A eterna guerra contra si mesmo.

9 O ego nos faz crer que somos superiores


Notas iniciais
Perdão pelos erros de português.

— O que é o ego? Ele é um tipo de energia ruim que não sabemos quando passou a existir, mas conseguimos entender suas características comuns. Ao se apossar de quem você realmente é ela lidera alguns comportamento típicos:

Ilusão de acreditar que seu ponto de vista é um ponto final.

Necessidade compulsiva de se comparar com o padrão estético da maioria e acreditar que ele é o certo e o mais belo.

Necessidade compulsiva de autoafirmação buscando um sentido para a vida como se o fato de viver não fosse o bastante.

Arrogância em sentir superioridade em relação ao próximo por motivos banais como estética, opinião política, escolaridade, dinheiro.

Prazer em se meter em conflitos físicos e verbais por assuntos esdrúxulos.

Excesso de pensamento degradantes sobre si mesmo, a vida e o mundo à sua volta.

— Sabemos que existe a gentileza, o carinho, a compreensão e paciência. Sabemos o que é respeito e é quase unânime que gostamos dessas coisas e que elas são as mais sensatas em quase todos os temas de nosso cotidiano... por isso eu questiono... porque optamos pelo egoísmo, conflito, irritação, tristeza quando em determinado cenários que poderíamos usar uma opção de diferente? Eu lhes digo: porque o ego nos tomou e como sua energia é ruim ele só pode propagar coisas pérfidas. Quer um exemplo bem simples? Imagine que você ama ou admira muito uma determinada pessoa e de repente na fila do banco você ouve alguém falar adjetivos pejorativos e outros bem ruins sobre tal pessoa... qual sua reação? Posso adivinhar? No primeiro momento haverá um choque, seus sentimentos foram afetados ( a ilusão deles, pois suas verdadeiras emoções residem em quem você realmente é) a mente entra em choque numa fração de segundo e o corpo se retesa. Pronto. A energia negativa do seu ego é energizada porque ele o faz acreditar que está sendo atacado e como uma criatura covarde e inferior o EGO está sempre buscando se defender.

O palestrante voltar a andar pelo palco de uma ponta a outra olhando para o máximo de espectadores.

— Voltando ao exemplo: há duas opções que serão executadas ao escutar sobre as ofensas a alguém que você admira ou ama: 1° irá tirar satisfações com o agressor verbal iniciando um debate acalorado sobre os motivos positivos e negativos de sua raiva, o que é inútil uma vez que você já está bravo com ele e o sujeito irá ficar bravo com você pela afronta – o ego dele acaba de ser atacado irá se defender. 2° você não fará nada, irá escutar e se sentirá mal. Por que de sentir mal? Por que a imagem da pessoa que você admira está sendo manchada e o seu ego, covarde, não quer confrontar o agressor ainda assim ele guarda a mágoa envolvendo-a com a energia vital de quem você realmente é e irá retroalimentar essa mágoa com a memória dela para o futuro a ponto que a simples lembrança do evento desagradável irá desencadear as mesmas emoções ruins.

O palestrante para de andar e pergunta:

— Alguém aqui já passou por uma experiência parecida, ainda mais agora potencializada pelos fóruns e chats da internet?

Todos os quinhentos presente ergueram a mão concordando. O homem de máscara balança a cabeça na afirmativa.

— Existe uma terceira alternativa, muito mais complicada e no entanto a mais sensata e correta: você ouve a pessoa falar mal de quem admira, pondera quem é o agressor e se as palavras dele realmente fazem sentido ou são apenas ódio grátis vindo de uma mente perturbada. Ao constatar a segunda opção em 99% das vezes, você o ignora e mantém sua mente em paz seguindo sua vida. Só que ninguém faz isso, ninguém consegue fazer isso porque parece normal se sentir indignado por ofensas... eis uma nova pergunta: quem está sendo atacado?

A pergunta deixou a plateia confusa.

— Quem está sendo atacado? A pessoa que você admira ou apenas a falsa imagem que o agressor tem dela na própria cabeça? Veja bem, alguém domado pelo ego cria uma falsa percepção da realidade em sua mente e essa ilusão em forma de pensamentos ativa as emoções pois vou repetir pela milésima vez, os pensamentos originam as emoções. Então o agressor está atacando uma falsa imagem da pessoa que você admira e que na cabeça dele, é exatamente como ele acredita que é. Confuso? Vou resumir... o ego cria a ilusão de que as pessoas são como imaginamos que sejam. Por que o ego faz isso? Porque ele é covarde e altamente prepotente. Para o ego você é um ser especial acima de erros e por isso suas opiniões sobre alguém ou algo estão certas. Sempre certas.

O palestrante dobra os dois joelhos apontando para alguém perto do palco.

— Você, a garota de coque, já se frustrou em um relacionamento? Seja com um parceiro romântico, amigos ou até membros da família?

A moça confirmou e o palestrante tornou a perguntar:

— Por quê?

Ele entregou o microfone.

— Por que... porque eles não eram o que eu pensava que fossem.

O mascarado pega o microfone de volta, se põe de pé e agradece a moça.

— Exato! A frustração nasce de um engano. O ego nos faz crer que somos superiores, e para aqueles que não creem os convido a conhecer as ideologias que pregam a superioridade perante diferentes tipos de raças gerando genocídios sem precedentes. Posso citar o nazismo, mas há outros. Voltando, todos nós estamos impelidos pelo ego e por isso sofremos da ilusão da perfeição e com ela a arrogância de acreditarmos conhecermos as outras pessoas. Não conhecemos, nunca conhecemos! O que conhecemos são isolados comportamentos destas pessoas e que depois moldamos em nossas cabeças acreditando ter decifrado completamente quem são.

O palestrante abre os braços indicando a obviedade dessa mentira. Depois prossegue.

— Nossa frustração e com ela a raiva, é culpa de quem? Hã? Da pessoa que pensamos ser algo que não era ou nossa por ingenuamente crermos que sabíamos com quem nos envolvíamos? Mais uma pergunta! O ódio da frustração afeta a nós mesmos ou a outra? Salvo se você der um tiro na cabeça dela, creio que a nós mesmo. – uma parte da plateia riu – logo, eu decifro a vocês a natureza nociva do EGO: Ele cria a ilusão de conhecermos alguém e quando nos frustramos sentimos a dor de estarmos errados gerando um ódio que só faz mal a nós mesmos.

O líder da religião Verdadeira Libertação participava do simpósio da faculdade Ignição, onde durante uma semana haveriam palestras, oficinas e debates sobre temas sociológicos, filosóficos, psicológicos contemporâneos. Enquanto entretinha sua plateia atenciosa, mais ao fundo perto de uma das portas do auditório havia um grupo de pessoas confabulando entre si. Uma delas, Diego, olhava para todos os lados como se procurasse por alguém. Ele sabia que Eren estudava ali, e depois do que Natasha contou é possível que tenha feito a união com a general, assim, estava finalmente declarada guerra total contra os alados.

Faz três dias desde o ataque ao shopping e em diversos pontos da cidade já havia começado as lutas. Como celulares e câmeras não são capazes de registrar seres de outra dimensão a destruição era culpa de qualquer outra coisa que não fosse duas pessoas extremamente fortes se pegando na porrada. Afinal quem ia acreditar nisso?

Diego então observa um rapaz afastado do grupo, sentado no chão abraçado aos joelhos e cabeça baixa perto do bebedouro. Ele suspira e se aproxima do colega.

— Gostaria que ficasse alerta, Alector. Podemos ser alvejados a qualquer momento por um alado.

O rapaz continuava com a cabeça baixa afundada entre os joelhos, mas respondeu a Diego:

— A culpa é de Egoinis por ser expor nessa faculdade.

— Os planos de Ego não são da nossa conta.

Alector levantou a cabeça encarando Diego.

— Vocês estão fazendo tudo errado. Só precisaríamos atrair os generais para um lugar e os matarmos. Em vez disso fazem jogos ridículos de pega-pega e esconde-esconde. As vozes não gostam disso.

Diego travou a mandíbula. Era para essas vozes terem desaparecido quando a escuridão de Alector foi extirpada, mas de acordo com Ego o menino precisa delas. A extirpação fez com que as vozes perdessem o poder sobre o garoto, só agora elas o servem como conselheiras.

— Dane-se o que suas vozes dizem. Não se esqueça que elas são frutos da sua cabeça. Siga as ordens.

Diego vira-se e ouve a pergunta.

— Elas me disseram algo intrigante também.

Diego vira-se.

— Não diga, e o que foi? Os números da loteria?

— Não – Alector olha para o teto e sorri – elas disseram que devemos matar Eren o quanto antes. Ele é... ruim.

Diego caminha até o colega, o pega pelo ombro o puxando para cima e o força contra a parede.

— Nem pense nisso. Ouviu? Se matá-lo... eu mesmo te mato!

Alector continuava olhando para a parede.

— As vozes e eu estamos muito curiosos... por que você e a Natasha estão tão interessados nele? – seu olhar fixa em Diego.

O rapaz sorri e larga Alector.

— Parece que suas amigas não sabem nada. Quer saber porque eu e Nat nos importamos com Eren... então peça para suas vozes perguntarem a ele o motivo de seu braço direito estar enfaixado.