A escolha

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Eu voltei! *.*
Depois de vários anos, voltei a escrever uma fanfic, porque assisti Re: Zero e Subaru e Rem simplesmente alugaram um tripléx na minha cabeça. :/
E então decidi colocar uma ideia de final que eu tive para os dois, a final dos meus sonhos, para tentar exorcisar esses pestinhas da minha vida (Não funcionou ). Err.
Essa história se passa dentro do universo do próprio anime, é minha única fic que não é UA, e tentei escrever com a maior coerência possível. Mas estou lendo agora o volume 2 da light novel, então nem tudo vai ser exato e perfeito. Passem um pano pra mim, ok? Hehehe.
Espero que gostem. ♥

—Eu amo a Emilia.

Subaru se encarou no espelho, fitando o rosto sério, antes de descer os olhos para o paletó bem cortado que lhe cobria os ombros. Deu um meio sorriso. Seu casamento com a nova monarca de Lugunica seria no dia seguinte, mas a modista já havia lhes deixado no castelo os trajes da cerimônia, para que experimentassem e fizessem os últimos ajustes. Ram se revezava entre os quartos de um e outro, os auxiliando a se vestirem – tarefas que ela ainda insistia em fazer, mesmo não sendo mais uma empregada, e sim a noiva do dono da casa.

Como mandava a tradição, ainda não tinha visto Emilia de noiva – mas sabia que ela estava linda. A garota mais linda do mundo, como dissera certa vez a Echidna.

—Eu amo a Emilia. – repetiu mais uma vez, acertando o botão da camisa que havia se soltado. Sorriu. Começou a lembrar do dia em que Emilia finalmente se declarou, a poucos meses atrás.

~~~~Flash back on~~~~

Estava acabado.

Satella estava derrotada. A bruxa havia recebido o derradeiro golpe dado por Julius, desaparecendo em seguida em uma nuvem de fumaça. A operação para derrota-la, semelhante aquela feita na batalha contra a baleia branca, fora um sucesso. Porém, a derrota da baleia branca não foi o fim de tudo. Os acontecimentos seguidos foram trágicos, prejudicaram vários soldados, inclusive Crusch Karsten, levando as memórias dela. E o pior de tudo, quase levaram Rem para sempre. Quase perdera Rem, graças ao maldito culto. Mas estava tudo acabado.

Caiu de joelhos no chão, exausto, ignorando os ferimentos de batalha. Chegou a olhar em volta, a procura de Rem, sua mais leal escudeira, sua companheira de literalmente tantas vidas diferentes, que tantas vezes se feriu, que tantas vezes pereceu, sem jamais abandoná-lo. Sentiu os olhos marejarem de alívio, quando seus olhos encontraram os dela. Rem também estava exausta e tinha ferimentos de batalha, mas também sorriu ao vê-lo. Sabia que ela sentia o mesmo alívio que ele sentia. Ninguém era tão transparente aos olhos dele quanto Rem. E ninguém lia suas emoções tão bem quanto Rem.

Levantou-se e pôs um pé a frente, para ir até Rem. Queria senti-la nos braços, para ter certeza de não tinha nenhum ferimento mais grave, de que nenhum golpe cruel da bruxa havia perfurado de maneira mortal a pele branca e o corpo delicado. Mas antes que andasse até ela, viu os braços de Ram envolverem a irmã, chorando convulsivamente, também chorando de alívio ao ver que tudo acabara e que a pessoa que mais amava no mundo estava segura. E no mesmo instante, sentiu braços finos o envolverem por trás, e um rosto molhado de lágrimas pressionando suas costas.

—Subaru! – a voz chorosa de Emilia o chamou, em desespero, fazendo com que ele se virasse. Ficou atônito. Emilia soluçava. Não se lembrava de tê-la visto tão desesperada. –Subaru, graças a Deus você está bem!

Emilia enterrou o rosto em seu peito, ainda chorando, e ele a envolveu com os braços, com ternura. Emilia já havia passado por muita coisa, mas seria boa governante. Era bondosa, corajosa, e não hesitara em ir para a frente de batalha, quando Crusch, Anastasia e as outras candidatas ao trono de Lugunica propuseram a união para derrotar definitivamente a bruxa da inveja. Emilia se preocupava com todos, chorava por todos. Cuidaria do reino tanto quanto cuidava dele naquele momento, e...

—SUBARU! – Ainda chorando, Emilia levantou a cabeça e segurou com as duas mãos o rosto de Subaru. –EU TE AMO! Por favor, nunca mais se coloque em risco, nunca mais se machuque. Eu preciso de você! Eu te amo!

Ainda chorando, Emilia lhe envolveu o pescoço com os braços e levou seus lábios aos dele, fazendo com que sentisse lágrimas salgadas misturadas a pele macia. Não teve tempo de esboçar qualquer reação.

Era real? Emilia havia acabado de dizer que o amava?

Sentia que havia esperado uma eternidade por aquele momento. Esperara aquilo por mais vidas do que almejava viver.

A abraçou de volta, correspondendo ao beijo. Não sabia qual estava sendo a reação dos demais, e naquele momento não importava. Todos estavam comemorando a vitória contra a bruxa, todos abraçavam seus colegas de batalha, seus entes queridos. Não sabia exatamente quanto tempo se passou, quando Emilia interrompeu o beijo e colou o rosto em seu peito, o abraçando novamente. Subaru a envolveu com os braços, sentindo que explodiria de felicidade. Mas então abriu os olhos, pois seu coração tinha duas metades. E nunca escondera isso de nenhuma das duas.

Conseguiu ver Rem o olhando. Ela permanecia no mesmo lugar, mas agora tinha uma multidão á sua volta. Rem havia sido fundamental na batalha. Rem era incrível, e todos finalmente reconheciam seu valor. Ela estava cercada por crianças, todos queriam ser como ela. E ela, mesmo tímida, dava atenção a cada um deles.

Mas não deixava de olhar para Subaru, seu grande amor. Ele não via ressentimento nos olhos dela. Rem não era assim. O tipo de amor que não era possessivo. Que era abnegado.

Ela parecia ter um pouco de tristeza no olhar? Talvez. Mas sorria ao olhar para ele. Nada importava mais do que todos estarem seguros e livres da bruxa. Nada importava mais do que v vê -lo bem, vivo e feliz.

Rem era assim.

~~~~Flash-back off~~~~

—Eu amo a Emilia. – Subaru repetiu para si mesmo na terceira vez naquele mesmo dia, dessa vez conferindo na lapela o grampo que seguraria a flor, no dia seguinte. E enquanto lembrava dos olhos azuis de Rem marejados, ao vê -lo com Emilia nos braços.

“Eu amo a Emilia”, reforçou, dessa vez em pensamento, “e a Rem sempre soube disso”.

Aquilo era uma verdade irrefutável. Subaru jamais fora desonesto com Rem. Ela sabia da importância de Emilia para ele. Rem jamais questionou isso, porque nunca fora enganada por Subaru.

—Eu amo a Emilia – ele repetiu mais uma vez em voz alta, e não era mentira.

Mas então por que sentia aquele vazio? E por que lembrar os olhos marejados de Rem lhe partia o coração?

E porque a lembrança de que Rem iria embora em breve o fazia ter vontade de gritar?

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Rem conferiu mais uma vez o guarda-roupa, para ter a certeza de que não esquecera de nada. Ram ja havia se mudado a algum tempo para o quarto de Roswaal, seu noivo, mas ainda tinha algumas roupas no quarto que dividiu durante anos com a irmã gêmea, de modo que era fácil se confundir. Conferiu também os sapatos e a gaveta da mesa de cabeceira.

Terminada a conferencia dos armários, voltou sua atenção para as duas malas, em especial para a pasta de couro onde guardou seus documentos. A carta de recomendação continuava impecável na parte de cima, do jeito que foi colocada. Rem sabia disso, mas sua ansiedade e insegurança a faziam conferir inúmeras vezes.

Aquela carta era importante. Após a batalha em que derrotaram Satella, a bruxa da inveja, recebeu pouco tempo depois a proposta de trabalhar como professora em Kararagi. As crianças a admiravam e acreditavam nela, o que chamou a atenção dos líderes de lá.

Pensou em recusar. Ir para longe lhe causava dor no coração. Uma parte sua queria ser uma segunda esposa e se contentar com uma parte do amor de Subaru, como ridiculamente lhe propôs certa vez. A outra parte sabia que, por mais abnegado que seu amor fosse, ela ainda era metade ser humano. Sabia que não conseguiria suportar por tanto tempo assim a espera por Subaru no quarto, enquanto ele acompanhava em eventos a futura rainha de Lugunica, sua esposa oficial. E não sabia até quando amaria sem ressentimentos, ao ver os filhos de Subaru crescerem no ventre de Emilia.

Deu um suspiro triste. Sabia que poderia lutar por ele. Nunca duvidou do amor que Subaru também sentia por ela. Subaru, seu herói que morrera tantas vezes e morreria mais milhares para salvá-la. Sabia que poderia lutar por ele, e sabia que tinha chances.

Mas, diabos, não queria competir com Emilia. Nunca quis que fosse assim, um triangulo amoroso idiota que só traria mágoas a todas as partes. Emilia era bondosa. E Emilia também amava Subaru, por mais que tenha demorado a perceber. Subaru seria feliz com Emilia, Rem não tinha duvidas disso. Ele já era o cavaleiro de Emilia, como tanto sonhou, e dedicaria sua vida a protegê-la. Subaru e Emilia formariam uma família. A doce Emilia, que só conheceu o desprezo, finalmente saberia o que era amor. E Subaru também precisava daquilo. Subaru sempre teria por quem lutar, tanto sua família quanto seu povo. Emilia e o povo precisavam de Subaru.

Ela, Rem, era apenas uma empregada, e sabia que ao seu lado Subaru jamais poderia ser mais do que isso. Mas Rem estava bem. Sua vida já lhe trouxe dor o suficiente para que não se ressentisse, e para que se recusasse a viver ressentida. Subaru seria feliz, e isso bastava para ela. E Ram também seria feliz, o que também bastava. Rem, então, seguiria seu caminho e teria uma nova vida.

~~~~Flash-back on~~~~

Rem abriu os olhos, mas não conseguiu se virar na cama. Pensou em tirar o braço que a envolvia com firmeza pela cintura, mas ao invés disso chegou mais para trás, se aconchegando mais ao corpo masculino, querendo gravar aqueles momentos para sempre na memória.

Subaru suspirou baixinho, tentando controlar os pensamentos impuros que as nádegas pequenas e redondas cobertas pelo pijama fino lhe provocaram. Rem riu.

—Vamos, é hora de ir para seu quarto, Subaru-Kun. – disse Rem, sem se virar e sem abrir os olhos. –Não vai querer ter de se explicar, se Emilia-sama vê -lo saindo do meu quarto.

—Emilia está completamente envolvida com a cerimonia de coroação – respondeu Subaru, chegando mais perto de Rem e a envolvendo mais. –Nem a vi hoje.

—...Como? – Dessa vez Rem abriu os olhos. –Você ainda não deu uma resposta a ela?

Subaru encaixou o nariz no pescoço de Rem e respirou fundo, sentindo o cheiro de alecrim e lavanda dos cabelos azuis.

—Eu não sei o que responder.

Dessa vez Rem se sentou na cama e olhou Subaru, incrédula. Os cabelos desgrenhados dela, que haviam crescido um pouco, caíram pelos ombros e atraíram os olhos de Subaru para o colo desnudo, coberto por uma blusa de pijama tão fina quanto a parte de baixo. Ver para onde ele olhava só fez com que os mamilos “acordassem” e marcassem a roupa, o que só deixou as duas pessoas naquele quarto ainda mais coradas.

—C-como assim, não sabe o que responder? – Rem abraçou uma almofada. –Você não está esperando a reciprocidade da Emilia a, sei lá, umas cem mil vidas?

—Exagerada... – Subaru riu.

Rem se deitou novamente, dessa vez de barriga para cima.

—Por que você ainda não deu uma resposta a ela? – Rem questionou, sem olhá-lo. –Não deve ter sido fácil para a Emilia-sama, se declarar.

—Sei que não foi. – Subaru disse, também virando de barriga para cima e fitando o teto. –Por isso mesmo ainda não dei uma resposta a Emilia-tam. Honestamente, não sei se sou digno dela. Não sei se sou digno de ser um cavaleiro, ou mesmo de acompanhar uma rainha.

Rem se virou para o lado de Subaru, o olhando nos olhos.

—Como você poderia não ser digno, Subaru-kun? Voce é um herói desse povo. Foi tantas vezes o herói de Emilia-sama. O meu herói...

—Rem... – ele tocou no rosto dela. Rem tocou a mão dele.

—Você sempre poderá contar comigo, Subaru. Enquanto eu viver, eu sempre vou estar disposta a proteger você. – ela fechou os olhos. Era difícil continuar falando, olhando para o rosto dele daquele jeito. –Mas chegou a hora de sermos felizes. De realizar os nossos sonhos. E ser o cavaleiro de Emilia-sama sempre foi o seu sonho.

—Mas Rem... — ele fechou os olhos também, e tocou com o nariz o nariz dela. –E quanto a você?

Ela sorriu.

—Eu ficarei bem, Subaru-kun. – ela segurou a mão dele e a beijou. – Eu vou aceitar a proposta de Kararagi. Afinal, descobri que também tenho meus próprios sonhos.

Ele sentiu as lágrimas escorrerem.

—Nós ficaremos bem, Subaru-kun. Você terá uma vida brilhante e uma família incrível. E se ainda sobrar algo daquela parcela de amor que você tem por mim... – a voz da garota estava embargada. –Saiba que nunca me arrependi de nada. E que eu lutaria ao seu lado mais quantas vezes fosse preciso.

—Rem. – ele a envolveu com os braços e a apertou. –Rem...

—Shh... – ela tocou com delicadeza os lábios dele, o calando. E em seguida substituiu os dedos por seus próprios lábios, com um beijo suave. Um beijo de despedida. Mas a boca dele capturou a dela ferozmente, e o corpo dele cobriu o dela, como se não quisesse que aquela despedida acabasse nunca.

Rem não ofereceu qualquer resistência. Não era a primeira vez que se beijavam, tão pouco a primeira vez em que repousavam na mesma cama, ou que trocavam carinhos e abraços que iam além de amizade e fraternidade. O contato físico nunca fora um tabu para aqueles dois. Mas era a primeira vez que Subaru ia tão longe, e ela percebeu isso assim que as mãos de Subaru subiram dos seus quadris para os seios por baixo do pijama.

Subaru era um cavalheiro. Por mais que ela não oferecesse resistência aos carinhos dele em vezes anteriores, ele sempre parava os beijos a tempo de não tomarem decisões que não pudessem voltar atrás. Subaru nunca quis tratar Rem como uma amante, como uma qualquer. Sua Rem era mais do que isso, merecia mais do que isso.

Mas naquele momento, não pensava em nada. Doía saber que a perderia. No final das contas, não se pode ter tudo. Ganharia sua amada Emilia, mas perderia Rem, seu anjo da guarda, a mulher por quem quase enlouqueceu, por quem enfrentou a morte mais vezes do que pode contar. Sua Rem, que o amava loucamente, tanto que o conhecia. Que não o deixou pegar o caminho mais fácil e abandonar Emilia e o vilarejo certa vez, mesmo tendo a chance de começar uma vida com ele. E que agora, mais uma vez, escolhia por ele o caminho certo. O caminho que o tornaria um cavaleiro, um homem honrado, mesmo que isso significasse perdê -lo para sempre.

Ela iria embora. Ela seria uma professora, conheceria o mundo. E provavelmente encontraria alguém cujo coração fosse só dela, que a faria uma mulher feliz, uma esposa única, uma mãe. Rem não merecia menos do que isso, e Subaru desejava que então ela o esquecesse, para que nada a atrapalhasse de viver a vida que merecia.

Sentindo seu coração rasgar o peito, Subaru sentou na cama ainda preso aos lábios de Rem, com as mãos subindo pelas costas femininas e agarrando os cabelos azuis. Rem suspirou ao sentir o volume contra a sua intimidade, e então percebeu que não poderiam voltar atrás em nada do que fora decidido ali.

Rem se soltou dos lábios de Subaru por um momento, apenas para conseguir tirar a blusa do pijama, deixando os seios expostos aos olhos e mãos masculinas, tão quentes quanto aquela noite de verão. A camisa dele se juntou a blusa dela no chão, e então nenhum pensamento, dor ou decisão difícil os interrompeu mais, naquela noite.

~~~~Flash-Back off~~~~

Rem tocou os lábios e sorriu. Levaria aquela doce lembrança com ela. Iria embora sim, iria abrir mão de Subaru, mas levaria com ela não só a lembrança de uma noite, mas de uma vida. Pois foi aquele humano desajeitado que a fez se sentir viva. E não mentiu quando disse não ter arrependimentos.

—Você está com cara de quem tem pássaros voando dentro da cabeça, Rem . – disse Ram, ao entrar no quarto e ver a irmã com a mão na boca e os olhos perdidos, uma grande cara de pastel.

Rem riu, sem responder. Sabia que Ram a leria e daria a própria opinião, mesmo que ela não pedisse.

Você tem certeza? – Para a surpresa de Rem, a expressão da irmã ficou triste de repente. –Sair assim, sem se despedir de ninguém... Barusu sentirá sua falta no casamento. Emilia-sama também.

—Eu sei . – Rem respondeu, tirando os espartilhos da mala e os desdobrando e redobrando, pela décima vez. –Mas acho que ver Subaru e Emilia-sama se casando vai um pouco além dos meus limites. – suspirou. – E quanto a não se despedir, melhor assim. Não sei até que ponto partirei com dignidade, se o Subaru chorar nos meus braços mais uma vez.

Rem sorria, mesmo com os olhos tristes. Aquele sorriso triste de tantas vezes, o rosto conformado de alguém que sempre soube o lugar que o ocupava, embora pensar o contrário às vezes fosse irresistível.

Ram não disse nada. Tinha uma expressão tão triste quanto a da irmã gêmea.

—Você acha que eu estou sendo tola, Ram? – a mais nova perguntou, com os olhos baixos. –Acha que eu deveria ficar e lutar por ele?

Ram balançou energicamente a cabeça, negando.

—Tola por seguir em frente e viver a própria vida? De maneira nenhuma. – Ram foi até a irmã e segurou suas mãos. –Você sempre lutou demais por ele, em todos os sentidos. E chegou a hora de ele lutar por você. – a garota de cabelos vermelhos encarou a irmã. – Ele me pergunta sobre você o tempo todo. Quer saber se você ficará bem instalada, se Kararagi será seguro para você. Ele não tira você da cabeça, Rem.

Rem deu mais uma vez um sorriso triste.

—Isso vai acabar assim que ele ver Emilia-sama de noiva pela primeira vez, e a tiver nos braços. E então estarei longe, e tendo a certeza de que fiz a escolha certa.

Ram segurou com firmeza uma das malas sobre a cama, para que Rem a fechasse, e então as duas ficaram de pé e olharam uma para outra. Eram tão parecidas! Mas também tinham diferenças marcantes, que iam além do tom dos cabelos e dos olhos. Rem era doce, tímida, mas muito leal e determinada. Ram tinha uma língua afiada e era muito prática, mas defendia a irmãzinha feito um leão, se fosse necessário.

Se abraçaram.

—Sentirei saudades. – Ram disse, sentindo o delicado perfume dos cabelos da mais nova.

—Eu também. – respondeu Rem, a apertando com mais força. – Otto já preparou o dragão?

—Sim, está encilhando a carruagem. – Ram hesitou antes de perguntar. –Rem... quer deixar algum recado a ele? Ele vai ficar em choque, quando não encontrar você.

Rem suspirou.

—Diga que eu o amo. E que desejo a ele e a Emilia toda a felicidade do mundo.

Ram teve vontade de acolher Rem e a colocar no colo, quando a viu sair com uma mochila nas costas e mais uma mala sendo puxada. Mas sabia que não poderia impedi-la. Sabia que Rem estava certa.

Só uma pessoa poderia fazer com que fosse diferente.

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Emilia escolheu um dos pregadores sobre a penteadeira e pos na lateral do cabelo, o terceiro que testava para usar amanhã, no penteado que faria para o casamento. Olhou para a jóia em forma de coroa, um presente de Julius. Ainda estava em dúvida se a usaria com o vestido de noiva, ou se a estrearia na cerimonia de coroação.

Levantou do banquinho da penteadeira, alisando o vestido que lhe contornava as pernas, antes de chegar até o espelho. Seria uma noiva linda, “a mulher mais linda do mundo”, como lhe disse Subaru certa vez. Como Julius também havia dito. Como até mesmo Roswaal já comentou. Sua beleza era algo que ninguém discutia, ainda que a semelhança com a bruxa a fizesse ter sentido somente o ódio das pessoas, durante a maior parte da sua vida.

Mas aquilo havia passado. Ninguém mais a temia, ninguém mais a enxotava ou trocava de calçada, ao cruzar com ela na rua. Emilia era respeitada, seria uma rainha em breve. E devia isso a Subaru, o único ser que a amou de verdade, além de Puck e sua mãe Fortuna. O homem que a protegeu, salvou e fez com que acreditasse em si mesma. O homem que jamais desistiu dela. Alguma vez Subaru havia desistido dela?

Emilia tentou ignorar mais uma vez aquele pensamento incomodo que volta e meia invadia sua cabeça, até mesmo no ingrato momento em que experimentava seu vestido de noiva. Emilia estava feliz. Sabia que o melhor futuro possível a aguardava. Teria o homem que amava e o respeito de seu povo. Teria amor e lealdade, teria filhos a quem amar e para amá-la.

E Subaru jamais a magoaria. Sabia disso. Subaru lutou por ela tantas vezes! Ele honraria seu papel, o papel de fiel companheiro dela. Ele se declarou a ela tantas vezes!

Emilia sentiu os olhos se encherem em lágrimas e abraçou os cotovelos. Por que sentia aquele aperto no peito? Seu noivo nunca deu qualquer motivo para que ela duvidasse do amor dele, mesmo em seus momentos mais difíceis. Ela sabia tudo que Subaru havia passado. Em uma longa conversa após a derrota de Satella, Subaru finalmente pode lhe contar tudo que aconteceu, do seu poder de voltar da morte, das muitas vezes em que voltou e fez tudo diferente. Das vezes em que a salvou. Do quanto lutou para manter todos seguros. Das inúmeras vezes em que salvou Rem...

“Ela é tão importante quanto você...”

Emilia tirou o grampo de coroa do cabelo, e deixou-o sobre a penteadeira antes de sair do quarto, mais decidida do que nunca.

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Subaru estava sentado sobre a cama, olhando os próprios dedos e com um olhar perdido, quando Emilia parou na porta aberta do quarto. Ele chegou a demorar um pouco a notar a presença da noiva, mas pareceu atônito, quando por fim a viu.

—Emilia-tam? – ele corou ao vê -la no vestido. Mas Emilia não se deixou amolecer. Estava de fato mais decidida do que nunca. –Acho que eu não deveria estar vendo você com esse vestido, certo?

Emilia sorriu, sem se importar com a tradição. Entrou no quarto e sentou ao lado de Subaru, que pareceu ter ficado tenso com a proximidade dela.

—Subaru-kun... Você parece abatido.

Ele disfarçou forçando um sorriso.

—Não tenho dormido muito bem. Acredito que seja o nervosismo com a chegada do casamento, sua coroação e tudo o mais.

—É compreensível. – respondeu Emilia. –Mas, sabe... – ela segurou a mão dele entre as suas, e ele não ofereceu resistência. –Eu acho que não é o casamento, o que está te deixando nervoso. Ao menos não só o casamento.

Subaru sentiu as bochechas corarem e seguiu olhando o próprio colo, sem encarar Emilia.

—Por que diz isso, Emilia-tam?

Emilia deu um sorriso triste.

—Eu tenho uma pergunta, Subaru-kun. Você lembra quando, após a derrota da baleia branca e a evacuação do vilarejo, você disse que a Rem-sam é tão importante para você quanto eu?

Subaru engoliu em seco. Aquilo havia o pegado de surpresa.

—Lembro. Bem... – ele gaguejou. –R-Rem-chan teve um papel muito importante em todas as vezes em que voltei, desde que cheguei no castelo. – ele riu, ao lembrar que ela havia sido responsável até mesmo pela morte dele, em duas dessas vezes. Mas aquilo simplesmente não importava. Rem jamais voltou a duvidar dele ou a fazer qualquer mal a ele, quando ele ganhou sua confiança. Rem reviveu inúmeras vezes a morte, quase tantas vezes quanto ele próprio, para ajudá-lo. Sem questionar. Tantas vezes viveu a dor de perdê -la!

Voltou a falar, ao se dar conta de estar novamente perdido em pensamentos. Emilia o aguardava pacientemente.

—Rem é tão importante quanto você, como eu disse. Ela é... – a palavra faltou. Como poderia explicar á própria noiva que amava outra mulher, mais do que a própria existência? Emilia já fora compreensiva demais. Lembrava bem da ocasião que Emilia falava, quando o maldito bispo da gula quase lhe arrancou Rem para sempre.

Emilia ouviu a declaração de Subaru, e minutos depois já teve de ouvi-lo se desesperar por outra, e dar a essa outra a mesma importância que a ela. Pobre Emilia!

Ele simplesmente não conseguia falar. Emilia sentia seu coração quebrar mais a medida em que sua certeza aumentava.

—Eu tenho mais uma pergunta, Subaru. – ela soltou a mão dele e alisou as próprias pernas cobertas pelo vestido de noiva de seda branca. –Você me contou todas as vezes em que voltou da morte, muitas mortes dolorosas. Você sofreu muito para salvar a Rem-sam. Voce jamais desistiu dela, não é mesmo?

Subaru estava desconfortável.

—Não, Emilia, eu jamais desisti dela. E jamais desistiria. – ele deu um sorriso amargo. –A Rem-chan é mesmo muito importante para mim. Mas você também é, ok? É com você quem me casarei amanhã.

—Subaru-kun . – Emilia enfim levantou e ficou de frente para ele. Estava séria. –Eu não tenho dúvida de que sou importante para você, e sei que você de fato pretende se casar comigo amanhã. Mas não acho que de fato eu e a Rem tenhamos a mesma importância para você.

Subaru a olhava atônito.

—Por que não, Emilia? Você sabe que eu jamais magoaria você...

—Você jamais desistiu da Rem-sam e jamais desistiria. Mas você já desistiu de mim. Você quis me deixar morrer, desde que tivesse a Rem ao seu lado.

Aquilo caiu como uma bomba na cabeça de Subaru.

Emilia estava certa. Em sua ânsia de ser sincero, contou todos os detalhes de sua dolorosa jornada, quando pode fazer isso. Contou até mesmo sobre quando, exausto, quase desistiu. Propôs a Rem que fugissem juntos, propôs até mesmo uma vida de casal, uma família, ao preço de deixarem todos morrerem. Ram. Petra. Todo o vilarejo, todas aquelas pessoas inocentes. E ela, Emilia. E contou isso a Emilia, sem parar para pensar em como ela se sentiria com isso. Disse que jamais magoaria Emilia, mas a verdade é que já havia magoado.

Realmente deixaria Emilia morrer, desde que tivesse Rem a seu lado.

—Emilia-tam... – Subaru não segurou mais o choro. Sentiu os ombros balançarem com os soluços.

—Subaru... – Emilia tinha lágrimas nos olhos. –O que você diria, se soubesse que, em algum momento, escolhi fugir com o Julius e deixar que você morresse?

—Eu diria... – por mais vergonha e pesar que sentisse, Subaru não tinha como responder outra coisa. -... que é o Julius quem você ama de verdade.

Emilia deixou que as lágrimas escorressem, e segurou as mãos de Subaru.

—Subaru... você já fez a sua escolha a muito tempo atrás. Você se importa demais comigo para me abandonar no altar, e Rem foi nobre demais para deixar todos para trás e ver você amargando em culpa. Mas você não estar com a Rem hoje é por uma escolha dela, e não sua. Você já escolheu a Rem, Subaru.

Subaru abraçou Emilia, chorando alto.

—Me perdoe... – o desespero dele era sincero. –Me perdoe, Emilia-tam! Eu nunca quis machucá-la.

Emilia sorriu e o abraçou de volta.

—Não machucou. – mentiu ela.

Ficaram um bom tempo abraçados. Não queria que fosse assim. Subaru nunca quis que Emilia se ferisse. Seria tão mais fácil, se tivesse sido Emilia sempre! Teria uma vida com a primeira por quem se apaixonou, e eles estariam felizes ali, no Reino de Lugunica.

Mas Rem entrou em sua vida, e ele custou a entender que talvez a razão de ter ido parar naquele mundo não era viver uma vida perfeita e de prestígio com uma linda garota de longos cabelos prateados, como aquelas que enfeitaram as paredes do seu quarto de adolescente. Talvez a razão de tudo era mesmo encontrar aquela menina insegura, delicada, tão parecida com ele, e ao mesmo tempo poderosa o suficiente não só para salvá-lo, mas também para torná-lo uma pessoa melhor.

—Emilia. – mais calmo, se separou do abraço e segurou as mãos de Emilia, a olhando nos olhos. –Eu não sei o que dizer.

—Eu digo. – disse Emilia. –Você não precisa carregar o fardo de me abandonar, Subaru. Sou eu quem vou abandoná-lo no altar. – respirou fundo. –Esse noivado está desfeito, Subaru. Vá atrás da Rem.

Ele sentia um misto de vergonha e alívio, misturando tudo com lágrimas.

—Você poderá contar comigo sempre!

—Eu sei. – respondeu ela. –Eu vou ficar bem. Tenho um país para governar, não é mesmo? – ela colocou as mãos na cintura e deu seu primeiro sorriso de alegria dos últimos dias. – E eu posso fazer isso. Você me tornou quem sou, Subaru-kun!

Subaru beijou as mãos dela, emocionado.

—Obrigada, Emilia-tam.

—Vá. – disse a futura rainha de Lugunica. – Pois sei que, de alguma forma, o coração da sua garota está esperando ansiosamente por você.

—Emilia... –ele ainda perguntou. –Por que? Por que está fazendo isso por mim e pela Rem?

Emilia suspirou.

—Porque eu não sei dividir, Subaru. Talvez eu não te ame tanto quanto a Rem ama. Eu também não conseguiria ser feliz, sabendo que o seu coração é ocupado por outra pessoa. Agora vá. Não a deixe ir embora.

Ele saiu do quarto, as pressas.

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—REM! – Subaru entrou no quarto sem bater, mas a surpresa foi maior ao ver não Rem, mas a irmã sentada na cama. Com pernas e braços cruzados, como se o esperasse. E o guarda-roupa e cômoda abertos e vazios.

—Você demorou demais, Barusu. – disse Ram, com sua costumeira expressão séria. –Achei que teria de interferir.

—Ram?? – a expressão aflita dele denunciava seu desespero. –ONDE ELA ESTÁ?

Ram levantou e andou até Subaru, lhe apontando o dedo quase no nariz.

—Onde acha que ela está, seu idiota? Ela já foi embora! Acha mesmo que minha irmã conseguiria assistir seu casamento, como se fosse o casamento de qualquer outra pessoa?!

Subaru caiu de joelhos, acabado. Como pode deixar que isso acontecesse? Se agarrou com tantas forças a Rem, tantas vezes, mas no final das contas partiu o coração dela. Partiu tanto que ela não pode ficar.

—Ram... – ele pos as mãos no rosto. — Eu sou mesmo um idiota! Um egoísta! Eu não mereço a Rem! – estava lutando para não sufocar. – Mas você não tem ideia do buraco que está aberto no meu peito, desde que ela disse que iria embora. Eu amo a sua irmã, Ram! Talvez você não acredite, mas a Rem é a única pessoa que eu escolheria para ter ao meu lado, se todo nosso mundo se acabasse sob nossos pés!

—Eu acredito! – Ram bufou. –E no fundo, Rem também sabe disso. E ela sente o mesmo por você, e somente por você! – Ram segurou o queixo de Subaru. – Ela saiu daqui ferida de morte, mas o ama demais para prejudica-lo e atrapalhar a suposta vida perfeita que você construirá aqui!

—Não, Ram! – ele segurou os braços da irmã mais velha de sua amada. –Nunca será uma vida perfeita! Nada será perfeito, sem a Rem ao meu lado!

Ram o esbofeteou. Ele não reagiu.

—Não tem nem cinco minutos que ela e Otto saíram. Se você correr, pode alcança-los.

Subaru a olhou, atônito, ainda com a mão no rosto dolorido.

—Por que está me ajudando?

—Porque eu amo minha irmãzinha. – ela sorriu. – E ela ama você, Barusu.

Subaru não esperou mais nenhum segundo. Levantou, deu um beijo estalado na bochecha da cunhada – que rosnou para ele – e saiu correndo em disparada para fora do castelo. Por sorte, Patrasche estava em frente, e ele só precisou saltar sobre seu fiel dragão e dar uma ordem.

—Vamos, Patrasche! Em frente!

Patrasche, sem qualquer sinal de dúvida, disparou pela estrada.

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Mais a frente, em uma carruagem, Otto conduzia o dragão, pensando no que faria para jantar. Sentada na parte de dentro, com a cabeça encostada no vidro da janela, Rem ia pensativa. Não chorava. Já havia chorado tudo que tinha para chorar no dia em que caiu em si e a aceitou a oferta de emprego em Kararagi, e mais ainda no dia em que Subaru finalmente deu uma resposta a Emilia, e os dois anunciaram o casamento. Naquele dia foi difícil manter a compostura, e Rem chorou a noite toda em seu quarto, sendo consolada por Ram.

—Aquele Barusu... – Ram acariciava a cabeça da irmã em seu colo. –Pois tomara que o negócio dele não suba na noite de núpcias, duh! Acabei de rogar uma praga.

Rem soltou uma risada ao lembrar a “praga” da irmã. Aquilo a distraiu da dor de pensar em Subaru nos braços de Emilia.

Subaru se casaria com Emilia. Logo estariam juntos. Como seria? Subaru tocaria Emilia com o mesmo ardor e paixão que tocara ela, Rem? Emilia se desmancharia nos braços dele e se entregaria de corpo e alma, como ela, Rem, se entregou?

Doía pensar nisso. Doía e era inútil. Amanhã Subaru e Emilia estariam casados, Rem estaria começando uma vida nova, e...

—OTTOOOO!!! – Rem deu um pulo no banco, ao ouvir a voz chamando energicamente o colega que a conduzia. –REM! REEEEM!

Otto parou bruscamente a charrete, e então Rem viu pela janela quando Patrasche passou, derrapando as patas na estrada, e jogando para a frente o homem que levava.

—Subaru??!

Rem saiu da charrete a tempo de ver Subaru levantando rapidamente do chão, coberto de poeira, sujando completamente a roupa que provavelmente seria a de seu casamento.

—Rem! – ele correu e a abraçou. – Rem! Por que ir embora tão rápido, sem se despedir? Eu...

—Subaru-kun... – ela se afastou do peito masculino, que a apertava, apenas para poder olhá-la. –Eu só não gosto de despedidas, tá? Eu... prometo que visitarei você e Emilia-sama, assim que eu estiver bem instalada. E que... – Subaru viu a sombra de melancolia passar disfarçadamente pelos olhos azuis. -...E que passar o período de lua de mel de vocês, naturalmente.

—Rem, me escute. – ele segurou os ombros dela. –Não vai haver casamento. E-Emilia terminou comigo.

Rem o olhou incrédula.

—Emilia-sama terminou... óh... – a surpresa durou breves segundos, e Subaru notou ser substituída pela decepção na expressão de Rem. –Óh. Por isso você está aqui? Por que Emilia o deixou?

—Não. Quer, dizer sim! Quer dizer, aaah! – ele balançou a cabeça negando, confuso. –Sim, mas não desse jeito que parece. Rem, Emilia terminou porque descobriu algo. Ou melhor, percebeu algo.

—Subaru... – Rem ficou vermelha como um tomate, e Subaru tentou explicar imediatamente que também não era aquilo que ela esteva imaginando.

—Não, Rem. Não foi por conta da noite que nós dois passamos juntos. – e nesse momento Otto, que se esforçava para ficar quieto, quase caiu do banco da frente da charrete, tentando prestar mais atenção no assunto. – Rem, você lembra que eu disse várias vezes o quanto você é importante pra mim?

—S-sim. – Rem respondeu olhando para ele, confusa.

—Então, eu disse isso a Emilia também, sempre deixei claro a ela que você é tão importante quanto ela. Bem, eu achava que era a mesma importância, mas Emilia percebeu que não é a mesma. Você lembra, antes do ataque ao vilarejo e a mansão, quando pedi que deixássemos tudo para trás e fugíssemos juntos?

Rem sorriu, mesmo ainda com tristeza. Nunca se esqueceria disso.

—Teríamos sido felizes. Mas você é um homem honrado, Subaru. Nunca deixaria Emilia e os outros.

—Não, Rem, você está errada. – ele voltou a sacudir a cabeça. – Você é quem não deixaria ninguém. Você me recusou. Eu teria fugido com você, Rem. Teria ido para longe com você na mesma hora, sem olhar para trás. Eu casaria com você, teríamos uma casa, uma vida juntos, eu faria um monte de filhos em você. – e Otto quase caiu pela segunda vez. –Eu teria abandonado Emilia para morrer, Rem, se você tivesse me aceitado. E ela percebeu o que isso significa.

O choro finalmente escapou da garganta de Rem.

—Subaru... – ela soluçou – isso não significa nada...

—Significa, sim, Rem. – ele chorou. – Por muito tempo eu evitei pensar nesse dia. Porque no fundo eu me envergonhava. Eu só não abandonei Emilia, Ram e Beatrice porque você foi nobre demais para que isso acontecesse. Eu só não deixei que Petra e todas aquelas pessoas inocentes do vilarejo morressem porque você me mostrou o quanto isso era errado, me mostrou que eu precisava salvá-los. Mas eu teria ido embora com você, Rem. Entende o que quero dizer? Eu já fiz uma escolha definitiva naquele dia, só estava me recusando a admitir.

—Pare com isso! – ela chorou, cobrindo o rosto. –Você me disse que amava Emilia, naquele mesmo dia.

—E eu amo, Rem. Amo, amava, não sei, de algum jeito diferente eu a amo. – ele segurou os ombros de Rem, olhando-a nos olhos. –Mas eu amo você, Rem. Eu não sei em que momento isso cresceu mais do que eu conseguia perceber ou controlar, quando dei por mim eu estava morrendo por você dezenas de vezes. Deus... doeu tanto quando você esqueceu de mim, esqueceu de nós... Eu escolhi você várias vezes, Rem. Eu quis fugir com você. Eu enfiei uma faca na minha garganta após o bispo da gula derrotar você, mesmo depois de me declarar para Emilia, pois naquele momento só o que me importou foi trazer você de volta. Eu deixei de dar a Emilia a proteção necessária no santuário da bruxa, porque para isso eu teria de escolher somente ela e não salvar você. Diabos, eu enxerguei o seu rosto, ouvi sua voz... – ele a abraçou com força, com o nariz em seus cabelos. -...senti o seu cheiro, em uma bruxa que estava tentando me confortar, porque era você quem eu queria ver! Para mim era você quem representava o conforto e a força que eu precisava.

—Subaru-kun – ela enfim o abraçou de volta, sentindo como se as peças de seu coração partido começassem a se colar.

—Rem, eu te amo... – ele colou a testa na dela, ambos com os rostos molhados de lágrimas. –Porra, eu te amo! Emilia é sim importante para mim, assim como sou para ela, mas você... – ele a apertou com mais força. –O primeiro “eu te amo” que ouvi nesse mundo foi tão poderoso que teve o poder de transformar um perdedor como eu em um herói.*

—SUBARU-KUN! – Rem soluçava nos braços dele.

—Eu te amo. Te amo não só porque você me tornou um herói, porque você salvou minha vida e me apoiou tantas vezes, ou porque fizemos amor durante uma noite inteira, como se nossa vida dependesse disso. – e nesse momento Otto fez um pigarro. –Eu te amo, porque... porque você é você. Voce é a minha Rem! Sempre foi você...

E então foi Rem que o interrompeu, colando os lábios aos dele. Antes mesmo que a garota terminasse de entrelaçar os braços em seu pescoço, Subaru já estava com as mãos na cintura dela, a puxando para mais perto. Um beijo com entrega. Com paixão. Com saudade. E com a fome e certeza de duas pessoas que estavam se segurando a muito tempo, e finalmente não precisavam mais.

Rem nunca quis competir com ninguém. Não quis lutar por Subaru batendo de frente com Emilia, pois nunca foi esse seu intuito. Nunca o ajudou em busca de aprovação ou de ser escolhida. Simplesmente ajudar Subaru havia se tornado uma parte dela. Quis ser uma heroína como ele. E principalmente, quis fazer tudo aquilo por ele, e não por si mesma. Não ligava se ele correria para Emilia no final. Ele sempre seria seu herói.

—A verdade... – interrompeu o beijo, voltando a encostar a própria testa na dele -... é que você diz que eu tornei você um herói. Mas você não sabe o quanto você me mudou. Eu... – ela se aconchegou ao peito dele. –Eu não menti, quando disse não me arrependo de nada. E que eu protegeria você quantas vezes fosse preciso. Que eu VOU proteger você quantas vezes for preciso.

—Rem... – Subaru levantou o rosto dela delicadamente com os dedos. – Lembra quando você perguntou se eu deixaria que você me acompanhasse, e eu respondi que era eu quem deveria pedir isso a você? – Ela assentiu. –Rem... minha heroína... você aceita que EU acompanhe você?

Rem sentiu como se mil borboletas batessem asas em seu estomago.

—Subaru-kun... mas você ia ser um cavaleiro real. – ela chorava. –Como pode abrir mão disso para acompanhar uma simples professora, que não tem nada além de algumas malas?

—Eu não estou abrindo mão de nada. – ele respondeu. Acariciando o rosto dela. – Eu não preciso de nada além de você. Se você não se importar em levar um humano desempregado com você, eu prometo dar o meu melhor que eu me propor a fazer, e prometo te fazer feliz todos os dias.

Ela segurou as mãos dele e sorriu emocionada.

—Era isso que eu queria, quando chegasse o momento de ficarmos juntos. Esse sorriso no seu rosto. – ela encostou a cabeça no peito dele. –Chega de sofrer, Subaru-kun. Vamos viver um pouco de felicidade e preguiça, só nós dois. **

Se beijaram mais uma vez, e foi como se aquela vida juntos já tivesse começado a muito tempo.

Notas finais
*Essa frase é original de Re: Zero. Subaru diz a Satella quando ela aparece pela primeira vez, se referindo a nossa Remzinha. ♥
**Outra referencia. Aqui, me refiro a famosa Rota da Preguiça, um dos ifs alternativos escritos pelo próprio autor, onde Rem aceita a proposta de Subaru e os dois fogem. Vamos fazer de conta que a if da preguiça acontece após minha fic, ok? :)

Amei escrever meu final para esse casal, agora bora aguardar minha próxima obsessão - me aguardem, Rimuru e Chloe de Tensei Shitara Slime. :3

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