A escolha
7 Libertação
Benjamin Lafitte ficou de pé para escutar o juiz. Fizeram-no aparar o cabelo e fazer a barba. O período no reformatório o fez perder peso, além de lhe dobrarem a espinha. Disseram-lhe para não encarar o juiz, mas não baixar a cabeça, contudo. A roupa que lhe trouxeram até o fazia parecer um nerd ou coroinha da igreja. Era impossível não imaginarem que ele era um bom rapaz.
O juiz terminou seu discurso. Havia sentenciado Benny a trabalhos comunitários em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos, por seis meses. Ao menos ele não voltaria para o reformatório. Sua mãe e seu pai estavam logo atrás. Sua mãe freqüentemente o tocava no ombro, como para lhe assegurar que ela estava a seu lado. Seu pai, não. Ele com certeza ainda espancaria Benny assim que voltasse pra casa.
Ao saírem do tribunal alguém tocou em seu braço. Benny virou-se para receber um abraço do único colega da escola que havia comparecido ao julgamento, seu amigo Dean Winchester.
"Bom te ver do lado de fora, bro. Que bom que você saiu." Dean falou genuinamente feliz com sua libertação.
"É bom mesmo! Obrigado por vir aqui, homem!" Benny falou com a voz embargada e com lágrimas escapulindo dos olhos, contra sua vontade.
"Despeça-se de seu amigo, Benny. Nós estamos indo para casa." O pai de Benny, ranzinza e frio, o alertou.
"Até-logo, Dean! Depois eu falo contigo." Benny se despediu.
"Vai pela sombra, cara-pálida!" Dean ficou pra trás, imaginando como um cara de bom coração e boa índole como Benny pôde ter entrado nessa roubada.
Na semana seguinte, Benny retornou à escola, tímido e calado. Todos sabiam do ocorrido, mas ninguém caçoou ou o azucrinou. Não conversavam com ele, todavia, a não ser por algumas garotas com instinto maternal e Dean Winchester. Este ficou inseparável de Benny por toda semana, como se a mostrar para o resto da escola, que Benny não era contagioso, e ainda era digno da amizade de todos. Quando o resto da turma voltou às boas com ele, Dean se afastou para que Benny pudesse interagir com os outros.
Tudo isso não passou despercebido ao recém-liberto, e ele guardou um lugar especial no seu coração para Dean Winchester.
Certo dia, ao dobrar um corredor, Dean deu de cara com Lisa Braeden. Ele tentou encontrar nos escaninhos de sua memória se ele havia rompido com ela, ou se ela havia dado um chute nele. Ele não sabia. A única coisa que se lembrava era que o sexo havia sido excepcionalmente bom, e só.
"Oi, Lisa! Tudo bem?"
Dean foi calado por uma força da natureza. Lisa pulou em seu pescoço e atacou sua boca com lábios carnudos e sedentos, como um beduíno no oásis. É, talvez eles ainda não tivessem terminado a coisa que havia entre eles.
"Acho que está tudo bem, não é?" Dean perguntou maroto, assim que Lisa soltou sua boca.
"Sabia que outro dia você quase me mata do coração?" Lisa perguntou dengosa, como uma criancinha.
"Por que docinho?"
"Porque minha menstruação atrasou e eu tive que comprar um teste de gravidez." Ela falou de um fôlego só, encarando Dean com olhos de animalzinho ferido.
Dean ficou mudo. Ele abriu a boca para perguntar pelo resultado, mas não encontrou voz. Isso não era possível, afinal ele sempre usava camisinha. Mas houve um dia, quando Cassie esteve incrivelmente magnânima e aceitou fazer sexo no banco de trás do Impala, e ele ficou sem camisinhas, e aquela outra garota o abordou no banheiro masculino, praticamente se jogando sobre ele, toda oferecida, mesmo quando ele disse que não tinha camisinha … Lisa!
"Relaxa, gato, deu negativo." Lisa o abraçou mais apertado, o bastante para que ele pudesse sentir seus peitos rijos. Dean gemeu involuntariamente. "Meus pais vão viajar no fim de semana. Estava pensando em te convidar pra ir lá em casa, pra me fazer companhia. O que acha?"
"Ah … não sei!" Dean pensou por um momento que Lisa ia com muita sede ao pote. Ela não se precavia contra gravidez e invadia sua vida como um furacão, deixando-o tonto e abestado. Talvez fosse melhor ir com calma com essa garota, com muita calma mesmo, senão ele seria pai antes de ter 20 anos. "Eu tenho seu número, gata, depois eu te ligo, respondendo." Dean falou isso se desvencilhando do abraço dela, e se afastando na outra direção.
"Se demorar demais, talvez um outro ocupe seu lugar." Lisa falou desapontada e irritada.
"Azar o meu, então." Dean falou, já distante.
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