A filha de Afrodite

1 Capítulo 1: Liberdade


Notas iniciais
Oiiii gente, tudo bem?
Espero que gostem da fic, é a primeira que eu escrevo sobre PJO e HDO.
Boa leitura! :D

Quando abri os olhos, ainda estava naquele maldito chalé cor-de-rosa.
Já fazia cinco anos desde a minha chegada no acampamento meio-sangue, e eu nunca consegui me acostumar com as outras filhas de minha mãe. Elas não passavam de um bando de patricinhas que tinham medo de guerras e nunca empunharam uma espada. Afrodite era mais do que isso.


Eu evitava ao máximo aquele chalé, por isso trocava de roupa na velocidade da luz. Não costumava seguir as regras do acampamento quanto ao uniforme. Na verdade, eu só usava a camiseta do acampamento quando não tinha mais opções. Hoje por exemplo, eu coloquei um top vermelho que deixava minha barriga de fora, um shorts jeans preto e saltos também pretos.
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Esperei a conselheira chefe temporária, Drew, terminar de se arrumar e nos levar para tomar café. Já na mesa de Afrodite, me sentei o mais longe possível daquelas garotas, ao lado de minha irmã, quer dizer, da minha verdadeira irmã, Emily. Ela era dois anos mais velha que eu, e tinha fugido de casa junto comigo depois que nosso pai morreu, mas, pouco antes de chegarmos ao acampamento, fomos atacadas por harpias selvagens e acabamos nos perdendo. Eu cheguei ao acampamento meio-sangue alguns dias depois, Afrodite me guiou por todo o caminho, mas não consegui me sentir em casa naquele lugar.

As meninas do nosso chalé (as quais eu nunca chamaria de irmãs) agora estavam discutindo apavoradas sobre o exército de monstros que estava marchando para o Acampamento Meio-Sangue, falando de como uma batalha iria quebrar suas unhas tão bem feitas, ou ia encher seus rostos de cortes. Aquilo me encheu de raiva, uma filha de Afrodite, Piper McLean, estava agora na a caminho da Grécia, para lutar com gigantes e impedir que Gaia desperte, e essas vacas se preocupando com a aparência. Piper McLean era a única daquele chalé, com exceção de Emily, que eu considerava minha irmã, ela era corajosa e sabia que nossa mãe não era apenas a mais bonita das deusas.

Assim que terminei o café, fui dar um passeio pelo acampamento, afinal, esse seria meu último dia ali. Eu e Emily iríamos viajar pelo mundo, tentar descobrir mais sobre esse exército de Gaia, afinal, a guerra entre os gregos e os romanos tinha passado, mas um grande exército inimigo estava marchando para os dois acampamentos. Nós duas ainda estaríamos a serviço do acampamento, mas não seríamos mais campistas. Me sentei em uma rocha, ao lado de Nico di Angelo, ele era meu amigo, havia me contado sobre seus sentimentos por Percy Jackson, e eu o ajudei a entende-los. Ele era como eu: misterioso e intimidador, só passava pelo acampamento de vez em quando, e era um dos semideuses mais poderosos que eu já conheci.

-Eu vou embora hoje.-----Ele falou, com uma voz sombria e melancólica.

-Eu também.

-Tenho um presente para você.-----Ele tirou uma faca de ferro estígio da capa preta.

-Sério, uma faca? Acho que já estou bem de arma.-----tirei meu grampo de cabelo vermelho, girei-o nos dedos e logo estava segurando uma grande espada vermelho-sangue: Calamitatis. Nico fez uma careta quando a viu.

-Sua espada é mais perigosa para mortais do que para monstros, mas, de qualquer forma, quero que fique com a faca, para se lembrar de mim.-----Eu sorrio e aceito o presente.-----Agora, se não for pedir muito, guarde essa espada, eu não gosto dela.-----Giro Calamitatis nos dedos e logo ela não passa de um grampo, que eu escondo em meu cabelo.

Não posso culpar Nico por não gostar de minha espada, ninguém se sente bem perto dela, ninguém exceto eu. Ela foi um presente de minha mãe, no meu décimo terceiro aniversário, poucos meses depois da minha chegada ao acampamento. Ela era feita de platina da perdição, um metal muito, muito antigo, usado apenas pelos filhos de Afrodite/Vênus. Se uma pessoa for tocada por minha espada, vai sentir toda a dor amorosa de sua vida de uma só vez, a dor que sofreu e que causou, não existe dor pior que essa. Para os monstros, ela era apenas mais uma arma feita de um metal capaz de pulverizá-los com um simples toque, para os mortais, era muito mais cruel. Se eu sofresse qualquer golpe de minha espada, mesmo que fosse um simples arranhão, provavelmente morreria de tanta dor no coração. Nenhuma filha de Afrodite/Vênus sofreu mais por amor do que eu, mas isso é outra história.

Corri os olhos pelo acampamento, Emily vinha correndo em nossa direção, usava um espartilho roxo com um decote enorme, calça de couro preto e uma bota preta de salto-alto horrorosa, mas que eu resolvi não criticar, não queria discutir sobre o mal gosto para sapatos de minha irmã.
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-Com essas roupas, nem parece que ainda é virgem.-----Disse assim que ela se aproximou, fazendo-a ficar da cor de nossas espadas.

Emily também tinha uma espada de platina da perdição, que era tão cruel quanto a minha, mas tinha uma aparência muito mais mortal: Rebellion. Ao ser atingida por aquela espada, a pessoa via imagens que, as vezes eram reais, as vezes eram só ilusões, das pessoas que ela mais amava sendo torturadas, também fazia as pessoas que já traíram sentirem culpa, até definhar. Quando nós nos enfrentávamos com as nossas espadas, a energia negativa gerada por elas era tão grande que todas as pessoas em um raio de 100 metros começavam a chorar.

Fiquei encarando minha irmã, perdida em meus pensamentos. Me lembrei do dia em que ela chegou no acampamento, coberta de cicatrizes e toda suja, e mesmo assim, continuava bonita. Só então entendi como os campistas se sentiram quando cheguei: intimidados. Nós intimidávamos as pessoas, éramos lindas e perigosas. Minha irmã era muito mais cruel do que parecia. Ela nunca me contou o que havia acontecido depois que nos perdemos, nem porque demorara um ano para chegar ao acampamento, o que me fazia ficar desconfiada.

Emily não mudara quase nada nesses últimos anos. Ainda prendia os cabelos em uma trança com fios de ouro, ainda usava uma correntinha banhada a ouro que eu dera para ela quando tinha 10 anos, e ela 12. Continuava mais baixa que eu, mesmo sendo dois anos mais velha. Ela era santinha demais para o meu gosto, sempre dizendo que só perderia a virgindade depois do casamento, como se nós semideuses tivéssemos esse tempo. Eu não pensava assim, tampouco ainda era virgem, para mim, se eu ficasse esperando pra perder só depois do casamento, poderia ser morta por um monstro antes disso, e acabaria morrendo virgem. Por isso fui mais rápida, perdi minha virgindade com 14 anos, em uma missão, quando a maioria dos campistas foi mandado para ver se conseguia descobrir alguma coisa sobre o labirinto de Dédalo.

Também não éramos parecidas fisicamente. Emily tinha cabelos ondulados, castanhos claros, que iam até a cintura, seus olhos, mesmo não tendo cor definida, eram mais claros que os meus, ela era muito bochechuda, e parecia uma vareta de tão reta. Eu era mais encorpada, com curvas de dar inveja. Meus cabelos eram castanho médio, caindo em uma cascata de cachos pelos meus ombros.

Afastei todos esses pensamentos e fui para o chalé, arrumar minha mochila. Felizmente, Piper tinha me dado uma mochila de ouro na sua última passagem pelo acampamento, aquela mochila era muito grande por dentro, mas do tamanho normal por fora. Coloquei tudo o que eu tinha lá dentro: roupas, sapatos, uma bolsinha cheia de Dracmas de ouro e outra cheia de dinheiro mortal, vários pacotes de ambrósia, duas garrafas de néctar e mais algumas outras coisas. Quando olhei para o lado, Emily também já arrumava suas coisas.

Esperamos anoitecer para partir. Fomos trocar de roupa antes de sairmos. Eu coloquei uma blusinha preta com magas de renda, calça jeans, botas pretas de salto-alto e um batom vermelho. Coloquei a faca que Nico me deu no meu cinto de metal retorcido, joguei minha mochila dourada nas costas e saí do chalé, dando graças aos Deuses de não precisar voltar mais lá.
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Quando chego a casa grande, Emily também já está pronta, está usando seu espartilho de batalha marrom, com alguns detalhes em couro, calças também marrons, botas pretas de cano alto e batom vermelho.
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Nico está nos esperando, nos despedimos de Quíron e de alguns outros campistas, Ele me segura pela cintura e da a mão para Emily, juntos, nós três mergulhamos na sombra de uma árvore, rumo a liberdade.

Notas finais
Por favor, comentem o que acharam do capítulo, posto o próximo capítulo só quando a fic tiver comentários