Quando acordei, ainda não eram seis horas, James já estava quase pronto para ir trabalhar. Como ele era bonito, alto, sua pele combinava perfeitamente com seus cabelos castanhos, tinha os olhos do nosso pai uma cor que iam pro lado do mel e mesmo não nos alimentando direito ele conseguirá definir bens seus músculos. Como poderia um rapaz de apenas 20 anos trabalhar tanto, meu irmão deveria ter nascido um dois para ser modelo, seria o mais bonito de todos. O incentivei algumas vezes para tentar algum trabalho assim, mas sempre o rejeitaram por ter origens como sete.
–Bom dia! Está me encarando há muito tempo?-ele disse com um sorriso tímido em meio às palavras.
–Bom dia! Não faz muito tempo, mas o suficiente para reparar o tanto que você é feio. -falei tentando esconder a risada.
–Tá vou fingir que acredito. Pode admitir que eu sou o irmão mais gato que alguém poderia ter!-ele falou vindo até a mim para fazer cosquinha.
–Você está sendo muito alto confiante, não acha? E além do mais o irmão mais gato que alguém pode ter sem dúvida alguma é o príncipe Ahren. -disse fazendo uma cara de deboche.
–Começou a gostar da monarquia, foi?-ele falou sentando ao meu lado na cama.
–Gostar e achar bonito são coisas totalmente diferentes!-disse revirando os olhos.
–Cathe, você é muito difícil de entender!-ele levantou as mãos.
–Como você pode ter tanta certeza?-por incrível que pareça tinha mesmo ficado curiosa.
–Vejamos quando você obrigou a me escrever naquele concurso de beleza da região
um de seus argumentos foi que eu era muito bonito, aliás, eu sou muito bonito, e você vive dizendo que me ama e que sou o melhor irmão do mundo. Então, como pode dizer que achar bonito e gostar são coisas diferentes?-ele disse tão sério a me fez até prestar atenção.
–Querido eu não te obriguei a nada. — me sentei ao seu lado
–É uma lógica, quando você gosta de uma pessoa automaticamente passa a achar ela bonita. -além de bonito meu irmão também era inteligente.
–Deve ser por isso que você não passou em nem concurso. -não consegui deixar de rir.
–Tecnicamente nunca me deixaram participar de qualquer concurso. -a risada também o contagiou.
–Ah! Isso é verdade, deve ser porque não queriam te iludir. — o abracei como um sinal de que sentia muito e por mais que ele tentasse amenizar o preconceito das pessoas sabia que isso o machucava.
–Agora preciso ir porque se não vou acabar me atrasando para pegar o ônibus da fábrica. -ele falou me dando um beijo na testa.
–Bom trabalho e toma cuidado! Vejo você à noite!-disse jogando o travesseiro em suas costas.
–Para você também menina. -ele arremessou o travesseiro de volta para mim.
Fiquei observado James se despedir dos meninos, ele fazia igual o papai antes de sair para o trabalho, dando um beijo na testa e bagunçando os cabelos fazendo com que ele acordasse.
–Bom trabalho e fica com Deus!- os meninos falaram juntos parecendo que tinham ensaiado a fala.
James passou por mim e deu uma piscadinha e foi trabalhar.
Dei um último suspiro e levantei, fui ao banheiro escovei os dentes, lavei o rosto quando voltei ao quarto para minha surpresa os meninos já estavam acordados, Conan dizia a David:
–Hoje, nos vamos aonde?
–Não sei! Hoje Cathe vai trabalhar na casa da Sra. Benner ou da Sra. Truddes.-ele respondeu dando os ombros.
–Até agora não levantaram? Andem de pressa porque se não vamos nos atrasar!-comecei a bater palmas para despertar os meninos que ainda estavam tontos de sono.
Conan era o aposto de David, eram seis anos de diferença. Conan com quatro anos tinha os cabelos loiros que puxará de mamãe, os olhos mel do papai, ele era tão meigo sempre me abraçava e me dizia que iria ficar tudo bem quando
via chorar, tão carinhoso com James e atencioso com David, acho que essa personalidade tão acolhedora veio de não ter nem chegado a conhecer a mamãe, mas herdaram todas essas características dela. David estava com 10 anos, tinha os cabelos castanhos do papai e os olhos azuis da mamãe, ele era tão doce, amoroso, prestativo, sempre me estava nos meus braços, algumas vezes o ouvi chorando a noite sempre ia até sua cama e me deitava com ele o abraçando tentando acalmar todo sofrimento que ele presenciou, ele já entendia tudo o que acontecia ao redor quando o papai e a mamãe se foram, eu sentia que ele precisava de muita atenção e de proteção por isso sempre repetia que o amava, e também tratava Conan como meu próprio filho isso fazia com que não houvesse ciúmes entre ele.
–Estamos prontos Sete!-disse David atrás de Conan.
–Então vamos!-dei uma última conferida para ver se estava tudo trancado e fui para o trabalho.
A casa da Sra. Benner era 30 minutos a pé, preferia receber o valor do vale transporte junto com o salário, ela era uma das poucas pessoas em que me pagavam fixamente pelos meus serviços. Quando chegamos vi que havia um carro a mais na frente da casa pensei que era visita então fui direto para a porta dos fundos ao abrir me deparei com Emma, a filha mais velha de minha patroa, então o carro lá fora seria dela ou do marido.
–Desculpe, deveria ter batido antes!-fiquei assusta quando a vi e dei um passo para trás.
–Ah, não tem problema Cathe! Quanto tempo que eu não te vejo!-ela falou toda sorridente e veio logo me abraçar.
–É verdade, não nos vemos deis de que você se casou!-comentei retribuindo o abraço.
Eu sentia que por mais que a Sra. Benner me ajudasse não sentiria a metade do afeto que Emma sentia por mim. Comecei a trabalhar naquela casa muito cedo, foi depois que mamãe faleceu e a situação financeira piorou ainda mais, ela era apenas três anos mais velha do que eu e por isso ficamos amigas.
–Esses são seus irmãos?-ela falou colocando a mão na boca.
–Sim são eles. -respondi com sorrisinho de orgulho. -O mais novo é o Conan e o outro David. -falei apontando para os meninos.
–Como você cresceu!-ela disse se agachando para ficar do tamanho de Conan.
A Sra. Benner chegou à porta e ficou um pouco confusa ao ver a filha agachada.
–Olá Cathe! Filha o que você está fazendo?-ela falou tentando entender a situação.
–Bom dia Sra. Benner- respondi me virando para ela.
–Ah! Estou só falando com esse mocinho, veja como ele cresceu!-Emma disse virando-se novamente para Conan.
–Realmente ele cresceu muito-ela falou sorrindo — Cathe tome café e descanse um pouco enquanto Emma está aqui, quando ela for, eu te falo o que tem que ser feito hoje!-ela disse virando-se para mim.
–Sim senhora!-respondi. Sentei-me com os meninos a mesa e os servi com pão e suco de uva que já estava pronto, também peguei um pão e leite para mim, Emma se sentou na minha frente.
–Como vai à vida?-ela disse.
–Vai tudo bem. -eu falei mordendo o pão.
–Eu quero saber mais. -ela começou a rir. -Como está James?-ela falou colocando a mão no queixo.
James tinha sido namorado de Emma quando mais jovens, mas, os pais dela não deixaram o namoro ficar firme e mesmo que não falassem o motivo eu sabia o motivo, o fato de James ter origens como 7.
–Ele vai bem sim!- eu falei com um sorriso torto.
–E o que mais? Ele namora ou está solteiro?- ela perguntou com entusiasmo.
–Ele está solteiro, disse que não quer ninguém por enquanto. -falei observado os meninos que comiam com vontade.
–Acho que não conseguiu me esquecer! -ela brincou.
–Deixe Robert ouvir isso!-Falei olhando ao redor fazendo graça.
–Posso falar a vontade, ele não veio!-ela disse ao trocar de posição. -E seu tio?
–Ele foi embora quando James fez 18 anos. -veio à imagem do meu tio pegando o ônibus para o interior.
–Ele só veio porque vocês ainda eram de menores, não é? -ela disse pegando uma bolacha.
–Sim-eu respondi abaixando um pouco a cabeça.
–Me desculpe querida! Eu não tinha a intenção de... -a interrompi antes de acabar a palavra.
–Não tem problema algum, ele só veio para que não fossemos mandados para um abrigo de menores. -eu disse completando a informação.
–Vamos mudar de assunto! Você está com quantos anos mesmo?-ela falou voltando o sorriso.
–Estou com 18!-respondi entre um gole de leite.
–A diferença entre vocês são de quantos anos? Tanto tempo que não nos vemos que até parece que tudo mudou- ela falou olhando para David.
–A diferença entre Conan e David são seis anos e a minha com David são oito anos já James comigo são apenas dois anos. -eu falei com um sorriso de orelha a orelha.
–Mas quando eu ainda morava aqui, os meninos não vinham com você. -ela falou.
–Eles ficavam com uma vizinha, mas, de uns tempos para cá ela tem estado doente e não tem quem cuide deles. -quando acabei de falar passei a mão na cabeça de David brincando.
–Pelo menos eles estão com você!-ela falou quando Conan pediu mias suco, antes que eu falasse algo Emma legou a jarra e encheu o copo dele.
–Sinto falta das nossas conversas, me divertia muito com você. -falei me lembrando de todas as brincadeiras que fazíamos juntas e que fazia meu trabalho se tornar menos cansativo.
–Eu também sinto. -ela se levantou e veio para meu lado- agora eu tenho quer ir, só passei para ver a minha mãe. -ela me deu um abraço muito carinhoso.
–Vai com Deus e até mais!-disse tentando retribuir tanto carinho.
–Nos falamos depois. Tchau meninos e mande um oi para o James por mim!-ela falou quase chegando à porta que dava a um corredor.
–Pode deixar que eu mando!-falei piscando o olho.

Levantei-me e fui em direção a pia para lavar as louças que estavam sujas quando a Sra. Benner veio falar comigo.

–Cathe, hoje as suas tarefas são: agora de manhã arrumar à cozinha e fazer o almoço e a tarde passar as roupas. — De todas as tarefas que fazia na casa a que eu menos gostava era de passar roupa.

–Tudo bem!- respondi me voltando para as louças.

Terminando as tarefas fui ate a Sra. Benner para falar que já estava indo embora e que voltara amanhã, ela estava na sala atendendo um telefonema. Então, fiquei na porta esperando.

–Não queria interromper!- falei envergonhada.

–Tudo bem! Já acabou tudo?- ela disse colocando o telefone no gancho.

–Sim! E se a Senhora não se importa já estou indo, amanhã volto no mesmo horário- eu disse com uma vontade muito grande de me jogar na cama.

–Então, temos que conversar. — fiquei com medo, o que será que eu tinha feito. — Esse telefonema que recebi foi de meu marido, andamos conversando e decidimos que reduziremos seu trabalho a partir de amanha você só ira passar e lavar. E será duas vezes na semana, na segunda você lava e na terça passa. — ela falou tentando deixar tudo claro, sendo que isso também implicaria no meu salário.

–Me desculpe querida, mas entenda a situação não está boa. Com essas revoltas e rebeliões acontecendo desequilibrou muito o serviço de Bryan. — ele trabalhava com imóveis, são sei especificamente o que. – E por isso temos que reduzir as despesas, nesse caso teremos que diminuir seu salário... — a interrompi antes que terminasse.

–Tudo bem! Sou muito grata pelo tanto que a Senhora me ajudou!- eu apertei a mão dela quando terminava a minha fala.

–Aqui está seu pagamento de hoje. — ela tirou do bolso a nota de 50 reais, deis de que comecei a trabalhar para ela eu limpava, lavava, passava, cozinhava e todos os dias que ia era 50 reais.

Peguei o dinheiro e coloquei no bolso.

–Então, voltarei aqui só na próxima segunda-feira, já que hoje eu passei as roupas ?- perguntei já sabendo a resposta, hoje ainda é terça-feira o que farei para arrumar outro emprego essa semana, pois não posso ficar sem receber.

–Isso! Espero-te segunda, querida. — ela disse com um sorriso.

Fui ate a cozinha, os meninos já estavam prontos para irmos embora.

–Meninos não me deixem esquecer de passar no mercado para comprarmos arroz.- disse ajeitando a camisa de David.

Estávamos na metade do caminho quando David disse:

–Cathe, você só vai trabalhar na cassa as Sra. Benner dói dias? O dinheiro vai dar?-ele disse com uma ara de quem estava realmente preocupado.

–A partir de agora sim, as não se preocupe eu vou dar um jeito nisso. — falei tentando acreditar nisso.

Como iramos fazer para sustentar a todos? Terei que arrumas mais casas para trabalhar. Mas, como toda essa revolta de rebeldes poderia afetar os negócios do Sr. Bryan? Provavelmente ninguém quer comprar ou alugar casas nessa crise. Isso é um problema da monarquia e agora esta afetando a mim e a minha família, eles nem sabe que nos existimos e ainda assim nos prejudicam. Eles já têm a suficiente e ainda querem atrapalhar nossa vida. Mesmo que isso me deixasse nervosa não conseguiria fazer nada para mudar essa situação. Mesmo que a intenção do rei Maxon fosse melhorar as condições e os direitos dos cidadãos a sua futura herdeira parecia na ligar parra isso, seria bem melhor se ela não assumisse o poder. Estava em meio os meus pensamentos quando Conan me interrompeu.

–Cathe é esse mercado?- ele falou indicando com o dedo.

–É esse sim- eu disse já entrando no estabelecimento, tinha visto uma propagando mais cedo que mostrava que aqui tinha algumas coisas em promoção.

Fui direto pegar 5 kg de arroz e também aproveitei e peguei 1 kg de feijão, 1 kg de carne e algumas frutas. Quando a moça passou nossa pequena compra e me assustei com o valor, o pouco que compramos foi 47 reais, todo dinheiro que recebi hoje já tinha acabado. Paguei a moça e fui para casa com dor de cabeça.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.