Notas iniciais
Perdoem-me por possíveis erros de português.

Uma semana atrás.

— Não! Não posso aceitar isso! – gritava Natasha ao telefone.

O clima na residência que servia de base para as operações de Egoinis estava tenso, após um dia com Eren se recuperando a situação foi relatada ao líder deles e novas ordens sobre como agiriam estavam sendo aguardadas. Nesse meio tempo, Natasha Diego e Eren puderam conversar por horas tendo Alector presente apenas com um mero observador tentando entender a ligação dos três.

Aparentemente Eren conhecia bastante do passado de seus companheiros e conseguia conversar com eles de tal forma que era visível como se sentiam a vontade com o sujeito sentado no sofá tomando uma xícara de café. Caso do passado de cada um foi exposto, piadas foram contadas e eventos mais trágicos compartilhados, mas o grosso da conversas foram respostas sobre o cenário fantástico em que estavam metidos. Alector ficou o tempo todo sentado no chão escorado na parede com os braços abraçando os joelhos enquanto ouvia e via os três.

Depois da destruição da faculdade a cidade havia entrado em estado de calamidade pública e o exército fora enviado quando os veículos de comunicação começaram a falar de terrorismo. O caos corria livre do lado de fora, mas dentro da casa parecia uma maldita reunião do chá das cinco – e eles nem eram britânicos.

Com a morte de um dos generais, fora feito um relatório e enviado para o número de celular que Ego havia deixado para que entrassem em contato, agora os quatro aguardavam a resposta. Os outros grupos subordinados a Egoinis também estavam se pondo de prontidão acreditando que a luta iria se intensificar.

Quando Egoinis ligou relatando as novas ordens Natasha ficou possessa.

— Você só pode estar de brincadeira! – berrava ela andando de um lado para o outro na sala com o celular na orelha – você nos disse que era possível desfazer a ligação de Eren com Liana!

Um pouco de silêncio.

— Hã??? Que inferno Egoinis!

A discussão continuou por mais minutos até Diego assumir a ligação. Depois de mais algum tempo com xingamentos e esclarecimentos nada favoráveis o rapaz desligou e arremessou o aparelho contra a parede perto de Alector.

Agora pairava um silêncio sepulcro na sala de estar.

— Qual é gente... – disse Eren – não façam esse drama todo. Ele não mandou me matar, mandou!?

Natasha esfregou o rosto, frustrada.

— Não, não! Ele disse para devolvermos você para aquela vadia. Para matar Liana, ela precisa estar em forma física e para isso você tem de estar ao lado dela. Isso não faz o menor sentido!!! Se era para matar Liana, porque não deixou Alector finalizar aquela desgraçada de cabelo azul ontem?!

— Porque Egoinis quer matar Yekken e Liana com suas próprias mãos. – disse Diego.

— Se fosse isso – falou Alector pela primeira vez depois de horas calado – porque já não o fazer? Ego quer deixar a cidade inteira em ruínas matando um monte de gente sem necessidade para realizar sua vingança?

Os quatro ponderaram por um tempo. As ordens era claras, desobedecê-las seria arriscado demais, embora Natasha sabia que Alector poderia matar Ego e essa ideia, que antes parecia traição, agora estava soando cada vez melhor...

— Impossível – disse Eren – Liana contou que Egoinis é imortal. As generais o prenderam porque não foram capazes de pôr um fim a vida dele.

Aquela notícia era novidade para os três.

— Isso fode tudo – disse Diego.

— O que fazemos? – Natasha estava visivelmente abalada.

Eren se levantou do sofá e respirou fundo ignorando a dor dos ferimentos.

— Tudo bem. Eu só preciso ficar perto da Liana, inevitavelmente essa bagunça mística alien ou sei-lá-o-que vai acabar. Seja pela vitória do Ego ou dos alados.

Natasha aproximou-se de Eren pousando as mãos em seu rosto.

— Vai ficar tudo bem, vamos dar um jeito de proteger você mesmo durante a luta. Ok?

Eren sorriu sem graça e apontou para Alector.

— Contanto que mantenha aquele homicida apático longe de mim.

— Se você está vivo, lixo, é por minha causa. – rebateu Alector. – que tal um pouco de gratidão?

Eren se livrou de Natasha fitando Alector.

— Terei pesadelos pro resto da minha vida depois do que vi você fazer... além do mais tenho a impressão que você é igual Liana, minha vida não vale mais do que um inseto.

Alector exibiu um risinho.

— Oh... muito perspicaz. É bem por aí.

— Chega Alector – rebateu Natasha – vamos colaborar. Eren é um de nós.

O garoto das vozes se pôs de pé estralando a coluna e o pescoço.

— Não é mesmo, mas sua vida ou sua morte agora não me vale de nada. Coloque o capuz preto de volta na cabeça, vou levá-lo para sua rainha de cabelo azul.

Eren piscou várias vezes não entendendo.

— Você me fez usar a carapuça para que eles não consigam me forçar a dizer este endereço, certo? Só que... hã... você sabe onde eles estão vivendo?

Eren encarou Natasha e Diego que deram de ombros.

— Sempre soubemos. Egoinis provocou a batalha nesta cidade porque conseguiria garantir a vantagem em muitos fatores. – disse Natasha – entendeu agora por que estamos confusos, o que ele está esperando para confrontar as duas últimas generais?

***

Eren.

Eu sabia que Liana tinha instalado sua base numa chácara em uma área rural próximo da cidade porque vi pela janela uma dimensão de pasto verde a se perder de vista, por isso não estranhei quando o taxi que Alector pagou tomou essa rota. Eles sabiam onde o inimigo estava e ainda assim não atacavam?

Bom... se eu fiquei surpreso imagine os guardas e mais de cinquenta soldados que faziam a vigília na região ao me verem chegarem lá depois de uma batalha insana que custou a vida de um dos líderes deles. Fui colocado em uma sala escura e interrogado com um polígrafo sobre a localização do inimigo, o que tinha acontecido lá, quem eram eles e todo tipo de informação possível.

Dei tudo o que sabia por que Natasha garantiu que não faria diferença. Depois de horas respondendo eles me liberaram e fui me arrastando para a casa principal da sede. Imagino que tenham pagado caro nesse lugar a julgar pela estrada de asfalto, a casa de madeira vernizada e a decoração ladrilhada da residência típicas daquelas novelas do rei do gado do século passado. Quando passei pela porta de entrada Jeane ergueu o braço lá no fundo me chamando.

— Agora não, por favor. Seus amigos me forçaram a falar um monte de coisas cansativas, se eu responder mais uma pergunta eu me mato.

— Não importa – disse ela – venha aqui.

O primeiro piso da casa tinha sido adaptado para parecer um andar de um prédio de escritório. Mesas estavam colocada em posições planejadas com computadores, impressoras e muito papel. Telas de tv foram acopladas nas paredes expondo pontos estratégicos além de acompanhar o noticiário em decorrência da situação do município.

Sentei na cadeira em frente a mesa onde Jeane digitava freneticamente alguma coisa em seu laptop. Ela era a responsável pelo levantamento de um dossiê sobre minha vida inteira. Inteira mesmo, todos os detalhes possível. Cada uma das “âncoras” dos generais precisavam ser amplamente conhecidos uma vez que os relatórios iriam para os líderes encontrarem um jeito de conhecer melhor os humanos escolhidos e assim aprofundar a relação para estabilizar a compatibilidade com os mesmo. Jeane no caso era especial, ela era a chefe desse “departamento” por isso sua mesa era maior e estava cheia de folhas espalhadas com números e fotos.

Uma dessas fotos era de uma menina branca de cabelos pretos longos, uns sete anos olhos castanhos e bochechas fofas do tipo que sua avó adoraria apertar. Peguei para olhar e vi que havia uma recompensa exorbitante para quem pudesse levar ao paradeiro dela.

— Desde quando vocês procuram crianças desaparecidas?

Jeane arrancou a folha da minha mão abruptamente.

— Não mexa nas coisas dos outros. Agora vamos falar sobre dados para melhorar a relação entre você e Liana.

— E isso lá funciona? – perguntei, cansado – ela acha que transando já o bastante para aprofundar as relações.

— Isso ajuda sim – disse Jeane – embora você ter gozado com trinta segundos não dá uma boa base de dados.

Aquela desgraçada. Todo mundo sabia!

— A primeira vez foi rápida sim, mas teve outras!

— Calado. – ela suspira acomodando-se melhor na cadeira – sei que tinha dito que não gosta de falar sobre o acidente de avião quando era criança, mas preciso saber mais.

— Mais? Mais o quê? Tem trocentos artigos falando sobre isso. Fui um “milagre” na época. Os filhos da puta exploraram minha dor enfatizando um monte de merda sobre eu ter sido o único a sobreviver.

— Não é ao acidente propriamente dito, por você ser apenas uma criança ninguém te perguntou diretamente do que se lembra ou como se sentiu. Dados emocionais são úteis, Eren.

A encarei.

— Você é uma alada. Sei que um dos caras lá fora é sua âncora. Você fez uma pesquisa minuciosa para formar uma união com ele?!

— Não. Geralmente essas uniões são simples, pessoas comuns como eu ou outros encontramos compatibilidade com facilidade. Mas os generais são diferentes. Liana em especial foi particularmente difícil... tipo muito mesmo. Tentamos gente em todos os continentes a ponto de começar a achar que não seria possível neste planeta.

Levantei-me.

— Por que será? Ela é um maldita sádica de coração de gelo da cor de seus cabelos. E agora eu vou subir as escadas porque tenho que estar perto dessa mulher “adorável”. Então, vou indo e chega dessas perguntas toscas.

Dei as costas para Jeane quando ouvi sua voz:

— Exatamente.

Virei-me.

— Hã?

— Exatamente. Liana é uma mulher dura, objetiva, direta. Cruel, sádica e com um senso de humor distorcido...mas ao mesmo tempo admirável, corajosa, forte, destemida e protetora. – seu tom de voz engrossou — não confunda as coisas pirralho. Aqui todos morreriam por ela inclusive eu. Você só é tolerado e aceito por que é sua âncora, só por isso. Não se esqueça. E antes de julgá-la como uma “sádica de coração de gelo”, pergunte-se: se Liana é assim quer dizer que é compatível com você porque você é assim?

Subi as escadas, estava muito cansado, puto, e contrariado porque sentia que Jeane tinha razão... Liana não era a sádica egoísta que eu julgara porque eu vi... eu senti sua dor na batalha. Ela não se importa com os próprios ferimentos e sim com a vida de seus soldados que tombavam. Quando sua colega general foi morta Liana chorou... chorou de tristeza e ódio e aquilo ressoou dentro de mim.

Abri a porta do quarto e me deparei com a general estirada na cama com os braços e pernas abertos na imensa cama de casal que coloram aqui. Usando apenas uma calcinha azul de renda ela estava com os olhos abertos encarando o teto e tudo o que pude fazer foi sentar na beirada do móvel de costas para Liana e pensar no que seria o melhor a ser dito sem ter a visão daqueles seios grandes me atrapalhando.

— Esse sistema de medicina de vocês é ótimo, parece nova em folha já. Vejo que não está surpresa por eu estar de volta.

— Quando aquele cara me deixou viva tive certeza que Egoinis mandou e por isso ele me quer viva e “física” nesse mundo para tentar me matar com as próprias mãos. Para isso precisa da minha âncora bem e próxima de mim. Sabia que voltaria.

Suspirei.

— Sinto muito por sua amiga.

— Sente é o caralho. – disse ela num tom calmo – está pouco se fodendo para nós. Eu sei, porque nossa união foi completa e suas emoções começaram a fluir para mim. Não há nem um pouco de empatia pelo que houve.

Virei a cabeça em sua direção e imediatamente voltei a posição inicial. Como é que eu me concentro em conversar com uma mulher gostosa semi nua deitada na cama ao meu lado?!

Arfo pesadamente.

— Tem razão. Não sinto, pode me culpar? Você matou muitos inocentes ao explodir o campus.

— É matei. Matei um monte de gente que não significava nada para você. Não havia sequer uma pessoa naquele lugar que você sentisse empatia. Sua fala é programada, programada para dizer o que qualquer um falaria estando nessa posição.

Seu tom continuava calmo.

— Não precisa mentir para mim menino, não há mais como mentir. A compatibilidade força a união de nossos sentimentos. Ficou chocado pelo que fiz, mas não triste nem zangado.

Entendo. Era isso que a união significava. Liana era capaz de me conhecer e eu a ela. Depois de um tempo em silêncio, falei sendo realmente sincero.

— Você é idiota, sabia disso? Não pode trazer soldados para uma batalha e se importar com a vida deles que se perde na luta. Guerra não é isso?

Liana não respondeu a princípio, ficou calada. Olhei para trás, ela continuava na mesma posição encarando o teto, desviei os olhos de seu corpo nu tentando organizar os pensamentos.

— General não é apenas um título – disse ela por fim – foi uma benção dada pelo próprio arcanjo Miguel. Aquele em posse de tal responsabilidade não pode mais ter uma vida comum. Nunca me apaixonarei, nunca terei filhos. Meu dever, minha missão é com meus soldados e meu povo. Só eles importam para mim. Sou alguém que deve protegê-los e nunca o contrário.

Não disse nada. Continuei sentado na cama com minhas mãos apoiada em minhas coxas. Era estranho saber que essa mulher genocida tinha bom coração com os de sua espécie. Gentileza não encaixava na figura de Liana.

— Parece que você disse a verdade quando falou que está apaixonado. O que essa mulher tem de incrível para alguém apático como você despertar tal sentimento?

A encarei, mas Liana continuava na mesma posição. Não parecia realmente interessada na conversa, só queria se distrair.

— Ela... conseguiu despertar em mim algo... indescritível. Posso dizer que ao pensar nela não tenho mais nenhum pensamento negativo. Sem medo, ansiedade, culpa ou pesar. É meu paraíso, meu objetivo na vida.

De repente a general ergueu o tronco pegando em minha nuca para me puxar contra o colchão e montou em cima de mim, seu rosto a centímetros do meu.

— Vocês, dominados pelo ego, não entendem o amor. Não sabem o que é isso, não são capazes de reconhecê-lo! – seu tom era ameaçador – o que sentem é um egoísmo profundo que lhes dá a ilusão de preenchimento. Em suas cabeças vocês idealizam o amor de uma forma e pensam que o parceiro irá seguir o roteiro, querem, ordenam, exigem que ele ou ela siga tal roteiro. Isso não é amor, é uma miragem que se desfaz na primeira luz da realidade.

Ela toca em minha testa.

— Você não ama essa mulher, só mentalizou uma ilusão dela em sua cabeça.

— Está errada.

— Não, não estou. Vocês nunca serão capazes de partilhar o amor porque não podem entender um ao outro. Não podem sentir o que o outro sente. – ela exibi um sorriso sarcástico – eu sou a única mulher neste mundo... não, neste universo que é capaz de entendê-lo... e eu te odeio.

— Não... você odeia o fato de eu ser o único homem no universo que é capaz de entendê-la, eu sou o único que pode ver o quanto está sofrendo agora. Posso ver sua vulnerabilidade... posso sentir que não é forte como todos a admiram que seja.

Liana levou uma mão a meu pescoço e começou a apertar. Quando pensei que ia me matar sufocado ela afrouxa a mão e me beija. Um beijo simples como um tocar de lábios, mas sua insistência me fez responder e logo o beijo ganhou mais força ou desespero? Eu me inundei com a Liane naqueles segundos em que nossas línguas se tocam ao mesmo tempo que meu corpo esquentava.

A general ergueu o tronco afastando nossas bocas e num movimento ágil puxou meu short junto com a cueca até a altura dos joelhos revelando meu pênis já duro. Liana apenas afastou o tecido da calcinha para o lado e pegou meu membro o ajeitando dentro dela.

Não conseguia resistir a uma onda de prazer daquela potência. Cavalgando em mim eu tinha a visão panorâmica de seu corpo atlético balançando aqueles lindos seios. Não mais pensando em nada, ergui-me também passando o braço por sua cintura enquanto chupava seus mamilos. Liana continuava os movimentos e gemia arranhando minhas costas naquela posição de sexo sentado.

Senti a dor de suas unhas enfiando em minhas omoplatas e soube que ela tinha gozado quando mordeu meu ombro ao parar de balançar os quadris. Droga, naquela situação eu não conseguia pensar em nada. A própria realidade além da general não existia. Por isso virei seu corpo de lado a colocando deitada sobre o colchão, tratei de retirar totalmente o short e a cueca os jogando em algum canto do quarto e fiz o mesmo com sua calcinha. Afastei suas pernas abrindo um arco e a penetrei novamente agora eu fazendo o movimentos com a maior força e velocidade que conseguia.

Nossos rostos voltaram a ficar próximos mesmo no movimento de vai-e-vem. Eu a beijei... a beijei não parando em nenhum momento de me mover. Afastei nossas bocas levando minhas mãos ao seus seios e continuei com mais força até sentir as pernas de Liana enroscarem em meu quadril.

Ao gozar dentro dela eu senti, por alguns milésimos de segundos, uma união completa de nossos seres.