Hermione continuou desmaiada e Fred e Jorge começaram a ficar preocupados.

— O que você fez? — Jorge perguntou sério, não tinha um tom brincalhão em sua voz, aliás desde que, chegaram naquela sala ele nem sequer sorria.

— Eu não fiz nada. Estava concentrado na memória das crianças e você tropeçando me desconcentrou.

— Não coloque a culpa em mim. Eu desde o início, fui contra a essa história do feitiço. Agora não sabemos que parte o feitiço atingiu.

— Vamos acordar ela e ver se não apagamos demais. — Fred falou e murmurou. — Finite incantatem.

Hermione acordou e sentou no sofá de cabeça baixa, ela colocou as mãos nas têmporas massageando para tentar diminuir a dor latejante que sentia. Tentou lembrar o que havia acontecido e sua última memória era um borrão e mesmo esforçando para tentar decifrar a memória, não conseguiu.

— Será que lembra onde está? Quem ela é? Se lembra da gente? — Jorge perguntou atraindo a atenção da garota para eles.

Hermione levantou no sobressalto e empunhou a varinha na direção dos ruivos, numa expressão séria, como se fosse atacá-los a qualquer momento.

— Calma Hermione. Sei que fizemos burrada, mas também não precisa partir para duelos. — Fred se pronunciou, mas havia voltado um pouco seu tom brincalhão.

— Quem são vocês? Estou falando sério, não terão outra chance de dizer. — Hermione disse alarmada, como se quem tivesse em sua frente fosse comensais da morte.

— Cara, você fez ela se esquecer da gente. — Jorge falou incrédulo. — Era só apagar a memória das crianças e não quem somos.

— Não foi minha culpa. — Fred se defendeu e virou para Hermione dando um passo na direção dela, mas ela recuou. — Somos amigos Hermione, não amigos íntimos, mas somos colegas de casa.

— Não me lembro de vocês. Se fossem conhecidos teria alguma lembrança e não se aproximem, pois não vou pensar duas vezes antes de lançar qualquer feitiço. — Ela disse ameaçadora.

— Ela perde a memória, mas não perde a braveza. — Fred soltou uma piadinha.

— Agora não é hora para isso Fred, a situação é séria. Hermione. — Jorge virou para ela, dessa vez mais cauteloso que antes. — Você foi atingida por um...

— Não conte para ela. — Fred cochichou no ouvido dele. — Ela vai acabar nos matando. Vamos inventar alguma coisa.

— Mas o quê? — Jorge perguntou ficando cansado daquela situação.

— Acontece que você não se lembra da gente, porque...porque você escorregou e bateu a cabeça, é foi isso que aconteceu. — Falou tentando mais se convencer do que a ela.

— Como assim? É por isso que minha cabeça está doendo? — Hermione falou ficando menos armada.

— Sim, nós tínhamos vindo na sala precisa, porque...por que mesmo Jorge? — Fred falou passando a explicação pro irmão.

— Porque queríamos ter mais privacidade.

— Privacidade para quê? — Perguntou desconfiada e levantando uma das sombrelhas.

— É...privacidade para quê? — Fred refez a pergunta com uma expressão séria, como se não tivesse gostando do rumo da conversa.

— Porque...porque você tinha pedido o Fred em namoro e eu vim junto, pois nós dois não temos segredo. — Jorge finalizou.

— O que? — Pergunto Fred e Hermione em uníssono, incrédulos

— Eu não me lembro disso. — Hermione falou pensativa, esforçando mais ainda sua lembrança e aumentando a dor de cabeça.

— Nem eu. — Fred murmurou olhando pro irmão numa expressão como se fosse matá-lo.

— Foi mal. — Sussurrou culpado

— Afinal, qual é sua última lembrança? — Fred perguntou ainda olhando torto pro irmão.

— A minha última lembrança, foi que, eu estava no salão comunal da grifinória e me lembro que estava prestes a fazer o trabalho que o professor Snape tinha passado, sobre...também me esqueci e quando me virei pro lado, eu vi...vi...eu não consigo me lembrar, fica um borrão na imagem e todas às memórias de vocês dois também sumiram e...eu bati a cabeça tão forte assim? — Falou tudo apressadamente e sentando no sofá, transtornada.

— Bateu Hermione e daqui a alguns minutos, não vai ser a única. — Fred falou ameaçando Jorge.

— Vamos voltar pro salão comunal? Está tarde e não quero encontrar Filch por ai. Aquele cara sabe das passagens secretas tanto quanto a gente. Vamos Hermione? — Jorge falou caminhando até ela e segurando seu braço ajudando a levantá-la.

E assim, os três saíram da sala precisa. Quando chegaram no salão comunal, havia somente Harry Potter sentado no sofá de frente a lareira, parecia está esperando alguém e assim que adentraram no salão, Harry se aproximou deles.

— Onde você estava? Eu fiquei preocupado. Você tinha saido daqui parecendo fora de si e...eu estava quase pegando o mapa do maroto.

— Harry, agora não. Minha cabeça parece que vai explodir. Depois nós conversamos. — Hermione falou subindo às escadas do dormitório feminino sem olhar para trás.

Os gêmeos ficaram aliviados, pois não tinham afetado a memória dela referente ao Harry.

— O que vocês fizeram com ela? — Harry falou encarando-os seriamente. — Ela está muito estranha e estavam com ela.

— Não aconteceu nada, ela só está cansada. Nós vamos dormir, estamos cansados também. — Fred falou e foi subindo às escadas sendo acompanhado por Jorge, deixando Harry mais confuso que antes.

Quando chegaram no dormitório masculino, Jorge começou a se defender.

— Você foi o culpado, colocou a explicação tudo pra mim. Eu não sabia o que dizer.

— E inventar um relacionamento romântico entre ela e eu, foi a melhor solução?

— Eu entrei em pânico. Está bem? Apagamos a maior parte da memória dela, a situação saiu do controle, eu fiquei desesperado.

— Cara, você sabe que eu gosto da Angelina. Se ela descobre isso não vou ter mais chances com ela. — Fred falou ficando entristecido com essa possibilidade.

— Eu sinto muito irmãozinho, mas é só você terminar com ela e pronto. Vocês não se gostam de verdade, ninguém vai sofrer. — Jorge falou aliviado, pois resolveu o problema.

— Ou talvez não. Acho que essa história maluca que você elaborou pode ser a solução dos nossos problemas. — Fred falou se animando e ficando com sorriso de lado.

— Do que está falando? — Jorge perguntou sentando na cama, confuso, enquanto Fred se escorou na parede cruzando os braços e ficando numa expressão pensativa.

— O obliviate, não é totalmente seguro, a memória dela pode voltar e se fingir um namoro, ela não vai dedurar o namorado dela, vai? É o nosso último ano, nesse colégio. Posso fingir até a formatura e quando abrimos a loja vou atrás da Angelina.

— Isso é muito baixo. — Jorge falou olhando pros companheiros de dormitório que estavam dormindo, incluindo Lino Jordan que roncou alto. — E se algo der errado?

— Quem nunca trapaceou na vida que atire a primeira pedra. Não é esse o ditado trouxa? — Fred pergunto ao irmão que, deu de ombros. — E o que poderia dar errado?

— Você se apaixonar por ela e nem quero imaginar quando a memória dela voltar. — Jorge respondeu pensando na confusão em que haviam se metido, talvez se, a Sra. Weasley tivesse esfolado a cara dos dois, teria sido menos pior.

— E se voltar, talvez nunca volte e sobre me apaixonar por ela, isso nunca vai acontecer. — Fred falou decidido.

Ambos tomaram banho e vestiram seus pijamas em silêncio e como estavam bastante cansados, dormiram instantaneamente.