A esperança é a última que morre.
3 Uma Tarde fora do Comum
Notas iniciais
POV Annabeth
– ANDA LOGO ANNABETH!- Jess grita da porta da frente da minha casa.
– CALMA QUE EU JÁ TO INDO!
– VAI FICAR SEM CARONA!
– NÃO VOU NÃO PORQUE VOCÊ VAI SER UMA BOA AMIGA E VAI ME ESPERAR!
– VOCÊ SABE QUE EU NÃO SOU SEMPRE UMA BOA AMIGA HEIN!- Ela grita e começa a rir.
– Meninas, não gritem tanto! -Meu pai repreende-nos da sala de estar.
Termino de calçar meus sapatos e saio correndo do meu quarto. Quando abro a porta Jess olha para mim de cima a baixo e arqueia as sobrancelhas.
– Sem bolsa hoje?
– AH MEUS DEUSES!- Grito e subo as escadas correndo de volta para meu quarto para pegar minha bolsa. Quando estou passando pela sala paro e dou um beijo no rosto de meu pai.
– Bom passeio. Comportem-se. Juízo. Até depois.
Pois é, ele disse isso ai mesmo.
Quando paro na frente da porta novamente Jess está virada de costas para mim, olhando para as nuvens com a maior calma.
– Pra quem ameaçou me deixar em casa você até que está sem pressa.
– Cala a boca e vamos logo, por sua causa estamos atrasadas, como vamos chegar a tempo no cinema para comprar os ingressos, a pipoca e ainda chegar a tempo para o início do filme?
– As meninas não iam na frente justamente para isso?
– Iam, mas nunca se sabe quando aquelas duas vão resolver nos esquecer e nos deixar sem ingressos.
Eu só reviro os olhos e nós entramos no carro dela. Além de extremamente direta ela leva as coisas ao extremo, o que é desnecessário, mas também não importa.
– Aliás, o que diabos você estava fazendo para se atrasar tanto? Pensei que você tivesse a memória boa demais para se esquecer que íamos sair às três e quarenta e cinco.
– Eu estava falando com uns amigos...
Ela arqueia as sobrancelhas e olha interrogativamente para mim.
– Que amigos?
– Uns amigos meus de...
– Da onde você conhece eles?
– De quando eu morava em Nova...
– Como você tem certeza de que eram realmente eles?
– Por causa do nome e do modo de agir...
– Quero nome e descrição de todos eles agora mesmo.
– Desde quando você virou minha mãe?
– Desde sempre. Fale os nomes!
Eu reviro os olhos e começo.
– Thalia Grace, cabelos negros, olhos azuis, rebelde, punk...
– Má influência.
– Não. Nico di Ângelo, cabelos e olhos negros, parece um fantasma de tão pálido, se veste como um gótico depressivo...
– Nossa, seus amigos parecem realmente muito legais.
– Eles são, e eu nem descrevi as personalidades. Percy Jackson, cabelos escuros, olhos verdes-azulado como o mar, lentidão irritante e natural, campeão em natação...
– Finalmente alguém que parece normal.
– Sem chances. Silena Beauregard... bom, ela você deve conhecer, ela é modelo e filha de uma modelo...
– Conheço e não acredito que seja sua amiga.
– Pois é, mas ela é. Charles Beckendorf, forte, musculoso, filho do dono do maior canal televisivo dos Estados Unidos...
– Não brinca! -Ela exclama finalmente deixando de olhar para a estrada, então olhando para mim.
– É, e pare de me interromper. Isso é muito chato!
– Continue então, madame.
– Clarisse La Rue, cabelos castanhos, certo apelo pela violência, mas ela sabe ser legal, e é uma invejosa.
– Essa parece ser pior que todos. Invejosa porque?
– Umas coisas ai. Chris Rodriguez, alto, calmo, legal, simpático, bem o contrário da namorada...
– Porque não descreve a aparência dele também?
– Preguiça, e ele é o melhor amigo do Charles.
– OOK, agora me diga uma coisa: COMO VOCÊ CONSEGUE SER AMIGA DESSES ANTISSOCIAIS, VIOLENTOS E FAMOSOS SENDO TÃO NERD E CALMA?!- Ela grita e tira momentaneamente seu olhar da estrada para me olhar zangada.
– Eu conheci eles antes mesmo da Thalia ficar rebelde, o Nico antissocial, o Percy bonito, a Silena a maior modelo adolescente conhecida, o Charles musculoso e habilidoso em trabalhos manuais, a Clarisse violenta e o Chris legal. Muita calma hein dona Jessica, e olha pra estrada que já estamos chegando.
– Essa conversa ainda não terminou moçinha!- Ela diz com um olhar de quem realmente não deu o assunto por encerrado. Ela girou o volante à esquerda e entrou no estacionamento do shopping.
Quando ela parou eu saltei do carro e ela me seguiu, nos dirigimos diretamente para a ala do cinema, onde logo de cara avistamos Suze e Kelly nos esperando.
– FINALMENTE VOCÊS CHEGARAM!- Kelly gritou dramaticamente vindo até nós.
– Vamos que o filme já vai começar. Bonito sapato. -Suze fala para mim dando de ombros e se dirigindo à sala.
– Hãã... Obrigada?
– De nada. Venham.
[...]
– Esse filme foi realmente chato. -Falo saindo do cinema.
– Não foi não. Foi lindo! -Kelly diz enxugando algumas lágrimas.
– Foi sim. -Suze diz suspirando com pesar- Eu não acredito que deixei você escolher o filme que olharíamos.
– Não sei porque você fez isso, esse foi o filme mais chato que eu já vi, ou será que eu deveria dizer DESENHO. -Jess fala irritada.
– E olha que você gosta de desenhos. Né? -Falo olhando para Jess que revira os olhos. Pelo canto do olho tenho a impressão de ver um grupo conhecido de meninos, mas quando olho vejo que estava errada. Ou pelo menos acho.
– Vamos procurar o sapatos da Annie e sua bolsa agora?- Suze pergunta olhando para Jess que assente.
– Depois vamos comer, porque eu estou morrendo de fome.
– Você devorou todo um pacote de pipoca grande e ainda reclama? -Pergunto arqueando as sobrancelhas, ela olha surpresa para mim e exclama:
– Você realmente acha que pipoca é alimento?! Isso não me sustenta nem por trinta segundos!
– Isso porque você come três vezes mais do que eu leio livros.
– Isso porque eu tenho um metabolismo rápido. Você não faz ideia de como eu ficaria se comesse a mesma quantidade que vocês!
– Não, isso porque seus pais são donos de restaurante. -Retruco.
– Tanto faz, chega de brigar, vamos logo. -Suze fala impaciente bancando a mãe. Pois é, todas nós temos nosso momento de bancar a mãe.
Então nós saímos caminhando por todo shopping à procura de um sapato bonito e uma bolsa bonita e barata.
Quando entramos na sétima loja Jess olha rapidamente para todas as bolsas, então seu olhar para em uma.
– Olhem aquela! -Ela exclama fazendo todas nós nos virarmos para a direção que ela apontava.
– Linda, e combina bem com seu vestido. -Falo olhando para a pequena bolsa de mão que ela viu. A bolsa devia ter uns vinte centímetros de comprimento, era preta, com detalhes com lantejoulas e alguns brilhos, tinha duas divisões, que quando Jess a abriu mostrou um lugar para colocar identidade, celular, etc., e do outro um lugar para colocar dinheiro.
– Vou levar! -Ela diz e tenho certeza de que nunca a vi mais comovida com um acessório do que com aquela bolsa.
– Bonita. Agora só precisamos do sapato da Annie. -Suze fala quando paramos em frente ao caixa e Jess retira um cartão de sua carteira e paga pela bolsa.
– Obrigada, voltem sempre! -A atendente fala sorridente para nós.
Continuamos conversando sobre assuntos aleatórios e caminhando pelo corredor até que vejo um sapato.
Eu arregalo os olhos e paro de caminhar só pra ficar encarando o sapato pela vitrine. Ele é simplesmente lindo, e combina perfeitamente com meu vertido, e com minha bolsa, e com meus acessórios... COM TUDO! ELE É DIVINO!
Me seguro internamente para não gritar alto ou fazer escândalo, só fico ali parada encarando o sapato.
As meninas notam minha ausência e se viram para mim que continuava olhando adimirada para o sapato. Parece idiota, mas ele é lindo e em breve será meu.
Aponto para a loja e falo com minha voz mais autoritária:
– Essa loja, agora.
Minhas amigas simplesmente me seguem para dentro da loja onde logo encontro uma atendente.
– Eu gostaria de levar aquele sapato, sim? -Digo tentando não demonstrar meu intusiasmo ao máximo possível.
– Claro, verei se temos um daquele no estoque, número?
– Trinta e sete. -Falo sem parar de olhar para o sapato.
A atendente dá uma risadinha contida e some indo à procura do sapato. Paro momentaneamente de olhar o sapato quando noto um grupo de meninos que passa em frente a loja. Quase tenho um ataque ao notar o quanto eles eram idênticos aos meninos.
Fico seguindo-os com os olhos até que a atendente volta com uma caixa de sapato.
– Aqui está senhorita.
– Obrigada. -Murmuro indo em direção a uma cadeira para experimentar o sapato.
– Ficou bonito. -Jess fala se aproximando de onde eu estava.
– É, aposto que vai ficar lindo com o vestido! -Kelly diz surgindo sabe-se lá de onde.
– Tanto faz, agora até eu estou com fome. -Suze reclama aparecendo ao lado de Jess.
– Eu vou levar! -Falo para a atendente que ficou esperando ao meu lado, entrego a caixa para ela e calço meu sapato denovo. -Vamos então, suas mortas de fome!
– Com muito orgulho, paga logo esse sapato. -Jess fala com todo seu "bom humor".
– Também não precisa me apressar! -Exclamo indo até o caixa. Eu pago pelo sapato e nós vamos diretamente para a praça de alimentação. Meu celular vibra no caminho e eu paro de caminhar para ver o que é.
"Atena Olympus lhe enviou uma solicitação de amizade: [aceitar] [agora não]"
"Nico di Ângelo lhe enviou uma solicitação de amizade: [aceitar] [agora não]"
"Silena Beauregard lhe enviou uma solicitação de amizade: [aceitar] [agora não]"
"Charles Beckendorf lhe enviou uma solicitação de amizade: [aceitar] [agora não]"
"Clarisse La Rue lhe enviou uma solicitação de amizade: [aceitar] [agora não]"
"Chris Rodriguez lhe enviou uma solicitação de amizade: [aceitar] [agora não]"
–Ah sim, agora até minha mãe me manda solicitação de amizade no facebook... Sem falar no pessoal... Perai, como tem internet?! -Murmuro. Baixo a barra de notificações e noto que deixei o wi-fi ligado, maravilha, lá se vai metade da minha bateria. Reviro os olhos para mim mesma e desativo a internet, eu posso responder depois.
– Ei, Annie, você vai ficar ai falando sozinha ou vai vir aqui?! -Suze fala.
Olho para frente e vejo que elas já se sentaram em uma mesa e Suze está só guardando lugar.
– Já pediu? -Pergunto me aproximando da mesa.
– Já, a Jess vai pegar para mim, vai lá. -Ela diz e me dá um sorriso.
– Ok, já volto.
Vou até a fila da sorveteria e peço um milkshake grande para mim, depois de pegar meu pedido me junto as minhas amigas que aguardavam, por um milagre, pacientemente seus pedidos.
Ficamos mais ou menos dez minutos paradas ali esperando, até que finalmente uma atendente entrega os pedidos às meninas, quando voltamos para a mesa Jess logo começa a comer e a me encarar.
– Que foi?
– Continuando. Annie, você sabe que não se pode confiar em ninguém na internet, porque nunca se sabe quando pode ser um louco estuprador que quer seu corpo nú. -Ela diz e morde de novo seu sanduíche.
Suze e Kelly olham de mim para ela confusamente.
– Mas eu sei que eles não são. Eu conheci eles muito antes de vocês, e confio que eles não vão tentar me abusar e que ne... quase nenhum quer, queria, tanto faz, meu corpo nú.
Ela olha para mim com as sobrancelhas, quase no início do cabelo, erguidas.
– Quase nenhum?
– Você por acaso acha que são só meninas?-Pergunto também arqueando minhas sobrancelhas. Não deixo-a responder e já digo-Não. Claro que não. São três meninas e cinco meninos.
– Vocês somam quatro, não sobra um não?
– Não, porque éramos crianças e nem mesmo pensávamos em namorar. Na verdade a simples ideia de nos beijar já fazia com que todos quase vomitassem. Nós fomos crianças normais, beijar aos oito anos de idade não fez parte da nossa infâcia. -Ruborizo na última parte quando um pensamento me ocorre, mas para minha sorte nenhuma delas nota.
– De qualquer modo isso é estranho, mas você citou só quatro meninos, quem é o quinto?
– Bom... tivemos um temporário, que se chamava Luke -Novamente minhas bochechas esquentam um pouco com lembranças- e depois de... umas coisas... Tyson começou a andar conosco.
– DES-CRI-ÇÕES. -Ela murmura e dá outra mordida no sanduíche.
– Luke Castellan, um menino bizarro que era loiro e um pouco parecido comigo, muitas vezes foi confundido como meu irmão mais velho. E Tyson, que era irmão mais novo do Percy e uma cópia do irmão.
– Quanto mais velho e quanto mais novo.
– Um ano mais velho e um mais novo, apesar de tudo ele não desistia da idéia de que era mais legal viver com o irmão do que com os colegas dele que, realmente, eram uns idiotas.
– Esse tal de Luke era gato? -Ela fala me lançando um olhar malicioso.
– É-é... erm... mias o menus... -Murmuro extremamente baixo abaixando a cabeça.
As três se aproximam de mim visivelmente curiosas.
– Como é que é? -Suze pergunta curiosa.
– Mais ou meenos... -Eu repito um pouco mais alto.
– Hmmm... Mais que o seu amável namorado que está... -Jess fala e de repente para e fica encarando um ponto atrás de mim.
Me viro mas só vejo uma sombra.
Me viro pro outro lado e só tem a sombra.
Me viro novamente e consigo ver um tênis.
Me viro para frente e penso um pouco... De repente estico meu braço para trás e agarro uma camisa.
– EI! ESSA CAMISA É NOVA! -Ouço Will falar visivelmente irritado.
– Ninguém mandou você tentar me fazer de boba.
–Na verdade eu mandei quando você abaixou a cabeça. -Jess fala rindo então assume novamente uma expressão séria- Perai, cadê o Rob!?
– É... ele... está... por ai...? -Will murmura se postando ao meu lado e roubando o copo com milkshake da minha mão.
– Onde? -Vocifera Jess, seus olhos revelam uma raiva repentina.
– E-ele ficou falando com... uma menina estranha que apareceu ali... o nome dela era... era... e ela tinha... umas... mechas... eu...
Jess soltou um suspiro de tranquilidade.
Will olhou confuso para ela.
– Ué? Não estava com raiva?
– Estava até saber quem é. Ela tinha umas mechas coloridas, né? Tipo rosa, roxo, amarelo... não é mesmo? -Ela pergunta tranquila. Quando ele assente ela dá um meio sorriso -É só a irmã dele, calma. Se fosse outra pessoa você só me veria aqui denovo com ele ao meu lado.
Agora ela estava sorrindo de verdade. E todos nós não sabíamos porque ela estava tão feliz.
– Hmm... tá. Sobre o que as meninas tanto cochichavam...? -Will murmura puxando uma cadeira para sentar-se ao meu lado.
– Nem de longe tanto. -Respondo a pergunta de Jess rapidamente.
– Tem certeza?
– Absoluta.
– Do que vocês estão falando? -Will murmura olhando desconfiado para nós.
– Só comparando você ao amado da Annie, nada para se preocupar.
– Seu amado? -Ele murmura me lançando um olhar que eu noto estar carregado de ciúmes.
– Amigo. Não amado, amigo. Você sabe a diferença, não deveria errar. De qualquer modo, eu já disse, ele era bizarro. -Falo então começo a encarar os olhos azuis de meu namorado, que estava olhando desconfiado para minhas melhores amigas, que, vi pela visão periférica, estavam olhando alguma coisa boquiabertas.
– Que foi? -Jess murmura assustada passando a mão nos cabelos. -Tem alguma coisa aqui?
– Hã... Não. Não. Não mesmo. Claro que não. Está bonito... como sempre...? -Suze fala nervosamente. Olho na mesma direção que ela e entendo a sua surpresa. A menina com mechas coloridas estava beijando Rob.
E Jess infelizmente notou a direção do meu olhar e se virou. E a reação dela não poderia ter sido mais estranha... Ela riu. Ela nos lançou um olhar maldoso e um sorriso diabólico e pediu silenciosamente para esperarmos. Então ela se aproximou dos dois e simplesmente encostou na mão da menina. Que largou Rob com um olhar raivoso que logo se desfez para uma careta de medo. Rob sem entender nada se virou e viu Jess parada ali. Ele olhou dela para nós e voltou a encarar Jess. Que por sua vez só falou alguma coisa que da onde estávamos foi entendida como"Olá, Nancy." e a menina saiu correndo. Quase caiu, deixe-me ressaltar, por causa da pressa de se afastar de Jess o mais rápido possível.
Rob olhou para Jess e falou alguma coisa muito baixo, ela só assentiu e eles vieram para sentar-se conosco. E eu já tive algumas coisas fora do comum na vida, mas assistir uma cena dessas com certeza vai ficar marcada em minha memória como uma tarde "Mutcho Loca!".
Fale com o autor