A escalada até o céu
1 Capítulo 1
A Escalada até o céu
Ventos frios atravessam o campo por onde eu estou deitado e sinto minha pele arrepiar, ainda com as pálpebras fechadas acima de mim consegui ver um enorme clarão vermelho, consigo abrir meus olhos há tempo de apreciar toda aquela luz se dissipando pelo céu, um sorriso se forma em meu rosto pois o que vem depois do relâmpago é o trovão. Ele que ecoa com todas as suas forças por esse mundo... sim esse mundo de terras tristes e inférteis, desprovido de som algum...
...Será que os anjos ainda estão lutando por nós?
Os primeiros respingos de chuva começam a cair, com a cabeça ainda inclinada para cima me levanto para melhor aproveitar as gotas se chocando com o meu rosto, porem não dura muito tempo sou golpeado nas costas com algum objeto. Despertado de forma pouco convencional do meu momento de satisfação pessoal assustado e curioso procuro a minha volta pelo que me atingiu não demoro a encontrar, observo e vejo que é uma de minhas botas. Mais há frente na direção de onde a bota foi arremessada vejo minha irmã mais nova Ana, uma baixinha de cabelos negros, seus olhos castanhos me lançavam uma mistura de raiva e desaprovação, seu vestido verde claro bastante sujo de poeira algo comum para nós que estamos sempre montando acampamento em regiões desérticas. Segurando minha outra bota em sua mão direita ela há arremessa próxima dos meus pés. Começo há me calçar e rapidamente ela começa a gesticular algo como:
Dormindo aqui fora de novo? Eu já não te disse que é perigoso! Levanta daí e me ajuda a arrumar nossas coisas estamos de partida.
Gesticulo de volta:
Desculpa. É um mau abito meu.
Ela finaliza a conversa gesticulando:
Sei disso melhor do que ninguém.
Termino de me calçar e seguimos em direção a Jane nosso trailer e olho de relance para uma frase estampa na lataria:
“Temos esperança, temos a salvação.”
Não sei quanto a salvação, mas ainda temos esperança. Entramos e vejo Tereza minha outra companheira de viagem, hoje ela estava de penteado novo, seus longos cabelos castanhos estavam transados e a frente de seu ombro direito. Será um bom sinal? Também estava vestindo um moletom preto com a mesma frase da lataria e a saia longa e marrom de sempre. Ela estava pendurando nossa única arma de fogo uma espingarda semiautomática na parede do trailer. Ao me ver ela gesticula: Bom dia o cochilo foi bom? Gesticulo de volta: Foi, mas melhor ainda foi o show que eu vi quando acordei não concorda? Sim concordo eu espero que os anjos vençam logo para que possamos receber a salvação. (Tereza) Não sou o maior fã de Deus, mas eu escolhi acreditar no que ela e o Simon acreditam. Levei algum tempo para perceber que apenas instinto de sobrevivência não basta. É preciso ter motivação também. Disperso de meus pensamentos percebo que ela melhorou muito em sua linguagem de sinais. Eu e Ana não temos problemas em usar linguagem de sinais, já que antes do mundo ficar assim minha irmã era surda então tive que aprender também, já a Teresa não, nossa comunicação com ela era através da escrita que não é tão pratica dada a situação em que vivemos, então isso é muito útil, acho que tenho que elogia-la ou algo assim: Parece que você andou praticando sua linguagem de sinais não é mesmo? Sua libra está bem melhor. Ela cora e começa a gesticular algo mais confuso e difícil de interpretar dessa vez consigo entender algo como: “Eu andei praticando, mas não sei se tenho confiança para usar lá fora em alguma situação de risco.” Não sei o que dizer, ela parece nervosa será que eu disse algo que não devia, sou horrível com essas coisas, sinto um empurrão em minhas costas e nossa conversa é interrompida por Ana que estava logo atrás de mim. Ela gesticula: O papo está bom, mas temos que ir os nossos suprimentos estão acabando e precisamos reabastecer e montar acampamento em lugar seguro então vamos logo com isso pombinhos. Eu até discordaria dela se ela não estivesse certa, mas como está não posso fazer nada. Começamos a arrumar não leva muito tempo já que não temos muitas coisas por fim sentamos em nossos assentos e ligo a ignição algo me chama a atenção quando olho de relance para o chão, vejo a foto que tiramos com Simon há algum tempo, estávamos sentados em frente a uma fogueira assando marshmallows vencidos. Deu uma dor de barriga mais tarde... Mas foi um dos melhores dias da nossa vida juntos e um dos últimos... Pego ela e coloco no para-brisa no cantinho ao lado direito, dou partida e pegamos a estrada. O céu ainda lampejava e raios vermelhos rasgavam o céu. Após quinze minutos sou cutucado. Vi que era Ana, ela ainda está irritada e gesticula: Dá para prestar menos atenção na tempestade e mais na estrada? Já é a segunda vez que ela interrompe meus pensamentos hoje, essa baixinha é irritante quando quer, volto meus olhos para a estrada e não demora muito para a tempestade passar. No mundo onde vivemos tempestades duram por volta de trinta minutos, mas como a frequência delas é grande não tenho muito do que reclamar, amanhã provavelmente eu vejo outra. Após três horas encontramos um posto abandonado com alguns montes há frente não há veículos no nosso campo de visão como choveu não há marcas de pneu no chão de terra, isso é um motivo a mais para ficarmos em guarda gesticulo para elas dizendo que fiquem de prontidão no carro enquanto que eu vou na frente armado, vejo que a porta da frente está aberta dou uma volta pelo lado de fora para averiguar se não a ninguém nos fundos tudo limpo aparentemente. Vou procurar no banheiro sinto um cheiro muito forte mesmo assim me esforço para entrar e o lugar está escuro mas antes de me dar conta estou do lado de fora agachado vomitando com todas as forças eu sei que não posso demorar. Então tento me recuperar o mais rápido possível, respiro fundo o ar aqui fora pego meu casaco e enrolo sobre o rosto na tentativa de inibir o cheiro posiciono a lanterna em cima do rifle ao entrar vejo retalhos de roupas cobertas de sangue espalhadas por todo lugar. Olho mais ao redor e percebo pegadas de alguma criatura. Também há muita merda e urina espalhadas pelo banheiro. As portas de onde ficam as acomodações das privadas estão quebradas. Ao que parece um Dmon passou por aqui e matou seja lá quem for o sortudo. Li em algum lugar que as pessoas se cagam quando são mortas mas levando em consideração que estamos em um banheiro talvez tenham sido mortos com as calças arriadas de qualquer jeito não é um forma agradável de se morrer, ainda com náuseas me dirijo para fora a minha mascara não inibiu por completo o fedor mas deu uma abafada, tiro o casaco do meu rosto pois torna difícil respirar e sigo para a borracharia. Novamente sinto o cheiro forte de sangue ao me aproximar da porta, é triste como aos poucos estou começando a me acostumar com o cheiro. Aparentemente a porta foi arrombada, como não a sinais de garras então provavelmente foi um humano respiro fundo acocho um pouco mais o dedo no gatilho e empurro a porta com a ponta do rifle e ela para há poucos centímetros ficando semiaberta. Sinto meu coração parar. A porta explode só consigo ver os estilhaços voando na minha direção. Rapidamente fecho meus olhos. Quando abertos eu percebo que meus pés não estão mais tocando no chão e cada segundo passa muito devagar. O cenário que estava a minha frente mudou. Estou vendo o céu passando lentamente pelos meus olhos parece que estou flutuando. Entendi. Eu fui arremessado pelo impacto tudo começa a ficar rápido e sinto minhas costas se chocando contra o chão, meu corpo puxa o ar com todas as suas forças, por um breve momento a cor do mundo oscila frente aos meus olhos, estou atordoado. Mas dura pouco assim que uma baforada quente recai sobre a minha barriga como resposta todas as minhas células vibram, todo o resto do meu corpo está quente principalmente a minha cabeça. É como se meu corpo estivesse me dizendo que o que esta baforando sobre min é: Morte! Forço meu queixo contra o meu peito para ver o que esta a minha frente e vejo uma criatura semelhante a um tigre,vejo enormes olhos negros com irís vermelhas direcionados aos meus, vejo um rosto enorme uma boca semiaberta com dentes muito afiados. É um Dmon! Meu corpo está fedendo a medo. Posso ver isso nos olhos satisfeitos dele, sua boca muda de formato como se estivesse sorrindo, lembro do meu rifle mas não a nada em minhas mãos, não consigo desviar meus olhos dele para procurar o rifle ele coloca sua pata encima do meu peito e sinto a pouca força que á em min se esvaindo bato com a minha nuca no chão e começo a gritar desesperadamente mas o silencio prevalece. Senhor meu Deus eu não quero morrer. Teresa, Ana, Simon socorro. Ele começa a aproximar seu rosto do meu eu vou morrer. Eu não quero morrer, eu não quero morrer, EU NÃO QUERO MORRER, EU NÃO QUERO MORRER, EU NÃO QUERO MORRER... eu não... eu vou morrer... Bruscamente meu medo sobe de cem a mil ouço um grito de dor que ecoa pelo lugar... um grito de agonia... um grito de medo... um grito de quem viu o rosto sorridente e doentio da própria morte. Olho para os montes e vejo algo muito mais aterrorizante do que um Demon, vejo um clarão azul se desfazendo acima daqueles montes. Minha cabeça começa a queimar muito mais do que antes, sinto minhas forças voltando, sinto como se um raio estivesse percorrendo minha cabeça eletrocutando cada neurônio com instinto de sobrevivência como se aquilo fosse verdadeiramente um motivo para se sentir medo e isso que está acontecendo comigo fosse apenas um obstáculo que estava tentando me impedir de fugir daquilo. Consigo me mexer! Percebo que ele também estava olhando para lá. E sua pata não está mais pressionando tanto quanto antes me viro vejo a minha arma a poucos centímetros da minha mão direita. Estico-a e consigo pegar meu rifle. E posiciono sobre seu queixo. Ele instintivamente recupera os sentidos assim que a boca do rifle encosta em seu queixo, a força volta para sua pata mas não vou te dar a oportunidade de revidar seu desgraçado. Puxo o gatilho e estouro sua cabeça, o sangue cai sobre meu rosto assim junto dos miolos e o que sobrou da cabeça cai sobre meu rosto não consigo me mexer está tudo escuro. “Elevo meus olhos para os montes de onde vem o meu socorro” Tudo está embaçado minha cabeça está doendo... Tudo está doendo. Tudo está sacodindo. Não estou me sentindo bem. O que? O que houve? Meus olhos estão mesmo abertos? O que é isso? Algo está tocando em mim, tem um vulto acima de mim, não... não... não me toque. Sai de perto! Sai de perto! Mas isso continua a tocar na minha cabeça... No meu rosto... Essa sensação de impotência não... De novo não... não quero sentir isso... Eu já disse para me soltar!!!!!!!!!!!!!!! Mordo com toda a pouca força que tenho e o vulto parece esboçar alguma reação. Eu ele estou sentindo meus dentes em sua carne. —Ma... —Ma... Eu estou ouvindo uma voz... —Ma... Eu estou ouvindo isso é tão bom mesmo que seja um sussurro —Matar O que? —Mata ele! A culpa é dele! Sim a culpa ... a culpa é sua seu maldito desgraçado. Minha força está voltando. Sinto o gosto do seu sangue e é bom. É muito bom —Mata ele! A culpa é dele! Sim matar, matar, matar —Mata el- Matar Matar —Acorda! Eu volto a enxergar o mundo normalmente. Onde estão as vozes? Não há ninguém a minha volta exceto o cadáver do Demon ao meu lado. Mais importante que isso onde estão as meninas? O trailer também desapareceu. ... Essa dor de cabeça tá me matando, preciso amenizar ela de alguma maneira ... talvez tenha algo para isso no posto de gasolina. Ando até a loja conveniência a porta se abre sozinha assim que fico a sua frente, tudo está uma bagunça prateleiras caídas, embalagens plásticas jogadas no chão. Mas quem se importa. Demorou um pouco porém, encontro algumas cartelas de aspirina em cima do caixa. Viro todas elas goela abaixo com uma lata de refrigerante. Sigo até o frízer para pegar outra bebida, mas no reflexo do espelho vejo um vulto me observando de uma das prateleiras. Olho para traz imediatamente o vulto se assusta e foge começo a correr tenho que correr e impedir que ele chame reforços. Antes que me dar conta de qualquer coisa eu tropeço em algo enquanto estava correndo. Caio em cima de algo macio porém estranhamente familiar. Levanto eu vejo um rosto feminino. Estou em cima de uma garota. Seus olhos castanhos com um muito cor clara porem muito forte pareciam cintilar como ouro, sua pele branca como a neve, seus cabelos loiros extremamente finos e ao contrario de seus olhos a cor era em um tonalidade bem mais clara. Ela parece atordoada mas assim que percebe a situação ela começa a espernear e se debater empurrando meu rosto para longe. O que é isso? Algum tipo de momento pervertido sortudo? Estou em algum daqueles momentos clichês de animes ecchi? Me irrito e seguro seus pulsos forçando-os contra o chão nós olhamos olho no olho por alguns instantes ela parece estar demonstrando mais dor do que deveria. Será que estou apertando mais forte do que deveria? Algo vermelho nas costas de sua mão direita me chama a atenção, levanto seu braço direito próximo do meu rosto ela não luta mais seus olhos estão fechados como se já tivesse aceitado seu destino, um ultimo espasmo contraindo sua mão no intuito de afasta-la de mim, mas eu continuo. Viro seu pulso e vejo que nas costas da sua mão um ferimento recente uma marca de mordida aparentemente dentes humanos... começo a me lembrar de quando estava tudo embaçado, da sensação de morder alguém , do gosto do sangue e do ódio que senti. Então é assim que eu te retribuo por ter me ajudado. Ao olhar para ela me lembro da situação em que estava até pouco tempo atrás com o Demon: encurralado e totalmente a mercê de alguém mais forte. Me irrito comigo mesmo, pego uma garrafa de uísque no chão e despejo sobre a mordida no intuito de desinfetar o ferimento. Ela agoniza em dor e se contrai em posição fetal contra a prateleira escondendo a mão com o corpo. Me ajoelho e bato com a minha testa no chão em pedido de desculpas. Acho que fico assim por pelo menos uns três minutos até que sinto seu toque de novo sobre meu rosto. Ela ergue minha cabeça e ficamos olho no olho. Ela me dirige um olhar meigo e extremamente familiar como se esse mesmo olhar de preocupação fosse dirigido a mim durante toda a minha vida como o olhar de uma mãe. Ela fala algo, mas como esperado não sai som algum mas eu entendo alguma coisa pelo movimento dos seus lábios: Não precisa disso, erga a cabeça por favor. Assim que ela percebe que não tem som algum, suas bochechas ficam coradas e ela leva as mãos a cabeça. Porem a mordida parece ainda estar doendo e isso atrapalha seu momento fofo de constrangimento fazendo ela segura sua mão direita com a esquerda, mantendo-as próximas do busto. A sena é um pouco engraçada apesar do peso na consciência esboço um sorriso de leve e gesticulo para ela: Desculpa por ser impulsivo daquele jeito, eu poderia ter sido mais cuidadoso e usado algo mais apropriado que uísque. Mas ela parece não ter entendido. Talvez ela não saiba libras. Eu me levanto para procurar um bloco de notas ou qualquer coisa em que eu possa escrever. No balcão do caixa aparentemente tem um abaixo de um saco de batatinhas aberto. Tiro tudo de cima e pego o bloco de notas e uma caneta abro o bloco e escrevo perguntando se ela não sabe libras. Ela pega o bloco de notas e escreve com um pouco de dificuldade: Não Desculpa fazer você escrever com a sua mão assim Ela balança a cabeça de um lado para o outro e escreve algo, logo em seguida ela ergue o bloco frente ao próprio rosto: Não tem problema esta melhor graças a você Isso me lembra que quando conhecemos Simon e Tereza nos comunicávamos assim. Ela abaixa o bloco de notas começa a escrever e novamente. Quando terminado ela o ergue o frente ao rosto: Sinto muito pelo que aconteceu você deve estar querendo saber o que aconteceu com sua família Eu confirmo balançando a cabeça. Ela estende seu braço para o computador no balcão seguimos até lá e ela se senta e começar a teclar acessando então as gravações das câmeras de segurança. Vemos o momento do ataque do Dmon até o momento do “grito de morte”. Assim que o corpo do Dmon cai em cima de mim Ana e Tereza correm para me ajudar porem Ana cai e não levanta Tereza vai até o chão. E assim que percebe algo ela se levanta e efetua um disparo a sua frente sem sucesso aparente pois ela já está preparando outro. Do nada aparece uma motocicleta por traz e há atropela arremessando ela para próximo do nosso trailer. Ela está no chão atordoada. Um homem de estatura mediana , magro, sem camisa, cabeça raspada e calça jeans rasgada nos joelhos. Ele sai moto e retira uma espingarda de caça e segue na direção dela que ainda está se debatendo no chão. Ele dá uma coronhada no rosto dela depois uma na cabeça fazendo ela desmaiar. Meu ódio começa a crescer novamente a palavra matar começa a ecoar ela minha cabeça. Ele pega a arma e finaliza disparando contra o rosto dela. Outra motocicleta chega outro homem aparece porem de porte um pouco menor que o rapaz, mais velho também por volta dos 50, estava de óculos com uma barba razoavelmente grande, camiseta preta com um avental de açougueiro por cima, calça jeans e botas como as do rapaz. Ele segue até o corpo de Ana e o coloca sobre seus braços levando-a em direção a Jane. No caminho algo me chama a atenção. Aproximo meu rosto e percebo que é um dardo tranquilizante usado para caça, percebo que Tereza também tem um em seu rosto agora que estou olhando com mais atenção. Eles entram na Jane o Rapaz segue até próximo da nossa espingarda que tinha caído a poucos metros de onde Tereza estava caída, e coloca junto com outra espingarda na cabine de passageiro da motocicleta em seguida ele pega Tereza em seus braços e a leva para dentro. Sigo olhando para a tela vidrado contando o tempo, 60 segundos depois o Rapaz sai e acopla a motocicleta em que o velho veio há parte traseira da Jane ele sinaliza para o velho que liga Jane e segue para a rodovia. O rapaz então segue em direção aonde estão meu corpo e o do Demon estão. Ele se aproxima e observa o corpo da criatura. Aparentemente ele não percebeu que estou logo abaixo, ele fecha os olhos se ajoelha e inicia algo parecido com uma oração. (Tento fazer leitura labial mas a imagem da câmera é horrível.) A oração é finalizada com ele movendo o polegar pela garganta da esquerda para a direita, ele se levanta e segue viagem na mesma direção e vai embora. (...) Eu preciso pensar, pensar, pensar, pensar!!!!!!! Ana, Tereza, Ana, Tereza, Ana, Tereza .... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!! Arremesso o monitor para longe. Como eu posso ajuda-las? (A culpa é sua) Chuto uma prateleira que ainda estava de pé derrubando-a sobre as outras espalhando tudo que estava em cima dela sobre o chão. Para onde eles as levaram? (Você escolheu o caminho) Com uma mão eu arremesso uma cadeira contra a vitrine a fazendo em pedaços em seguida começo a gargalhar insanamente a ponto de sentir minha garganta se rasgando por dentro.(Nós sabemos o que acontece com garotas sequestradas nesse mundo.) A gargalhada vai se sessando por completo e é tomada pelas lagrimas pesadas que começam a escorrer pelo meu rosto como se a cada gota eu estivesse me esvaindo até finalmente me tornar oco. Meus joelhos se dobram e olho para cima como se estivesse esperando alguma resposta. Mas nada acontece. (Você sabe por que o mundo é silencioso?) (A resposta é simples) (É porque você está sozinho) E o silencio prevalece por muito tempo isso é o real desespero. ... Minhas últimas lagrimas escorrem pelo meu rosto, quando de repente duas vozes ecoam quase que em completa harmonia: —Você tem tempo para cair aqui? Ambas as vozes me parecem familiares. Uma delas era firme e forte transparecendo a certeza de quem segue seus ideais até o fim. Essa parecia com a voz do Simon. A outra era suave e forte como um abraço essa era a voz que me despertou antes. —Se esses joelhos dobrados não são para uma oração, é melhor continuar seguindo em frente, o que você procura não está aqui. Sinto suas presenças atrás de mim. Tento me virar, mas sou empurrado para frente por duas mãos distintas. Uma grande e outra pequena. Como eu estou de joelhos quase caio de cara no chão, mas consigo parar a tempo colocando minhas mãos na frente um sentimento familiar toma conta de mim e um sorriso se forma em meu rosto, sinto como se estivesse tomado um Daqueles sermões do “Pastor Simon” aqueles sermões que faziam eu parecer mais idiota do que os meus problemas. Me levanto e começo a procurar coisas uteis. Depois de algum tempo eu encontro uma tesoura de jardinagem. Não é bem o que eu queria, mas vai servir. Tiro a rosca que fica no centro da tesoura separando as laminas. Eu guardo elas nos bolsos internos da minha jaqueta. Com meus pensamentos entrando em ordem novamente começo a me lembrar daquele “grito de morte” que é o principal motivo de eu ainda estar vivo agora. Sigo até os montes próximos do posto de gasolina não é difícil encontrar o corpo pois já estava sendo cercado pelos abutres no topo do monte. Assim que eu me aproximo os abutres se dispersam pelo céu e vão embora. Será que o cheiro da morte está tão forte em mim a ponto de assustar os carniceiros? Até onde eu sabia eles não se afastam da carniça mesmo quando alguém se aproxima e não fogem a não ser que sejam atacados. O corpo ainda tinha carne e suas roupas estavam um pouco rasgadas, mas ainda deu para identificar que ele era um presidiário fugitivo. Estava caído de bruços com um buraco de bala em seu crânio. Parece que aqueles caras utilizam mais do que apenas dardos tranquilizantes como munição. Viro o corpo de peito para cima e o revisto, mas não há nada com ele, eles não deixariam nada de importante aqui. Porem não custava tentar. Olho para ele e sinto uma mistura estranha de gratidão e tristeza. Carrego seu corpo para baixo e improviso uma cremação com um isqueiro, um latão e um pouco de gasolina. Não nós conhecemos, mas eu já te devo minha vida e muito mais. Me desculpe mas esse funeral mequetrefe é o melhor que posso oferecer para você agora. Assim que termino eu vou até um mapa de referências próximas e encontro um presidio há 20 km. Elas podem não estar lá, mas é a única pista que eu tenho. Então sigo a pé pelo deserto. Não demora a escurecer e eu começo a sentir meu corpo fadigar, o frio começa a incomodar, porem de alguma forma minhas pernas continuavam a se mover, segui iluminado pela luz da lua e das estrelas, o céu estava semí-limpo, no horizonte algumas nuvens vermelhas e alguns clarões uma tempestade está por vir? O que veio depois do clarão dessa vez não foi um trovão e sim o som horripilante que é um “grito de morte.” E eles vieram como um turbilhão ecoando um após o outro e enaltecendo-se cada vez mais senti o medo e dor de várias almas gritando enquanto a dor as consumia. Mesmo com medo e tremulo minhas pernas continuaram andando para frente e eu finalmente consegui ver o presido o lugar estava sendo atacado por Dmons. Eles estavam lutando contra os Dmons e estavam perdendo. Apesar do armamento pesado e das perdas para o lado das criaturas a diferença de força ainda é maçante quando se trata de um grupo grande. Por um instante me lembro de algo que a Tereza disse quando vimos juntos pela primeira vez um “grito de morte” de perto. Ela disse que era como se a alma estivesse gritando de dor por estar se separando do corpo. Eu não sei o que os Dmons faziam, nem se aquilo são almas, mas independente do que fosse estava sofrendo. Assim que as pessoas eram devoradas algo mais acontecia. Era como se a luz em vez de ser dispersada e desaparecer. Parte dela ficava na boca da criatura e era devorava após a carne fazendo os olhos das criaturas brilharem deixando-as em estado de frenesi como um vampiro sedento por sangue. Quanto mais pessoas morriam mais deles apareciam de direções diferentes. Sinto um tremor repentino na terra, e antes que me desse conta um grupo deles começa a passar por mim, mas para minha surpresa não sou atacado por nenhum deles. Eu sigo andando junto deles intocado como Daniel na cova dos leões ... ou será que não seria como aquela serie de zumbis? Ao entrar na batalha e ao ver os corpos e as pessoas que estão lutando percebo que todos tem algo em comum. Todos tem o símbolo tribal no pescoço. E quando encurralados pelas criaturas, todos que tem oportunidade se degolam precisamente nessa marcação. Me aproximo de um Dmon que estava devorando um cadáver. Tenho que pegar a arma que está em sua cintura. Mas assim que toco na arma a criatura esboça alguma reação. Fazendo meu coração acelerar, aproximo minha mão esquerda da lamina da tesoura escondida no meu casaco. Ele para de devorar o cadáver e me olha nos olhos fixamente, ele aproxima o rosto do meu e dá uma fungada fazendo meu coração parar, em seguida ele volta sua atenção para o cadáver e começa a devora-lo novamente ficando indiferente quanto há mim. Finalmente consigo pegar o revolver e sigo para dentro do presidio assim que eu entro começo a ouvir “gritos de morte” porem em um tonalidade diferente, mais fraca lembro das garotas e acelero o passo. Sigo correndo por um corredor até chegar nas escadarias debaixo. Elas vão até as profundezas do lugar. Ao chegar próximo da entrada do pátio da prisão eu dou de cara com o desgraçado que atropelou a Tereza. Assim que nos vemos aponto o revolver em direção a ele e o próprio faz a mesma coisa. Algo em mim faz com que eu não me permita recuar nesse momento, começo a correr e disparar em sua direção, eu erro o primeiro disparo e ele me acerta no ombro esquerdo, continuo correndo e erro mais dois disparos, ele acerta um no meu estomago e outro centro do meu peito disparo mais uma vez e acerto sua mão direita estourando dois dedos o desarmando. Ele agoniza em dor e disparo contra sua cabeça, mas a arma está sem munição ele avança em minha direção e me dá uma cabeçada no rosto me deixando atordoado em seguida um soco no ouvido. Minha cabeça está zunindo, enquanto ele parece ter retirado uma faca da parte de atrás de sua calça e ataca fazendo um corte lateral em direção da minha garganta, eu mordo a lamina, mas ela ainda passa por meus dentes deixando rasgando a parte direita da minha bochecha. Inicio meu contra ataque. Retiro as laminas da minha blusa e apunhalo seu estomago, antes que ele possa fazer qualquer coisa giro as laminas dentro de suas entranhas acabando com a sua resistência. Sinto minhas forças se esvaírem junto com o sangue que estava jorrando do meu peito talvez a bala tenha acertado alguma artéria próxima do coração. Eu rastejo até a arma e depois para a entrada do pátio. Vejo vários presidiários em filas um ao lado do outro de joelhos no chão algemados, no centro das algemas havia correntes interligadas com o solo os impede de correr. Eles eram degolados um após o outro de forma rápida e indiferente por uma mulher. Ela é alta, de pele parda de quem costuma morar no deserto, vestida com túnicas improvisadas usando panos velhos e alguns trapos. Ela os degola e deixa o corpo para traz agonizando enquanto o sangue que jorrava de suas gargantas tingiam o chão de vermelho até que enfim chegava ao “grito de morte”. Minhas mãos começam a fraquejar enquanto miro em seu coração e disparo contra suas costas, mas acerto seu braço. Porem ela continua seguindo em frente como se o que ela estivesse fazendo ali fosse mais importante do que a própria segurança ou a dor que estava sentindo. Efetuo mais 3 disparos errando um por um. Minha visão começa a escurecer e usando todas as minha forças para manter meu braço tremulo alinhado. Disparo meu último tiro antes da minha visão escurecer por completo e meu corpo ir ao chão. A Ana vai brigar comigo de novo por dormir no chão... (De certa forma sinto uma enorme paz interior, eu morri usando até a última centelha de mim eu fiz tudo que podia ... ... essa é uma boa forma de morrer.) Sinto novamente a sensação de estar sendo carregado porem meu corpo está mais leve, sinto um calor reconfortante tomar conta do meu peito. Abro meus olhos lentamente e vejo a mesma garota do posto de gasolina eu estou no chão e ela está em pé a minha frente, com as mesmas roupas, mesmo olhar meigo, ainda com o ferimento que eu causei em sua mão direita porem agora ela tinha ainda mais ferimentos pelo corpo como se estivesse acabado de chegar da guerra e um par de asas em suas costas. Todas desbotadas e manchadas de sangue. A esquerda estava quebrada Porém ainda assim ela estava sorrindo para mim, ela move seus lábios e sua voz toma conta do meu coração. “_Respondendo a sua pergunta ...sim nós lutamos.” Fim
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