A escada
1 Devia ter sido sopa
Notas iniciais
Impossível ficar pior, era o que meu irmão dizia. Não que ele achasse alguma noite particularmente boa, principalmente porque estava com o humor péssimo ultimamente . Impressionantemente precisava admitir, aquilo estava péssimo. O grande spoiller dessa história é que ainda estou viva, se não, quem estaria escrevendo para contar a vocês? Ops, me adiantei? Vamos voltar aquela noite.
— Impossível ficar pior – Ricardo disse entre dentes enquanto matava um mosquito -
— Não esta tão ruim… -Sim estava, bem ruim. Mas alguém precisava ser honesto – Perdi a página que estava lendo!
— Esta brincando? Pra começar viu o inferno que esta o tempo? Não temos nem um ar-condicionado! E então... minha ex aparece aqui. MINHA EX, passando mal!
Se houvéssemos coreografado ela não teria aparecido, correndo entre nós para vômitar mais uma vez. Aquilo era a 4 ou 5 vez? Não importa, a culpa dela estar assim provavelmente era dele.
— Tem algo para comer? Preciso comer algo. Sinto como se fosse morrer.
— Você não vai morrer agora – Ricardo disse-
— Como sabe? Minha amiga acabou de dizer que pode ser tuberculose, anemia ou sei lá o que.
Revirei os olhos, aqueles dois, minha nossa, porque não iam logo para o quarto se resolver.
— Não estão sendo dramáticos? Podemos pedir algo saudável.
— Esta muito quente para comer algo saudável, SOPA imagina SO-PA -Ela disse pausadamente, aquilo foi estranho- nesse calor.
— Ótimo, excluímos a sopa, então o que sugerem?
— Pizza. — Foi a resposta dupla-
— Perfeitamente saudável. — Ele entendiam sarcasmo certo?-
Os próximos 30 minutos serão ignorados por motivos óbvios. Em suma, eles realmente subiram para o quarto, imaginam o que aconteceu não é? Ela estava passando mal a meia hora, e agora esse barulho imenso. Eu terminei o livro. A campainha tocou, e magicamente eles surgiram perto da porta.
— Eu abro – Sugeriu Aline, nitidamente melhor-
De repente, um barulho oco, Ai nossa, alguém caiu, ela caiu, que droga, ela caiu, Por que? Quando a alcancei entendi pouco antes de tropeçar em um peso da escada, Aline havia desmaiado já o entregador, estava, morto, Ele estava morto droga, droga, droga. Consegui assimilar isso enquanto caia três degraus, agora estava suja de sangue, escoriações leves minhas e o sangue dele... ele era o “peso” que tropecei, O susto havia sido tão grande que não consegui dizer nada, absolutamente nada. O que estava acontecendo? Foi quando Ricardo apareceu na soleira, tinha acabado de me levantar quando o vi reanimando Aline e finalmente reparando na cena mais a frente. Nunca irei esquecer o rosto dele.
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