A falta que elas fazem

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Feliz dia das mãães! ♥
Fui desafiada pela Thalia linda e maravilhosa a escrever uma fanfic pra ela sobre o dia das mães, e aqui estamos.
Tomara que você goste, gata ♥

~~enjoy

Sasuke não conseguia mais ficar naquela casa. Já fazia muitos anos desde a morte de Mikoto, porém era quase impossível não sentir falta dela no dia das mães. Cada canto transbordava de memórias. A cozinha parecia ter o cheiro dos bolos de chocolate, o quarto parecia conter o som da risada leve. A casa inteira gritava solidão e saudade.

Vagou pelas ruas de Konoha sozinho, com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. Tentou encontrar algum lugar que não o lembrasse de tudo o que acontecera, porém era novo demais para ir em bares e nenhum dos seus amigos poderia recebê-lo. Passou em frente à casa de Sakura e ouviu gritos pela porta fechada (ela havia deixado um cachorro de rua entrar). Seus olhos lacrimejaram e ele desviou o caminho.

Por onde passava, via mães cozinhando, assistindo à televisão ou comendo na cozinha. Elas estavam lá, dando amor, gritando ordens, cuidando de seus filhos. Continuou sem rumo até parar em frente à casa de Naruto. Ele também não tinha mãe. Não haveria gritos vindos da casa dele, nem comemoração por esse dia especial.

— NARUTO! CADÊ A MEIA NESSES PÉS?

Ficou confuso. Quem é que poderia ter dito isso? Sem pensar, abriu a porta e paralisou com a cena à sua frente. Uma mulher loira, alta, com os olhos tão azuis quanto os de Naruto o perseguia pela sala com um par de meias. Paralisado pela interrupção súbita, Naruto o encarava de cima do sofá com os olhos arregalados de pânico.

Segundos depois, a mulher desapareceu numa nuvem de fumaça e as meias caíram no chão.

— O que foi isso?

— Nada.

— Quem era ela?

— Ninguém.

— …

Sasuke sabia quem era. Observou o rosto culpado de Naruto e se aproximou até se sentar ao lado dele, tímido. Os dois ficaram quietos, cada um tentando achar uma justificativa para o que fizera (Sasuke por estar ali àquela hora, Naruto por ter feito uma mãe de mentira).

No fim, perceberam que não precisavam explicar nada. Se Sasuke se sentisse um terço tão solitário quanto Naruto, então era bem óbvio o porquê de ele estar ali. E a verdade era que Naruto criara uma mulher imaginária pelo mesmo motivo.

— Quero brincar também.

Garotos de doze anos já não diziam que queriam brincar uns com os outros, era sempre treinar, jogar ou qualquer outro verbo que não os fizesse parecer infantis. Mas, naquele momento, órfãos de mãe, sentiam-se como duas crianças pequenas.

— Eu não conheci a minha mãe, então eu criei ela.

Alguns selos de mãos e outro Naruto estava ali. Ainda de cabeça baixa, esse Naruto fez outro conjunto de selos e voltou a ser a mulher alta. Sasuke a observou com cuidado, curioso. Ela tinha os mesmos olhos que Naruto, mas um sorriso mais caloroso. Vestia um avental cor-de-rosa com flores e tinha os cabelos presos num rabo-de-cavalo alto.

— Você pode usar a sua mãe, se quiser.

Sem pensar em quanto isso era íntimo, Sasuke o imitou. Segundos depois, com o coração apertado de saudade, observou o rosto de Mikoto sorrir para ele e sorriu de volta.

— O nome dela é Mikoto.

— Prazer, dona Mikoto. — Naruto estendeu a mão. — Minha mãe não tem nome, porque eu não sei o nome dela e não quero inventar nada. Aí eu só chamo ela de mãe. Cê pode chamar de mãe do Naruto.

Com todo o respeito, Sasuke se curvou.

— Prazer, mãe do Naruto.

— Own, ele é um cavalheiro, por que você não é assim também?

A boca vermelha se escancarou em ofensa:

— Eu sou um cavalheiro!

— Ah, Naruto, até parece! Você é um ogro, parece que eu nem te criei direito!

E então, enquanto Sasuke ria e Naruto tentava se defender, a mulher se voltou para Mikoto:

— Não sei onde errei com esse menino.

— Ah, nem me fale! Deveria ver o quarto do Sasuke.

— Mãe!

— Ai, meu amor, você sabe que é verdade. Achei um rato lá semana passada.

Enquanto Naruto quase caía do sofá, Sasuke cruzou os braços e fez um bico emburrado.

— Isso é mentira!

E as duas mulheres riram enquanto os pré-adolescentes mostravam suas expressões mais insatisfeitas.

— Agora os meninos vão brincar porque nós duas precisamos fazer a janta — Mikoto anunciou. — Mas sem bagunça!

— Isso mesmo! Naruto ama lámen. Hoje vai ter bastante legumes, porque ele precisa ser saudável também. Então temos que comer lámen de porco com coisas verdes!

— Ah, não posso reclamar do Sasuke, ele ama tomate!

— Bom, Naruto come os legumes do lámen. Eu faço o melhor do mundo.

Sem quererem atrapalhar, os meninos só observaram a conversa das duas. Sempre viram os amigos passando vergonha porque os pais revelavam coisas que não deveriam, mas nenhum deles se lembrava dessa sensação (Naruto por nunca a ter tido, Sasuke por ser muito novo quando ela se foi).

— Vamos cozinhar.

Mikoto ia puxar a mãe de Naruto pela mão quando ela se voltou para o pequeno garoto:

— Quero meias nesses pés agora, mocinho!

— Não!

Com a janta esquecida, os próximos minutos foram gastos com Mikoto e a mãe sem nome de Naruto perseguindo os dois meninos (Sasuke também retirara as meias para participar da brincadeira). Eles pularam sobre o sofá e o derrubaram, o que resultou em gritos das mulheres que reclamaram da bagunça. Depois, deslizaram pelo chão e quebraram um vaso. Permitiram-se ser pegos quando iam para o corredor. A mãe de Naruto o pegou pela orelha e o levou até a sala; Mikoto prendeu Sasuke num abraço de urso e o puxou pela mão.

De braços cruzados, elas os observaram limpar tudo com muito capricho, enquanto conversavam uma com a outra sobre eles serem mal-educados. Depois, colocaram as meias e os mandaram deixá-las nos pés, ou se arrependeriam.

— Hoje é dia das mães e eu preciso ficar correndo como se não estivesse cansada o suficiente de trabalhar — reclamou a mãe de Naruto.

— Vamos comer antes que fique muito tarde — Mikoto ordenou.

Os quatro foram para a cozinha e encontraram várias e várias caixas de lámen do Ichiraku. Baixinho, Naruto se inclinou para Sasuke:

— Às vezes eu tenho irmãos gêmeos.

— Ah, entendi.

— A gente enlouquece ela.

Trocaram um sorriso cheio de cumplicidade e se sentaram para comer. Ao mesmo tempo, largaram os hashis e viraram o prato direto na boca.

— Naruto, come direito!

— Sasuke, a comida não vai fugir do prato!

— Isso são modos, meninos?

Eles se comportaram depois das repreensões, mas, sem combinar, removeram os legumes do macarrão (apesar de gostarem de comê-los). A verdade era que só queriam ouvi-las sendo mães e os obrigando a se alimentar direito.

— Se não comerem as verduras, não ganham sobremesa — avisou Mikoto.

Como se contasse um segredo, Naruto se aproximou mais de Sasuke:

— Minha mãe faz os melhores dangos do mundo.

— A minha também.

Se não fosse faz de conta, eles poderiam ter dito algo como “vamos fazer uma competição”, mas as habilidades culinárias delas dependiam das deles, então deixaram isso de lado. Não havia problema algum em ambas fazerem o melhor.

Fingindo que estavam irritados, eles comeram os legumes e mostraram para elas, dizendo o característico “tá vendo que eu tô comendo? Mereço mais dangos que ele, né?”. A briga da janta se transformou na briga pelos doces, que se transformou na briga em fazê-los escovar os dentes, que se transformou na briga por ter pasta de dente aberta sobre a pia.

E de briga em briga, eles riram e foram repreendidos, fizeram bagunça e tiveram que arrumar. Até o momento em que os dois caíram.

— Sasuke, meu amor, se machucou?

— Narutinho, bebê, deixa a mãe ver o joelho.

Não havia doído, mas eles ficaram quietinhos enquanto elas os examinavam em busca de ferimentos. Os olhos se marejaram quase ao mesmo tempo, porque os dois pensavam nas vezes em que haviam se machucado de verdade e não havia ninguém para cuidar deles.

Fecharam os olhos quando elas os abraçaram, e ficaram naquele conforto, fingindo manha por uma dor que não sentiam. A cabeça de Sasuke começou a pesar, e ele soube o porquê: usava seu chakra de forma ininterrupta há quase três horas.

— Naruto…

Não precisou dizer mais. As mães também entenderam, porque os abraços se apertaram. Mikoto acariciou os cabelos negros como sempre e o embalou de leve enquanto o segurava quase no colo.

— Você é tão bom quanto Itachi, Sasuke. Eu tenho muito orgulho de ti. Eu te amo.

A mãe que Naruto criara tinha cheiro de canela e os cabelos mais lisos do mundo. A voz era linda como a de uma princesa, e seu abraço o mais caloroso; tinha a personalidade forte e, como ele, falava alto e rápido. Ele sabia que ela não era de verdade, mas sentiu como se um pedaço de seu peito estivesse sendo arrancado mesmo assim.

— Eu nunca vou te abandonar. Você é meu menino especial e eu te amo muito, por isso sempre vou estar com você. Se comporte amanhã na escola e vá dormir cedo hoje. E não esqueça do casaco pra não ficar doente, coma as verduras e seja legal com seus professores — ela falou, com a voz de princesa embargada pelo choro.

— Eu te amo, mãe — murmuraram os dois, baixinho, em resposta.

Já sem chakra, Sasuke sentiu Mikoto desaparecer de seus braços e ouviu o bunshin de Naruto sumir também. Por ter muito mais chakra do que Sasuke, Naruto poderia ter continuado com ela por mais tempo, porém não faria isso com o amigo.

Em silêncio, voltaram a se sentar no sofá velho. A casa parecia muito vazia e silenciosa sem elas.

— Ela me disse que meu pai também sentia orgulho de mim, e que falava muito sobre mim quando eles tavam sozinhos, mesmo que só demonstrasse amor pelo Itachi. E ela fazia a melhor comida, e sempre me fazia tomar banho quando eu voltava, e arrumar o quarto, e eu nunca ficava sozinho. Quando o Itachi não podia brincar comigo, ela achava tempo. Quando eu vinha dos treinos, ela me obrigava a tomar água e comer algo leve. Antes do jantar eu precisava lavar as mãos, e ela sempre sabia quando eu não lavava. Na hora de ir dormir, ela me contava histórias e ficava comigo até eu pegar no sono e…

Não disse mais nada. Agarrou o peito tentando fazer a dor passar, mas não conseguiu. Lágrimas quentes deslizavam pelo seu pescoço e, com os olhos fechados com força, conseguia ver Mikoto em todo o seu esplendor, com o sorriso e os cabelos voando.

— Eu queria ter ouvido histórias e ter comido sopa quando ficava gripado. Uma vez eu machuquei meu pé e eu queria tanto que ela tivesse brigado comigo por ter ido brincar onde não devia. Eu ia colocar a culpa toda no Kiba, mas não precisei fazer isso, porque não tinha ninguém aqui…

Naruto também chorava, pensando no que poderia ter sido se não estivesse tão sozinho.

E de repente, sem que eles esperassem, as mãos se juntaram num aperto que prometia cumplicidade e segredo. Ninguém precisaria saber sobre o que acontecera ali, sobre as mães que criaram por já não terem mais as que queriam.

Apesar de ainda sentirem o mundo desestabilizado ao redor deles e de tudo estar errado, apertaram as mãos com força e se aproximaram um pouco, ficando ombro com ombro. A dor era o sentimento mais intenso em seus corações, porém havia conforto em compartilhar a saudade com alguém que entendia esse sentimento.

Notas finais
Oláá!
Nos vemos nos comentários ;3

Bjs e teh + ^3^//

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!