A eterna guerra contra si mesmo.

11 Qual o problema de um homem de vinte anos ser virgem?


Eren.

Dizem que o diabo sabe mais por ser velho do que por ser diabo. É um ditado popular que sempre gostei não por ser ateu, mas por faz sentido. Imagine um médico imortal... dê tempo a esse médico para pesquisar todas as doenças e inevitavelmente ele não chegará a uma cura? Um antropólogo também, se ele tiver imortalidade não é possível que desvende todo o comportamento humano padronizado baseado na cultura adotada pela sociedade da época?

Por isso tempo é essência para se entender qualquer coisa. Tempo. Um relacionamento entre duas pessoas evolui com o passar do tempo e os lanços vão se fortalecendo ou serão destruídos. Nos dois casos, um conhecimento amplo dos dois leva... advinha só? Tempo. Dias, semanas, meses e anos. Não me engano em acreditar que conheceremos alguém perfeitamente, mas um parte desse indivíduo sim e às vezes será o bastante para uma vida saudável a dois até a velhice.

Sim... a palavra chave e repetida é TEMPO. T-E-M-P-O.

Quando o teto do shopping desabou um fragmento de pedra caiu em meu rosto forçando-me a fechar os olhos e tudo o que pude sentir foi o puxão de alguém em minhas costas. Depois disso só consegui distinguir borrões, palavras aleatórias e muita movimentação. Eu estava sendo carregado, depois fui jogado no banco de trás de um carro. A dor da pancada da pedra latejava minha face e a umidade em minha face revelava um corte que estava sangrando muito.

O carro parou, a porta abriu e mais uma vez fui puxado e carregado como um manequim mole até o interior de uma casa onde ouvia várias vozes e muita correria. Não podia distinguir nada muito bem até que colocaram-me em uma cama confortável tendo um par de mãos quentes analisando meu machucado.

— Vamos limpar isso e fazer uma sutura. – disse uma voz feminina suave. – o que houve com o braço dele?

— Vou precisa dele novo em folha para amanhã Calef. – soou a voz conhecida da mulher de cabelos azuis – foque apenas na cabeça o braço já estava assim quando o encontrei.

— Sim, general.

Limparam meu rosto, depois passaram um produto que ardeu no corte e por fim senti as pontas de uma agulha enquanto tentava deixar minha visão focada. Não sei quanto tempo passou, mas quando consegui minha visão de volta dei de cara com a mulher de cabelos azuis de braços cruzados no pé da cama encarando-me com impaciência. Observei melhor o ambiente, era um quarto comum, espaçoso com paredes brancas e uma decoração requintada. Pela coloração de luz que vinha da janela ainda era noite e a lâmpada fluorescente estava fazendo minha cabeça doer – provavelmente era por causa do machucado.

— Você já recebeu analgésicos – disse Liana naquele tom áspero – não vai ter mais porque preciso que fique consciente o máximo possível.

Notei que ela agora vestia uma simples camiseta azul sem estampa e short de pano curto... era um pijama? Seus cabelos estavam soltos na costas revelando a personificação de uma princesa de anime.

— Hã... perdoe-me se estou confuso... mas... é... – limpei a garganta para falar direito – que PORRA FOI QUE ACONTECEU!????

Liana balançou a cabeça na negativa.

— Não é possível que meu par seja um maldito moleque que mal saiu das fraudas.

— O quê?

Ela deu a volta e ao tocar a cama... não houve toque. O corpo da mulher transpassou o colchão e o lençol como se ela fosse um espetro ou um fantasma e aproximou o rosto do meu dando-me um beijo. Eu senti, nossos lábios se tocaram e de repente foi como se o calor do corpo, o cheiro, o hálito, o maciez da pele... tivesse aparecido de repente. Voltei a olhar para seu joelho que agora se apoiava no colchão. Devo estar ficando louco pois dez segundos atrás podia jurar que não... a que loucura.

Liana afastou-se devagar voltando a ficar de pé ao lado da cama, começou a tocar o próprio corpo depois flexionou as duas mãos como se nunca houvesse sentido os dedos.

— Ahhh que decepção. Esse negócio de sincronia de energia deve estar errada, não é possível que sejamos compatíveis. Se houvesse conseguido ao menos beijá-lo no restaurante teria capturado aqueles servos de Egoinis.

Ela balbuciava consigo mesmo e eu continuava não entendo porra nenhuma.

— Será que dá pra explicar? Por favor?

— Venha comigo.

Ela abriu uma porta ao fundo do quarto e eu, um pouco zonzo e totalmente desnorteado a segui. Quando passei pela porta estanquei.

Era um banheiro. Do tipo grande, chique com direito a banheira e um box de vidro quase do tamanho do meu banheiro inteiro, mas não foi isso que me fez parar de maneira tão abrupta. Liana havia acabado de retirar a camiseta revelando um par de seios incríveis. Finalmente minha mente racional tomou a posição da animal e eu dei dois passos para trás fechando a porta.

— Foi mal! Eu não vi nada!

A porta então voltou a se abrir e eu fiquei... parado. Congelado. Petrificado. Imóvel. Liana já não vestia nada revelando seu corpo completamente nu diante de um cara de vinte anos com hormônios aflorando em seu potencial libido retraído.

— O que está fazendo? – perguntou ela.

— O que VOCÊ está fazendo!? – virei-me de costas para Liana – o que está acontecendo?

— Eu vou explicar, seu inútil. Então venha cá, não vou fazer isso com você fedendo a suor do jeito que está.

A mulher pega em minha mão e me puxa para dentro do banheiro.

— Fafafafa...fazer o quê?!

Sim, eu sei. Sou retardado. Estava muito na cara o que ela estava fazendo, entretanto eu sei que situações como essas são irreais demais para serem verdade, por isso eu sabia que estava delirando ou que no mínimo era alguma peça de mal gosto.

Nenhum dos dois.

Liana começou a tirar minha camisa e eu pousei as mãos em seus ombros brecando seu avanço.

— Ok! Ok! Vamos parar por aí... tenho certeza de que pode me explicar tudo sem que nós dois estejamos nus. – não consegui não olhar para baixo em direção a seu corpo escultural – oh deus.

Liana pega meus braços e os solta de seus ombros.

— O que diabos tem de errado com você? Ande logo e tire a roupa.

— Não mesmo.

Ela retesou, piscou várias vezes não entendendo.

— Não venha me dizer que é gay?

— Não – minha ereção nesse momento provava isso – mas sou um ser racional que entende qual cabeça deve controlar as ações do corpo e é a de cima, não a de baixo.

Liana leva as duas mãos às minhas bochechas forçando a olhar no fundo de seus olhos azuis.

— Escute garoto... o beijo não proverá energia o bastante para selar o contrato. Precisamos nos tornar um, tenho certeza que você entende o processo, não é? Não me agrada nem um pouco deitar-me com um ser enfadonho como você, mas tenho uma missão importante e você é minha única opção.

Engoli seco.

— Contrato? Hã? Escuta bem... Liana? Ok... – juntei as mãos tentando explicar de maneira lenta para ela – não vai rolar isso... porque... eu... não estou entendendo porcaria nenhuma! Quem é você? Quem são aqueles mascarados? Como é possível que um deles tenha quebrado um pilar de concreto com o punho?! E aquelas pessoas caídas lá sangrando... estão mortas?

Liana bufou balançando a cabeça na negativa.

— Tire a roupa, vamos fazer isso e então você entenderá. Fui clara ou quer que soletre?

— Soletra, por favor. E deixe-me pegar um caderno e uma caneta para anotar também.

O movimento foi rápido. Só tive tempo de vê-la pegar minha mão direita com a sua esquerda e um simples chute no meu pé de apoio destruiu meu ponto de equilíbrio pendendo meu corpo para trás, se Liana não tivesse me segurado tinha levado uma pancada feia no chão... embora tenha tombado de todo jeito.

Caído no banheiro a mulher montou em mim prendendo meu braços com suas mãos enquanto debruçava seu corpaço sobre o meu. Seu rosto e o meu encarando-se bem de perto.

— Talvez eu deva deixar uma coisa clara antes de tudo: Eu mando, você obedece. Entendeu?

— Eu realmente não quero fazer isso... há uma mulher especial para quem estou me guardando...

Liana soltou meu braços endireitando o tronco sobre mim. A visão panorâmica dos seus seios explodiram meus olhos acelerando meu sangue querendo esvaziar a cabeça de cima para ir para a de baixo.

— Guardando? – ela riu – o quê? Vai me dizer que é virgem?

Sou. Motivo de piada, motivo de acharem que sou homossexual, motivo de acharem que tenho disfunção erétil ou que sou hermafrodita... há tantas piadas para um cara de vinte anos que nunca fez sexo que eu já perdi a conta. Não! Nunca fiz! Contato corporal é gostoso, não nego. Mas para chegar isso em uma mulher preciso fingir que gosto do que ela diz, faz, preciso dar atenção a suas coisas e prover uma ilusão de que me importo com ela... não tenho energia para tal teatro. Eu rio daqueles que gritam aos quatro ventos que estão amando, que estão sempre juntos e fazem essas coisinha de namorados só para ver que poucos meses depois talvez até um ou dois anos separaram. Caralho ninguém vê que eles só querem preencher a carência um do outro? Esse é o real motivo então deixem claro tal razão. Não! Ficam se iludindo sobre amor numa falácia de carinho e proteção.

Não dou conta. Também não pago uma prostituta porque tenho certo nojo, é como tomar água num bebedouro de uma praça pública. Mas não sou hipócrita porque eu considero essas mulheres verdadeiras profissionais que exercem um papel fundamental na sociedade. Homens querem diversidade, ilusão de serem verdadeiros garanhões na cama como também terem seus egos inflados por comentários treinados. Prostitutas merecem ganhar tão bem quanto ganham.

— Sou. – falei – ria o quanto quiser.

Liana não riu. Encarou-me como se eu fosse uma coisa que ela nunca tinha visto na vida, uma forma de vida não-nojenta, mas indecifrável.

— Isso é sério?

— Sim, qual o problema em querer uma conexão emocional antes de ter uma carnal? Eu encontrei a mulher que finalmente vai entender quem eu realmente sou e só irei fazer sexo com ela!

Agora Liana desatou a rir. Ria não, gargalhava a ponto de seu rosto ficar vermelho – isso ainda montada em mim.

Quando se controlou, umedeceu os lábios e voltou a falar:

— Não acho que seja mentira, homens mentem sobre terem feito sexo com dezenas, centenas de mulheres... não nunca terem feito com uma. Admirável sua mentalidade, menino.

Liana então começou a esfregar o quadril com o meu, roçando duas partes conectáveis.

— Só que nada disso importa agora. Precisamos fazer, depois que essa situação for resolvida aí você volta para sua amada e minta que nada aconteceu.

— Não vai acontecer.

Liana sorriu. Um sorriso malicioso do tipo que um adulto encara uma criança birrenta que acha que sabe das coisas.

— Você diz isso, mas está duro desde que seus olhos focaram nos meus seios.

Ela percebeu!?

— Facilite para você, relaxa e aproveita. Não vai conseguir se livrar de mim mesmo que use toda sua força. Sou imensamente mais poderosa que um simples humano e aparentemente também não consegue fazer seu “amiguinho” desistir.

Liana levou as duas mãos ao botão da calça e o puxou com força arrebentando junto com o zíper rasgando a calça inteira. Dava para fazer isso?! Não, já tentou rasgar uma calça jeans na costura? Não dá! Liana voltou a pegar meus braços e batê-los contra o chão debruçando o corpo sobre o meu.

— Pode fingir que sou sua namorada, tudo isso é meramente um meio para um fim.

Não conseguia forçar meus braços! Suas mãos pareciam garras de aço. O que diabos está acontecendo?

***

Debruçado sobre a cama eu olhava para o teto branco em direção a lâmpada. Havia tomado um banho, tinha me secado e usava um confortável roupão. Minha mente aproveitava o espaço de relaxamento para divagar sobre minhas ações. Liana havia conseguido retirar minha cueca e nós transamos. É... eu fiz. Perdi a virgindade para uma completa estranha de cabelos azuis tão forte quanto a mulher maravilha. Fui forçado? Poderia dizer isso se meu pênis não fosse um maldito traidor.

Eu ria dos homens que eram pegos em suas traições devido a “carne ser fraca”, mas cá estou eu: Totalmente extasiado após chegar ao clímax não uma, nem duas... mas três vezes!!!! A primeira aconteceu tão rápido que Liana não havia notado pois continuava cavalgando em cima de mim e por algum truque sacana do meu membro ele também não desistiu... sim, meu pênis é um traidor.

Levei as mãos ao rosto! Minha determinação é tão forte quanto a droga de um castelo de areia!

— Ainda choramingando? – disse ela saindo do banheiro de roupão enquanto secava o cabelo — você realmente era virgem, afinal nenhum homem consegue ejacular três vezes sem uma pausa se não tivesse muito sêmen reprimido.

Apertei minhas mãos contra o rosto.

— Meu deus... o que foi que eu fiz?

Liana sentou na beirada da cama ainda enxugando os cabelos azuis.

— Se ajuda para o seu orgulho, você foi bem. É raro que um homem me satisfaça, tanto que já tinha perdido o gosto pelo sexo. Você me fez gozar menino, parabéns.

Tirei as mãos da cara e a encarei.

— Você não tem nem um pouquinho de vergonha para falar uma coisa dessas?

— Vergonha? De quê? Estou sendo simpática pela sua situação porque você parece sensível, mas poderia bem dizer a verdade que nunca fiquei tão cheia de gozo dentro antes, me mover em cima de você ficou fácil depois dos primeiros trinta segundos quando ejaculou a primeira vez.

— CHEGA!!!! – me coloquei de joelhos sobre a cama caindo na real – minha nossa senhora nós não usamos camisinha!

Afundei a cabeça no colchão.

— Valeu a pena – disse Liana – observe.

Ergui a cabeça e olhei para a palma de sua mão direita... em poucos segundo uma esfera de luz azul foi brilhando e se expandindo até ficar do tamanho de uma laranja. Era bonita e lembrava um rasengan do naruto – sim, eu gosto de animes. Sou um otaku virgem... era um otaku virgem, me processe!

— O que é isso? – perguntei hipnotizado.

— Graças a você restaurei uma boa parte de meu poder.

Lembra o requisito essencial que mencionei acima? Tempo? Pois é. Além de me envolver num cenário de matança e briga, minha virgindade foi perdida e é claro... aconteceram mais duas coisas totalmente irreais para um cara simples como eu no menor espaço de tempo possível!

1° Eu me casei.

2° Terminei com sangue inocente em minhas mãos enquanto assistia minha universidade queimar.