A filha de Além Mar
6 Capítulo 5 - Vamos começar a brincar!
Notas iniciais

A “rainha” ou Feiticeira Negra, como preferia ser chamava, estava pronta para partir. Vestia um longo vestido de cor preta que deixava suas curvas à mostra e contrastava com sua pele extremamente pálida, e para completar uma enorme coroa de cor prata sem nenhuma pedra preciosa sobre os cabelos presos em um coque com traças. Estava digna de uma chegada triunfal, e era exatamente isso que ela planejava para aquela noite.
Desde que sua mãe, a Imperatriz Jadiz, a eterna Feiticeira Branca, havia morrido pelas mãos dos Pevensie com a ajuda do grande Aslan, ela planejará sua vingança detalhe por detalhe. Começou enfeitiçando um Lorde Anquelâno para que ele atacasse o palácio, dando assim pretexto para que os quatros reis mandassem ajuda para salvá-los da destruição, deixando assim suas tropas mais fracas, sendo o momento perfeito para atacar Cair parável e tomar Nárnia, retomando o reinado de sua amada mãe, que ela diz ser a verdadeira e legítima rainha de Nárnia.
A Feiticeira estava à frente de seu castelo de pedras perdidas em pensamentos vingativos, quando seu fiel servo o corvo chegou para lhe dar novas notícias:
—Majestade, está tudo pronto! O exercito está pronto para começar a viajem, partiremos imediatamente se assim quiser. — disse o corvo já pousado nos braços de sua dona.
—Ah sim, que maravilha! Tudo está adorável não é mesmo, nada me impedirá de tomar Nárnia agora!- disse a feiticeira com um ar vitorioso.
—Nada minha senhora? Já se esqueceu da profecia?- disse o corvo para sua senhora.
—CALADO IDIOTA!- repreendeu a feiticeira aos gritos. –Isso é apenas uma história, nenhuma garotinha irá me destruir, isso é coisa daquele leão, fica inventando profecias para tudo. Eu repito, ninguém poderá me deter!-
—Mais minha senhora, ela é filha do Grande Imperador Além Mar!- continuou o corvo.
—QUIETO! Se eu ouvir mais um piu saindo de seu pico, irei eu mesma depena-lo lento e dolorosamente! E se ela é filha desse tal ai, eu sou filha de Jadis, a verdadeira e única rainha de Nárnia!- disse a feiticeira. – Agora vá fazer algo de útil, comunique ao comandante que parta imediatamente para Cair Paravel, a viagem é longa e não quero que demorem mais que três dias. -
—Mais e a senhora, majestade?- perguntou o corvo.
—Eu irei à frente dar uma amostra do meu poder para aquelas crianças tolas!- disse a feiticeira com um sorriso malicioso nos lábios.
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—Grande Rei Pedro!- disse o Rei Luna ao ver Pedro chegar na sala dos tronos acompanhado dos três irmãos mais novos e toda sua corte. –Majestades, é um prazer enfim conhecer a vossa casa!- concluiu Luna fazendo uma rápida mesura aos quatro reis e em seguida dando um abraço de urso em cada um.
—Luna, meu amigo, é um grande prazer receber você e sua família em minha casa. Soube que trouxe boas notícias!- disse Pedro.
—As melhores possíveis meu jovem!- disse Luna com um enorme sorriso no rosto. Dava para se perceber o alívio e a gratidão que sentia naquele momento. –Tenho grande alegria em dizer que os rebeldes que resistiam já foram contidos, graças as suas tropas, bom, alguns ainda insistem em lutar, mais a o pior já se passou. Meu reino está a salvo, e eu não tenho palavras para descrever o quanto estou grato a vossas majestades!- concluiu Luna.
—Que maravilha, e o. — começou Susana. Ia perguntar sobre o pequeno Cor, mais achou melhor o fazer isso quando estivessem a sós, tudo aquilo devia ser doloroso e Susana não sabe se eles querem dividir sua dor com estranhos. –Ah, já ia me esquecendo, devemos comemorar... Uma festa, certo Lu?- concluiu Susana olhando com um sorriso nos lábios para a irmã, tentando disfarçar sua inquietação.
—Sim, um baile com tudo que temos direito! Será hoje a noite mesmo!- disse Lúcia com um ar sapeca, já que adorava toda aquela ideia de festas, bailes, danças, música e muita comida gostosa.
—Nos organizaremos tudo enquanto vocês se acomodam, já pedimos que preparassem quartos!- disse Edmundo.
—Meus amigos, não precisam se incomodar comigo... Vão ter muito trabalho... — começou Luna, mais foi interrompido por Pedro.
—Que isso Luna, eu sei que você adora uma festa. — brincou Pedro. –E além do mais, nós estamos precisando nos alegrar um pouco mesmo, e com você por perto não será difícil!- disse Pedro sorrindo enquanto dava batidinhas nas costas do velho rei.
—Minha filha amada!- disse Luna ao ver Mary se aproximar rapidamente.
—Pai, estava com tantas saudades do senhor!- disse Mary lhe abraçando forte.
—Agora tudo está perfeito... ou quase!- concluiu Luna sussurrando, deixando transparecer por alguns segundos sua tristeza.
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Lúcia estava realmente muito animada, tanto que organizou toda a festa sozinha. O salão estava todo enfeitado com as cores do estandarte de Nárnia, vermelho e dourado, e imagens do grande leão eram vistas por todo o local. Havia duas mesas enormes, uma no estremo leste e outro no extremo oeste, ambas recheadas com um delicioso banquete, com variados pratos de Nárnia e da Arquelândia. No centro, a pista de dança já estava cheia, as pessoas dançavam alegremente ao som das baladas de Nárnia, e vendo tudo aquilo estava Pedro sentado em seu trono, feliz por todos, mais ainda preocupado.
A festa seguia com muita dança e música, todos estavam felizes e despreocupados pensando que o mal já havia passado, mas aonde há alegria, a tristeza e o medo sempre vêm para se espalhar nos corações inocentes. O salão de repente ficou escuro, as tochas quase todas estavam apagadas, deixando o local sombrio e frio. O ar gélido da noite entrava pelas imensas janelas do salão e tocavam no rosto dos narnianos, lhe causando calafrios por todo o corpo. A música parou.
No meio de tudo aquilo uma mulher surgiu de um turbilhão de corvos tão negros que chegavam a brilhar. Ela se vestia como uma rainha, era a Feiticeira Negra, mas bela e jovem do que nunca. Todos ficaram paralisados na presença dela, mas o mais afetado foi Edmundo. No momento em que a viu lembrou-se do sonho que tivera na noite tempestuosa, não tinha dúvidas, era ela. Sua pele ficou pálida e ele parecia que iria desmaiar. A feiticeira vendo isso, e se me permite dizer, estava adorando tudo, começou a rir ironicamente.
—Porque a música parou? Não entendi, pensei que isso fosse uma festa!-
Demorou para alguém se recompor e a respondesse. Foi Pedro que se pronunciou, ele levantou de seu trono devagar e caminhou até ela, ficando frente a frente, e sem demonstrar medo ou nervosismo, falou:
—Está certa, mas quem seria a senhorita? Creio que todos estão curiosos, ainda mais com sua chegada tão repentina. -
—Eu?- disse a Feiticeira apontando para se mesma. –Acho que você não está preparado pra saber quem sou.-
—Pois bem, o que veio fazer aqui? Não me recordo de tê-la convidado... Na verdade não me lembro de você, nunca a vi aqui em Nárnia!- disse Pedro com os olhos semicerrados.
—Claro que não lembra!- disse a Feiticeira com um sorriso no rosto, mais logo esse sumiu. Sua face bela encheu-se de desdém. –Mais talvez você e seus pequenos irmãos se lembrem do dia em que cometeram o maior erro de suas vidas... – começou ela aumentando o tom de voz a cada palavra. –O DIA EM QUE MATARAM A MINHA MÃE... O DIA EM QUE ROUBARAM O TRONO DELA, A VERDADEIRA RAINHA DE NÁRNIA!- terminou gritando.
—Jadis... — sussurrou Edmundo com o olhar cheio de lembranças ruins.
Um sorriso de triunfo resplandecia na face da Feiticeira Negra, ela havia conseguido exatamente o que queria, deixar todos com medo e sem esperanças. Ela andou devagar até uma das mesas, pegou uma taça de vinho e tomou-a toda com um único gole, devolvendo-a a mesa.
—Esse com certeza é um dos melhores vinhos que já tomei!- disse ela como quem não quer nada, enquanto continuou a caminhar lentamente em todo o salão, parando na frente de Edmundo.
—Edmundo, o filho de Adão traidor, é um prazer enfim conhecê-lo!- disse fazendo uma mesura exagerada. – Deve ser difícil pra você, não é? Viver com eles... Ter que ficar a sombra do irmão mais velho... eu sei o que é isso querido, depois que ele matou minha amada mãe, tive que fugir para sobreviver...tive que me esconder nas sombras... Na sombra de usurpadores do meu trono- continuou ela com um tom de amargura na voz. –Mas isso não foi de tudo ruim... Tive tempo bastante para planejar minha vingança... detalhe por detalhe.- disse ela com a voz calma, o que deixava Ed mais nervoso.
Ninguém falava uma palavra sequer, estavam apavorados demais para isso, apenas observavam. A Feiticeira caminhou até as costas de Edmundo e segurou delicadamente seus ombros. –Nárnia será minha novamente... Irei matar todos que ama, seu irmão Pedro, suas duas irmãs Susana e Lúcia, todos os narnianos que tentarem me impedir. — disse ela sussurrando ao ouvido dele. –Mas tenho uma oferta pra você meu querido... Eu irei poupa-lo, se, você aceitar seu meu rei e lutar ao meu lado. Pense só as coisas que poderíamos fazer juntos... Você, o grande rei de Nárnia... Juntos seriamos imbatíveis. — concluiu ela, voltando a ficar a frente dele.
—Então o que me diz? Aceita?-
Edmundo estava com medo, ela não parecia estar brincando, mas ele não iria cair nessa de novo. Lembrou-se da conversa que teve com Aslan no dia em que foi resgatado do acampamento de Jadis. Ele não devia ter medo dela, Aslan estava do seu lado e nunca o deixaria. Ed respirou fundo, voltou a ter a postura de um rei, e confiante, falou:
—Devo admitir que é uma proposta tentadora... Mas você não faz o meu tipo!- disse Ed com um sorriso brincalhão no rosto.
—Seu tolo!- gritou a Feiticeira enfurecida. –Como ousa brincar comigo? – continuou ela. Nesse momento uma ideia passou pela cabeça da feiticeira, a fazendo rir feito uma louca. –Bom, se é brincadeira que você quer... Então vamos começar a brincar!- concluiu ela, então se virou e caminhou até o centro do salão, levantou as mãos pro céu e gritando disse:
—Que meu reinado comece agora! Nárnia entrará em escuridão, não haverá mais alegria, nem esperança, apenas tristeza, dor, trevas... -
Enquanto ela pronunciava o feitiço, todos do salão lembraram-se de coisas ruins. Pedro se lembrou dos pesadelos, Ed de Jadis, Luna do filho que lhe foi roubado... Toda a Nárnia escureceu, a lua não brilhava mais como antes e o sol também não brilharia, o mal estava se entranhando em cada árvore, cada rio, lago ou animal. Tudo não passava de trevas.
A feiticeira Negra olhava tudo ao seu redor com triunfo estampado em sua face, sua mãe ficaria orgulhosa. Ela olhou para Pedro com um sorriso malicioso nos lábios e então, novamente, um turbilhão de corvos voarão em torno dela, fazendo-a sumir.
As tochas do salão voltaram a se acender, mais o clima ainda era sombrio. Algumas crianças choravam e seus pais tentavam consola-las, Lúcia estava abraçada com Susana com o rosto escondido no vestido da irmã mais velha. Ed foi até elas e acariciou o rosto de Lúcia, sorrindo pra ela a fim de acalma-la. Depois virou para Pedro decidido.
—O que vamos fazer?- perguntou ele.
Pedro parou pra pensar um pouco e então se lembrou de algo, só podia ser disso que ela estava falando, o mal já havia chegado a Nárnia, era da Feiticeira que ela falava. O grande rei olhou para o irmão e o respondeu:
—Vamos fazer o que ela mandou, vamos procura-la!-
—Procurar? Procurar quem?- perguntou Susana sem entender nada.
—A garota dos meus sonhos, ela irá nos ajudar!-
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