A era de Trevas
1 Cap 1: Iniciando as coisas...
Notas iniciais
— Corra pequeno herói! Corra até a sua morte!
Uma voz me atormentava enquanto corria de maneira desesperada e fatídica. Por mais que a Lua estivesse em seu ápice no céu, os tons escuros que emanavam da rua deserta de onde eu me encontrava, pincelava o cenário de maneira árdua e desesperadora, transformando tudo em um motivo para meu cérebro deixar meu corpo todo atinado em desespero.
— ah… ah… Deuses… por favor me ajudem! Preciso de vossa força! – Supliquei aos céus, aparentemente sem nenhuma resposta. Já estava ficando cansado de tanto correr daquela criatura monstruosa e sem obter ajuda.
Elevei minha mão direita, como sempre fazia antes de pedir a energia “emprestada” de algum Deus grego ou romano. Para variar, ninguém se importava de me ajudar, com exceção de minha patrona Hécate, que sempre estava atenta ao meu pedido. Pude sentir um fluxo energético percorrendo todo o meu corpo, me deixando mais aliviado e tranquilo, mesmo que durasse por alguns minutos.
Me virei, com cajado em mãos, pronto para encarar a besta horrenda.
— ok bicho horroroso. Vamos terminar isso logo!
— ah… que bonitinho de se ver – a besta ficou frente a frente comigo, depois de rir sarcasticamente da minha cara – finalmente o pontifex vai ser herói o suficiente para me encarar.
Ele vociferou um pouco mais forte.
— O GRANDE JIMMY OUSA ME ENFRENTAR? ISSO É ÉPICO VINDO DE UM SACERDOTE DA PAZ!
Jimmy… ele disse meu nome de maneira a me exaltar, tanto quanto me provocar para fazer alguma coisa estúpida.
— Já encarei muita coisa pior que você, coisa feia. Porque você não revela sua verdadeira identidade e me enfrenta? Mais honesto de sua parte.
— um desafio? Excelente! Mas infelizmente sou pago para fazer você Não me encarar de cara, então, eu só lamento.
— lamenta pelo o que? Pela sua morte?
— lamento porque posso saber que mais pra frente, alguém irá lhe testar ainda mais maguinho horroroso, e vai fazer com que você se arrependa ainda mais. Como não me pagaram mais, não vou te contar nadinha de nada!
“Pago para o que?” Comecei a raciocinar, porém, Percebi que a besta transformou seu rosto e a parte da frente de seu corpo imediatamente, ou o que tinha dele. Para descrever o que eu estava encarando, não é difícil: uma criatura totalmente sombria, de dois metros de altura, que possuía uma sombra escondendo sua cabeça, e sua parte torácica, parecendo que estava dentro de um saco de lixo grande e preto, com as mãos e os braços para fora (Na verdade… garras e patas se encaixariam melhor). Tudo nele se modificou e se transformou em alguém familiar demais para mim… cabelos dispersos para o lado esquerdo, com algumas luzes, face de homem com óculos e um pouco cheia, com uma blusa que tinha detalhes de ondas do mar, e possuía dois nomes em grego antigo, um deles era o nome da pessoa que ele se transformou, e a outra era o chalé pertencente.
Resumindo: a besta se transformou no Brito de Poseidon.
— ah… não fique tão surpreso assim, meu caro mago, não vai ser tão doloroso assim, vai ser rápido e certeiro.
E a criatura avançou. O que mais me matava de raiva era a voz que para variar era idêntica a do cara, e isso era… avassalador de escutar, sabendo que seus sentimentos começam a acordar junto, iniciando uma guerra dentro de você mesmo. Me esquivei para a esquerda e aparei um golpe de sua garra esquerda com minha arma. Ele tentou iniciar uma pequena seção de socos, mais eu sabia que tinha forças para impedir tal ato. Estalei meus dedos e a ponta do cajado assumiu um tom azulado forte.
— incantare! Frigo Ventum!
Disse com toda a minha convicção e logo senti um repuxo no abdômen, sinal que minha energia começou a ser convertida naquilo que acabara de conjurar. Uma rajada gélida e poderosa saltou do meu cajado, direto na cara do monstro. Ele se sacudiu tentando reverter o processo de congelamento, mas não conseguiu nada, porque era aquilo que ele odiava.
“Lembre-se que o Doppleganger recebe calor do inimigo assim que ele se sente incomodado com sua transformação! Então o correto é você utilizar aquilo que se opõe a ele” Manu de Apolo havia me dito quando eu saí para pegar os itens para o feitiço. Saltei para esquerda e saquei minha espada.
Isso foi o tempo suficiente para desferir um corte no abdômen do monstro, mas ao mesmo tempo me vinha o remorso de ver o rosto do Brito e o atacando. Fui interceptado por pela garra direita da criatura, que veio com uma aura flamejante tentando me impedir, rolei para o lado e cortei a garra.
A criatura se debateu.
— Não, porque está fazendo isso comigo?
— Bela tentativa utilizar a voz do Brito para me fazer parar – ironizei a criatura e logo executei mais uma vez o feitiço procurando crivar o orbe do meu cajado nela.
— Não… não ouse! – O doppleganger começou a segurar minha arma, e eu empurrava com força para causar alguma coisa, porém algo fez ele erguer a cara, e tremer as pernas.
Ele se dissolveu em névoa negra que se dispersou como pó ao vento. Uma lamina com um feitiço de congelamento estava empunhada por uma mão feminina, que não estava tremendo.
— Ainda bem que você tem um pouco de conhecimento psíquico Jimmy, e não caiu nas ilusões dele, porque eu particularmente odeio Dopplegangers…
Ela sorriu para mim, me deixando tranquilo. Quando fui ver era uma cara bem conhecida, e que eu adorava. Cabelos avermelhados ao tom do vento, uma pele branca intocada, além de uma armadura estilo viking muito bem trabalhada para as meninas.
— Vick amore! Estava me perseguindo? – A abracei de maneira afetuosa
— Em parte eu estava sim Jimmy – ela sorriu para mim e seguimos em frente. – Ellen e o Edu não se cansaram em querer me encher o saco pedindo para vir te buscar para irmos até o acampamento. Esse feitiço vale ouro para tentarmos fazer.
Assenti rindo. Não estava acreditando que minha namorada e um grande amigo meu estavam velando pela minha segurança, algo de depois de golpes e confusão no acampamento, achei que nunca mais veria.
— Enfim, conseguiu tudo Jimmyzinho?
— Sim, mas infelizmente acho que isso não será suficiente – respondi um pouco entristecido, tentando manter a positividade – o poder que emana é forte demais para tentar isso.
Ela retornou com um olhar positivo de convicção. Eu sabia bem que minha namorada e ela tinham a mesma perspectiva: Jamais ligarem o botão de Surrender.
— Pelo menos vamos tentar, talvez a gente consiga algum fruto disso.
— Vamos sim. E os ataques?
Ela me olhou com uma cara triste até demais.
— Ataques agora que viraram constantes são de semideuses e monstros juntos. Os Chalés estão ficando um pouco mais desanimados. Estamos resistindo, mas já está na hora de bolarmos um contra-ataque.
— Eu tenho uma ideia, mas teríamos de encarar muita barra pesada para conseguirmos.
— O que seria então?– ela parou no meio da Rua comigo, e me observou curiosa até demais
Comecei a contar para ela a minha ideia de ataque, que já tinha pensado em executar uma vez, mas foi em vão, porque não consegui chegar até o final e aonde havia acontecido o problema, já foi resolvido de outra maneira. Chegamos perto da avenida Otacílio Negrão de Lima e foi aí que nos assustamos de vez. Um bloqueio de monstros apareceu e dava para ver que não podíamos lutar contra todos, sorte que a barreira de proteção do acampamento ainda estava em perfeita funcionalidade e barrava tudo aquilo.
— Vamos lutar? – Vick sacou a espada de sua patrona: a deusa nórdica do amor
— Vamos é passar por cima, porque sim – Disse convicto daquilo que queria fazer.
Pude ver que os monstros sentiram nossa presença, e o que nos separava do primeiro portão de entrada eram uns dois minotauros, trinta dracaenas e uns dez sátiros sombrios, que empunhavam espadas curvas enormes e bem afiadas.
Vick pensou que lutaríamos, mas tinha meu plano B: usar a minha herança recém adquirida. Me concentrei firme e realizei uma série de movimentos. Uma energia turva começou a me dominar de maneira incrível e rápida. Subitamente teve um resultado: a terra começou a tremer ao nosso redor e uma rachadura circular se formou ao redor de nós dois.
— atenção todos! O pontifex está ali! – Disse um sátiro sombrio e todos se viraram para nós.
— Jimmy… eu não consigo lutar contra todos assim, minha energia está acabando! – Vick sacou seu escudo, junto de sua espada e se concentrava em fazer uma oração para algum deus nórdico, mas foi em vão, porque soltei um “eyaaaah” meio alto e ela se assustou um pouco comigo.
Começaram a investida, sorte que os minotauros eram bem encorpados porque estavam atropelando seus aliados e vindo em direção a nós…
Mas quem disse que eu iria deixar isso barato? Vick estava sob minha responsabilidade, não podia deixar nada acontecer com ela e eu estava louco para chegar em casa, não iria deixar esses monstros fazerem mal a mim e tampouco minha aliada. O chão se abalou um pouco mais e nos erguemos.
— HORA DE ABALAR AS COISAS! – gritei, dei um salto e assim que voltei ao chão, estendi minhas mãos para frente. O pedaço de chão aonde estávamos virou uma prancha de surf, e literalmente um muro de pedras grossas e espiralantes começou a se erguer na nossa frente e estávamos deslizando por cima dele. Quem estava embaixo foi literalmente atropelado pela minha nova conjuração, e não conseguia atravessar para perto do campo de proteção do nosso acampamento.
— Jimmy! Isso é… é…. AH MERDA, EU VOU CAAAIIIIIRRRRR! – Minha querida companheira estava admirada e cagando de medo ao mesmo tempo, mas isso era natural demais.
— Pise firme na rocha! – eu a avisei e estendi a mão – você não vai cair, nem morta, vamos direto para casa!
Ela assentiu feliz e a segurou. Logo, nós começamos a nos aproximar do portão principal, atropelando todo mundo.
— desde quando você tem esse poder grande?
— Desde que eu tive aquele acidente que mexeu com parte da consciência de Gaia! – Respondi um pouco Alto – parece que quando sobrevivi, nos hibridizamos um pouco, e eu por acidente peguei a parte dela de manipular a Terra!
— então seremos invencíveis! Porque não usa isso o tempo todo?
“Negando essa parte ainda Bruxo Bondoso? Ainda irei ressurgir novamente… não negue a ela!” pude escutar a voz daquela megera dentro da minha cabeça.
Respirei fundo e olhei para Vick com total franqueza.
— porque estamos conectados. Cada vez que eu uso minha magia terrena, Fornece a mãe terra, uma chance de começar a se reerguer de novo. Não quero dar a ela esse gostinho.
— e consegue dominar mais alguma coisa? Ou só a terra?
— Infelizmente só a terra. Não consigo ir mais além de pegar mais coisas, como o metal, a madeira, e outras coisas. Para minha querida tristeza, é até onde vou…
Ela parecia ter entendido o meu ponto de vista e logo tocou meu braço com suavidade, e me deu um beijo no rosto.
— esqueci que você carrega tantas coisas sozinho e briga a cada instante para não perder o controle Jimmy. Fico muito admirada com a maneira que está de pé e sorrindo até hoje.
“Nem tanto assim…” disse em pensamento, por mais que estivesse escondendo tudo com um leve sorriso. Depois de atropelar todo mundo, conjurei umas pedras mais altas e nos deslizamos igual um praticante de snowboarding, para entrar com velocidade agradável no portão. Atirei a pedra que usamos para a direção deles e a magia do acampamento nos cobriu, deixando tudo mais à vontade.
— amei fazer isso! – ela sorriu para mim. Quando é que poderemos fazer isso de novo?
— logo! – Sorri para ela – Deixa eu só… recuperar um pouco minha energia.
E seguimos para o acampamento, de maneira cansada e feliz.
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