A família suicida

1 A família suicida


Notas iniciais
Neste capitulo, inicio e fim de uma historia/poema

Meu estomago se empulha como o papel em minha mão

Tudo já está claro, ele já tomou sua decisão

Não voltaria mais,

Não existia mais paixão

Nunca existiu

Nada em seu coração

Assim como não sente

Esse papel na minha mão

Com letras miúdas

Escrever-lhe-ei de volta

(Ou não)

Mas meus pensamentos foram interrompidos

Pelo bater da porta

A porta do banheiro

Agora está trancada

Minha filha tinha subido, ouvi seus paços pela escada

Me ouvira ler a carta

Em voz baixa, silenciosa

E me viu com aquela cara

A famosa expressão de horror

Havia tampado a boca, solenemente

Ela era muito fraca

Não conseguiria seguir em frente

Procuraria uma faca

Fui caminhando meio morta

Para o andar de cima

Procurando uma corda

Em meio a outras linhas

Meu outro filho estava

Em uma aula de esgrima

E minha pobre fraquinha

Procurando uma faca na cozinha

Mas era tarde demais

O filho já voltara

E a filha, a fraquinha

Foi mais rápida

Um lago escarlate

Banhava a cozinha

Enfeitando o chão

Sujando minha menininha

Menininha estava morta

Quando seu irmão bateu na porta

E a abriu em seguida

O sorriso desapareceu

Quando viu a irmã caída

Procurou pela mãe

No andar de cima

E viu, pela fresta do meu quarto

Uma cadeira também caída

A abriu, hesitante

Porque não queria ver

Meus pés no ar

E a corda no pescoço

Com a expressão triste

Estampada em meu rosto

Ele ficara no fundo do poço...

Mas tinha que ter certeza

Por isso a abriu

E viu pior que esperava:

Meu cadáver sorriu!

Ainda não tinha morrido

Mas isso logo aconteceu

E de minhas mãos

A folha amassada pendeu

E aos sussurros, e olhos marejados

Ele leu:

“Escreve aqui, seu amoroso marido

Uma carta de despedida, com valoroso sentido

Sinto ao dizer, que a guerra foi perdida

Para aqueles índios comedores

De carne viva

Não sei como conseguiram

Provavelmente com o apoio de alguém

Mais forte que nós.

Nossa falta de esperança nosdetêm

E agora, digo

Que a cidade será tomada

Por esses animais pintados

Provavelmente hoje,

Quando chegar esta carta.

Depois de a ler, queime-a

Pela salvação de seu amor

Que será o único sobrevivente

Escrevo isso com dor.

Esta família que não existirá mais

Não dará de salva-los, e por isso lamento;

Lutem até o fim, por vocês mesmos,

Tentem se salvar

Mesmo que seja difícil,

a esperança dirá

Se há chance, e há.

A esperança irá salvar”

A esperança irá salvar?

Então, terminado a carta, com meus olhos espectros, vi a tribo invadir minha casa

Já com facas nas mãos, e arcos flechas, tintas em suas caras

Viram meu filho, e sorriram com ar de festa

Não poderia ir para O Além, não sem ele

O vi lutar até o fim, olhando pela fresta

Da passagem para outro mundo, esperando deixar este

Um dos pintados o acertou na barriga

Logo depois cortou-a

Saíram suas tripas

E como zumbis

Avançaram nele

Wendigos esfomeados,

Esfolaram-lhe a pele

E agora, do meu lado

A visão o fere,

Comigo e a irmã, ele vai para o além, e deixa a esperança neste mundo, em sua carne, dentro dos canibais.

Nada nos detém.

Nada OS detém.

Notas finais
O que acharam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!