A escritora
1 Capítulo único
Notas iniciais
Às vezes queria ter uma máquina que pudesse parar meus pensamentos porque é doloroso demais imaginar que aquilo estava acontecendo comigo. Conheci o Daniel em uma festa, mas essa não era uma festa como qualquer outra, não por haver algo de diferente no ambiente em si, mas porque havia algo de especial no clima daquela noite.
Ele se aproximou de mim e disse "Freud uma vez falou: fica-se muito louco quando apaixonado, e esta, senhorita, me parece uma noite de loucuras e paixões. Após dizer isso, ele sorriu para mim e se foi. Passei muitos dias com aquele rapaz na cabeça.
Até que um dia ele apareceu na editora que eu trabalho com um livro nas mãos "pensei em te trazer flores, mas elas são clichês e você não é uma mulher clichê, então te trouxe um livro em branco para você escrever as páginas da sua própria história. Aquilo foi surpreendente.
Depois disso saímos algumas vezes e o Daniel cuidou para que cada encontro fosse único, mas tinha uma coisa que me incomodava: as mulheres sempre fixavam a sua atenção nele, afinal ele era um cara interessante.
Quando comecei a namorá-lo tive que me afastar de muitas amigas que estavam interessadas nele, pois eu tinha a certeza que ele era a pessoa certa para mim.
Conheci a mãe dele em um dia cálido no verão, seu pai morreu em um acidente de carro enquanto ele ainda era um bebê, era o único filho de Teresa e tinha muita afeição por sua genitora. Teresa era encantadora, mas eu não gostava da influência que ela tinha sobre o Daniel.
Eu não tinha família porque meus pais morreram em um incêndio quando eu tinha 18 anos, já não vivia com eles naquela época porque estava na faculdade, mas naquele dia perdi tudo o que era importante para mim, a casa onde eu cresci e os dois grandes amores da minha vida: meus pais.
Desde bebê eu sempre fui tratada com muito amor por ser o sucesso de diversas tentativas frustradas dos meus pais para terem um filho. "Você é o meu presente, princesinha", minha mãe sempre me dizia isso antes de me colocar para dormir com um conto infantil. A morte dos meus pais destruiu uma parte de mim, mas também me trouxe forças para construir a mulher que hoje eu sou.
Na primavera, o Daniel me levou ao local da festa que nos conhecemos e disse que havia
preparado uma surpresa para mim. Chegamos e estava tocando Video Games da Lana Del Rey, dançamos ao ritmo calmo da música, ele se aproximou e sussurrou ao meu ouvido "casa comigo e me dá a chance de te fazer muito feliz." O meu "sim" aquele dia foi o estopim para os
nossos problemas.
O que seria o fim? De acordo com a definição do dicionário é o "momento ou ponto em que se interrompe algo." E o meu casamento havia sido o ponto no qual a minha felicidade foi interrompida.
Era ótimo estar casada com o Daniel. Eu o amava mais que tudo, afinal eu conquistei o homem perfeito. A partir do momento que eu o conheci ele se tornou a minha vida.
Um dia, ele se sentou no sofá ao meu lado e disse "preciso te confessar uma coisa", por um segundo eu perdi o ar. "Lisa, eu não te conheci por acaso. Eu me apaixonei pelos seus livros e pensei que deveria conhecer a mulher por trás deles." Eu estava encantada, enquanto tivesse a admiração do Dan ficaríamos bem.
Errei quando decidi usar meu marido como consultor. Estava escrevendo o meu novo livro, mas não conseguia terminá-lo porque o Daniel sempre encontrava um defeito nele. Creía que a insastifação dele com a minha escrita era porque ele estava insastifeito com nosso casamento.
O meu amado marido passava cada vez menos tempo em casa, sempre estava em reuniões de trabalho ou em encontro com os amigos e podia jurar que na chegada de um desses encontros vi uma marca de batom na gola da sua camisa, busquei a mesma marca no dia seguinte, mas não a encontrei.
Eu passava cada parte do meu dia me perguntando com que vagabunda barata o Daniel poderia estar, já não conseguia escrever mais nenhum livro havia um tempo e estava para ser demitida da minha editora, mas claro que tudo isso eu mantinha em segredo do meu maridinho. Os livros não me preocupavam naquele momento, eu só queria minha vida perfeita de casada.
Naquela noite, quando ele chegou do trabalho o surpreendi com uma lingerie vermelha que comprei, tomamos algumas taças de vinho e fizemos amor como nunca havíamos feito. Mas não estava satisfeita, aparentemente o que agradava o Daniel agora era a Lisa piranha.
Passamos a transar todos os dias, mais de uma vez por dia, não era um sexo baunilha como costumam chamar. Era um sexo urgente, carregado de vontade, com força e suado. Eu já não tinha mais o amor do meu marido, mas ainda me sobrava o desejo.
Mas com os meses as coisas esfriaram, já não transávamos mais e próximo ao nosso aniversário de 1 ano de casamento decidi fazer uma viagem para descobrir como resolver as coisas. Passei 3 dias em Amsterdam, visitando os melhores clubes sexuais, ainda acreditava que o sexo poderia salvar o meu casamento.
Voltei 1 dia antes do previsto para preparar uma surpresa para o Daniel, estranhei suas coisas estarem lá afinal não era habitual meu marido estar em casa naquele horário. Escutei gemidos vindo do nosso quarto e minha mente apagou. Quando recuperei minha consciência, percebi que havia sangue em minhas mãos e o corpo sem vida do Dan estava na minha frente, o grande choque foi perceber que não havia nenhuma outra mulher ali.
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