–Amigos? –eu estirei a mão para ele.

–Amigos. –ele me abraçou.

–Agora vamos buscar sua irmã e tomar um sorvete na praça os três, por que tenho certeza que sua mãe vai demorar. –eu disse enxugando suas lagrimas que teimavam em cair.

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Estávamos sendo atacados, pela primeira vez em quase duas décadas, e minha preocupação e a da Alana grávida na sala com Kamui (com 14 anos), a minha filha (com 15 anos) que provavelmente lutava na casa de leão, e apesar de eles terem conseguido ultrapassar a casa que ela protegia (além de todas as outras antes desta), eu me sentia um pouco aliviado por sentir seu cosmo forte e inflado pela luta.

Kamui estava em posição de luta em frente a mãe enquanto eu lutava contra cinco já vestido com a armadura de aquário.

–Leve sua mãe para santuário Kamui! –gritei para ele, ela não podia teletransporta-los de dentro das doze casas, minha única saída era manda-la para onde Shaka a protegeria, caso mais alguns deles conseguissem passar por mim.

Mas tamanha foi minha surpresa quando um deles se esgueirou pela porta e foi em direção a eles, eu não tinha como protegê-los enquanto lutava com tantos, eu nem mesmo os alcançaria a tempo. O pânico se alojou na minha alma, ao perceber que eu não chegaria a tempo, e quando aquele ser demoníaco preparou o golpe, eu soube, que era para matar.

–Você não vai tocar na minha MÃE NEM NO MEU IRMÃO. –gritou Kamui, e uma luz dourada o envolveu, a onda de energia que se formou ali nos jogou para longe, e quando enfim consegui enxergar o que estava acontecendo, o alivio me tomou. Alana estava bem, e protetoramente a sua frente ainda na mesma posição de ataque estava nosso filho, vestindo a armadura de sagitário. Quase ri, com a coincidência de novamente irmãos vestirem aquelas armaduras (leão e sagitário), mas os inimigos a frente não me permitiram admirar muito meu filho.

Foi uma luta rápida, eles não podiam contra nós dois.

Nunca fiquei tão grato e aliviado ao mesmo tempo, graças a Kamui todos estávamos bem, e apesar dele não entender bem o porquê da armadura o ter escolhido, eu sabia, talvez sempre soubesse, que o coração amável e protetor do meu filho o faria um grande cavaleiro de ouro.

Descobrimos depois de um tempo, que aqueles seres tinham sido mandados por alguns deuses menores, que tinham medo do poder que crianças nascidas de duas pessoas com o sétimo sentido podiam ter. Sempre soubemos que isso um dia aconteceria, e eu até me surpreendi que tivesse demorado tanto para acontecer.

Alana nós presenteou naquele dia com o Katsu, que nasceu saudável, trazendo assim mais alegria para nossa casa.

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“Se você está lendo esse diário amor, é por que meu desejo de ir antes de você se realizou!

Não fique triste, eu jamais poderia viver em um mundo sem você, e nossos filhos precisam mais de você do quem de mim.

Agradeço-te por cada dia ao meu lado, por cada lágrima, abraço, sorriso, carinho e beijo!

Não posso dizer que fui feliz a seu lado Alana, por que felicidade parece uma palavra simples para definir o que cada dia com você, minha pequena.

Dizer que te amo seria um pleonasmo!

Apenas saiba que onde quer que eu esteja eu estarei lhe esperando, pois a eternidade não será suportável sem você.

Com todo Carinho e Amor do mundo!

Alexei Hyoga Yukida”

O caderno escuro, com folhas amareladas e gastas, mal dando para vê as letras que um dia ali foram caprichosamente escritas, e agora apagadas pelo tempo, caiu no chão.

Quando Katsu (agora já um senhor com 77 anos), entrou no quarto de sua mãe para chama-la para mais um almoço de domingo com os netos e bisnetos, e viu o livro ao chão, e apenas uma mão enruga para fora da cadeira a sua frente (virada para a janela e de costas para ele), onde provavelmente sua mãe estivera todo aquele tempo sentada lendo o diário de seu pai. Ele já sabia, e antes mesmo de girar a cadeira, e olhar o semblante feliz daquele senhora que tanto o amou, já chorava.

Sua mãe enfim tinha partido para encontrar seu pai nos campus elísios!

Notas finais
Obrigada!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!