A escolhida
3 Capítulo 3
Notas iniciais
A luz do sol preencheu os corredores daquela mansão. Corredores calmos e silenciosos, pelo menos para quem estava dentro dos seus quartos.
Ana tinha acordado mais cedo que os outros para explorar todos os corredores, salas, quartos... Era como uma aventura; seus olhos brilhavam a cada nova coisa que descobria.
Mas ela tinha mais motivos para querer conhecer melhor aquela mansão.
— Aninha? Legal, você também já acordou! Aposto que aqueles preguiçosos ainda nem saíram da cama. — Ana olhou para quem falava, e sorriu ao ver a sua amiga.
Gabi parecia irritava, mas com isso Ana já estava acostumada.
— Aninha... O que foi? — Ana começou a tremer, seus olhos ficaram vidrados do bichinho de pelúcia que Gabi carregava.
Era um Pikachu com metade do rosto sem a pele, com um dos olhos arrancados e metade do seu corpo com o esqueleto amostra. Ele tinha um sorriso psicopata, e estava todo manchado de vermelho.
— T-tira isso daqui! — Ana gritou, dando meia volta o correndo daquele lugar.
— Ah, é mesmo, eu tinha me esquecido disso. Que grande amiga eu sou. — Falou Gabi, abraçando o seu querido bichinho de pelúcia. — Quem poderia ter medo de algo tão fofo? — Gabi voltou para o seu quarto, guardando o ursinho e indo para a sala de jantar.
Os outros alunos foram saindo de seus quartos, havia um bilhete em cada porta que dizia...
— “Às 08h15min teremos o nosso café da manhã, por favor, estejam na sala de jantar no horário. Atenciosamente, Zoe.”... Mas que absurdo! Por que aqui não tem nada falando sobre a falta de sinal? —Perguntou Tom que estava ao lado de Matheus.
— Só você ainda não percebeu, mas ninguém aqui vai resolver esse problema. É perda de tempo ficar reclamando. — Falou Matheus, que começou a andar.
— Mas eu tenho que upar o meu guerreiro pro nível 170! O prazo para completar essa missão é até amanhã... Ei, não me deixe aqui!
— Os seus problemas estúpidos não me interessam. — Matheus disse, não olhando para trás, e seguiu para a sala de jantar.
Ao chegar àquela sala, Matheus fez questão de se sentar na cadeira mais afastada dos outros, afinal ou era sentar perto do casalzinho insuportável ou perto da Amelia, e ser obrigado a escutar todos os seus discursos sem fundamento.
Não demorou muito para todos chegarem, se sentando e esperando Zoe chegar com a refeição.
— Bem, Matheus... — Falou Ana, que havia se sentado ao lado dele. — Você p-poderia abrir a janela? Aqui está muito abafado...
— Olha só, quem diria. Quem vê não acha que você é interesseira — Falou Matheus, dando uma risada.
— N-não é isso! É só que...
— Deixe comigo fofinha, não perca tempo com esse fracote. — Rafael se levantou.
— Muito obrigada. — Ana sorriu olhando para Rafael.
— Aproveitando a oportunidade para se exibir. Atitude estúpida de uma pessoa estúpida. — Matheus murmurou para si mesmo.
Rafael foi até a grande janela e tentou abri-la, mas sem sucesso.
— O que foi, Rafa? Esqueceu de tomar seus esteroides? — Perguntou Mari aos risos.
— Por que essa droga não abre? — Perguntou Rafael, irritado, ainda tentando abrir a janela.
— Ela está emperrada. — Falou Zoe que já tinha colocado todos os pratos na mesa. Todos olharam para ela assustados. — Não gaste energia tentando abri-la. — Zoe sempre tinha um tom de voz calmo e um pequeno sorriso do rosto.
— Ei, não estou vendo a professora, cadê ela? — Perguntou Daniele, enquanto olhava para os outros.
— Eu não a vi pela mansão... — Falou Ana de cabeça baixa.
— Bem... — Zoe ficou séria, e pegou uma carta de um dos bolsos do vestido. — A professora de vocês teve que sair às pressas para ficar com a irmã, ela teve um parto complicado e acabou perdendo o filho, pelo o que a professora disse ela não está mais comendo nem bebendo nada, está entrando em depressão e precisa muito de alguém perto dela. A mãe delas morreu faz 3 anos então só resta a sua professora.
Zoe colocou a carta sobre a mesa.
— Ela deixou em escrito o que me disse, se quiserem podem dar uma olhada. — Ela deu um passo para trás, esperando alguém pegar a carta.
— Bem, acho que não é preciso, mas e agora, vamos ter que voltar? — Perguntou Lucas, enquanto travava uma batalha interna entre comer ou dormir ali mesmo.
— Sério? Vamos sair? — Perguntaram Tom e Gabi ao mesmo tempo.
— Meu lindo cabelinho está salvo! — Comemorou Sophia.
— Por favor, me escutem... A professora me pediu para ficar responsável por vocês, já que essa visita vale certa pontuação no colégio, estou certa? Ela não queria atrapalhar o programa do colégio, então vocês ficarão comigo. A menos que... — Zoe abaixou a cabeça. — Que não estejam gostando, ou que não queriam ficar por que eu não fui capaz de alegra-los... E-eu... — Ela começou a chorar.
— Ei! Nós não quisemos disser nada disso. É só que nós não suport... — Antes que Tom falasse mais, Gabi tapou a sua boca.
— O que ele quis dizer. — Começou Daniele. — É que nós ainda não nós acostumamos. Viemos para cá há pouco tempo, mas você é ótima. — Daniele sorriu, Zoe levantou a cabeça e sorriu também.
— Muito obrigada, isso significa muito para mim. — Zoe disse enquanto limpava as lagrimas. — Me desculpe por aquilo, mas eu...
— Não precisa explicar nada. Todo mundo chora, apenas relaxe como eu — Falou Lucas, inclinando-se na cadeira.
— E vamos combinar que alguém tão linda como você não devia esconder a sua beleza com lágrimas. — Falou Rafael olhando nós olhos de Zoe, que desviou o olhar, envergonhada.
— Que fofis! Ela é tímida. — Sophia riu. — Depois me diga que tonalidade é essa das suas lentes, quando eu sair daqui vou colocar esse tom de azul, é um arraso!
— Na verdade, eu não estou usando lentes, meus olhos tem cores diferentes mesmo — Zoe falou, dando uma leve risada. — Bem... Acho que já incomodei demais. Quando acabarem de comer vão para o primeiro andar. Estarei lá esperando vocês com uma surpresa.
— Surpresa? — Gabi parou de comer. — Eu não vou aguentar de tanta ansiedade! Diz o que é? Diz? — Gabi fez uma carinha fofa, para ver se surta algum resultado.
— Só vou dar uma dica... Levem suas toalhas. — Falou Zoe, que saiu da sala logo em seguida.
A primeira a acabar de comer foi Gabi, que saiu em disparada da sala de jantar enquanto arrastava Ana para chegarem juntas.
— Eu não esperava que vocês fossem chegar tão rápido. — Disse Zoe em frente à escada do primeiro andar.
Ana e Gabi foram as primeiras a chegar, sendo seguidas por Sophia e Mari. Todas traziam suas toalhas.
— Para que tivemos que trazer isso mesmo? — Perguntou Sophia. — Quer saber? Estou pouco me lixando, minha escovinha já foi destruída mesmo.
— Você age como se fosse morrer quando está sem sua escova, porque não raspa tudo logo? — Brincou Mari.
— Nunca mais fale isso na vida! — Sophia disse com uma expressão assustada, imaginando seus cabelos caindo fio por fio, até que não restasse mais nada.
Ignorando uma Sophia em estado de choque, as meninas esperaram os outros.
— Bem, agora que todos já estão aqui... — Falou Zoe, depois que todos já haviam chegado. — Está na hora da diversão! Sigam-me.
Zoe caminhou por alguns corredores, que se afastavam cada fez mais de onde estavam, até que ela parou em uma porta e a abriu.
— Piscina! — Exclamou Ana com os olhos brilhando.
— Por que não construíram a piscina do lado de fora da mansão? — Perguntou Enzo, que abraçou Daniele por trás.
— Achamos melhor colocar a piscina dentro da mansão. Agora nem a chuva pode nos impedir de nadar um pouco. — Zoe andou até outras duas portas. — A porta da direita é o vestuário das garotas, o da esquerda é dos garotos. Temos trajes de banho para todos.
Alguns dos alunos foram para os vestiários, Tom preferiu ficar jogando vídeo game e Matheus ficou em um canto afastado, anotando algumas coisas em um caderno.
— E-eu acho que esse biquíni ficou um pouco estranho em mim... — Falou Ana um pouco vermelha.
— Não reclama, amore. Esses biquínis são um arraso! — Falou Sophia se olhando no espelho do vestuário. — Mas para quem não tem corpo... — Ela riu.
— E você tem? Loira oxigenada. — Falou Daniele, com raiva.
— Tenho. Já você queridinha, não sei por qual milagre você tem um namorado... Já sei! Ele deve ter perdido em uma aposta, ou ter ficado com pena de você. — Sophia falou com um sorriso provocativo.
Daniele já estava se preparando para bater em Sophia, mas Mari e Amelia a seguraram.
— Eu não sabia como você tinha ficado tão boazinha perto da Zoe, agora sei que só estava fingindo. — Falou Daniele, ainda sendo segurada.
— Manter as aparências é tudo, não acha, fofa? — Sophia piscou para Daniele e saiu do vestuário.
— Calma, Dani. Tudo o que ela quer é que você bata nela para ela se fingir de vitima perto dos outros. — Falou Amelia, que a soltou.
— Você nunca disse algo tão verdadeiro. — Falou Daniele ainda com raiva. — Não vale a pena perder tempo com ela.
Todas saíram do vestuário e foram para a piscina. Rafael ficava dando mortais na água, Daniele estava jogando água em Ana e Mari, Amelia e Sophia nadavam.
— Não vejo Lucas em lugar algum... Vou ver onde ele está — Falou Gabi, que estava na beira da piscina junto a Zoe.
***
O segundo andar era tão silencioso, a cama era confortável, os cobertores macios e aconchegantes, a sensação era de se estar dormindo em uma nuvem, seria tão bom se aquele silêncio continuasse...
— Acorda! — Pôde ser ouvido um grito, seguido da sensação de impacto com o chão frio daquele quarto, mas apenas isso não era motivo para levantar.
— Me deixa dormir, por favor... — falou Lucas, ainda deitado no chão e sem abrir os olhos.
— Você deveria estar na piscina com os outros, bela adormecida. — Gabi disse com os braços cruzados e olhando para Lucas. Apenas o fato dele estar dormindo a irritava. Como alguém poderia dormir por tanto tempo? Será que se deixassem ele dormiria por um ano? Essa seria uma experiência que ela testaria no futuro.
— Você tem prazer em me torturar, não é? — Perguntou Lucas se levantando do chão e sentando na cama. — É-é... Você disse que estava na piscina não é? — Ele falou um pouco corado, olhando para o biquíni que Gabi estava usando.
— Sim, por quê? — Ela não percebeu porque Lucas havia a perguntado, simplesmente se esqueceu com o que estava vestida.
— N-nada não... — Lucas olhou para o lado, para esconder o rosto.
Aos poucos Lucas foi se deitado novamente e pegou no sono, Gabi irritada pegou em sua mão para puxá-lo de novo, mas Lucas a puxou primeiro, a fazendo ficar deitada ao lado dele.
— E-ei! — Gabi corou, e Lucas ainda dormindo a abraçou, fazendo seu rosto ficar próximo ao pescoço de Gabi.
Ela podia sentir sua respiração, isso a incomodava, e ao mesmo tempo em que tentava sair, Lucas a aproximava mais de si.
— Por favor... Fique comigo... — Lucas falou, próximo ao ouvido de Gabi, que se arrepiou e corou ainda mais.
Aos poucos Gabi ficou sonolenta, e acabou dormindo ali mesmo.
***
As horas foram passando, o dia tinha sido divertido, mas todos estavam exaustos. O jantar foi servido na piscina mesmo, então quando todos acabaram de comer, um por um foi deixando aquele lugar e foram para os seus quartos.
— Onde será que está a minha toalha? Será que alguma das garotas a pegou para ficar sentindo o meu perfume? Ai, ai... Minhas fãs me amam, só não admitem. — Falou Rafael dentro do vestuário. Ele era o único que não tinha saído, e a noite já havia chegado.
Ele saiu do vestuário apenas de sunga e foi abrir a porta.
Mas ela estava trancada.
— Quem trancou essa droga? — Rafael tentou arrombar a porta, mas algo foi mais rápido.
Ele podia escutar o barulho de garras arranhando a porta, aos pouco ele foi se afastando, até ser atacado por uma fera com o dobro do seu tamanho, seus dentes eram afiados, sua aparência o camuflava na escuridão, se assemelhava a um grande lobo, e o mesmo estava mordendo o braço de Rafael, o fazendo sangrar cada vez mais.
Rafael se debatia, aquela dor era insuportável. Ele pegou a coisa mais próxima a si, que distinguiu ser uma barra de ferro, e acertou na cabeça da fera, que o largou por uns instantes.
Aproveitando a chance Rafael se afastou ainda com a barra de ferro em mãos.
Mas a fera sabia como surpreender a sua preza.
Antes que percebesse, a fera mordeu a perna de Rafael e o puxou para o fundo da piscina, não o deixando subir para recuperar ar.
Rafael estava ficando sem forças, e a fera se aproveitava disso para saborear a sua refeição indefesa...
Mas a graça acabou, quando ele não se movia mais, e o seu sangue já cobria toda a piscina.
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